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2.1. Tükenmişlik Kavramı

2.1.6. Tükenmişlik Sendromunu Önleme ve Baş Etme Yöntemleri

Lukács analisa a estrutura interna do pôr teleológico (prévia-ideação) e constata que esta se constitui de dois momentos: a posição do fim e a busca dos meios. Constata ainda que a “imediaticidade do ato de trabalho singular é predominantemente orientada pela posição do fim.” (LESSA, 2002, p. 86). Portanto, o fim orienta, de forma predominante, o desenvolvimento concreto do processo de objetivação. No entanto, tal orientação nunca pode ser absoluta porque em toda objetivação participam determinações limitadoras que emanam da esfera da causalidade. Ou seja, apesar de que “toda ação humana tem sua gênese e seu momento predominante na posição de fim” (LESSA, 2002, p. 80), a causalidade impõe limites à realização ao fim posto. Como exemplo tem-se a impossibilidade de transformar ferro em ouro.

Por conseguinte, com o desenvolvimento sócio-histórico, os atos de trabalho singulares ficam para trás e a “busca dos meios” passa a constituir a mediação que fixa e desenvolve os conhecimentos do real. Com isso, a “busca dos meios”, que originalmente ocupa um papel secundário (na imediaticidade dos atos), adquire importância principal. Lessa (2002) nos oferece o seguinte exemplo: “a finalidade particular que determinou a ação por meio da qual foi descoberto o machado, digamos, se perdeu ao longo do tempo; todavia, o machado descoberto serviu de mediação social na fixação do conhecimento implicado em sua descoberta.” (LESSA, 2002, p. 86). Nesse sentido, pode-se afirmar que a descoberta dos meios é o medium que permite, também por essa fixação objetiva, “o desenvolvimento dos conhecimentos acerca do ser-precisamente-assim existente.” (LESSA, 2002, p. 87).

Lessa (2002) assim sintetiza essa importante revelação ontológica:

Segundo Lukács, do ponto de vista da consciência, ‘a busca dos meios para tornar ato a finalidade não pode senão implicar um conhecimento objetivo do sistema causal dos objetos e daqueles processos cujo movimento é capaz de realizar o fim posto’. Por sua própria essência, a ‘busca dos meios’ compreende um impulso imanente à captura da legalidade do em-si existente e, exatamente nessa medida e nesse sentido, é ‘o ponto pelo qual o

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trabalho se conecta com a origem do pensamento científico e com o seu desenvolvimento [...]’. (LESSA, 2002, p. 87).

Portanto, é a partir da contraditoriedade entre o fim e a busca dos meios, que se desdobra a tendência de se investigar a natureza independentemente de cada ato singular e é exatamente isso, já na esfera do social, que possibilitará a gênese e o desenvolvimento de um importantíssimo complexo particular: a ciência. “Esta cumpre uma função social específica: é a mediação que fixa e desenvolve o conhecimento acerca da natureza ao longo da história.” (LESSA, 2002, p. 88).

O desenvolvimento da ciência, tal como ocorre com todo complexo parcial, apesar de sua autonomia relativa, tem suas demandas e limites postos, predominantemente, pela totalidade do desenvolvimento social. No entanto, como a ciência se apresentará diante dessas demandas e limites postos dependerá sempre de seu desenvolvimento anterior, ou seja, “da legalidade específica que, como complexo particular da totalidade social, a ciência houver desenvolvido.” (LESSA, 2002, p. 88).

A característica mais importante da ciência reside na exigência de categorias universais e isso é também o que a contrapõe à consciência cotidiana. Obviamente que essa é uma característica de outros complexos que também operam com investigação teórica, como a filosofia, a religião, a estética, a ontologia etc. No entanto, a busca de categorias universalmente válidas tem por fundamento ontológico a unidade última do ser, sua universalidade imanente.

Para Lukács, o ser é complexo de complexos porque, em última instância, se caracteriza por ser uma totalidade unitária. “Todo ente tem sua singularidade constituída em um processo que apenas pode existir no interior de uma dada totalidade. Por isso, o conhecimento adquirido/necessário, tendo em vista um fim específico, particular, limitado, é sempre portador de determinações universais.” (LESSA, 2002, p. 89). Portanto, tanto o ser como as demais esferas da realidade participam da totalidade do ser-precisamente-assim existente, bem como “todo conhecimento, por mais específico a uma objetivação, é portador de uma dimensão universal que pode ser generalizada em ciência.” (LESSA, 2002, p. 89). Lukács, portanto, nos mostra que são as articulações genéricas do real que possibilitam que a consciência humana se encaminhe na direção da generalização das experiências singulares.

Lessa (2002) explica que “esse impulso à generalização das experiências cotidianas está, como veremos, na gênese de complexos sociais como a arte, a filosofia, a religião etc. Mutatis Mutandis, o impulso à generalização do conhecimento do ser-precisamente-assim

41 existente compõe a gênese da ciência.” (LESSA, 2002, p. 89). Tal constatação reveste-se de muita importância em nosso estudo, uma vez que aponta a força genético-causal e/ou dinâmico-causal do complexo social que ora estudamos, o jogo e, particularmente, sua forma evoluída de jogo com regras institucionalizado: o esporte. A nosso ver, há elementos no desenvolvimento ontogênico para supormos que o jogo é o complexo fundador da esfera da reprodução social na perspectiva da formação da reprodução consciente das ações envolvidas com o trabalho primitivo e/ou com a construção de instrumentos para dominar a natureza. Na próxima seção retomaremos essa questão.

