• Sonuç bulunamadı

SYKES-PICOT ANTLAŞMASINDAN 1960 KIBRIS CUMHURİYETİ’NE KADAR İNGİLTERE VE FRANSA’NIN KIBRIS POLİTİKALARI

As pesquisas acima mencionadas destacaram que as crianças possuem um papel relevante na qualidade de atores sociais nos templos religiosos afro- brasileiros, reafirmando que o processo de ensino-aprendizagem ocorre de forma difusa, porquanto não circunscrito às instituições formais de ensino; os referidos templos configuram-se locus formativos e acolhedores.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) assegura a crianças e adolescentes o direito ao acolhimento (institucional ou familiar) e prevê que acolhimento significa, dentre outros predicados, o respeito à identidade cultural e étnica da criança (art. 19, § 4º e art. 28, § 6º). Vale dizer, uma instituição de

73

acolhimento tem a obrigação jurídica, ética, de respeitar a identidade cultural e étnica das crianças.

Cabe destacar que no referido estatuto, o artigo quinze orienta que a criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis. Assim, liberdade e dignidade, no que tange a crianças e adolescentes, implica:

I – ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais; II – opinião e expressão; III – crença e culto religioso; IV – brincar, praticar esportes e divertir-se; V – participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação; VI – participar da vida política, na forma da lei; VII – buscar refúgio, auxílio e orientação. (BRASIL, 1990, p.19)

São inegáveis os avanços jurídicos desde a promulgação da Constituição Federal Brasileira em 1988, mesmo em uma sociedade alicerçada por estruturas adultocêntricas e racistas; as normativas voltadas para a infância são caracterizadas por considerar as especificidades das crianças brasileiras, respeitando especialmente suas origens. A esse respeito, o ECA apregoa, em seu Art. 6º, que na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento (BRASIL, 1990, p. 10).

Neste sentido, há que se considerar a importância de compreender como as crianças estão inseridas no universo do candomblé, pois as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2013, p.90) destacam, no art. 8º, § 2°, inciso I, que a “identidade étnica, assim como a língua materna, é elemento de constituição da criança”.

Assim, a identidade étnica e cultural deve estar preservada, a fim de assegurar o pleno desenvolvimento humano das crianças, em especial, as crianças negras. A esse respeito, a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural aponta, no artigo terceiro, que:

A diversidade cultural amplia as possibilidades de escolha que se oferecem a todos; é uma das fontes do desenvolvimento, entendido não somente em termos de crescimento econômico, mas também

74 como meio de acesso a uma existência intelectual, afetiva, moral e espiritual satisfatória. (UNESCO, 2006, p.3)

A relação entre a infância e religiosidade está contemplada nas normativas jurídicas, assegurando o direito às crianças em manifestar a sua religiosidade e considerando a existência espiritual como um fator de desenvolvimento humano. Contudo, conforme explicitaram Caputo (2013), Bakke (2012) e Quintana (2012), a escola discrimina de forma violenta toda e qualquer manifestação cultural com ligação às religiões afro-brasileiras.

A identidade étnica é composta, ainda, pelas manifestações culturais de um povo; dentre essas manifestações destaca-se a religiosidade. Conforme observado em Brasil (2013), a identidade étnica e cultural é basilar do currículo escolar da Educação Básica.

A partir da aprovação da Emenda Constitucional n. 48/2005, a Constituição Federal, no capítulo dedicado à Cultura, passou a referir-se expressamente à obrigatoriedade da valorização da diversidade étnica e da identidade dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.31

Convém recordar que antes mesmo da aprovação dessa emenda, a LDB em seu texto original já atribuía à educação escolar o papel de reafirmar as identidades étnicas indígenas. Nestes termos:

Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios, desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de educação escolar bilíngue e intercultural aos povos indígenas, com os seguintes objetivos: I - proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação de suas identidades étnicas; a valorização de suas línguas e ciências.

31 CF, Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às

fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. § 3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público que conduzem à valorização da diversidade étnica e regional.

Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: (...).

75

De seu lado, extraída da Constituição Federal, mais precisamente do adjetivo pátrio afro-brasileiro, a expressão afro-brasileiros/afrodescendente tem a característica de valorizar o laço comum de procedência geográfica/cultural, do continente de origem dos membros da população negra brasileira, independentemente de aparência, atributos fenotípicos, tom da pele etc.

Atualmente empregado como sinônimo de negro, o termo afrodescendente não exige a presença, ou mensuração, de caracteres físicos comuns à população negra, visto que enfoca não o aspecto da aparência, e sim a marca de ascendência, designando, portanto, a identidade do conjunto dos brasileiros baseada na ascendência africana. Prospectando a relação entre educação e cultura, assinala Herbert Marcuse que:

Definiríamos Cultura como um processo de humanização (humanisierung) “caracterizado pelo esforço coletivo para conservar a vida humana, para pacificar a luta pela existência ou mantê-la dentro de limites controláveis, para consolidar uma organização produtiva da sociedade, para desenvolver as capacidades intelectuais dos homens e para diminuir ou sublimar a agressão, a violência e a miséria”. (MARCUSE, 1998, p.95)

De seu turno, a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural oferece uma definição de cultura que pode ser útil para efeito das considerações aqui assinaladas:

Cultura deve ser considerada como o conjunto de traços distintivos espirituais e materiais, intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade ou um grupo social e que abrange, além das artes e das letras, o modo de vida, a maneira de viver juntos, os sistemas de valores, as tradições e as crenças. (UNESCO, 2006, p.3).

É em busca das contribuições que as produções culturais infantis desenvolvidas no Ilê Axé Omo Oxé Ibá Latam podem trazer à Educação Infantil ao ressignificar valores étnicos e culturais da população negra que se dirige a presente tese. Considerando que estas contribuições são clamadas por diversas normativas jurídicas destinadas às crianças, conforme o exposto.

Dessa forma, partindo das contribuições das pesquisas anteriores e das orientações dos diferentes documentos legais acima destacados, justifica-se a

76

necessidade de construirmos uma metodologia com as crianças oriundas do candomblé.