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BÖLÜM 3. BULGULAR VE YORUMLAR

3.11. Türkiye Çin Ticari ve Ekonomik İlişkileri

McLoud (2006) identifica que quando uma história em quadrinhos está inserida em um ambiente Web é coerente que a mesma seja ajustada com os recursos provenientes desse ambiente. Identifica, entretanto, que em um ambiente hipermídia, os elementos podem estar conectados de formas não lógicas, ao passo que no mapa temporal nas histórias em quadrinhos os elementos da história devam ter um relacionamento lógico entre si. Além disso, simplesmente fragmentar uma história em imagens soltas é desconstruir esse mapa e com isso perder a coerência da narrativa, e da própria identidade essencial da forma. Por isso entende que a adaptação de histórias em quadrinhos em um ambiente hipermídia deve ser visto com cautela, para que a história não perca sua lógica. Silva (2010) identifica que normalmente as histórias em quadrinhos tem uma configuração linear interrompida por sequências e quadros com imagens, mas também podem ser estruturados de forma não linear, formadas por sequências de quadros em ordens ambíguas, deixando assim, as opções de leituras abertas para os leitures. Entretanto aponta que quando a coerência da ordem de leitura é negada, percebe-se a incerteza quanto ao significado da narrativa proposta.

Através da própria constituição da estrutura da história em quadrinhos tradicional, linear, não há motivos que impeça uma leitura livre, onde a ordem de visualização dos quadros é imposta de acordo com a vontade do leitor. O autor identifica que essa orde aleatória geralmente ocorre no primeiro contato com a história em quadrinhos “ao folhear a publicação ou quando não se tem familiaridade com o formato dos quadrinhos” (SILVA, 2010, p. 203). Assim, o que chamará a atenção do leitor serão os quadros e imagens mais significativas, compondo assim novas sequências, onde as imagens são ligadas por uma corrente de significações aleatórias.

Nos quadrinhos, as imagens são fixadas e todos os elementos da sequência da página estão presentes simultaneamente, possibilitando uma comparação

entre as formas percebidas. Esta comparação se faz mais facilmente e com mais comodidade do que no cinema, pois existe a possibilidade de uma releitura dos quadros passados e de uma pré-visão dos futuros. (SILVA, 2010, p. 210)

Nesse sentido, McLoud (2008) indentifica que o que leva o fluxo narrativo para uma direção é a leitura entre cada quadrinho. Na Figura 1, a sequência de oito quadrinhos subentede um fluxo narrativo coerente para a narrativa proposta.

Figura 1: Exemplo de narrativa a partir de uma sequência de quadros (MCLOAD, 2008, p. 12)

Nesta sequência, a leitura de cada quadro leva a um enredo. No primeiro quadro, pode-se observar um homem caminhando. Na leitura em sequência dos quadros dois, três e quadro, o enredo indica que o homem encontra uma chave no chão, ele a pega e a observa. Note que o leitor só identifica que é uma chave, no quarto quadro, até então poderia ser qualquer outro objeto. No quinto quadro o homem, com a chave em mãos, encontra uma porta. Isso leva a crer que ele não jogou a chave fora, e que aquela chave pode ser daquela porta. Nos quadros seis e sete, o homem destranca a porta. O quadro seis enfatiza que a chave foi posta na fechadura, e o “click” e o sorriso na face do personagem indicam a abertura da fechadura da porta. No último quadro, que encerra a narrativa, um leão sai pela porta, destrancada, e ataca o personagem.

A leitura na ordem proposta leva a entender o enredo descrito acima, entretanto, se a leitura dos quadrinhos fosse vista de forma aleatória, algumas relações são modificadas, como no exemplo descrito na Figura 2:

Figura 2: Primeiro exemplo de ordenação de quadros de parte da narrativa (MCLOAD, 2008, p. 12) quadros alterados pelo autor

A leitura através da disposição dos quadros da Figura 2 subentende que o personagem, vinha caminhando, encontrou uma chave e a pegou. Entretanto ao subtrair o segundo quadro, a interpretação muda.

