O presente estudo teve por objetivo analisar se os traços de personalidade e os valores humanos prediziam as estratégias de resolução dos conflitos conjugais. Em específico, buscou-se (1) verificar a influência das variáveis sociodemográficas nas estratégias de resolução dos conflitos conjugais; (2) identificar a relação entre os traços de personalidade, as subfunções valorativas e as estratégias de resolução dos conflitos conjugais; e, por fim, (3) conhecer em que medida os traços de personalidade e os valores humanos explicam as estratégias de resolução dos conflitos.
Assim, de maneira geral, acredita-se que os objetivos da presente dissertação tenham sido alcançados. Isto posto, seguindo a mesma sequência discorrida nos resultados, optou-se por apresentar a discussão dividida em duas seções, com o intuito de proporcionar uma leitura fluída e coerente. Neste contexto, no primeiro momento serão discutidos os resultados referentes às variáveis sociodemográficas, seguido dos correlatos e predições, e por fim os principais achados, limitações do estudo, direções futuras e conclusões.
5.1. Estratégias de resolução dos conflitos conjugais e as variáveis sociodemográficas. Para atingir os objetivos referentes às estratégias de resolução dos conflitos e as variáveis sociodemográficas, foram formuladas oito hipóteses, das quais cinco foram corroboradas. Inicialmente, confirmou-se a (H1) a qual se esperava que as mulheres apresentassem mais estratégias de ataque e os homens mais evitação. Tal hipótese foi construída considerando que as mulheres tendem a expressar mais comportamentos persistentes e de ordem, e os homens mais comportamentos de esquiva e evitação (Bolze & Crepaldi, 2012).
Assim, é interessante resgatar que o ataque é considerado um tipo de estratégia destrutiva que tem como características comportamentos como agressividade verbal ou
física. Então, a partir desse achado, Schmidt, Bolze, Vieira e Crepaldi (2015) argumentam que a mulher tende a iniciar brigas com seus parceiros por meio de cobranças ou acusações, por se perceberem na relação como mais solidárias e propensas a cederem favores e a se doar em função do outro.
Em um estudo, Mosmann e Falcke (2011) verificaram que 75,8% dos casais declararam fazer uso de agressão verbal, sendo 7,3% referente à agressão física. Colossi, Razera, Haack e Falcke (2015), por sua vez, constataram que as mulheres adotavam 86,59% de agressão psicológica (e.g., insultos, xingamentos, ofensas) com seus parceiros.
Nessa conjuntura, o traço de personalidade neuroticismo também é algo que se
deve levar em consideração, uma vez que este traço apresenta fortes relações com a agressão física e hostilidade (Collani & Werner, 2005; Lopes, 2012). Ademais, as mulheres tendem a apresentar maiores níveis de neuroticismo quando comparadas aos homens (Schmitt, Realo, Voracek, & Allik, 2008).
Acrescenta-se ainda que a sobrecarga laboral feminina (e.g., carreira profissional, cuidado dos filhos, as atividades domésticas) também pode interferir no tipo de estratégias de resolução que as mulheres utilizam, uma vez que essas trabalham em média 18 horas semanais a mais do que os homens (Dedecca, Ribeiro, & Ishii, 2009).
No que diz respeito ao fato dos homens utilizarem estratégias de evitação pode ser atribuído ao tempo de união, uma vez que no presente estudo a média foi de 10 anos. Segundo Delatorre (2015), no decorrer do tempo a relação amorosa tende a se desgastar, o que conduz os homens a se tornarem mais negligentes acerca dos problemas conjugais, e assim adotarem com maior frequência estratégias de evitação, como evitar discutir o problema e/ou distrair-se com outras demandas.
Além disso, os comportamentos de evitação praticados pelos homens também podem estar associados à negligência quanto às atividades domésticas que a vida conjugal demanda. Acerca disso, Jablonski (2010) observou que as mulheres declararam que os homens assumem poucas responsabilidades domésticas. Com base nisso, nota-se que a noção de segregação por gênero parece persistir nos dias atuais, já que determinadas funções domésticas continuam atreladas à responsabilidade feminina.
Esperava-se também que os cônjuges que tivessem uma jornada de trabalho até oito horas/diária de trabalho apresentariam mais estratégias de acordo, já os que tivessem acima de oito horas/diária apresentariam mais estratégias de evitação e ataque (H2). Todavia, o resultado encontrado foi diferente, sugerindo que os cônjuges que trabalham até oito horas/diária apresentam mais estratégias de evitação.
