O Modelo de Aceitação de Tecnologia (MAT) busca auxiliar os responsáveis pela implementação de sistemas de informação a avaliar sua aceitação (DIAS; ZWICKER; VICENTIN, 2003).
Segundo Davis, Bagozzi e Warshaw (1989), as pessoas tendem a usar ou não uma aplicação ou tecnologia de acordo com a possiblidade de melhorar seu desempenho no trabalho, isso é chamado de “Utilidade Percebida”. No entanto, mesmo que o usuário entenda que um determinado aplicativo é útil, sua efetiva utilização pode ser prejudicada se o uso for considerado muito complicado, de modo que os benefícios da nova tecnologia não compensem o esforço do uso. Esse
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113 conceito é chamado de “Facilidade Percebida”. Testes conduzidos por Davis (1989), Mathieson, Peacock e Chin (2001) e Chau (2001), entre outros, indicaram que a utilidade percebida é fortemente influenciada pela facilidade percebida de uso, conforme mostra a Figura 5.1. Os rótulos indicam os construtos considerados e as setas indicam a influência de um construto em outro.
Figura 5.1 - Modelo de Aceitação de Tecnologia.
Tanto a Facilidade Percebida quanto a Utilidade Percebida influenciam a atitude que o usuário terá em relação ao sistema, e este é um fator determinante sobre a forma como o sistema será aceito. Dentro do conceito do MAT, a atitude representa o desejo do usuário de utilizar o sistema e, influenciada pela Utilidade Percebida e pela atitude em relação ao sistema, está a intenção de uso. É a intenção que determinará o Uso Real do sistema. De acordo com Mathieson, Peacock e Chin (2001), diversos testes empíricos sugerem que o MAT efetivamente prevê e possibilita melhor compreensão das intenções do uso real de sistemas de informação.
Todos os construtos do MAT se referem a percepções e crenças de um indivíduo tomando decisões de adoção de tecnologia num determinado tempo.
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114 Como o modelo é comportamental, pode referir-se somente a questões diretamente relacionadas com usuários e suas percepções sobre o uso do sistema. Por isso, os construtos devem ser desenvolvidos de modo a captar opiniões pessoais.
Nesta perspectiva e em analogia ao trabalho de Selim (2003), que trata da aplicação do MAT na investigação da aceitação dos cursos aplicados via Web junto a alunos universitários, são três os construtos usados no desenvolvimento desta dissertação: Facilidade de Uso Percebida no AVA (FPAVA), Utilidade Percebida no AVA (UPAVA) e Uso Real do AVA (URAVA). Cada um dos construtos será avaliado por um número distinto de afirmações que serão respondidas pelos estudantes fazendo uso de escala Likert. Utilizamos quatro afirmações para o construto Facilidade Percebida, seis para o construto Utilidade Percebida e duas foram utilizadas para o construto Uso Real do AVA, conforme ilustra o esquema a seguir (Figura 5.2). As setas representam a influência de um construto em outro e os rótulos periféricos representam os indicadores usados na confirmação do construto. As afirmações ilustradas no Quadro 5.2 foram propostas por Selim (2003).
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Quadro 5.2 – Representação dos três construtos analizados e os indicadores sugeridos por Selim (2003).
FACILIDADE PERCEBIDA
FP1 Eu considero fácil o aprendizado do uso do CoL e de todas as suas funcionalidades FP2 Eu acho o CoL fácil de usar.
FP3 Eu acho o CoL de fácil interação.
FP4 Eu acho fácil obter a informação que eu quero pelo CoL. UTILIDADE PERCEBIDA
UP1 A utilização do CoL melhora a qualidade do curso.
UP2 A utilização do CoL me permite realizar tarefas do curso mais rapidamente. UP3 A utilização do CoL torna mais fácil o estudo da matéria.
UP4 A utilização do CoL aperfeiçoa minha eficácia nos trabalhos do curso. UP6 Eu acho o CoL útil no andamento do curso.
USO REAL
UR1 Eu uso o CoL nas tarefas do curso apenas quando o professor exige.
UR2 Eu uso freqüentemente o CoL para realizar minhas tarefas no curso, independente da solicitação do professor.
Os resultados obtidos a partir da aplicação do MAT são freqüentemente analisados utilizando técnicas estatísticas de correlação entre as variáveis envolvidas (RIBEIRO, 2006). No entanto, embora seja aplicado prioritariamente em pesquisas de cunho quantitativo, o MAT pode perfeitamente ser utilizado como base para uma pesquisa de metodologia qualitativa (SALEH, 2004). Pesquisas como a de Mathieson, Peacock e Chin (2001) e Benamati e Rajkumar (2002) corroboram tal fato, uma vez que esses autores fizeram uso do MAT para verificar a aceitação de tecnologia, usando metodologia qualitativa aliada à análise de conteúdo.
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6 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Pautamos nosso trabalho na investigação sobre o uso e aceitação do AVA CoL por alunos de graduação em química. Embora atualmente estejam disponíveis na internet uma grande variedade de AVAs (PIZARRO, 1999), ainda são poucas as pesquisas que tratam de investigações a esse respeito na área de educação em química. Levando em conta os trabalhos reportados na literatura que descrevem pesquisas dessa natureza, verificamos que a análise do uso de AVAs geralmente é feita através do monitoramento da navegação dos módulos disponibilizados (CARPI, 2001; DONAVAN; NAKHLEH, 2001; REZENDE; LÉGORA; SOARES, 2005; RIBEIRO; NASCIMENTO; QUEIROZ, 2005), do uso das ferramentas de teste (HALL et al., 2001; CRIPPEN; BROOKS, 2001; FREASIER; COLLINS; NEWITT, 2003; VALADARES, 2003) e de mensagens postadas nos fóruns de discussão (MCKENZIE; MURPHY, 2000; SANTOS; SANTOS, 2003; HEW; CHEUNG, 2003; BRUM; STRUCHINER; RAMOS, 2005; CIMA; CRUZ, 2007). Quanto às pesquisas que reportam a aceitação de AVAs, observamos que grande parte foi realizada por meio da aplicação de questionários aos alunos (MATHIESON; PEACOCK; CHIN, 2001; BENAMATI; RAJKUMAR, 2002; SELIM, 2003; MARTINS, 2005; RIBEIRO; NASCIMENTO; QUEIROZ, 2005).
Adotamos procedimentos semelhantes aos reportados na literatura para analisar o uso e a aceitação do AVA CoL pelos alunos. Avaliamos o uso através do monitoramento da navegação aos módulos, às ferramentas de teste e fóruns de discussão. Avaliamos a aceitação por meio da aplicação de um questionário aos alunos.
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118 A seguir apresentamos a caracterização dos sujeitos quanto ao uso da internet e os resultados alcançados a partir da análise dos dados.