5. TÜRKİYE SERMAYE PİYASASINDA ALTIN VE İSTANBUL ALTIN BORSAS
5.4. TÜRKİYE’DE KUYUMCULUK VE MÜCEVHER PİYASASI 59
Muito mais do que informar sobre acontecimentos fac- tuais do Brasil, uma imagem positiva ou negativa do país sendo propagada na atual conjuntura, por jornais estrangeiros, pode apresentar os interesses e objetivos daqueles que a propagam. O Brasil se tornou um país emergente, que tem conquistado espaço de liderança no cenário mundial e, consequentemente, ganhado mais importância. Além disso, sediou, neste ano de 2014, a Copa do Mundo e receberá as Olimpíadas, em 2016.
Por isso, torna-se necessário investigar quais os valores- notícia e as práticas/rotinas jornalísticas que foram utilizados nas notícias sobre o Brasil em um momento de véspera de grandes eventos mundiais. O presente artigo é o resultado de uma dissertação de mestrado, defendida em março de 2014, no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia da UFRN, que se propôs a descobrir quais as representações sobre o Brasil foram propagadas pela mídia impressa portuguesa, por meio de suas produções noticiosas.
Foi realizada uma análise temática frequencial das temá- ticas mais trabalhadas pelos jornais lusitanos Diário de Notícias e Público, nas notícias sobre o Brasil. A intenção foi mapear,
durante o recorte histórico delimitado, as imagens difundidas a respeito da nação brasileira, como também as práticas/rotinas jornalísticas utilizadas em tais produções, é aí onde se destaca o estudo dos valores-notícia, que será discutido neste artigo. Soma-se a isso o fato do Diário de Notícias e o Público serem editados e produzidos em Portugal, país de fortes relações histórico-afetivas com o Brasil. Também são periódicos de referência (FAUSTINO, 2004; FIDALGO, 2000; SOUSA, 2002) para os leitores lusófonos da Europa e África.
O diagnóstico se concentrou nas notícias publicadas de setembro a novembro de 2012, período de início das comemo- rações Ano do Brasil em Portugal e, posteriormente, em setembro de 201., a fim de avaliar se tal acontecimento influenciou nas imagens propagadas. O evento foi promovido pelos governos de ambos os países, com fins de criar maiores relações, em diversos níveis, entre as duas nações. Trabalha-se imagem aqui como uma forma de representação social, como uma construção mental, uma ideia, opinião, juízo de valor que se estabeleceu sobre algo ou alguém (BALDISSERA, 200.; MOSCOVICI, 2007).
Dentro da perspectiva apresentada pelo newsmaking, tem-se a atribuição dos valores-notícia, como uma das mais tradicionais tarefas do jornalista. Este deve selecionar e hierar- quizar acontecimentos suscetíveis de terem valor como notícia. Sousa (2001, p. 45-46) elenca quatro processos que constituem a definição dos valores-notícia: a) influências pessoais (como as idiossincrasias de um jornalista); b) um pendor social, sobretudo organizacional, por exemplo, relacionado com a postura social da organização noticiosa (como a inter-relação desta com as novas mídias); c) um pendor ideológico, visível, por exemplo, no destaque noticioso dado às figuras públicas do poder político e econômico e d) um pendor cultural, resultante das culturas profissionais, de empresa e do meio. “A seleção é a pedra angular do processo, pois um jornal não pode ser um amontoado não criterioso de todo o tipo de informações” (SOUSA, 2001, p. .8).
Para Hohlfeldt (2008), os critérios de noticiabilidade de um fato estão regrados pelos valores-notícia. Esses podem ser infinitos, mas geralmente são reunidos em cinco grandes categorias, que se dividem em diversas outras. Abaixo, de forma resumida, estão postas as categorias discutidas pelo autor.
Quadro 1 – Classificação dos valores-notícia
Substantivas: São relativas aos acontecimentos em si e seus personagens.
