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2.3. Türk Mutfak Kültürü

2.3.2. Türk Mutfağının Genel Özellikleri

A Praça Padre Damião, conhecida também como Largo da Vila Prudente, está inserida na planície de inundação do Córrego das Vacas. O histórico de intervenções antrópicas pela urbanização nessa bacia inicia-se com a fundação do bairro de Vila Prudente.

Na margem esquerda do Córrego das Vacas os irmãos Falchi construíram a olaria Cia Cerâmica, em 1891. Essa utilizava como matéria-prima a argila disponível no solo da região e as águas dos córregos ao seu entorno (RONCO FILHO; MAUERBERG, 1989). A produção de tijolos e telhas era vendida para os operários que construíam suas casas nos lotes vendidos pelos irmãos italianos, sendo a olaria importante para o crescimento do bairro e também para criação de novos loteamentos.

A exploração de argila nas imediações da olaria foi a primeira intervenção antrópica identificada nos registros históricos. Essa modificou a topografia da área, formando imensos buracos que, posteriormente, foram preenchidos por água, dando origem a lagos profundos.

Outra intervenção, no início do século XX, foi o desvio do afluente da margem esquerda do Córrego das Vacas, paralelo a atual Rua do Orfanato (como pode ser identificado no mapa da Morfologia Original, Figura 30, página 92), para dentro da olaria com o objetivo de dinamizar a produção.

Devido aos lagos, formados pela exploração de argila, à confluência de cursos d’água e à presença de nascentes, a área onde estava a Cia Cerâmica e imediações — que abrange hoje a Praça Padre Damião, Rua José Zappi, Rua Santo Higino, Rua José Lopes Nero e Rua Dante Alighieri — apresentava lamaçais durante todo o ano, sendo conhecida como Poça Funda (ZADRA, 2010).

Na década de 1950 o prédio da antiga Cia Cerâmica, que pertencia nessa época a Indústria de Louças Zappi S/A, foi demolido. A Poça Funda foi aterrada e a área loteada para a construção de casas.

Os relatos históricos identificam que a área que abrange a Praça Padre Damião era uma área alagadiça, com presença de nascentes, confluência de córregos e sujeita ao extravasamento do Córrego das Vacas. Os aterros e a canalização do Córrego das Vacas ao longo dos anos permitiram a loteamento dessa área e sua urbanização.

Mas as intervenções antrópicas para a ocupação urbana, aterros e canalizações, não apagaram os processos relacionados à morfologia original. Foram resgatados relatos de inundação na Praça Padre Damião desde a década de 1930, sendo que a última inundação identificada na coleta de dados históricos ocorreu no dia 21 de fevereiro de 2011 (Figura 41, página 111).

Ao longo das décadas os moradores e comerciantes reivindicaram obras de canalização do Córrego das Vacas e a melhoria do sistema de drenagem da Praça Padre Damião. Essas obras ao serem implementadas não resultaram no fim das inundações, pois a crescente impermeabilização da sub-bacia e a pavimentação das ruas aumentaram a velocidade e o volume das águas que chegam à praça. Em alguns eventos os diques para a contenção das águas instalados por comerciantes, as chamadas “tábuas da vergonha” pela Gazeta da Vila Prudente, foram transpostas pelas águas, que chegam a ultrapassar 1 metro de altura em relação ao nível da calçada.

Figura 41 - Inundação na Praça Padre Damião.

Evento do dia 21 de fevereiro de 2011. Destaque para a altura atingida pela água. Foto tirada da Rua Ibitirama em direção à praça.

Fonte: Folha de Vila Prudente, 25 fev. 2011, p. 1.

O mapa da morfologia original indica que a Praça Padre Damião situa-se em uma área próxima à confluência entre o Córrego das Vacas e um tributário, sendo uma área de concentração dos fluxos d’água.

Com a urbanização foram realizados arruamentos que favoreceram ainda mais a concentração do fluxo superficial, pois as ruas nas áreas mais altas convergem para a praça, formando como denomina a Gazeta da Vila Prudente “uma grande bacia receptora”.

Essa concentração de fluxos, descrita em algumas reportagens, corresponde a uma tendência de escoamento da morfologia original que foi potencializada pela morfologia antropogênica. O direcionamento do escoamento superficial pelas ruas é apresentado na Figura 42, na página 112.

Dentro dessa análise também se insere a área de ocorrência de inundação da Rua José Zappi, localizado à montante da Praça Padre Damião e também situado na planície de inundação do Córrego das Vacas. Os relatos de inundações e enxurradas nessa rua começaram na década de 1970 e tornaram-se mais frequentes nas décadas de 1990 e 2000.

