II. AŞAMA
2.9. Diğer Ek Belgeler (AYÖS Kapsamında Kayıt Yaptıracaklar İçin)
2.9.3. Türkçe Yeterlilik Belgesi
Dentre as diversas formas de se estudar as organizações universitárias, Birnbaum (1988 apud ESTRADA, 2000) propõe que essas organizações sejam analisadas como um sistema, onde a atenção deve estar voltada para a dinâmica da interação das partes com o todo. Como um sistema, prevalece a premissa das instituições universitárias como organizações relativamente permeáveis às influências e ações dos elementos que compõem seu ambiente (interno e externo).
Nessas organizações, contudo, os elementos se relacionam de forma peculiar, quando comparada às demais organizações, em virtude da singularidade de suas características, definidas por Baldridge (1983 apud ESTRADA, 2000): ambiguidade de objetivos, clientela especial, tecnologia problemática, profissionalismos e vulnerabilidade ambiental, fragmentação e especialização. Cunha (1995 apud ESTRADA, 2000) acrescenta ainda outros elementos específicos das universidades brasileiras, tais como forte corporativismo, poder difuso e gestão pouco profissional e improvisada.
Considerando-se essas características atípicas das organizações universitárias, encontram-se na literatura vários modelos que tentam explicar como se desenvolvem a organização e a administração dessas instituições.
Hardy e Fachin (2000 apud ALVES, 2005) descrevem os quatro modelos básicos que, desde a década de 1970, são utilizados para compreender e explicar o funcionamento das organizações acadêmicas. O mais conhecido desses modelos é o burocrático, concebido por Weber, e modificado com a inserção de novas ideias que aliam a burocracia ao profissionalismo na gestão universitária. O segundo padrão, colegiado, está centrado nos conceitos de uma comunidade de homens cultos, e pauta-se na autonomia e no consenso. O terceiro estalão, político, desenvolveu-se baseado na influência ou no grau de poder de grupos da comunidade universitária em favor de uma teoria política. O quarto espelho, denominado “lata de lixo” (garbage can), concebe as instituições de ensino superior como “anarquias organizadas”, onde o poder é difuso.
Estrada (2000) prefere dividir os principais modelos em dois grupos:
Tradicionais — compreendendo o Burocrático, Político e Colegiado; e
Derivados — incluindo a Anarquia organizada, o modelo Dual ou misto, o modelo de Configuração e o Cibernético ou Sistêmico.
É importante ressaltar que nenhum destes existe de forma pura nas universidades, havendo uma combinação e, às vezes, a predominância de um deles em dados momentos. As classificações apresentadas servem mais para nortear o entendimento da configuração particular das universidades e como esta impacta na formulação de estratégias. Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000) demonstram essa clara inter-relação de planejamento estratégico com a configuração institucional (estrutura organizacional e de poder), de modo que existem múltiplas possibilidades e modelos disponíveis de realizar a gestão estratégica.
Em síntese, antes de adotar uma grade para a gestão estratégica, a instituição universitária deve considerar suas características e perfil institucional diferenciado. Tachizawa e Andrade (2002) assinalam que um modelo da gestão adequado a uma IES deve resultar da combinação das estratégias e instrumentos da gestão comuns às IES com as estratégias e instrumentos específicos.
2.6.1.1 Modelo da Gestão Sistêmica
Baseados no enfoque sistêmico (BIRNBAUM, 1988 apud ESTRADA, 2000; BALDRIDGE, 1983 apud ESTRADA, 2000) e no princípio da busca da qualidade e satisfação do cliente, Tachizawa e Andrade (2002 apud ALVES, 2005) propõem um modelo que considera a gestão da IES como fluxo contínuo de decisões e ações que buscam essencialmente garantir o equilíbrio entre a missão, a visão, os princípios e objetivos institucionais e as estratégias de ação operacionalizadas nas atividades administrativas e acadêmicas.
Assim como Pessoa (2000) e Hansen (2001 apud Sonneborn, 2004), os autores partem da premissa de que as instituições universitárias podem ser encaradas modernamente como unidades de produção ou macrossistemas onde atuam os seguintes elementos:
a) a missão, que é a base para o estabelecimento do fim mais amplo da instituição;
b) os fornecedores internos e externos, isto é, as entidades que fornecem os insumos necessários às atividades da instituição e à consecução de seus objetivos;
c) os clientes internos e externos representados pelos discentes, docentes e demais funcionários da instituição;
d) a área de atuação ou segmento ao qual a IES está dirigida;
e) a concorrência e seus pontos fortes e fracos, sua participação no mercado;
f) os órgãos normatizadores oficiais, como o Ministério da Educação e Cultura (MEC) e Conselho Nacional de Educação (CNE); e
g) os produtos e serviços, ou seja, os profissionais formados, pesquisas realizadas, serviços prestados à comunidade.
