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2. GELİŞEN İNTERNET TEKNOLOJİSİNDEN YENİ MEDYA VE YAPAY ZEKÂYA

3.3. Tüketim Kültüründe Yeni Medyanın Etkisi ve Yapay Zekâ

Conforme enunciado no início deste capítulo, não desprezamos a teologia inserida nesses conflitos que permeiam a vida do Nisseno. Compreendemos que os Padres Capadócios estavam preocupados com a problemática doutrinária específica e particularizada acerca da divindade de Jesus Cristo, porém, consideramos uma tarefa inexequível tentar separá-la da atuação episcopal desempenhada por Gregório de Nissa. Enquanto personagem proeminente de seu tempo, Gregório representava um papel que congregava o poder político perante os seus pares e a comunidade leiga. A partir disso é que defendemos o uso de uma teologia política.

María José Hidalgo de la Vega (1995, p.224-225), em um capítulo intitulado La Teología Política de Juliano como expresion de la Cultura de su tiempo, justifica o uso da expressão Teologia Política a partir da concepção da basileia do Imperador Juliano. Para a pesquisadora espanhola, a fim de compreender a teologia política de Juliano, faz-se mister entender a sua defesa ao helenismo como componente desta própria teologia durante a Antiguidade Tardia. Se partirmos do pressuposto que a paideia é única e aplicada a fim de atender

Capítulo 3: Em Busca da Autoafirmação: uma análise do discurso Contra Eunômio | 148

propostas diferentes, podemos utilizar a argumentação de Hidalgo de la Vega para fundamentarmos o uso da expressão Teologia Política em Gregório de Nissa. Como problematizado no Capítulo 2 desta Tese, a formação de Gregório foi firmada a partir de bases helênicas. Não existia naquele momento uma espécie de formação coletiva na qual primasse essencialmente por uma educação cristã; por esse motivo, cristãos, neoplatônicos e/ou judeus compartilhavam dos mesmos ensinamentos nas Escolas Filosóficas. A formação clássica nos ensinamentos da cultura profana era lugar comum entre os jovens que iniciavam sua formação nas letras. Porém, estamos cientes que a paideia que circulava naquele momento era diferente daquela dita clássica, conforme:

É claro que a paideia clássica havia sofrido inúmeras alterações e a forma com que o neoplatonismo se desenvolveu, a partir de Jamblico, é contraditória com suas bases originais [...] (HIDALGO DE LA VEGA, 1995, p.227).

Desta forma, enquanto a teologia política de Juliano estava relacionada com a sua concepção de Basileia; podemos inferir, compartilhando os pressupostos mencionados, que a teologia política de Gregório de Nissa estava pautada nas suas interpretações sobre o dogma trinitário e a maneira que o Capadócio expressava tal crença em meio aos acontecimentos que vivenciou. Nesse fundamento, o conjunto formado por suas crenças e ações faz com que ele seja reconhecido como um membro partícipe do grupo de cristãos nicenos e não seja identificado como um cristão eunomiano ou adepto a qualquer outro cristianismo que existia naquele contexto.

Em seu conjunto de interpretações sobre o dogma trinitário, Gregório estava consoante a uma corrente político-religiosa defendida por um grupo de cristãos nomeados nicenos. A defesa em uma única essência divina (ousia para os orientais e substantia para os ocidentes) presente em três estados diferentes (hypostasis para os orientais e personas para os ocidentais) não foi uma ideia específica do século IV d.C. Não obstante, foi na primeira metade do século IV d.C., pela primeira vez no Império Romano, que essa formulação foi contestada. Logo, a crença dos cristãos nicenos já existia antes mesmo de serem nomeados como tal.

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A própria cunhagem do termo niceno originou-se a partir da necessidade de oposição a algo divergente, ou seja, daquela interpretação do dogma trinitário proposta pelo sacerdote Ário em torno de 312 d.C. (HANSON, 1997; OLIVEIRA, 2009, p.89). Sendo assim, tornou-se imperativo para o próprio cristianismo, bem como para a visão de Império de Constantino, a convocação de uma reunião eclesiástica que contasse com o patrocínio imperial para resolver tal impasse. O Concílio de Niceia ocorrido em 325 d.C. batizou e postergou para a posteridade o conjunto de interpretações acerca de um dos pilares do cristianismo: a defesa da divindade das três pessoas que compõem o dogma trinitário.