Com base nisso é possível afirmar que os cônjuges que trabalham até 8 horas/diárias tendem a passar mais tempo em casa e embora isso pareça ser algo positivo, provavelmente tragam dos seus empregos problemas não resolvidos ou atividades não concluídas. Assim, as múltiplas funções (profissional/conjugal) quando não são bem administradas repercutem em maiores níveis de estresse, impaciência e indiferença, que provavelmente são depositados no relacionamento do casal, causando ou reforçando os conflitos (Vázquez, 2014).
Esperava-se também que os cônjuges casados oficialmente apresentariam mais estratégias de acordo, enquanto os que moram juntos/coabitação adotariam mais estratégias de evitação e ataque (H3). Tal hipótese foi, parcialmente, confirmada. Desse modo, observou-se diferença significativa apenas para o grupo dos cônjuges que moram juntos/coabitação, os quais tendem a utilizar com mais frequência estratégias de ataque do que aqueles que são casados oficialmente.
Tal achado corrobora o estudo de Rosa (2013), o qual revelou que casais que moravam juntos tendem a apresentar maiores índices de violência (coerção sexual menor, violência física menor e lesão corporal) do que os oficialmente casados. Ademais, pessoas que mantém um relacionamento em termos de coabitação possuem uma maior independência emocional do outro e consideram que a manutenção do relacionamento depende da satisfação pessoal (Duarte & Rocha-Coutinho, 2011).
Em outro estudo, Wainberg, Pereira, Hutz, e Lopes (2011) comprovaram maiores índices de satisfação conjugal e de qualidade de vida entre casais casados oficialmente do que entre coabitantes. Para esses autores, essa diferença estaria vinculada à maior segurança emocional e de permanência da relação.
Com relação a H4, era previsto que cônjuges com idades até 35 anos adotassem mais estratégias de evitação e ataque, já os acima de 36 anos adotassem mais estratégias de acordo. Essa hipótese não foi confirmada. Contudo, era esperado que pessoas mais velhas adotassem mais estratégias de acordo em decorrência destas já terem acumulado um maior número de experiências acerca de problemas interpessoais, o que possibilitaria maior aptidão para desenvolverem estratégias construtivas que favorecessem a harmonia e a manutenção conjugal (Fingerman & Charles, 2010).
Todavia, esse resultado pode ser atribuído em razão da invariabilidade da idade dos cônjuges do presente estudo, a qual 49% correspondiam ao grupo de idade entre 36 a 59 anos, sugerindo que por serem pessoas maduras, possuíam tipos de estratégias de resolução bem estabelecidas, isto é, estáveis. Delatorre, (2015) em seu estudo, também não encontrou diferenças estatisticamente significativas entre a idade e as estratégias de resolução de conflitos.
Com relação a H5, esperava-se que os cônjuges que tivessem até 8 anos de tempo de união apresentassem mais estratégias de evitação e ataque, ao passo que os
acima de nove anos apresentassem mais estratégias de acordo. Essa hipótese foi formulada considerando que estratégias de acordo estão relacionadas a maiores níveis de satisfação conjugal e esta, por sua vez, apresenta relações positivas com o tempo de relacionamento (Neves, 2013).
Para tanto, tal achado não foi confirmado, corroborando assim o estudo de Schmidt, Bolze, Vieira e Crepaldi (2015), no qual também não foram encontradas relações estatisticamente significativas entre o tempo de união e as variáveis interações conflitivas, satisfação e qualidade conjugal.
Tal fato pode ser atribuído à média de união da presente amostra, a qual foi acima de 10 anos. A partir disso, é possível sugerir que essas pessoas já tinham alcançado um nível de estabilidade emocional, uma menor invariabilidade em suas características individuais e comportamentais, maior nível de conhecimento acerca do outro, de controle e de positividade (Hoppmann & Blanchard-Fields, 2011; Smith et al., 2009; Stieglitz et al., 2012).
Buscou-se também encontrar uma relação negativa entre tempo de serviço profissional e as estratégias evitação e ataque (H6), considerando que os recursos financeiros permeiam constantemente a vida dos casais e que a falta ou insuficiência desses favorecem situações conflituosas (Cenci, 2016).
Sendo assim, esse achado foi, parcialmente, confirmado, uma vez que o tempo de serviço profissional apresentou relação negativa apenas com a estratégia ataque, indicando que a estabilidade financeira proporciona um sentimento de segurança quanto à sustentação familiar, favorecendo assim, uma relação interpessoal mais saudável, com menores níveis de estresse e/ou agressões psicológicas e físicas. Acerca disso, Papp, Cummings e Goeke-Morey (2009) observaram que o dinheiro foi um fator
desencadeador de conflitos na relação conjugal, responsável por 18,3% a 19,4% entre os assuntos mais discutidos pelos parceiros.
