Para a caracterização química do solo foram coletadas ao final do primeiro experimento, cinco amostras simples por parcela nas profundidades aproximadas de 0 a 5, 5 a 10, 10 a 20 e 20 a 35 cm, com a utilização de um trado tipo holandês. Ao final do segundo experimento foram coletadas amostras apenas nas camadas de 0 a 5 e 5 a 10 cm, com a utilização de um trado tipo sonda. Essas amostras foram homogeneizadas em balde e acondicionadas em sacos plásticos identificados. Após seco e passado em peneira de 2 mm, as amostras de solo foram enviadas ao Laboratório de Fertilidade do Solo do Departamento de Recursos Naturais/Ciência do Solo da Faculdade de Ciências Agronômicas, para determinação de nutrientes segundo a metodologia adaptada de Raij et al., (2001).
3.8.2 Determinação de metais pesados
Para a extração dos metais pesados disponíveis (Cd, Cr, Pb, Ni, Hg, Co e Se) utilizou-se como extrator o DTPA, e a determinação por espectofotometria de emissão em plasma (ICP-AES) junto ao Departamento de Produção Vegetal – Agricultura. A determinação de metais pesados foi realizada apenas ao final do primeiro experimento nas quatro camadas (0 a 5, 5 a 10, 10 a 20 e 20 a 35 cm).
3.8.3 Determinação da condutividade do solo
A condutividade elétrica do solo na camada de 0 a 5 cm foi determinada pelo método de extrato de saturação descrita por Raij et al. (2001) após o corte dos tapetes de grama do primeiro experimento.
3.8.4 Análise de microrganismos e parasitas presentes no lodo inicial e após a aplicação no solo
Foram feitas análises iniciais no lodo para verificar a presença dos microrganismos e parasitas patogênicos e, posteriormente, na colheita dos tapetes, foi analisada a resistência desses microrganismos às condições ambientais em que o lodo foi aplicado (superficialmente).
Para a análise de ovos viáveis de helmintos, cistos de protozoários e coliformes fecais coletaram-se quatro amostras compostas dos vários pontos do monte de lodo, de forma que ficasse o mais homogêneo possível. Essa amostra foi coletada no campo logo após a sua chegada no local. Para a análise de vírus entéricos foram coletadas três amostras compostas de lodo de esgoto e três amostras do solo na área experimental antes da instalação do experimento.
Tanto para a análise de vírus como de ovos viáveis de helmintos, coliformes e cistos de protozoários após o corte dos tapetes (9 meses após a aplicação) foram coletadas amostras de lodo dos tapetes que receberam as duas maiores doses de lodo, 30 e 40
Mg ha-1. O tapete de grama, já cortado, foi colocado em cima de um papel, onde foi realizada
a retirada do lodo que ficou entre a camada de folhas e a camada de solo, conforme a Figura 10. Procurou-se coletar apenas o lodo que ficou entre os tapetes, mas pela dificuldade na metodologia houve uma diluição desse material com o solo, no qual aproximadamente 30% da amostra foi composta pelo solo que se misturou ao lodo, não sendo possível fazer a separação completa.
3.8.4.1 Análise de vírus entéricos (Adenovirus)
Para as análises de vírus, as amostras de lodo coletadas inicialmente e as amostras coletadas nove meses após a aplicação do lodo, foram todas congeladas imediatamente após a coleta para garantir a viabilidade de possíveis patógenos ali existentes.
A detecção de vírus foi baseada no método de Allard et al (1999), com modificações (SANTOS et al., 2004). A eluição das partículas virais foi realizada com solução
protéica de extrato de carne (DIFCO®) a 3% e glicina 0,05M, pH 9,0, seguida por clarificação
por centrífuga refrigerada e reconcentração por ultracentrifugação.
O preparo da suspensão foi realizado na Universidade de São Paulo, Instituto de Ciências Biomédicas, departamento de Microbiologia. A ressuspenção,
ultracentrifugação, ressuspenção e quantificação do vírus através do PCR (reação em cadeia
da polimerase) foram realizadas na Faculdade Estadual Paulista, Instituto de Biociências, Departamento de Microbiologia e Imunologia.
Figura 10. Retirada do lodo após a colheita dos tapetes de grama e aspecto geral da amostra do lodo do tapete utilizada para análise de coliformes, ovos viáveis de helmintos e vírus.
3.8.4.2 Análise de ovos viáveis de helmintos, cistos de protozoários e coliformes fecais
Para a análise de ovos viáveis de helmintos, cistos de protozoários e
coliformes fecais, tanto as amostras de lodo coletadas antes da instalação do experimento,
quanto as coletas do lodo feitas nove meses após a aplicação, foram imediatamente colocadas em refrigerador e no dia seguinte após a coleta, foram enviadas para a Universidade Federal do Paraná, em caixa de isopor contendo gelo (temperatura de 4ºC), também para garantir a viabilidade de possíveis patógenos.
A determinação de ovos viáveis de helmintos, protozoários e coliformes fecais foi realizada no setor de Ciências Biológicas Departamento de Patologia
Básica- Laboratório de Parasitologia Molecular. Para a análise de coliformes foi utilizada a
metodologia de Higaskino et al. (1995), para a determinação de Salmonella utilizou-se a metodologia de Andraus et al. (1998) e para ovos viáveis de helmintos e protozoários utilizou- se a metodologia de Thomaz- Soccol et al. (2000). As análises de ovos viáveis de helmintos foi realizada em triplicata.
3.8.5 Resistência mecânica do solo a penetração
A amostragem de solo da área para o levantamento da resistência mecânica do solo à penetração foi realizada com um penetrômetro hidráulico-eletrônico, desenvolvida no NEMPA, Núcleo de Ensaios de Máquinas e Pneus Agrícolas do
Departamento de Engenheira Rural, da FCA/UNESP, Campus de Botucatu/SP (Figura 11). O equipamento é constituído de cilindro hidráulico, haste com cone sólido na ponta a qual obedeceu as características estruturais e operacionais definidas pela norma ASAE S313.3 (1999). A haste vai conectada a uma célula de carga com capacidade de 5000 N e a um sensor de profundidade do tipo potenciométrico linear, ambos ligados a um sistema de aquisição e armazenamento de dados compostos por um Microlloger CR23X, da Campbell Cientific. O penetrômetro vai montado sobre uma Unidade Móvel de Amostragem do Solo (UMAS) que pode ser transportada por rodovias, tracionada por carros e caminhonetes. Como fonte de potência, o equipamento utiliza a tomada do controle remoto do trator agrícola.
A grade amostral do índice de cone (IC) foi feita com 6 amostras por parcela, nas profundidades de 0-5, 5-10, 10-20 e 20-40 cm. Essa avaliação foi realizada após a colheita dos tapetes de grama do primeiro experimento.
Figura 11. Unidade Móvel de Amostragem do Solo (UMAS) utilizada para determinação da resistência mecânica do solo a compactação.