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D. TÜRK CEZA HUKUKU BAĞLAMINDA SİVİL İTAATSİZLİK 1 TÜRK CEZA HUKUKU GENEL HÜKÜMLER BAĞLAMINDA
1. TÜRK CEZA HUKUKU ÖZEL HÜKÜMLERİ BAĞLAMINDA SİVİL İTAATSİZLİK
O abastecimento energético do país passou por severas dificuldades no final da década de 1990 e início do século XXI, chegando a culminar em apagões. Diversas soluções foram discutidas em âmbito político e empresarial, merecendo análise detalhada a edição da Lei Federal n.º 10.438, de 26 de abril de 2002, que teve como um de seus objetivos a inserção
Administração Pública agir com o intuito de atender ao interesse público previsto na lei que disciplina sua
prática. (...)‖(Tribunal Regional Federal da 2ª Região, AG - AGRAVO DE INSTRUMENTO – 207910, Rel. Des.
das fontes alternativas de energia na matriz energética brasileira além da criação de mecanismos concretos para sua diversificação, através do Programa de Incentivo ás Fontes Alternativas de Energia Elétrica (PROINFA). Ao Ministério de Minas e Energia (MME) coube a coordenação institucional do programa.
Os objetivos gerais do Programa são descritos no art. 3, caput, destacando o aumento da participação da energia elétrica produzida por empreendimentos de Produtores Independentes Autônomos, concebidos com base em fontes eólicas, pequenas centrais hidrelétricas e biomassa, no Sistema Elétrico Interligado Nacional. Diversas outras fontes de energia alternativa, dentre ela a solar, não foram abarcadas em um primeiro momento pelas iniciativas institucionais do PROINFA. Duas grandes etapas delimitaram os objetivos inicialmente concebidos. Num primeiro momento ficou estipulada a meta de implantação, por intermédio das Centrais Elétricas Brasileiras (ELETROBRÁS), de 3.300 MW de capacidade, com início de funcionamento previsto para até 30 de dezembro de 2008, sendo assegurada a contratação, pelo prazo de vinte anos de 1.100 MW de cada fonte contemplada pelo Programa. O piso dos valores de contratação, mesmo dependendo de regulamentação do Poder Executivo tiveram as bases definidas164.
Após estabelecer como critério de seleção dos interessados a apresentação espontânea em chamada pública e o gozo da Licença Ambiental de Instalação (LI) mais antiga, a lei limitou a contratação por Estado a vinte por cento das fontes eólica e biomassa e quinze por cento da Pequena Central Hidrelétrica – PCH. As principais considerações ao dispositivo referem-se à necessidade de levar em consideração o desenvolvimento regional para o estabelecimento de percentuais165. Os valores foram definidos de maneira genérica sem considerar eventuais potenciais individuais para o desempenho mais expressivo na produção de energia elétrica a partir de uma ou outra fonte renovável.
164―Art. 3
(...) I – (...)
b) a contratação a que se refere a alínea a deverá ser distribuída igualmente, em termos de capacidade instalada, por cada uma das fontes participantes do programa e a aquisição da energia será feita pelo valor econômico correspondente à tecnologia específica de cada fonte, valor este a ser definido pelo Poder Executivo, mas tendo como pisos cinqüenta por cento, setenta por cento e noventa por cento da tarifa média nacional de fornecimento ao consumidor final dos últimos doze meses, para a produção concebida a partir de biomassa, pequenas centrais hidrelétricas e energia eólica, respectivamente;‖
165 ―Sobre a limitação de contratação por Estado, indaga-se se não seria consentâneo com a disciplina
constitucional observar as desigualdades regionais para o seu estabelecimento. Diante das diretrizes incontornáveis postas pela Constituição Federal, parece-nos que essa realidade deveria ter levado em conta as realidades socioeconômicas distintas entre as regiões brasileiras, dentre as quais deveriam ter algum benefício
àquelas com menor grau de desenvolvimento.‖ (PASSEGGI, Alicia Violeta Botelho Sgadari. A inserção das
energias renováveis na matriz energética brasileira como instrumento de efetivação do desenvolvimento sustentável no brasil. In: Direito das Energias Renováveis. GUIMARÃES, Patrícia Vilar Borba; XAVIER, Yanko Marcius de Alencar (Orgs.). Ceará: Konrad Adenauer Stiftung, 2010, p. 49).