Figura 3: Segundo exemplo de ordenação de quadros de parte da narrativa (MCLOAD, 2008, p. 12) quadros alterados pelo autor

Na sequência da Figura 3, o personagem que caminhava simplesmente pegou uma chave no chão. O fato de faltar o quadro que indicava o ato de “achar a chave”, dependendo da intenção do criador da história pode ou não ser relevante para o entendimento final da narrativa. Outra, das inúmeras possibilidades, é a indicada na Figura 4, onde se repetem os quadros um e dois, depois do quadro três.

Figura 4: Terceiro exemplo de ordenação de quadros de parte da narrativa (MCLOAD, 2008, p. 12) quadros alterados pelo autor

Nesse caso, pode-se subentender que o personagem está juntando vários elementos do chão, o primeiro foi uma chave, o segundo, como não foi identificado na sequência, também poderia ser outra chave ou qualquer outro elemento. Ou até mesmo que ele entrou a chave, caminhou e a pôs novamente no chão. A visualização dos quadros repetidos, neste caso, também altera o significado na narrativa. Na Figura 5, por exemplo, ao se tomar a narrativa de oito quadros, proposta por McLoud (2008, p 12), e repetir o primeiro quadro no lugar do último, é alterada a resolução da história, onde antes um leão atacava o personagem, agora o mesmo passa pela porta e continua seu caminho.

Figura 5: Quarto exemplo de ordenação de quadros de parte da narrativa (MCLOAD, 2008, p. 12) quadros alterados pelo autor

As sequências apresentadas entre as Figuras 1 e 5, embora possam parecer simples, apresentam as diferenças encontradas entre a leitura linear de uma história ou a possibilidade de reagrupar as informações de forma não linear. Na primeira opção, há a narrativa

imposta pelo autor, e na segunda há as possíveis narrativas trabalhadas pelo leitor, através dos recursos dispostos pelo autor.

Para Silva (2010) a elipse gráfica, que subentende um determinado movimento, como pegar a chave, por exemplo, é apenas sugerida pelo autor, entre um quadro e outro. Assim, é possível fazer uma leitura não linear nas histórias em quadrinhos, pois é formada, como entendido por Cirne (2000), por cortes, que geram uma descontinuidade gráfico-espacial. Dessa forma, a linearidade na leitura, independente de uma navegação não linear, só é possível em detrimento da descontinuidade causada pelos cortes entre as cenas. Da mesma forma a noção de tempo dentro da história é derivada da leitura entre quadros e pode ser alterada dependendo da forma de leitura.

A ação é decomposta em segmentos da página e uma vez estabelecida e disposta na sequência, a ação torna-se o critério através do qual se julga a ilusão de tempo. Os quadros funcionam como dispositivos de contenção da ação ou segmentos da ação, separando e decompondo enunciados. (SILVA, 2010, p. 229)

Além dessa descontrução na linearidade de visualização dos quadros, McLoud (2006) entende que o ambiente digital, possibilita aos quadrinhos assumir qualquer tamanho e forma, conforme seu mapa conceitual. Entretanto, apesar da possibilidade de junção de multimídias, para que as histórias em quadrinhos se mantenham fiel à simplicidade da linguagem, o autor indica a não utilização de sons e movimentos autônomos no primeiro momento da leitura. A não ser que esses recursos sejam necessários para o entendimento da narrativa, e possam ser acessador como recursos secundários pelo leitor. De qualquer forma a junção dessa mídia, com os recursos hipermídia, oriundos do ambiente digital oferecem uma série de soluções e potencialidades que a forma impressa não poderia oferecer. A principal delas, é que nas histórias em quadrinhos hipermídia é possível um maior aprofundamento interativo com a narrativa.

4.2 HISTÓRIAS EM QUADRINHOS COMO FERRAMENTA DE

Benzer Belgeler