F. Yap-İşlet Modeli
V. TÜRKİYE’DE ORTAYA ÇIKIŞ GEREKÇELERİ
É comum observar em trabalhos científicos a desconsideração do intervalo de tempo que ocorre entre o término da construção de cada alteamento e o início do monitoramento de recalques em aterros reais. Essa diferença nos tempos se deve principalmente devido a problemas operacionais, pois dificilmente um novo alteamento de RSU pode ser construído, sem danificar a instrumentação já instalada em sua superfície. A não consideração desse fato pode levar a interpretações errôneas dos registros dos recalques. Este item tem como objetivo analisar essa influência, tendo como base os registros do monitoramento de recalques realizado no aterro sanitário de Belo Horizonte.
A Figura 5.1 apresenta a variação das deformações verticais ao longo do tempo dos medidores de recalques instalados na Célula AC-05, considerando apenas a data de início do monitoramento.
Figura 5.1 - Deformações verticais específicas considerando o momento de início do monitoramento
A partir de uma extensa análise de registros operacionais foi elaborado um histórico mais detalhado dos resíduos sobre cada medidor, envolvendo a data e cota final de enchimento. Os resultados apresentados na Figura 5.1 foram revistos, a partir desse procedimento. A Figura 5.2 mostra os dados corrigidos.
Figura 5.2 - Deformações verticais específicas considerando o momento de construção dos alteamentos
Observa-se que o uso de dados brutos de monitoramento, sem efetuar a correção das cotas e da diferença de tempo entre o instante da construção e do início do monitoramento, fornece uma subestimação das deformações ocorridas no aterro.
Além disso, a Figura 5.2 fornece uma faixa de variação dos valores (aproximadamente 10%) inferior à observada na Figura 5.1 (em torno de 15%). Embora essa faixa de variação das deformações ainda possa ser considerada grande, em torno de 10%, a interpretação sugere uma maior homogeneidade do comportamento dos resíduos. Isso se mostra coerente, pois a composição dos resíduos durante o enchimento da Célula AC-05 não teve alterações significativas. Esse comportamento mais homogêneo possibilita a calibração de modelos unidimensionais e bidimensionais, com menores intervalos de incerteza e a obtenção de parâmetros de deformabilidade com mais acurácia.
Considerando que a composição dos resíduos durante o enchimento da Célula AC-05 não teve alterações significativas e que os medidores são instalados na superfície, era de se esperar uma menor faixa de variação das deformações. No entanto, como uma parcela dos recalques se deve à biodegradação, a faixa de variação observada é coerente, pois as condições em que se encontram os resíduos sob cada medidor variam, gerando situações que podem influenciar a degradação dos mesmos. Fatores como eficiência do sistema de drenagem interna, teor de umidade, pH e temperatura afetam a magnitude e a velocidade dos recalques devidos à biodegradação.
Pela simulação com o modelo hiperbólico, foram obtidas deformações específicas variando entre 6,0 e 11,3%, sendo as menores obtidas para as camadas com maiores cotas. Tal característica também é observada nos registros de monitoramento. Para visualizar isso, foram separados os 13 alteamentos em três grupos de camadas: da segunda até a quinta; da sexta até a nona e da décima à décima terceira. Com isso, foram gerados os gráficos das Figuras 5.3, 5.4 e 5.5.
Figura 5.3 - Deformações específicas do agrupamento 1
Figura 5.5 – Deformações específicas do agrupamento 3
Conforme se pode observar, as deformações medidas nas placas de recalque dos alteamentos mais baixos variaram entre 16 e 23%, enquanto que no terceiro grupo, foram observados valores entre 11 e 15%. As medidas de deformações específicas verticais no modelo elástico- linear variaram entre 2,2 e 2,7%, representando um pequeno valor das simulações totais. A maioria absoluta dos modelos que descrevem o comportamento dos RSU é unidimensional. Com isso, o cálculo das deformações específicas é feito pela divisão do recalque pela altura do maciço, logo abaixo do ponto que se está calculando. Esse procedimento foi feito para a obtenção dos dados das Figuras 5.6 e 5.7, bem como dos valores de 6,0 a 11,3%, do modelo hiperbólico. Ressalta-se que, para um modelo bidimensional elástico, são válidas as relações 3.9 até 3.14.
O mesmo procedimento usado para a criação das Figuras 5.1 e 5.2 foi usado para a geração das Figuras 5.6 e 5.7, que relacionam os deslocamentos verticais, tendo como pontos de referência o momento de construção dos alteamentos e de início de monitoramento de recalques.
Figura 5.6 – Deslocamentos verticais a partir da data de início do monitoramento de recalques
Figura 5.7 – Deslocamentos verticais a partir da construção dos alteamentos
Pela inspeção dessas figuras, observa-se que a maioria dos medidores está em processo de estabilização de seus valores. Além disso, observa-se-se que os menores deslocamentos verticais estão associados às placas localizadas nos primeiros alteamentos (PR 5.1, 5.21 e 5.41). Como existe menos resíduo entre a cota de instalação das placas de recalque e a base do aterro naquela abscissa, é de se esperar que os valores absolutos de deslocamentos verticais sejam menores (menos resíduo para se degradar e menos camadas sofrendo ação dos acréscimos de tensão vertical).
Ressalta-se que, mesmo tendo sido feito um levantamento detalhado do possível do histórico de enchimento da Célula AC-05, ele ainda está sujeito a erros. Pode-se se citar como fontes
potenciais de erro: os erros de leitura em campo; a substituição de placas de recalque danificadas em locais distintos dos originais, o registro pouco preciso do histórico de enchimento, que correlaciona a cota de enchimento com a respectiva data, dentre outros. Caso estas informações estejam disponíveis com exatidão, outros estudos podem ser realizados com mais precisão, tais como correlações entre os recalques verticais e horizontais com a idade dos resíduos, análises estatísticas mais elaboradas, calibração de modelos 1D e 2D de previsão de recalques, dentre outros.