O critério de desempate na seleção apenas pela antiguidade da licença também é passível de crítica, haja vista que poderia levar em consideração outros importantes fatores como o custo de geração ou o nível de eficiência dos projetos, privilegiando uma racionalidade concorrencial desde as origem dos critérios de seleção.
A segunda etapa do PROINFA foi mais audaciosa pretendendo consolidar em 10% (dez por cento) a base energética nacional obtida a partir das fontes eólica, biomassa ou pequenas centrais hidrelétricas. Prevista para iniciar após o término da primeira, e durar até o advento dos 20 (vinte) anos do início do Programa, almeja metas como a programação anual de compra da energia elétrica de cada produtor, de forma que as referidas fontes atendam o mínimo de 15% (quinze por cento) do incremento anual da energia elétrica a ser fornecida ao mercado consumidor nacional, compensando-se os desvios verificados entre o previsto e realizado de cada exercício, no subsequente.
Em suma, os contratos permanecerão sendo celebrados pela ELETROBRÁS e a fiscalização das metas e dos procedimentos de geração ficam a cargo da ANEEL, valendo-se da emissão do Certificado de Energia Renovável (CER) em favor dos produtores devidamente cadastrados. O Ministério do Meio Ambiente destaca a importante participação da energia eólica no contexto da expansão do programa e suas conotações ambientalmente positivas166.
Mesmo com as boas intensões do legislador, muitas dificuldades de ordem prática comprometeram alguns projetos contratados na primeira etapa do PROINFA. Ramón Fiestas Hummler167, em seus estudos aponta como grandes entraves ao Programa federal: a) exigências caras e burocráticas para a obtenção e renovação das licenças ambientais relacionadas aos projetos do PROINFA; b) prazos incompatíveis com a entrada em operação dos projetos; c) projetos concentrados em poucos empreendedores; d) dificuldade e demora em conseguir Declaração de Utilidade Pública e complexas situações fundiárias de difícil resolução nas áreas dos terrenos em que seriam edificados os empreendimentos; e) graves obstáculos de conexão com a rede. Todas estas contingências são agravadas pela pouca
166 Prevista para iniciar após o término da primeira, e terminar em 20 anos após o início do programa, portanto,
em 2022 -, supõe que as três fontes eleitas atinjam uma participação de 10% da geração de energia elétrica brasileira, além da contratação, a cada ano, no mínimo 15% do acréscimo de geração do setor (Brasil, 2002). Com base nestes números e considerando a projeção da demanda feita nos quatro cenários considerados no Plano Nacional de Energia - PNE 2030 (EPE, 2006b) -, um prolongamento destes números de 2022 a 2030, um fator de capacidade de 0,30, e uma divisão equitativa entre as três fontes, chega-se a uma potência instalada de geração de energia elétrica em usinas eólicas, no fim do horizonte, entre 9 GW e 13 GW‖. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Energia Eólica. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/clima/energia/energias- renovaveis/energia-eolica>. Acesso em: 15.02.2013.
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HUMMLER, Rámon Fiestas. Análise do Marco Regulatório para Geração Eólica no Brasil. p. 49. Disponível em: <http://gwec.net/wpcontent/uploads/2012/06/2ANALISE_DO_MARCO_ REGULATORIO_PARA_GERACAO_EOLICA_NO_BRASIL.pdf>. Acesso em 8.03.2013.
estrutura dos estados e municípios para oferecer apoio logístico às atividades, como na facilitação do transporte de equipamento e pessoal.
Apesar disso, número significativos são reportados, como a geração de 150 (cento e cinquenta) mil empregos – direitos e indiretos – durante a construção e operação dos empreendimentos, somados a investimentos privados na ordem de R$8,6 bilhões de reais, algo que se deve também a existência de fábricas de equipamentos eólicos no Brasil e ao histórico conhecimento tecnológico da exploração dos recursos hídricos como fonte de energia, o que facilita a instalação das Pequenas Centrais Hidrelétrcias168.
