1.8 Kavramsal Çerçeve
1.8.4. Türk Çini Sanatının Tanımı ve Tarihçes
O município de Belo Horizonte é classificado como região urbana pelo IBGE. Em 2010 a população era de 2.375.151 habitantes, sendo 53,1% mulheres (BRASIL, 2012d). Possui área de 331 km2 e está dividido em nove unidades administrativas: Regionais do Barreiro, Centro-Sul, Leste, Nordeste, Noroeste, Norte, Oeste, Pampulha e Venda Nova (FIG. 3). Os distritos sanitários seguem a delimitação das regionais, correspondendo à organização administrativo-assistencial da SMSA. Cada distrito sanitário tem definido o espaço geográfico, populacional e administrativo de sua abrangência e, assim, possui unidades básicas (centros de saúde), unidades secundárias (como por exemplo, as Policlínicas e os Centros de Referência em Saúde Mental), unidades de urgência/emergência (Unidades de Pronto Atendimento - UPAs), além da rede hospitalar pública e contratada (BELO HORIZONTE, 2012b). A atenção básica de saúde do município conta com 147 centros de saúde, 544 Equipes do Programa Saúde da Família, cobrindo cerca de 80% da população, 34 hospitais conveniados e/ou contratados e sete maternidades do SUS (BELO HORIZONTE, 2012b, 2012c).
Figura 3 - Distritos sanitários do município de Belo Horizonte, 2012
Um dos indicadores utilizados para apontar diferenciais intra-urbanos em Belo Horizonte é o Índice de Vulnerabilidade da Saúde (IVS) (FIG. 4)24 que permite identificar áreas com condições socioeconômicas desfavoráveis dentro do espaço urbano delimitado, apontando extensões prioritárias para intervenção e alocação de recursos, favorecendo a proposição de ações intersetoriais. Com isso, evidencia as desigualdades no perfil epidemiológico de grupos sociais distintos (BELO HORIZONTE, 2013).
Figura 4 - Distribuição espacial dos setores censitários de Belo Horizonte por Índice de Vulnerabilidade da Saúde, 2012
Fonte: Belo Horizonte (2013, p. 13).
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Cada Distrito Sanitário de Belo Horizonte é dividido em áreas de abrangência dos Centros de Saúde (ou Unidades Básicas de Saúde), compostos por um conjunto de setores censitários, permitindo, assim, que as equipes de saúde locais tenham informação sobre a população adscrita. (BELO HORIZONTE, 2013).
O IVS é definido como uma “medida que associa diferentes variáveis socioeconômicas e de ambiente num indicador sintético para analisar as características de grupos populacionais vivendo em determinadas áreas geográficas” (BELO HORIZONTE, 2003, p. 2). Para a construção do IVS de 2012 foram utilizados oito indicadores, agrupados em duas dimensões25, aos quais foram atribuídos pesos diferenciados (BELO HORIZONTE, 2013). A categorização do IVS varia de risco baixo a muito elevado. Este indicador será utilizado no trabalho para compor a análise das entrevistas de como a mortalidade materna está espacialmente distribuída de acordo com a área de risco à saúde no município de Belo Horizonte.
Um panorama sobre a evolução de alguns indicadores no município, no período de 2000 a 2010, foi sintetizado na Tabela 5. As informações mostram que, desde 2000, o número de nascidos vivos no município decresceu anualmente, mostrando certa estabilização, especialmente a partir de 2007. Isto decorre da tendência nacional de queda na fecundidade. O número de óbitos maternos de causas obstétricas diretas e indiretas oscilou no período e apresentou picos nos anos de 2000 e 2010, revelando que esforços ainda são necessários a fim de melhorar a saúde materna e atingir o quinto ODM. Os índices de partos cesáreos estão em cerca de 50%, com leve crescimento ao longo do período. A proporção de óbitos maternos por causas obstétricas diretas é predominante, estando igual ou acima de 80% na maioria dos anos analisados. Os percentuais de partos hospitalares mostram a hegemonia dessa assistência ao parto no município. Observa-se, ainda, uma tendência de aumento no número de nascidos vivos de mães com sete ou mais consultas de pré- natal.
