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3. DAHA ÖNCEKİ YAKLAŞIMLAR

3.4 SVM ile Yapılmış Çalışmalar

A influência da invenção da imprensa foi significativa em muitos aspectos da vida social, não se restringindo ao campo religioso. Destaca-se o papel ativo dessa mídia em transformações nas esferas política, constitucional, econômica, entre outras. É esse o entendimento de Ong (1998) para quem a impressão, em seus efeitos sociais imediatamente observáveis:

[...] afetou o desenvolvimento do capitalismo moderno, implementou a exploração européia do planeta, mudou a vida em família e a política, difundiu o conhecimento como nunca antes, tornou a cultura escrita universal um objetivo sério, permitiu a ascensão das ciências modernas e, por outro lado, alterou a vida social e intelectual.(Ong,1998,p.136)

Fica claro assim que o próprio projeto da modernidade tem na tipografia um dos seus importantes alicerces. A Tipografia, segundo Mcluhan, possui uma qualidade suprema, a repetibilidade: “Essa qualidade reside no fato de ela ser um pronunciamento pictórico que pode ser repetido precisa e indefinidamente...”.

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Para Mcluhan essa repetibilidade, promoveria uma homogeneização, característica central do princípio mecânico que domina o projeto moderno. Aliás, a imprensa, como primeiro processo industrial mecanizado e padronizado, serviu de arquétipo para todas as mecanizações posteriores. Portanto, a repetibilidade mecânica aliada ao poder da imprensa de reduzir o mundo a páginas – numeradas, lineares – forjando assim um espaço contínuo, uniforme e ligado em seqüência, contribuiu para o estabelecimento do império da razão e, conseqüentemente, colaborou para o advento de uma ciência mais abstrata e mecânica em relação à clássica, como também entende Goody (1988, p.168), para quem:

A passagem da ciência do concreto á ciência do abstrato ou, se preferir, o desenvolvimento de conceitos e formulações de um tipo cada vez mais abstrato(lado a lado com os mais concretos) não pode ser compreendido senão ao nível das transformações fundamentais produzidas na natureza da comunicação humana

Ademais desses efeitos macros nos quais a impressão teve um papel ativo, Marshall Mcluhan e Walter Ong destacam efeitos mais importantes que esta tecnologia provocou sobre a consciência, influência tamanha que fez Mcluhan (1972) afirmar que a imprensa forjou o homem tipográfico. Para Mcluhan a diferença entre o homem da cultura tipográfica e aquele da cultura quirográfica é quase tão significativa como a diferença entre um homem letrado e um não letrado. O homem tipográfico, fruto das profundas transformações no modo de conservação e transmissão da informação, é portador de uma distinta estrutura de pensamento, afinal, “A impressão de caracteres tipográficos alfabéticos, na qual cada letra era gravada em uma peça separada de metal, assinalou uma ruptura psicológica de primeira ordem.” (Ong,1998.p.137)

Ruptura em parte responsável pela reafirmação e radicalização do senso visual em relação ao auditivo, isto é, a cultura tipográfica é fortemente marcada pelo predomínio ainda maior da visão. Walter Ong nos recorda que mesmo na cultura quirográfica, o senso auditivo ainda era muito forte, “As culturas manuscritas permaneceram em geral oral-auriculares até mesmo na recuperação de material preservado em textos” (Ong, 1998, p.138). Contudo, continua Ong, “a impressão substituiu a prolongada predominância da audição no mundo do pensamento e da

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expressão pelo predomínio da visão, que se iniciara com a escrita, mas não podia se desenvolver apenas com o apoio da escrita” (Ong,1998,p.139).

Com a radicalização do senso visual na cultura da época tipográfica, de acordo com Mcluhan, se conclui o chamado processo de destribalização que teve inicio com a criação do alfabeto, “... a tipografia acabou com o paroquialismo e com o tribalismo, tanto psíquica quanto socialmente, tanto no espaço quanto no tempo”

(Mcluhan,2007, p.195). O individuo se emancipa de seu grupo, porque tem no livro o apoio para ser artífice de sua própria historia. A impressão, produzindo livros menores e portáteis, preparou psicologicamente a cena da destribalização. Além de destribalizado, o homem tipográfico é um homem não envolvido, como destaca Mcluhan (2007,p.198): “Talvez o dom mais significativo da tipografia seja o do desligamento e do não-envolvimento – o poder de agir sem reagir.” Tal

desprendimento também colaborou para a chamada destribalização do homem tipográfico, o afastando das relações familiares típicas do mundo tribal, e também para o processo de separação entre pensamento e sentimento, trazendo-nos a possibilidade de agir sem envolver-se.

Outra causa dessa destribalização do homem tipográfico foi o novo estatuto da leitura que, no limite, forjou a percepção da privacidade pessoal. A leitura, enfim, passa a ser um fato privado pois o texto impresso é mais fácil de ler do que aqueles manuscritos, permitindo uma leitura rápida e silenciosa. Na precedente época dos manuscritos, a leitura era uma tarefa fatigosa, pois exigia um contínuo esforço de decifração, portanto, era geralmente pública e ligada a performances. Assim, com a tipografia, ―Não era mais necessário que monges murmurassem alto enquanto liam,

como se ler fosse uma forma de falar; as pessoas liam para si mesmas, em silêncio.”(Man,2004, p.98).

A leitura da época tipográfica, solitária e silenciosa, é o principal responsável para o desenvolvimento do conceito de uma vida privada que caracterizou a modernidade:

A impressão constitui também um fator importante da percepção da privacidade pessoal que marca a sociedade moderna. Ela produziu livros menores e mais portáteis do que os que eram comuns na cultura manuscrita, preparando psicologicamente o cenário para a leitura solitária em um canto tranqüilo e eventualmente para uma leitura completamente silenciosa. (Ong, 1998, p.149)

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A cultura literária também favoreceu o desenvolvimento do espírito crítico, tão importante para o estabelecimento da ciência moderna: “A leitura leva a conflitos, funda escola rivais, fornece sua autoridade a pretensos retornos à origem, como tantas vezes aconteceu na Europa após o triunfo da impressão”. (Levy, 1997, p.90)

Todas essas características inerentes à cultura e ao homem tipográfico sugerem que a tipografia condicionou a existência de novas formas de cristianismo no campo religioso ocidental. Evidentemente, a tipografia não é uma condição suficiente, isto é, não defendemos uma determinação estrita, entretanto, aceitando o caráter ativo das mídias, a tecnologia da imprensa se mostra como a condição de possibilidade da reforma protestante.

Benzer Belgeler