A criação da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), cujos dispositivos foram recentemente alterados pela Lei Federal n.º 12.783, de 11 de janeiro de 2013, cuja natureza de fundo mantido por contribuições privadas, recolhidas das quotas anuais pagas por todos os agentes que comercializem energia com consumidor final, mediante encargo tarifário incluído nas tarifas de uso dos sistemas de transmissão ou de distribuição, dos pagamentos anuais realizados a título de uso de bem público, das multas aplicadas pela Aneel a concessionárias, permissionárias e autorizadas, e de parte dos créditos da União.
Além de se prestar à meta da universalização do acesso à energia elétrica, funciona como subvenção econômica destinada à modicidade da tarifa de fornecimento de energia elétrica aos consumidores finais integrantes da Subclasse Residencial Baixa Renda e tem sua aplicação também na promoção da competitividade entre as fontes de energia eólica, termossolar, fotovoltaica, pequenas centrais hidrelétricas, biomassa, outras fontes renováveis e gás natural (art. 13, I, II e VI). Se numa etapa inaugural a previsão das fontes renováveis apoiadas pelo PROINFA era bastante restrita, a abertura trazida com a nova legislação já aponta que as próximas intenções programas governamentais provavelmente irão levar em conta, diversas outras matérias-primas na geração elétrica.
Os diversos aspectos da regulamentação do PROINFA resultaram na edição do Decreto Federal n.º 4.541, de 23 de dezembro de 2002, com as alterações do Decreto n.º 5.025 de 30 de março de 2004 e do Decreto n.º 7.583, de 13 de outubro de 2011. Neste instrumento foram detalhadas as fontes de recursos, sua destinação, fonte de prioridade, gestão, tarifas de transmissão. Já o Decreto n.º 5.025/2004, conceitua as figuras do Produtor Independente Autônomo (PIA) e do Produtor Independente de Energia Elétrica (PIE), além de dispor sobre as chamadas públicas e atribuir ao Ministério de Minas e Energia a Coordenação das ações
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BRAGA JUNIOR, Sérgio Alexandre Morais. Energia eólica e o PROINFA – programa de incentivo às fontes alternativas de energia. In: Direito das energias renováveis. In: GUIMARÃES, Patrícia Vilar Borba; XAVIER, Yanko Marcius de Alencar (Orgs.). Ceará: Konrad Adenauer Stiftung, 2010, p. 216.
relacionadas ao desenvolvimento do programa como um todo.
Conforme art. 12, I, V e VI, do mesmo Decreto, compete à ELETROBRAS a elaboração do Plano Anual do PROINFA, o demonstrativo da energia contratada e da energia gerada das centrais geradoras do Programa e a previsão para despesas necessárias às atividades relacionadas ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) ou outros mercados de carbono e o demonstrativo das despesas efetivamente ocorridas.
O art. 5, § 1.º atrela em âmbito nacional o compromisso expresso do PROINFA com o desenvolvimento sustentável, concebendo as suas diversas revisões e planejamentos no âmbito de um conjunto de ações voltadas para a máxima eficiência energética e o mínimo de dano ao ecossistema. A energia como ponto crucial do desenvolvimento econômico é dentro dessa disciplina tratada de forma a contemplar também a sustentabilidade da matriz energética. A própria ideia de renovação, inerente a fontes como a hidráulica, biomassa e eólica, evoca o conceito de continuidade, ou seja, de possibilidade de manutenção das fontes para as presentes e futuras gerações169. A passagem de um modelo cujo consumo implica no esgotamento dos recursos para outro que é capaz de aproveitar os recursos da natureza sem provocar o esgotamento das matérias primas é iniludivelmente capaz de se inserir no escopo material que propõe o desenvolvimento sustentável.
169 PASSEGGI, Alicia Violeta Botelho Sgadari. A inserção das energias renováveis na matriz energética
brasileira como instrumento de efetivação do desenvolvimento sustentável no brasil. In: Direito das Energias Renováveis. GUIMARÃES, Patrícia Vilar Borba; XAVIER, Yanko Marcius de Alencar (Orgs.). Ceará: Konrad Adenauer Stiftung, 2010p. 51.
4. A ENERGIA EÓLICA NA CONJUNTURA DA REGULAÇÃO DO SETOR