No entender de Tachizawa e Andrade (2002), ao definir suas estratégias, a IES deve fazer uma análise do ambiente em que se insere, levando em conta a atuação dos elementos anteriormente citados, para, com apoio neles delinear cenários e objetivos institucionais; ou seja, adotar um modelo em que haja “[...] a compreensão do meio ambiente, com variações controláveis e não controláveis, e sua relação com a instituição de ensino inserida nesse contexto” (TACHIZAWA; ANDRADE, 2002, p.55).
Com efeito, destaca-se a identificação dos processos sistêmicos críticos que dão suporte e estabelecem as condições indispensáveis ao delineamento estratégico. Como reforçado por Pessoa (2000), a gestão funcional deve ser substituída por uma gestão orientada a processos, na qual se valoriza a percepção global da organização como um conjunto de partes em constante interação e integração voltadas às atividades-fim da instituição (ensino, pesquisa, extensão).
A grande vantagem desse modelo da gestão e da abordagem sistêmica está na macrovisão da instituição universitária, que possibilita aos seus gestores mais agilidade de resposta diante das mudanças de cenários e novos desafios, como, por exemplo, a mudança de expectativas do mercado de trabalho quanto ao perfil de formação dos profissionais ou demandas da sociedade por novos profissionais e conhecimentos.
O modelo proposto por Tachizawa e Andrade facilita a percepção e a interpretação dos desafios e oportunidades, bem como a estruturação de decisões e providências necessárias ao ajustamento da organização aos limites e ações a longo prazo (TACHIZAWA; ANDRADE, 2002).
Outro aspecto positivo desse modelo é a possibilidade de identificação mais clara das atividades-meio que podem ser revistas e adaptadas de forma a contribuir para a melhoria do desempenho positivo dos processos-chave. Essa revisão da configuração organizacional da instituição deve se pautar pela busca da qualidade e satisfação dos clientes, sem perder de vista os objetivos educacionais e sociais.
Na implementação do modelo da gestão, os autores sugerem a realização de um processo de Planejamento Estratégico (PE) dividido em oito etapas, que se caracterizam por contarem com a informação útil como principal recurso, não só como ‘input’ para a geração de produtos e serviços, mas como meio de medição e avaliação das estratégias.
Essa visão do PE, como um processo básico de coleta, análise e tratamento de informações, torna o modelo de Tachizawa e Andrade (2002) fortemente dependente dos recursos de TI para consecução das suas etapas. Acrescente-se ainda o fato de que os autores compreendem a realização de medições como decorrência natural das estratégias da organização universitária, e que essas medições devem englobar os principais processos e resultados a serem alcançados.
Por isso, na fase seguinte de desdobramento ou operacionalização das estratégias, a TI também desempenha um papel essencial, a proporção que possibilita meios de medir e acompanhar os procedimentos adotados, avaliando se estes estão de acordo com os planos estratégicos (ALBERTIN, 2004).
Para Tachizawa e Andrade (2002), nessa fase de monitoramento contínuo, o estabelecimento de indicadores de desempenho, viabilizados pelo uso dos recursos de TI, não só garante o suporte à tomada de decisão, nos diversos níveis da organização universitária, como também amplia seus horizontes de ação, porque possibilita o acompanhamento de tendências, a realização de projeções, o estabelecimento de relações de causa e efeito, a identificação de oportunidades e ameaças, que servem de base para a definição das estratégias emergentes, as quais visam à melhoria de todos os processos e do desempenho organizacional (TACHIZAWA; ANDRADE, 2002).
Seja como fonte de informação para o PE ou como ferramenta de avaliação e controle dos indicadores de desempenho, percebe-se a utilização estratégica da TI dentro desta nova concepção da gestão universitária. Esse papel da TI como área estratégica tende a ser ampliado à medida que cresce a cada dia a sua participação nas atividades organizacionais geradoras de informações necessárias à concepção e à implantação da gestão estratégica nas IES.