Essa literatura foi buscar inspiração no pensamento do economista liberal do final do século XIX, Alfred Marshall, que em sua análise dos distritos industriais britânicos, destacou as externalidades – um subproduto não intencional de alguma outra atividade – geradas pela concentração de várias pequenas empresas, com características similares, situadas na mesma região, permitindo, que um grupo de firmas fosse mais eficiente que a firma individual de forma isolada (Garcez, 2000). Nas palavras de Becantti:
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O conceito Arranjo Produtivo Local (APL) “foi criado tendo como paradigma e meta de política” os distritos industriais italianos (Santos, Diniz e Barbosa, 2004: 156).
Podemos associar o conceito de distrito industrial à figura de Alfred Marshall que, já nas suas obras da juventude [...] demonstrava que as vantagens, ou pelo menos algumas dela, da produção em grande escala podem também ser obtida por uma grande quantidade de empresas de pequeno porte, concentradas num território dado, especializadas nas suas fases de produção e recorrendo a um único mercado de trabalho local (2002: 46).
As principais externalidades expostas por Marshall (1982) são os fornecedores especializados, mercado comum de trabalho e transbordamento de conhecimento. A sua visão era de que maiores números de ofertantes locais especializados, de uma indústria específica de bens e serviços intermediários, disponibilizam mais facilmente maior variedade de bens a custos mais baixos, pois há, no mesmo local, muitas firmas competindo para fornecê-los.
Quanto a segunda externalidade, ele acreditava que grupos de firmas localizadas em dada região tem maior capacidade para atrair e criar mercado comum de trabalho especializado que pode ser mais difícil de atrair em lugares distantes. Tal mercado é vantagem tanto para os empregadores quanto para os trabalhadores, pois os empregadores estão menos sujeitos a escassez de mão-de-obra, enquanto os trabalhadores estão menos sujeitos ao desemprego (Krugman, 1999). Como podemos observar na citação de um engenheiro do Vale do Silício, no estudo de Saxeniam:
Não seria uma catástrofe tão grande sair do seu emprego na sexta- feira e ter outro na segunda-feira... Você nem mesmo precisaria contar para a sua esposa. Você simplesmente pegaria outro caminho na segunda feira. Não precisaria vender a sua casa, e seus filhos não teriam que trocar de escola (1994: 35 – tradução minha).
A terceira externalidade origina-se de uma fonte importante de conhecimento técnico, que é a troca informal de informações e idéias, que ocorre mais facilmente em indústrias localizadas em uma mesma região, ou seja, através do “transbordamento de conhecimento”. Citando Marshall:
Os segredos da profissão deixam de ser segredos, e, por assim dizer, ficam soltos no ar. [...] Aprecia-se devidamente um trabalho bem feito, discutem-se imediatamente os méritos de inventos e melhorias na maquinaria, nos métodos e na organização geral da empresa. Se um lança uma idéia nova, ela é imediatamente adotada por outros, que a combinam com sugestões próprias e, assim, essa idéia se torna uma fonte de outras idéias novas (1982: 234).
Os estudos de Marshall sobre organização industrial ajudaram a desenvolver a teoria de aglomeração padrão. A partir dos seus estudos, outros autores deram prosseguimento ao desenvolvimento desta teoria26. Dentre eles se destacam, Scitovsky (1954) que identificou categoria adicional de economias externas, Perroux (1955) contribuiu com a sua famosa teoria de pólos de crescimento, Chinintz (1961) aplicando a noção de economias de aglomeração para o desenvolvimento econômico de New York e Pittsburgh e, mais recentemente, Krugman e Poter (Newlands, 2003).
Krugman enfatiza a importância dos retornos crescentes, como condição favorável ao desenvolvimento de economias externas e chama a atenção para problemas gerados pelas aglomerações. De acordo com ele, elas não trazem somente externalidades positivas, mas também fenômenos de lock-in, pois o caminho evolutivo dos diversos sistemas locais tende a depender das especializações originárias. Desta forma, tem um ciclo de vida fortemente condicionado pelo próprio percurso original (path-dependence). Ou seja, quando ocorre um lock-in, as empresas perdem a flexibilidade exigida para mudanças mais radicais e não podem mais mudar de curso. O distrito, então, pode achar a concorrência de salário uma opção mais conveniente e menos arriscada de manter a competitividade (Helmsing, 2001)
Porter (1989) estuda como os ambientes externos próximo das empresas influenciam a sua competitividade. Para tal, ele se utilizou do seu conhecido “diamante” competitivo, que consiste nas interações de quatro fatores: estratégia, estrutura e rivalidade da firma; indústrias de apoio e correlatas27; condições de fatores, e; condições de demanda28. Quanto mais desenvolvida e intensa a relação desses conjuntos de fatores, maior será a produtividade das empresas, sendo que a intensidade da interação dentro deste “diamante” é aumentada com a aproximação geográfica (Martin e Sunley, 2004).
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Conforme a teoria neoclássica, essa teoria, vê as economias locais como coleções de negócios atomísticas, competindo entre si, atento umas as outras somente pelas intermediações de sinais de preço/custo (Newlands, 2003).
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Porter define como indústrias correlatas, “aquelas em que empresas podem partilhar atividades na cadeia de valores através das industrias (por exemplo, canais de distribuições, desenvolvimento de tecnologia) ou transferir conhecimentos protegidos pelo direito de propriedade de uma industria para outra. Um exemplo de três industrias correlatas é a de carros, caminhões leves e empilhadeiras” (1989: 150).
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As respectivas definições desses fatores definidas por Porter são: “as condições que, no país, governam a maneira pela qual as empresas são criadas, organizadas e dirigidas, mais a natureza da rivalidade interna”; “A posição do país nos fatores de produção, como trabalho especializado ou infra-estrutura, necessários à competição em determinada industria”; “A natureza da demanda interna para os produtos ou serviços da industria”; “A presença ou ausência, no pais, de industrias abastecedoras e industrias correlatas que sejam internacionalmente competitivas” (1989: 87).