No tocante a H7, era previsto que o nível de religiosidade se correlacionasse negativamente com as estratégias evitação e ataque, tendo em vista que quanto maior o nível de religiosidade, mais as pessoas tendem a perceberem o casamento como algo sagrado, que deve durar para sempre e isso os encoraja a agirem de maneira menos negligente e mais harmônica, tendo como fim a preservação e integridade do relacionamento conjugal(Krumrei, Mahoney, & Pargament, 2011).
Esse achado foi parcialmente confirmado, dado que foi encontrada uma relação negativa entre o nível de religiosidade e apenas a estratégia evitação, ratificando o estudo realizado por Colossi, Razera, Haack e Falcke (2015), o qual demonstrou que quanto mais os casais se consideravam praticantes de uma religião, menores eram os índices de agressão psicológica menor (e.g., insultos, ignorar o outro) e grave (e.g., destruir algo do companheiro), e de lesão corporal.
Diante disso, após discutir os resultados referentes às variáveis sociodemográficas com base na literatura científica, a seguir dar-se-á início as discussões referentes às variáveis (traços de personalidade e valores humanos) que se correlacionaram e as que, porventura, se apresentaram como boas explicadoras das estratégias de resolução dos conflitos conjugais.
5.2. Correlatos e Preditores das Estratégias de Resolução dos Conflitos Conjugais
No que se refere aos traços de personalidade, confirmou-se a H8 a qual previa que a estratégia acordo se correlacionaria positivamente com extroversão, abertura à
experiência, amabilidade e conscienciosidade. Além disto, pôde-se verificar que
abertura à experiência e amabilidade predisseram tal estratégia, confirmando parcialmente a H9. Ambas as hipóteses foram elaboradas considerando que esses traços
de personalidade se apresentaram como bons preditores na eficácia de negociações dos relacionamentos interpessoais (Monteiro, Serrano, & Rodrígues, 2013).
A respeito da H8 é possível afirmar que o traço extroversão tem se mostrado como um fator importante para a construção e manutenção de relacionamentos interpessoais satisfatórios, além de estar associado aos afetos positivos, os quais possibilitam a interação construtiva e o diálogo entre o casal (Ozer & Benet-Martinez, 2006; Vázquez, 2014).
Dito isto, os traços extroversão, conscienciosidade e amabilidade apresentaram relação positiva com a satisfação conjugal (Malouff, Thorsteinsson, Schutte, Bhullar, & Rooke, 2010), propondo que cônjuges extrovertidos, ao se depararem com situações conflituosas, buscam resolvê-las de forma positiva, exercendo sua a assertividade, afetividade e possibilitando ao outro expressar suas opiniões.
Quanto à relação positiva entre a estratégia acordo e o traço conscienciosidade indica que os cônjuges, frente às situações conflituosas, provavelmente tenderão a agir com prudência e responsabilidade, optando por planejamento de estratégias que contribua para a resolução de problemas e, consequentemente, a satisfação dos interesses de ambos os parceiros (Monteiro, Serrano, & Rodrígues, 2013).
Corroborando com isso, Monego e Teodoro (2011), ao realizarem um estudo, comprovaram que o traço conscienciosidade predisse de forma positiva a satisfação conjugal, sugerindo que a manutenção do relacionamento depende do empenho e investimento dos parceiros em atingir metas que favoreça a qualidade conjugal.
Ademais, o traço amabilidade se destaca entre os demais, uma vez que predisse a estratégia acordo (H9). A isso se pode atribuir o fato de que os parceiros amáveis compreendem que o relacionamento conjugal não é permeado por interesses
individuais, mas sim que ambos os parceiros precisam se engajar nas questões relacionadas à conjugalidade (e.g., financeiras, sexuais, lazer).
Nesta direção, Mônego e Teodoro (2011) examinaram que os parceiros amáveis por serem bondosos e empáticos tendem a ter percepções mais positivas sobre seus relacionamentos. Sendo assim, os cônjuges que possuem esse traço percebem que a felicidade depende da felicidade do parceiro e por isso, de forma cooperativa, são motivados a buscarem estratégias para os problemas visando não somente a satisfação pessoal, mas também a do parceiro.
O traço abertura à experiência também predisse a estratégia acordo (H9), revelando que os cônjuges, por possuírem uma imaginação fértil, vislumbram as situações conflituosas de forma positiva. Pode-se, então, afirmar que percebem conflitos como algo desafiador que os impulsionam a desenvolver estratégias construtivas inovadoras (e.g., participar mais da vida do outro, apreciarem novas artes e belezas, conhecer novos lugares, experimentar novas culinárias), que os permitirá não somente inovar a relação amorosa, mas também desenvolver um conhecimento e uma contemplação maior do que as demais pessoas (Mundim-Masini, 2009).