Subdividem-se em:
Importância: Leva em conta, por exemplo, o grau e nível hierárquico dos
indivíduos, o impacto sobre a nação e a quantidade de pessoas envolvidas.
Interesse: Diz respeito à capacidade de entretenimento, interesse humano
e composição equilibrada do noticiário.
Relativas ao produto (notícia): Estão ligadas à disponibilidade de materiais
e características do produto. Dependem da possibilidade de acesso ao acontecimento e também da carga dramática e de entretenimento que pode ser agregada ao material bruto. São levados em conta ainda aspectos como a brevidade, atualidade e qualidade.
Relativas aos meios de informação: Se relacionam com a quantidade de tempo
usado para veicular a informação. Dependem de um bom material visual x texto verbal, frequência e formato.
Relativas ao público: Estão ligadas à imagem que o profissional ou o veículo
possuem de seus receptores e à preocupação de atendê-los bem. São aspectos importantes para isso a estrutura narrativa.
Relativas à concorrência: Dizem respeito à relação de competitividade que
as empresas de comunicação estabelecem entre si. Levam em conta, por exemplo, a exclusividade ou furo, desencorajamento para inovações e estabelecimento de padrões profissionais ou modelos referenciais.
Considerando os valores-notícia elencados por Hohlfeldt (2008), criou-se uma nomenclatura própria para analisar os valores-notícia das produções jornalísticas investigadas por este trabalho. Ou seja, os valores-notícia foram definidos de acordo com a temática que a notícia trata. São eles: Importância, Interesse, Negatividade e Proximidade. Busca-se identificar a presença ou ausência de tais valores nas produções de ambos os jornais.
A metodologia adotada consiste na utilização da pesquisa histórico-descritiva, de método hipotético-dedutivo, com pro- cedimento de estudo de caso e abordagem mista: qualitativa e quantitativa. A estratégia metodológica adotada ainda inclui o método funcionalista e a análise comparativa entre os jornais lusitanos. As técnicas a serem utilizadas foram: a) Pesquisa bibliográfica; b) Pesquisa de campo; c) Entrevistas semiestru- turadas; d) Estatística; e) Análise documental; f) Análise de conteúdo. Esta última teve uma significante importância na quantificação dos valores-notícia mais utilizados, bem como na posterior discussão de caráter qualitativo.
Partindo dos preceitos da análise do conteúdo, se esta- beleceu um conjunto de unidades de registro, apoiadas por categorias de análise. Assim, em cada documento (produção noticiosa) foi identificada a unidade de registro e a categoria ana- lítica em que tal documento se encaixa. De acordo com Bardin (2004), a análise categorial é a ferramenta mais generalizada na aplicação da análise de conteúdo e tem por objetivo tomar em consideração a totalidade de um “texto”, passando-o pelo crivo da classificação e do recenseamento, segundo a frequência de presença (ou ausência) de itens de sentido.
As unidades de registro são todas as unidades de sig- nificação a codificar, que devem obedecer à regra da perti- nência (manter uma relação objetiva com as características
dos documentos e com o intuito da análise). As unidades de registro abrem um conjunto de indicadores a serem submetidos à regra de enumeração ou de classificação, como, por exemplo, a frequência (número de vezes que determinada categoria aparece) ou presença (ausência) do conteúdo.
Dentre as técnicas, também destaca-se a da entrevista semiestruturada, que se mostrou bastante útil, já que possibi- lita a combinação de perguntas abertas e fechadas, dando ao entrevistado liberdade para discorrer sobre o tema proposto. Em dezembro de 2012 foram realizadas cinco entrevistas em Lisboa, Portugal, com jornalistas, editores, diretores e pesquisa- dores lusitanos do campo da comunicação. Todas as entrevistas foram documentadas em registro fotográfico, bem como, em anotações e em áudio. Os trechos utilizados neste artigo estão identificados, abaixo, como “informação verbal”.