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II. BÖLÜM: LİTERATÜR

2.10. Türkçe Öğretim Programlarında Dinleme Becerisi

O historiador João José Reis, um dos mais importantes estudiosos sobre o período da escravidão no Brasil, retrata um panorama histórico da migração africana para o país, resgatando que o início da vinda de africanos para o Brasil deu-se a partir do século XVI, com o início da escravidão, movimento que perdurou até meados de 1850. Foi durante o século XIX que o país mais recebeu escravos africanos (REIS, J., 2000). Só com a abolição da escravatura esse fluxo foi interrompido e, a partir disso, houve então o regresso de grande parte de pessoas que haviam sido escravizadas ao continente africano.

Após esse período, o Brasil recebeu quase que exclusivamente imigrantes do continente europeu para preencher a necessidade de mão-de-obra nas produções cafeeiras, principalmente no estado de São Paulo, movimento que perdurou até meados da década de 1940. Na época, vigorava no Brasil uma política de embranquecimento da população, inclusive com incentivo financeiro para a vinda desses imigrantes europeus ao país.

A partir da década de 1960, o então presidente da república Jânio Quadros implantou uma política externa independente, facilitando e culminando com a abertura de embaixadas e representações de países africanos e acordos de cooperação cultural, técnica e acadêmica. Isso acabou permitindo que muitos estudantes viessem estudar nas universidades brasileiras (KALY, 2001).

O Brasil passou a receber grande quantidade de pessoas oriundas dos conflitos pós- independência dos países africanos a partir da década de 1970 e 1980, e em maior escala, a partir dos anos 2000. O agravamento das crises econômicas mundiais, o endurecimento das fronteiras dos países desenvolvidos, a busca por trabalho, novas oportunidades e qualificação profissional e acadêmica também foram fatores que impulsionaram essa mobilidade. Entre 2000 e 2012, o número de africanos em situação regular no país teve um aumento de 30 vezes (de cerca de mil para 31 mil), provenientes de 48 países, a maioria de Angola, Cabo Verde e Nigéria20.

20Cf.http://noticias.terra.com.br/brasil/imigracao-africana-no-brasil-aumenta-30-vezes-entre-2000-e-

Ester Rodrigues (2014), em sua dissertação de mestrado, faz uma análise do processo de imigração contemporânea de africanos no Brasil, sob a perspectiva dos direitos humanos e dos grandes veículos de comunicação impressos. Ressalta que apesar do aumento considerável do fluxo de africanos, muitos inclusive trabalhando e contribuindo para o desenvolvimento do país, isso não resultou necessariamente em políticas específicas, nem na garantia de direitos e inserção social dos mesmos.

A autora debruça-se sobre as notícias veiculadas em jornais de grande circulação em algumas cidades brasileiras sobre a temática da imigração africana no país. É possível perceber que na maior parte das vezes noticiam-se a vinda de imigrantes africanos em situação irregular, muitos através de porões dos navios ou de fronteiras clandestinas. Fica evidente o despreparo das autoridades competentes em lidar com a situação, sinalizando grave violação de direitos, abordagem policialesca e punitiva, e com a presença de crianças e adolescentes em situação precária. Além disso, é visível como os meios de comunicação reforçam ainda mais o racismo, a violência e a não aceitação dos africanos no país, associando a vinda dessas pessoas a prejuízos às cidades brasileiras.

Concomitantemente, também encontramos na literatura acadêmica, nos meios de comunicação, projetos e grupos ligados às universidades e nos vários espaços sociais, relatos de experiências de projetos que procuram mudar essa ótica para então fortalecer a identidade cultural, inserção social e o protagonismo dos imigrantes africanos no país. Francalino e Petrus (2008), por exemplo, relatam a experiência da criação de um projeto coletivo com congoleses e angolanos no Rio de Janeiro, com objetivo de preservar a identidade cultural e a tradição oral dos imigrantes e assim, fortalecer suas redes sociais e a inserção social na sociedade brasileira.

O pesquisador moçambicano Carlos Subuhana, professor adjunto da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB)21, debruçou-se sobre as

experiências de vida dos estudantes africanos em São Paulo, através de entrevistas com os mesmos e também a partir de sua própria experiência pessoal como estudante em uma universidade paulista. Ele desenha um panorama de alguns aspectos dos processos migratórios e da formação acadêmica como um projeto de vida dos entrevistados, as teias de rede sociais estabelecidas e também a expectativa de retorno dos mesmos. Relata as

21 Instituição pública federal sediada na cidade de Redenção, Ceará, criada em 2010 a partir de uma política

externa brasileira pautada na cooperação educacional internacional do referente período, visando a integração entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (BARROS; NOGUEIRA, 2015).

problemáticas e alternativas de inserção social, estratégias criadas pelos estudantes para fortalecimento de uma identidade coletiva entre seus pares e também dos diálogos estabelecidos com os brasileiros. Na perspectiva do retorno, o autor sinaliza que esses estudantes são desafiados a manter suas identidades culturais e suas raízes de origem, ao mesmo tempo em que dialogam com as questões da contemporaneidade, com as possibilidades de se reinventar nos seus países nos seus retornos, países esses que também se colocam em constantes transformações: “É processo que coloca em movimento a condição de identidade, autonomia e cidadania diante do sujeito como ser individual, coletivo e político” (SUBUHANA, 2009, p. 124).

Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL PARA AS MIGRAÇÕES, 2009), entre 1990 e 2000 a maior parte do fluxo migratório internacional concentrava-se nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, sendo esta última com concentração expressiva de africanos (37% dos imigrantes). O mesmo órgão apontava que em relação aos refugiados, em 2009 havia cerca de 4 mil refugiados reconhecidos pelo governo brasileiro, sendo que os africanos compunham 65,3% desse total.

É notório que a questão da migração contemporânea africana no Brasil tem tido cada vez mais visibilidade nas pesquisas acadêmicas, nos meios de comunicação, em expressões artísticas e culturais, na participação desses migrantes nas esferas públicas, movimentos sociais e em tantas outras dimensões inseridas na sociedade brasileira.