O sacerdote Ário (256-335 d.C.) também legou para a posteridade a nomeação a um conjunto de crenças acerca da divindade da segunda pessoa da Trindade. Em sua concepção, a relação entre as hypostasis e a questão divina ocorria da seguinte maneira: a Trindade estava estruturada em três estados diferentes que obedeceriam a uma hierarquia proporcionada pela superioridade da ousia da primeira pessoa, do Pai. Destarte, defendeu a crença que todas as pessoas da Trindade eram divinas, já que o Filho era semelhante ( homoios) ao Pai. Todavia, em sua concepção, a ousia do Pai era superior à ousia do Filho que, por sua vez, era superior a da terceira pessoa, o Espírito Santo. A partir dessa interpretação, Ário respondia a uma necessidade de sua época em uma tentativa de salvaguardar o monoteísmo diante um cenário que agregava várias interpretações teológicas distintas.

A grande questão discutida durante o Concílio de Niceia foi a relação entre a ousia e as hypostasis2. Para os cristãos arianos, a defesa era no termo  (homoios), ou seja, a substância do Filho era semelhante a do Pai, mas não igual, porém divina. Daí essa crença ter sido conhecida como arianismo homeo ou homoiano. Já os cristãos nicenos ficaram conhecidos pela crença na consubstancialidade entre as três pessoas da Trindade, ou seja, o Filho era consubstancial (  - homoousios) ao Pai. Por compartilharem uma única ousia, eram conhecidos como homoosianos e, após o Concílio de Niceia, por ter sua crença dita como correta neste concílio, ficaram conhecidos como cristãos nicenos.

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Sobre o assunto ver: PAPA, 2013. Apêndice 2: Grupos Cristãos no século IV d.C.: Arianos e Nicenos.

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De acordo com o nosso posicionamento na Introdução, acreditamos que foi a primeira vez em que houve a necessidade e a preocupação imperial de se impor diante dos vários cristianismos que disputavam o título de ortodoxo naquele contexto. Apesar de cientes que, ser ortodoxo, naquele momento, cambiava diante da postura político-religiosa de cada Imperador, acreditamos que todas as tentativas posteriores de firmar determinada crença como correta ocorreu a partir da contraposição do estabelecido no Concílio de Niceia. Assim sendo, toda e qualquer crença que diferia da nicena no tocante à Trindade, ficou conhecida como ariana. Esse é o caso do cristianismo ariano eunomiano.

Os eunomianos, discípulos do Bispo Eunômio (335-394 d.C.) da cidade de Cízico, para quem os três Capadócios dirigiram discursos Contra, acreditavam numa teologia diferente daquela defendida por Ário. Em torno de duas décadas após as pregações que culminaram na controvérsia ariana, por volta de 358 d.C., Eunômio começou a pregar uma vertente mais extremista do proposto pelo sacerdote Ário: para ele a substância do Filho era diferente (  - anomoios) da ousia do Pai. Então, os eunomianos ou anomeanos acreditavam que a relação entre as pessoas na Trindade eram diferentes no tocante à ousia e à própria hypostasis. Eunômio, em seu discurso Apologia, declara que a relação entre eles é determinada por uma superioridade a partir da própria relação de parentesco Pai- Filho e a partir da própria natureza da ousia do Pai, já que, por ele não ter sido gerado, é o único que resguarda a essência divina.