Sendo assim, pessoas que se destacam nesse traço estão sempre abertas a novidades e variedades em detrimento do que é familiaridade e rotina e, ao longo do tempo, tendem a se engajar em uma série de diferentes hobbies, além de valorizar os seus próprios sentimentos por considerá-los como parte importante da vida (Nunes, Hutz, & Nunes, 2010).
O traço neuroticismo também merece destaque, uma vez que predisse de forma negativa a estratégia acordo. Apesar desse resultado não ser esperado, é algo interessante que aponta para o aspecto de que os cônjuges que possuem excesso de preocupação e são emocionalmente instáveis e inseguros (Schultz & Schultz, 2011) não
adotaram estratégias de resolução construtivas como o diálogo, a empatia e o companheirismo, uma vez que percebem o conflito como algo meramente negativo e impossível de ser resolvido, quer pelas características inerentes ao próprio conflito ou pela falta de equilíbrio emocional.
A respeito disso, Monego e Weber (2009) verificaram que os traços neuroticismo, amabilidade e abertura à experiência, associados ao tempo de relacionamento, predisseram de forma negativa a satisfação conjugal. Sendo assim, a qualidade conjugal é diretamente afetada pelo neuroticismo, na medida em que se tem comprovado sua predição para a insatisfação conjugal e conflitos (Ozer & Benet- Martinez, 2006). Atribui-se a isso o fato de que os cônjuges com elevadas características de neuroticismo tem facilidade em experimentarem sentimentos de raiva, frustração, angustia e ansiedade.
Com relação à estratégia ataque previa-se que se correlacionasse de forma positiva com o traço neuroticismo (H10) e que esse traço predissesse tal estratégia (H11). Ambas as hipóteses foram construídas tendo em conta que pessoas que possuem características como desagradáveis, frias e egoístas (Friedman & Schustack, 2004) adotariam mais estratégias como gritar e insultar. Ambas as hipóteses foram confirmadas.
Assim, esses resultados corroboram com os de Monteiro, Serrano e Rodrígues, (2013) os quais observaram que os conflitos geralmente favorecem sentimentos negativos, e os cônjuges que possuem características de neuroticismo percebem o conflito como uma ameaça e por conta disto, buscam evitá-lo ou, quando o enfrentam, optam por estratégias que favoreçam a proteção dos seus interesses pessoais. Além disso, por se frustrarem facilmente quando não conseguem resolver seus problemas, apresentam baixo controle de seus impulsos o que provavelmente favorece a
externalização de comportamentos agressivos (Natividade, Aguirre, Bizarro, & Hutz, 2012).
Constatou-se também que a estratégia ataque foi predita de forma negativa pelo traço amabilidade. Tal resultado, apesar de não ser esperado. Parece ser plausível considerando que os cônjuges que pontuaram baixo em amabilidade tendem a não ser cooperativos, mas sim irritáveis, manipuladores e vingativos (Nunes, Hutz, & Nunes, 2010).
Desse modo, quando a relação conjugal é permeada por comportamentos de esquiva, retaliação e hostilidade, as estratégias de resoluções são de caráter destrutivo (Paleari, Regalia, & Fincham, 2010), e com isso os conflitos não resolvidos tendem a se tornar cada vez mais intensos, conduzindo à fragilidade ou até ao rompimento. No tocante a isso, parece existir um sentido de competição, nutridos por dois objetivos: atacar, provando que o outro é a causa dos problemas, ou então se proteger das possíveis acusações que receberá (Costa, Cenci, & Mosmann, 2016).
Estimou-se, ainda, encontrar uma relação negativa entre a estratégia evitação e o traço amabilidade (H12) e que esse traço predissesse tal estratégia (H13). Ambas as hipóteses foram construídas considerando que pessoas pouco amáveis tendem a ser autocentradas, insensíveis e indispostas a resolverem os problemas dos outros (DeYoung & Gray, 2009).
Ambos os resultados foram confirmados, sugerindo que os cônjuges pouco amáveis se comportam de forma indiferente frente às situações de conflitos, por possuírem uma percepção negativa acerca do cônjuge e da relação (Rasera & Guanaes, 2010). Ademais, por demonstrarem uma dificuldade acentuada em estabelecer intimidade com outros (Nunes, Hutz, & Nunes, 2010), adotam comportamentos negligentes frente aos problemas conjugais.