Praça Padre Damião rre go da s V ac as Córrego da Mo oca A v. P ae s d e B arro s

Av. Prof. Luiz Ignácio Anhaia Mello

R. do O rfanato R. Dant e Aligh ieri R. J osé Zap pi R. U mua ram a R . Ib itiram a R. José Lopes Nero R . S an to H igin o 77 5 750 800 775 800 775 750 338.000 339.000 7. 3 91 .0 0 0 7. 3 92 .0 0 0

Sub-bacia do Córrego das Vacas

Figura 42 - Mapa da concentração do escoamento superficial potencializado pelo arruamento na sub-bacia do Córrego das Vacas.

Elaboração: Bárbara Berges.

UTM - SAD/69 Concentração do

escoamento superficial

0 100 200 300 400 m

A comparação entre os mapas de uso do solo de 1962 e 1972 (Figuras 32 e 33, nas páginas 95 e 96) permitem identificar que o início da ocorrência das inundações está relacionado à urbanização (impermeabilização e asfaltamento das ruas) da área à montante da sub-bacia do Córrego das Vacas, e à grande perturbação morfológica (canalização, retificação e tamponamento) de todos os cursos d’água da sub-bacia do Córrego das Vacas. A maior frequência de relatos nas décadas de 1990 e 2000 é atribuída à consolidação urbana e, principalmente, à localização da sede da Folha de Vila Prudente na Rua José Zappi, fundada em 1992.

As reportagens coletadas relatam eventos na Rua José Zappi em que a força da água arrastou carros, derrubou muros e arrancou o asfalto da rua, atingindo alturas que chegaram a 0,5 m em relação ao nível da calçada (Figura 43).

Figura 43 - Inundação na Rua José Zappi com a Rua Dante Alighieri. Data:19 de novembro de 1988.

Fonte: Acervo histórico do Círculo de Trabalhadores Cristãos de Vila Prudente. Autor: Antonio Danilevic.

O fato de a Rua José Zappi estar situada no fundo do vale do Córrego das Vacas é um grande indicador da ocorrência de inundações, devido à convergência do escoamento superficial para essa área. Mas, observa-se também que a cabeceira dessa sub-bacia apresenta uma ampla área de contribuição e considerável amplitude topográfica, dessa forma, durante as chuvas um grande volume de água é captado e escoa de forma rápida em direção à Rua José Zappi.

Os elementos da morfologia original são fortes indicadores para a ocorrência das inundações, mas esses foram reforçados pela morfologia antropogênica. A direção do escoamento superficial foi potencializada pelo arruamento que favorece a concentração do fluxo de água em direção a Rua José Zappi, como apresentado na Figura 42 (página 112), e a significativa impermeabilização resulta em um grande volume para o escoamento superficial.

As reportagens relatam que as inundações na Rua José Zappi e na Praça Padre Damião ocorrem logo após o início da precipitação e ao final da chuva a água escoa rapidamente. Essas informações indicam que a grande impermeabilização da bacia hidrográfica resulta no imediato escoamento superficial após início da chuva, e que o sistema de drenagem não suporta o grande volume de água em um pequeno intervalo de tempo.

Os repórteres e a população ao longo dos anos reivindicaram a canalização do Córrego das Vacas, finalizada em 1983, e a melhoria do sistema drenagem da Rua José Zappi e da Praça Padre Damião, com o objetivo de captar com mais eficiência e escoar rapidamente as águas. No entanto, também reconheceram que a grande impermeabilização e o direcionamento do escoamento superficial pelas ruas são fatores decisivos para a ocorrência de inundações e enxurradas.

Diante da constatação de que as inundações que ocorrem na sub-bacia do Córrego das Vacas resultam de uma tendência da morfologia original que foi potencializada pela morfologia antropogênica, é necessário que as reivindicações não sejam apenas pautadas em medidas de controle de inundações intensivas.

Seria mais adequado a implantação de medidas de controle estruturais extensivas que promovam a retenção e infiltração das águas, principalmente nas áreas à montante da sub-bacia, como por exemplo, pisos permeáveis e pequenos reservatórios, amortecendo o escoamento superficial e diminuindo os picos de cheia. Consequentemente, o sistema de drenagem que se encontra saturado, diante do grande volume de água em pequeno intervalo de tempo, não seria sobrecarregado, não havendo a necessidade de construção de novas galerias.

Benzer Belgeler