Sobre a teologia política de Eunômio, verificamos:

Nós cremos em um só Deus, Pai todo Poderoso, ‘de onde tudo vem’; em seu Filho, Verbo criado, nosso Senhor Jesus Cristo e no Espírito Santo [...], cujas graças são repartidas de acordo com sua santidade e conforme a justa proporção Àquele único, cuja substância é divina (EUNÔMIO, Apologia, 5, 1-6). Ninguém deve ser audacioso e impiedoso ao declarar que o Filho é igual ao Pai,

pois o Senhor disse em termos precisos, segundo o Evangelho: ‘O Pai que me enviou é maior do que eu’ [...] (EUNÔMIO, Apologia,

11, 8-12. Grifos nossos3).

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A partir daqui, todos os trechos grifados nos testemunhos dos Capadócios serão de nossa confecção, a fim de ressaltar o nosso argumento.

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Os três Padres Capadócios são assim denominados por garantirem entre si a unidade na defesa da crença em outra unidade: a da ousia una, divina e compartilhada entre as três hypostasis. Sendo assim, essa nova geração de cristãos nicenos, da qual Gregório de Nissa faz parte, que respondera a um arianismo diferente daquele proposto pelo Ário, ao qual denominamos cristianismo eunomiano, ficou conhecida pela historiografia e literatura patrística como cristãos neonicenos. Assim, a teologia política de Gregório de Nissa estava de acordo àquela defendida pelos cristãos neonicenos.

Ao escrever o discurso Contra Eunômio, Gregório se posicionou teologicamente e esbarrou na esfera política ao disputar espaços de atuação de poder com a mesma ao ponto de ter sido exilado. Mesmo quando foi preso por seus pares, a presença de um funcionário imperial (comes rei militaris) foi requerida. Assim, parece-nos quase impossível visualizarmos uma teologia que não seja política e vice-versa.

Sobre a teologia política de Gregório de Nissa, no excerto abaixo, podemos perceber a crença na consubstancialidade:

De tudo que ele [Eunômio] se empenhou, o ponto principal no livro precedente e naquele que eu estou me submetendo a fazer um exame crítico4, é a blasfêmia contra a doutrina de nossa devoção destinada a perverter as concepções de um Deus monogênio (GREGÓRIO DE NISSA, CE I, 149).

No trecho a seguir, notamos a diferença das crenças de Ário e de Eunômio no testemunho do próprio Gregório:

Todos aqueles que fazem parte do erro funesto de Eunômio são responsáveis pelos frutos de seus pensamentos sem propósitos. (GREGÓRIO DE NISSA, CE I, 7). Mas como Ário, inimigo de Deus, ele [Eunômio] havia espalhado as suas nefastas sementes da discórdia, cujos frutos são as doutrinas infâmias dos anomeanos [...]. Ele excedeu Ário, o pai da heresia, pela novidade de suas palavras (GREGÓRIO DE NISSA, CE I, 46).

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Conforme ressaltado no Capítulo 1, o CE I de Gregório é uma resposta ao primeiro livro do Apologia da Apologia de Eunômio de Cízico.

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Enfim, abaixo, podemos averiguar a equiparação direta de sua teologia com assuntos concernentes a esfera do poder imperial:

De fato, Valente não estava dentre os melhores e não tinha adquirido forças para superar as falácias enganadoras [...], ele alimentou os prejulgamentos contra nossa doutrina, caluniando-a. Para os ataques, ele obteve como aliados os personagens de altos postos que estavam a seu serviço [...], eles fizeram a vontade do imperador, mostrando seus zelos através da dureza praticada àqueles que restaram fiéis à nossa fé. Quando os banimentos, as confiscações de bens, o exílio, as ameaças, as penas arbitrárias, os perigos de prisão, as punições corporais e todas as súplicas, as mais cruéis infringidas àqueles que não se reuniram aos desejos do imperador; quando era mais perigoso para aqueles que se mantinham fiéis à verdadeira religião do que estar na casa de Deus...5 (GREGÓRIO DE NISSA, CE I, 122-123).

Então, pelo exposto, podemos perceber que a crença no dogma trinitário caracteriza a teologia de Gregório de Nissa. A própria justificativa, ao escrever o discurso, é um exemplo do exercício de sua atuação na esfera política quando inserimos o Contra Eunômio em uma tentativa bem-sucedida de autopromoção conforme caracterizado adiante.