Vale observar que a constituição da ciência a partir do trabalho não muda a relação entre a gênese do pensamento científico e a práxis cotidiana, ou seja, “a cotidianidade é a mediação real que articula a particularidade de cada uma das esferas sociais com a totalidade social à qual pertencem.” (LESSA, 2002, p. 90).

Um aspecto fundamental da ontologia lukacsiana é que ela desvela os fatores da não linearidade entre o conhecimento possível da realidade e sua relação com as ações possíveis para sua transformação. Para o referido autor, do trabalho, como vimos, surge a ciência como instrumento para que sua realização se faça num nível cada vez mais elevado, cada vez mais social, porém tal relação só pode acontecer desigualmente. Portanto, é importante destacar um aspecto central da relação trabalho-ciência, qual seja, “toda posição teleológica ou é capaz de colher, na medida necessária, as conexões, relações etc. do real, ou, então, não será uma posição teleológica.” (LESSA, 2002, p. 90).

Em síntese, para que uma posição teleológica possa se converter em objetivação deve necessariamente ser capaz de identificar precisamente os nexos causais heterogêneos da realidade. Sem tal reconhecimento não há possibilidade de efetivação da intervenção humana sobre a realidade, e a esfera da causalidade permanecerá intacta, com seus nexos causais continuando a operar naturalmente. Por sua vez, a posição teleológica se extingue, já que, não se realizando, torna-se um mero fato de consciência, sem efeito em relação à natureza.

Por outro lado, o quantum de conhecimento pelo qual a teleologia deve incorporar da causalidade para que, enquanto prévia-ideação, possa efetivar-se em causalidade posta expressa o momento predominante na esfera da “busca dos meios”, exercido pela causalidade na determinação dos limites das possibilidades e necessidades que consubstanciam toda prévia-ideação. Vale ressaltar que esse quantum de conhecimento necessário para efetivação da conexão entre causalidade e teleologia não pode ser fixado rigidamente. Para Lukács (apud Lessa, 2002, p. 91-92), esse quantum de conhecimento do real se

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refere apenas àqueles momentos da infinidade intensiva4 que, para a posição teleológica, têm importância negativa ou positiva. Se, para trabalhar, fosse necessária uma consciência, mesmo que só aproximada, dessa infinidade intensiva enquanto tal, nas fases iniciais de observação da natureza (quando não existia uma consciência em sentido consciente) o trabalho não poderia jamais ter surgido.

Decorre disso que a práxis humana se realiza pelas ações teleológicas dos indivíduos orientadas por sua compreensão pela consciência da infinidade intensiva dos objetos e relações a que são submetidos. Lessa (2002) explica que “se toda posição teleológica requer algum conhecimento do ser-precisamente-assim existente, essa exigência pode ser entendida como absoluta apenas para aquela porção do real (objetos, relações etc.) diretamente envolvida no ato em questão.” (LESSA, 2002, p. 92).

Portanto, isso nos ajuda a entender por que alguns esportes, como o futebol, por exemplo, possuem uma dinâmica interna entre intencionalidade e acaso (com predominância desse último) que pode levar milhares de indivíduos a desenvolverem tal relação ilusória com sua dimensão fenomênica a ponto de aproximá-lo do complexo místico da religião. Basta imaginar o comportamento das torcidas, o culto ao jogador-ídolo etc. Para a (mercado)lógica do capital e/ou sua indústria do entretenimento/esvaziamento trata-se de uma mercadoria em que as possibilidades de criação de valores de troca simbólicos fetichizados são incomensuráveis.

Retomando a relação ontológica entre trabalho e conhecimento, há que se considerar também que, se por um lado, sem tal conhecimento do real a efetivação do fim não é possível; por outro, não raramente acontece a transformação do real no sentido desejado a partir de concepções falsas do ser em geral. Lessa (2002) cita o exemplo de como foi possível a navegação em alto mar orientada corretamente pelas estrelas num momento da humanidade em que se acreditava que a terra era o centro do universo.

Portanto, “a exigência do conhecimento do ser-precisamente-assim existente para que uma posição teleológica possa se objetivar não deve ser confundida com a necessidade de um conhecimento absoluto do real.” (LESSA, 2002, p. 92).

Por outro lado, parece inquestionável que quanto mais pudermos conhecer sobre as relações ontológicas que produzem e desenvolvem o complexo em que desejamos atuar, melhor podemos planejar ações que possam afetar significativamente suas relações causais. Porém, sua transformação (para o bem ou para o mal) depende dos limites impostos pela

4 “Todo objeto natural, todo processo natural apresenta uma infinidade intensiva de propriedade, e relações com

43 dinâmica social. No caso de nosso objeto de estudo – o esporte –, tal constatação reveste-se de suma importância, uma vez que, conforme procuraremos demonstrar mais adiante, seu ensino e sua prática vem se dando pela reprodução de um modelo desumano de culto ao rendimento, e a maioria das propostas que criticam tal modelo o fazem a partir de concepções inconsistentes do ser em geral ou, então, por carecerem de fundamentos ontológicos mais coerentes, não dão sustentação a posições teleológicas efetivamente corretas.

Nesse sentido, precisamos avançar um pouco mais na ontologia lukacsiana com a ajuda dos estudos de Lessa e, assim, adentrarmos na relação teleologia, causalidade e conhecimento pela compreensão da categoria do reflexo.

Benzer Belgeler