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Na dimensão saneamento foram considerados: Percentual de domicílios particulares permanentes com abastecimento de água inadequado ou ausente; Percentual de domicílios particulares permanentes com esgotamento sanitário inadequado ou ausente; Percentual de domicílios particulares permanentes com destino do lixo de forma inadequada ou ausente. Na dimensão socioeconômica foram considerados: Razão de moradores por domicílio; Percentual de pessoas analfabetas; Percentual de domicílios particulares com rendimento per capita até ½ salário mínimo; Rendimento nominal mensal médio das pessoas responsáveis; Percentual de pessoas de raça/cor preta, parda e indígena (BELO HORIZONTE, 2013).
Tabela 5 - Informações sobre pré-natal, parto, nascimento e óbito materno, Belo Horizonte, 2000-2010 Indicadores/Ano 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Número de NV 38.626 35.960 32.601 34.180 32.917 32.097 31.132 30.535 31.096 30.861 31.147 Número de óbitos maternos* 15 11 13 14 4 12 9 10 13 12 21 % Partos hospitalares 99,7 99,7 99,8 99,7 99,8 99,8 99,8 99,7 99,7 99,6 99,7 % Partos cesáreos 43,0 43,6 44,6 47,4 47,8 48,8 48,5 48,2 48,2 48,3 49,7 % Óbitos maternos
por causas diretas 93,3 90,9 69,2 100,0 75,0 91,7 100,0 80,0 92,3 83,3 85,7 % de NV de mães com nenhuma consulta de PN 1,9 1,6 1,3 1,3 1,1 1,0 1,1 1,2 1,3 1,1 1,1 % de NV de mães com 1 a 3 consultas de PN 8,8 8,5 7,6 6,3 5,7 5,2 5,6 5,7 4,9 5,1 5,0 % de NV de mães com 4 a 6 consultas de PN 36,7 32,9 28,4 27,6 24,2 23,1 22,7 21,8 20,0 18,8 19,2 % de NV de mães com 7 ou mais consultas de PN 52,6 57,0 62,6 64,9 69,2 70,7 70,6 71,2 73,8 75,1 74,7
(*) Não estão incluídos os óbitos maternos tardios. Fonte: Brasil (2011o).
A tendência da RMM em Belo Horizonte (GRÁF. 2) mostra que não houve queda no período de 1998 a 2012.
Gráfico 2 - Tendência da RMM estimada pelo Comitê de Prevenção do Óbito Materno, Fetal e Infantil - SMSA/BH, Belo Horizonte, 1998-2012
(*) Dados de 22 de março de 2013 (BELO HORIZONTE, 2012c). Fonte: Belo Horizonte (2011).
O perfil das mulheres que falecem no município, com base nas investigações do Comitê de Prevenção do Óbito Materno, Fetal e Infantil (SMSA-BH) revela que a maioria é negra (ou parda), solteira, com menos de 8 anos de estudos, residente em área de risco de maior vulnerabilidade social e usuária do SUS (BELO HORIZONTE, 2012c).
Entre 2005 e 2010, na análise do percentual de cesarianas em maternidades públicas e privadas de Belo Horizonte observa-se que, no setor privado, este índice é muito alto, confirmando o paradoxo da assistência perinatal, com o uso exagerado da tecnologia no cuidado de saúde em um acontecimento na maioria das vezes fisiológico (GRÁF. 3). Esses altos índices de cesarianas podem ser agravados pelo fato de que cada vez mais as mulheres têm migrado do setor público para o setor privado de assistência obstétrica (BELO HORIZONTE, 2011).
