2.6. Adipokinler 1 Adiponektin
2.6.6. Tümör Nekroz Faktörü (TNF-α) (KaĢektin)
A participação direta da população na elaboração de políticas públicas emerge no cenário político brasileiro após o fim do regime militar, com o advento de novos atores e movimentos sociais, partidos políticos e sindicatos. Seu “desenho institucional” tornara-se possível pela pressão das lutas dos movimentos populares no bojo da Assembléia Pró-Participação Popular na Constituinte, que estabelecia a participação direta dos cidadãos nas decisões públicas, a inclusão de emendas populares, a possibilidade do estabelecimento de plebiscito, referendo e iniciativa popular, além de consolidar eleições diretas nos três níveis federativos.
A ampliação da envergadura dos direitos políticos e sociais com a Constituição de 1988 possibilitou também maior autonomia dos municípios nos âmbitos político, administrativo e financeiro, assim como lhes conferiu a determinação da elaboração de sua própria lei orgânica.
A estas prerrogativas transferidas ao município acrescenta-se o Estatuto da Cidade, do ano de 2001, que estimula a participação popular no planejamento da cidade. No plano institucional, todos estes fatores ensejaram à construção de condições favoráveis à implementação de programas como o Orçamento Participativo (Vitale, 2004).
Contudo, como alerta Saes (2001a), ao analisarmos o nível de efetividade da cidadania política que se configura no quadro democrático brasileiro pós-88, faz-se necessário atentar para a configuração da hegemonia política que se erige naquele momento e transcorre até os dias atuais.
Os direitos elementares, que representam prerrogativas reais, foram conquistados através de acirrados embates políticos travados no tecido social. No entanto, com a ofensiva do projeto neoliberal a partir de 1990, desenvolve-se uma conjuntura de “ataque generalizado às conquistas sociais e políticas dos trabalhadores e demais setores populares” (Sánchez, 1997, p. 33).
O desenvolvimento deste quadro ocorre, em grande medida, devido ao caráter universalizante dos direitos sociais consolidados, cuja efetivação necessita de recursos financeiros e, portanto, acaba gerando um conflito com os direitos econômicos ou de propriedade. Deste modo, o processo em questão caracterizar-se-ia por uma “contramarcha sobre os direitos sociais”, concomitantemente à ampliação de direitos civis e políticos (Mishra apud Gomes Silva).
Na perspectiva de Saes (op. cit.), a ampliação da cidadania política pôde se desenvolver neste momento histórico do Brasil mediante a luta popular que ganha força com os conflitos políticos no interior das classes dominantes. O entrecruzamento destas lutas possibilitou uma grande influência norteadora do desenvolvimento capitalista no período.
As lutas populares ensejaram a conquista constitucional de benefícios sociais e de participação política inéditos na história do Brasil e, no entanto, o projeto político neoliberal que se torna hegemônico a partir da década de 1990 empreende uma retirada paulatina de direitos e o enfraquecimento do poder estatal concernente ao atendimento de demandas sociais básicas como saúde, educação, saneamento e habitação, entre outras (Boito Jr., 1999). Reiterando Saes, os governos civis da década de 1990 concretizaram uma nova hegemonia política
[...] a do capital financeiro internacional, que desmantelou o setor público e desorganizou a burguesia de Estado mediante o programa de privatizações; confrontou-se com o grande capital bancário nacional, procurando minar a sua posição ainda forte; levou parte da burguesia industrial interna à falência; e subjugou, pelo crédito e pela taxa de juros, até mesmo os setores mais dinâmicos da agricultura. (Saes, 2001a, p. 405).
Segundo o autor, no momento presente duas forças políticas disputam a possibilidade de aproveitamento dos direitos políticos instaurados em 1988, quais sejam, as classes trabalhadoras e o capital financeiro internacional. As primeiras teriam por objetivo transformar aqueles direitos em “plataforma para o desenvolvimento e a expansão de uma política independente de massa” (Saes, op. cit.). O capital financeiro, por seu turno, procura reverter os direitos políticos restaurados através das lutas promovidas pelas classes trabalhadoras contra o regime militar, determinando o privilegiamento de seus interesses nas políticas estatais. Seus interesses se privilegiariam com a vigência de políticas como o superávit fiscal, taxa de juros elevada e centralização dos recursos na União. Os resultados negativos destas políticas são facilmente observados cotidianamente, como os denominados “apagão aéreo” ou “apagão da saúde”.
Portanto, as chamadas inovações institucionais ou ampliação dos direitos políticos têm demonstrado que seu potencial enquanto instrumentos promotores de ampliação da cidadania é obstruído pelos imperativos do capital e pelo atual estágio das lutas de classes. Assim sendo, a influência que as classes trabalhadoras acabariam exercendo sobre a tomada de macrodecisões ainda não é capaz de romper um nível periférico e marginal (Saes, 2001b).
Segundo Boito Jr. e Saes, haveria em curso um processo de “indução”, onde a atenção das massas seria desviada das decisões-chave “concernentes aos interesses econômicos e políticos do capital”. Ainda segundo Saes, o Estado propõe assim, uma aceitação e legitimação de uma certa divisão do trabalho no aparelho do Estado capitalista: no âmbito federal localizar-se-iam as questões centrais do processo de acumulação de capital e a esfera local, por seu turno, estaria incumbida de questões referentes à reprodução da força de trabalho – saúde, educação, transporte, etc. – (Saes, 2001b; Boito Jr., 1999). Entretanto, estas observações de Saes e Boito Jr. não contemplariam o fato de que esta configuração institucionalizada da participação popular já é o resultado de um processo em que a “bandeira” da participação popular é açambarcada por setores conservadores, cujo propósito é, principalmente, o de garantir a manutenção de políticas estatais que privilegiem os interesses do capital financeiro nacional e internacional. Não é mero acaso que o controle social sobre os gastos públicos seja recomendado pelo Banco Mundial. Portanto, antes de tornar-se prática de “boa governança”, recomendada pelo BIRD e FMI, a participação popular fora o produto de uma correlação de forças que emergia concomitantemente às lutas populares contra o regime militar, pela democratização do Estado e por maiores acessos das classes populares às riquezas nacionais.
PARTE III: PT - A CONSTRUÇÃO DE UM PARTIDO, AS METAMORFOSES