A partir do exposto, evidencia-se então a forte influência que os traços de personalidade exercem sobre as estratégias de resolução dos conflitos conjugais. Não obstante, observou-se que os valores humanos, apesar de exercerem uma menor influência, devem ser considerados no que se refere às estratégias de resolução (Costa, Cenci, & Mosmann, 2016).
Sendo assim, esperava-se que as subfunções que compõe o tipo de orientação pessoal (experimentação e realização) se relacionassem positivamente com as estratégias ataque e evitação (H14), tendo em conta que pessoas que endossam valores dessas subfunções priorizam os interesses pessoais, assim tendem a ser competitivas e buscam por excitabilidade e experiências perigosas (Gouveia, 2013). Logo, nas situações de conflito, possivelmente apresentariam resistência ao diálogo e à empatia.
Todavia, essa hipótese não foi confirmada, e isso pode ser justificável em razão da idade dos participantes, a qual para os homens a média geral foi de 38 anos, e segundo Vione (2013) ambas subfunções são priorizadas de forma mais acentuada por jovens e tendem a diminuir na vida adulta.
Com relação a H15 previa-se que as subfunções que compõe o tipo de orientação central (existência e suprapessoal) explicassem positivamente a estratégia
acordo, considerando que pessoas que endossam os valores dessas subfunções tendem a
buscar por estabilidade pessoal, se preocupam com sua saúde e sobrevivência, bem como pela autorealização (Gouveia, 2013). Ademais, esperava-se que as subfunções do tipo de orientação central explicassem o acordo, visto que a mesma é a fonte para os outros tipos de orientação (pessoal e social).
Assim, a subfunção suprapessoal predisse de forma positiva a estratégia acordo, confirmando parcialmente tal hipótese e indicando que com o passar do tempo as pessoas, por se tornarem mais abertas a ideias abstratas, adquirem maior maturidade,
atribuindo menor ênfase ao imediatismo (Gouveia et al., 2011) e tendem a adotar mais estratégias de acordo frente aos conflitos por perceberem que favorece não somente a manutenção do relacionamento, mas também a saúde mental e física de ambos os parceiros (Delatorre, 2015).
Em um estudo prévio, Almeida (2016) investigou a influência das subfunções valorativas para a satisfação conjugal e constatou que a subfunção suprapessoal é essencial para promover a harmonia conjugal em relação à resolução de problemas, tomada de decisões e comunicação, bem como, na busca da autorrealização na vida a dois.
Por fim, esperava-se que as subfunções do tipo orientação social (interativa e
normativa) se correlacionassem positivamente com a estratégia acordo (H16), visto que
pessoas que endossam valores dessas subfunções buscam cumprir as normas sociais, creem em uma entidade superior, além de valorizarem os relacionamentos interpessoais (Gouveia, 2013).
Isto posto, essa hipótese foi parcialmente corroborada, pois verificou-se uma relação positiva entre a subfunção interativa e a estratégia acordo. Tal achado condiz com a literatura que aponta os valores interativos como fundamentais para a busca e manutenção de relações íntimas e estáveis (Gouveia, Milfont, Fischer, & Coelho, 2009; Milfont, 2006; Souza, Gouveia, Lima, & Santos, 2015).
Sugere-se, então, que os cônjuges que endossam valores da subfunção interativa tendem a adotar estratégias de acordo por perceberem que essas favorecem a estabilidade e qualidade dos relacionamentos amorosos. Logo, compartilham os problemas e buscam solucioná-los juntos por acreditarem que o apoio social, a convivência e a afetividade são valores indispensáveis para um relacionamento conjugal satisfatório.
5.3. Principais achados
A presente dissertação ofereceu contribuições para o estudo das estratégias de resolução dos conflitos conjugais, sobretudo por ter disposto de aspectos inéditos, a começar pelo âmbito da psicologia da personalidade, a qual é considerada uma grade área de conhecimento que dispõe de importantes contribuições para a compreensão do comportamento humano e, a respeito dos traços, estes vêm sendo amplamente estudados em contextos nacionais e, sobretudo internacionais.
Outrossim, esta dissertação também trouxe contribuições para a psicologia social, uma vez que introduziu uma de suas grandes áreas do conhecimento que são os valores humanos, conduzindo uma discussão pautada a partir da Teoria Funcionalista
dos Valores Humanos, a qual dispõe de fortes contribuições em razão do seu caráter
inovador e parcimonioso e que vem sendo adotada em estudos nacionais e multiculturais. Ademais, nas buscas realizadas para construção da fundamentação teórica não foram encontrados estudos empíricos nacionais nem internacionais que explicassem as estratégias de resolução a partir dos traços de personalidade e dos