Gráfico 3 - Percentual de cesarianas em maternidades públicas e privadas de Belo Horizonte, 2005-2010
Fonte: Belo Horizonte (2011).
As informações do “Boletim de Análise do Estado de Saúde da População Residente de Belo Horizonte” (BELO HORIZONTE, 2011) dão conta de que em 2010 ocorreram 41 óbitos maternos, sendo 15 óbitos maternos obstétricos diretos, oito obstétricos indiretos, dois óbitos maternos tardios e 16 óbitos não obstétricos. Portanto, 23 óbitos maternos obstétricos por causas diretas e indiretas, sendo 21 (91,3%) classificados como evitáveis e dois provavelmente evitáveis. As principais causas diretas dos óbitos maternos no referido ano foram as síndromes hipertensivas (26,1%), as complicações do aborto (13,0%), as síndromes hemorrágicas (8,7%) e o tromboembolismo (8,7%). As cardiopatias representaram 13,0% das causas obstétricas indiretas (BELO HORIZONTE, 2011). Em cerca de 65,0% dos casos ocorreram falhas na abordagem da saúde sexual e reprodutiva; 47,8% das gestantes fizeram menos de sete consultas de pré-natal; em 93,7% dos casos foram identificadas falhas na assistência ao parto; e em 43,5% dos óbitos foram verificados problemas na atenção ao puerpério (BELO HORIZONTE, 2011).
Segundo o Comitê de Prevenção do Óbito Materno, Fetal e Infantil (SMSA-BH), em 2010, nota-se concentração dos casos de síndromes hipertensivas no SUS, o que aponta para a necessidade de melhorias na identificação e atenção qualificada a esse grupo de patologias. No setor de saúde suplementar as causas evitáveis
estiveram relacionadas às complicações da cesariana, demandando a identificação oportuna do risco de morte e melhorias na qualidade da atenção obstétrica. Não menos importante, a persistência do número de óbitos por complicações do aborto, entre as usuárias do SUS, reforça uma reação mais efetiva no campo da saúde sexual e reprodutiva, especialmente de adolescentes e jovens, que morrem sem assistência após a prática do aborto inseguro (BELO HORIZONTE, 2011).
O ano de 2011 foi marcado pela queda da RMM (44,4 mortes por 100 mil NV), tendo ocorrido 14 óbitos maternos de causas diretas e indiretas, sendo seis óbitos no setor de saúde suplementar e oito em usuárias do SUS. As síndromes hipertensivas e as hemorragias predominaram como principais causas de óbitos, em ambos os sistemas de saúde. Os problemas de maior destaque identificados na saúde suplementar foram quanto à assistência à maternidade e assistência ao parto. No SUS, além da assistência à maternidade, prevaleceram problemas no pré-natal e saúde sexual e reprodutiva (BELO HORIZONTE, 2012c).
Informações preliminares, relativas a 2012, revelam que ocorreram 20 óbitos maternos no ano, sendo 12 obstétricos diretos e oito obstétricos indiretos. Doze óbitos (70%) foram notificados no prazo de 24 horas (BELO HORIZONTE, 2012c).
Estes números no município mostram que para obter arrefecimento da mortalidade materna evitável ainda são necessários investimentos na qualificação da assistência e progressos no modelo de atenção obstétrica, fundamentado em evidências científicas, desde a atenção primária de saúde até a atenção ao parto e nascimento (BELO HORIZONTE, 2011).
4 AÇÕES PARA REDUÇÃO DA MORTALIDADE MATERNA
Este capítulo apresenta um breve histórico sobre a implantação dos Comitês de Morte Materna, apontando experiências internacionais, nacionais e, especificamente, do município de Belo Horizonte. Na sequência são abordadas a questão da vigilância no Brasil e em Belo Horizonte e as políticas públicas para redução da mortalidade materna. Ao final, apresenta-se uma síntese reflexiva da base teórica explicitada nos segundo, terceiro e quarto capítulos.