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5.1 Company A

5.1.2 SWOT Analysis for Company A

Green (2005, p. 01), no início do livro Meaning, autonomy and authenticity

in the music classroom, trata da superioridade atribuída à música clássica e à “alta”

cultura em detrimento da cultura popular e de massa. Essa diferença de valor entre a música clássica e a música popular reflete uma afirmação ideológica e de condições materiais que formam padrões musicais na sociedade (GREEN, 2003, p. 264), ou seja, reflete uma relação entre a ideologia musical e os grupos sociais. Ao discutir o conceito de ideologia, a autora nos lembra que “[as] ideologias tendem a beneficiar aqueles grupos sociais que já estão em posições relativamente beneficiadas”8 (GREEN, 2003, p. 264). No que diz respeito à questão educacional, Froehlich (2007, p. 02) argumenta que certos tipos de aprendizagem de música e processos de ensino podem ameaçar um grupo de pessoas quando afirma um estilo de vida e sistema de valor de outro grupo. Para Green (1988, p. 02), a ideologia é o que faz o mundo inteligível a nós, é o que explica e perpetua o estado de sociedade entre nós, e a educação musical participa na construção e manutenção das ideologias sobre o valor da música.

Green (2003, p. 264) cita o exemplo da inclusão das práticas sociais (representadas pela música popular) na aula de música, no contexto das escolas britânicas9. No período posterior à Segunda Guerra, o repertório trabalhado nas

aulas era composto essencialmente de música erudita ocidental pós-século XVII; havia também a música folclórica, mas em menor proporção (GREEN, 2000, 2001, 2003 e 2006). A ideologia musical predominante afirmava a superioridade em valor e as qualidades “transcendentais” da música clássica, pensadas em termos de “universalidade, complexidade, originalidade ou autonomia”10, que eram utilizadas

8 No original: “ideologies tend to benefit those social groups that are already in relatively beneficent positions” (Green, 2003, p. 264).

9 Vale lembrar que no Reino Unido, a música é conteúdo obrigatório no currículo escolar.

10 No original: “Transcendent qualities such as universality, complexity, originality, or autonomy” (Green, 2003, p. 264).

para diferenciá-la da música popular, de modo oposto à clássica, caracterizada como efêmera, trivial, ou comercial (GREEN, 2003, p. 264).

Naquele período do pós-guerra, o rock era a principal música difundida pela mídia na Inglaterra e a música que os alunos escutavam fora do ambiente escolar. No entanto, essa música era rejeitada nas escolas por possuir conotações de rebeldia, sexo, uso de álcool e drogas, dentre outras associações consideradas inadequadas para aquele espaço. Havia então um conflito de interesses: de um lado, as músicas que os estudantes gostavam e vivenciavam em seu cotidiano (música popular) e de outro a música que era imposta pelo sistema escolar e que os professores deveriam ensinar – a música clássica (GREEN, 2003, 2006).

A partir da década de 1970, alguns educadores musicais da Inglaterra, Escandinávia e América do Norte começaram a argumentar a favor da inclusão da música popular no currículo escolar. De acordo com Green (2003, p. 265), a recepção dessas idéias era fraca, mas quando eram aceitas, isso não implicava necessariamente em mudanças fundamentais nas ideologias musicais, ou seja: mesmo quando a música popular era incluída nas práticas musicais da sala de aula, a forma de abordá-la pelos professores era diferente da forma de abordar a música clássica. Green (2003, p. 265-266) cita pesquisas inglesas que mostram que o foco no ensino da música popular se voltava para aspectos extra-musicais, tais como as circunstâncias sociais relacionadas com a produção e recepção musical, as roupas dos cantores (e demais integrantes das bandas) ou as letras das músicas. Nas aulas que incluíam a música popular eram realizadas atividades de apreciação para buscar nesse tipo de música as mesmas qualidades “transcendentais” que eram atribuídas à música clássica. Com essas atividades, os alunos eram levados a fazer comparações entre os dois tipos de música para estabelecer relações de valor entre elas, a fim de manter a ideologia predominante de superioridade da música clássica.

Nos anos 1990, continua Green (2003), os currículos escolares passaram a refletir mudanças provocadas pelos movimentos sociais, ao passo que as atitudes dos professores permaneceram inalteradas, contribuindo para o estabelecimento e manutenção dos valores musicais predominantes. No que diz respeito às atitudes dos professores ante a presença da música popular na escola e sua inclusão no currículo, Folkestad (2006, p. 136) traz o questionamento:

Como lidamos com essa música? Negamos o fato de que a música popular é um fator essencial no contexto escolar, ou reconhecemos as experiências

e conhecimentos musicais dos alunos como um ponto de partida para promover a educação musical?”11.

Dessa forma o autor reconhece a importância do contexto e das manifestações culturais que fazem parte das vivências musicais dos alunos (como o caso da música popular) para os processos de ensino e aprendizagem de música.

Nessa contextualização histórica do ensino de música na Inglaterra, Green (2001, p. 47) evidenciou que houve uma ampliação das práticas musicais: se por volta de 1960 estas eram restritas à apreciação e ao canto, nos anos 2000 passaram a incluir atividades como cantar, tocar, compor, improvisar, ouvir e lidar com diversos estilos musicais. De acordo com a autora, essas mudanças curriculares refletem o desenvolvimento da sociedade como um todo no que diz respeito à demografia, tecnologia, globalização, gênero, classe social e relações de raça, além da influência dos instrumentos musicais eletrônicos e dos computadores sobre as práticas de interpretação, composição e comercialização da música (GREEN, 2006).

Nesse sentido, a autora destaca a mudança de relações entre pessoas de diferentes grupos sociais com a música e mostra, por exemplo, que as meninas eram associadas ao canto e aos instrumentos de orquestra, ao passo que hoje possuem papéis menos restritos que antigamente, passando a tocar instrumentos de percussão e em bandas de rock, antes associados apenas aos meninos (GREEN, 2001). A autora argumenta que alguns estilos musicais são menos associados a certas classes sociais e as músicas não pertencem mais a grupos étnicos particulares por muito tempo. Folkestad (2006, p. 136) também aborda a questão das mudanças e as relaciona com o desenvolvimento tecnológico, dizendo que os alunos chegam à escola com uma rica e sofisticada bagagem de conhecimentos musicais adquirida em uma variedade de atividades musicais que estão fora da escola e que não pode simplesmente ser ignorada pelo professor de música.

O exemplo trazido por Green (2001), da inclusão da música popular nas escolas inglesas, evidencia que por muito tempo o ensino privilegiou as músicas dos grupos sociais ligados à chamada “alta cultura”. As principais atividades conduziam à valorização de elementos ligados à lógica da construção musical, ao texto musical, o que as aproximava da abordagem das “notas”. Eram desconsideradas questões

11 No original: “how do we deal with it? Do we deny the fact that popular music is an essential factor of the context of music teaching in school, or do we acknowledge the students’ musical experiences and knowledge as a starting point for further musical education?” (Folkestad, 2006, p. 136).

do contexto social e de tudo o que estava em torno da música. A autora ressalta que reconhecer a superioridade da ideologia da música clássica quer dizer que ela representa valores e interesses de um grupo social particular.

Benzer Belgeler