3. Bulgular
3.6. PKD2 susturulmasının ilaç dirençliliği ve apoptoz ile ilişkili genlerin ifadelerine etkisi
O grupo contou com a participação de oito adolescentes durante o período de videogravações da oficina, foram elas: Estela, Bia, Ivone, Brena, Talita, Carla, Andréa e Ana, obviamente, todos nomes fictícios. Apesar de oito jovens terem participado no total, o grupo contou com, no máximo, seis participantes por encontro. Talita e Carla foram liberadas da medida de privação de liberdade antes do esperado pela instituição, nas vésperas do quarto encontro da oficina, quando, então, Andréa e Ana passaram a fazer parte do grupo.
A seguir, busco realizar uma caracterização do grupo a partir de uma breve descrição das participantes da pesquisa à guisa de apresentação das socioeducandas ao leitor. Não me detive a um apanhado mais detalhado de informações sobre jovens, por não se constituir como tarefa relevante para os propósitos dessa investigação, uma vez que não se trata de uma pesquisa focada em narrativas auto-biográficas ou de análises referenciadas nas trajetórias pessoais de vida de cada jovem.
As jovens apresentavam algumas características em comum como: a cor parda ou negra; a residência em comunidades pobres da periferia de Fortaleza; o envolvimento com a prática de atos infracionais variados (além do delito pelo qual foram sentenciadas); o uso de drogas ilícitas (na maioria, maconha, cocaína e crack); experiência de agressões e abusos sofridos pelos agentes do centro educacional; o fato de terem tido algum tipo de experiência homossexual antes de chegarem à unidade (com exceção de Brena); atraso no processo de
escolarização e dificuldades perceptíveis de leitura e escrita; dentre outras características que julgo menos importante citar.
Estela não recebeu esse codinome por acaso. Sem dúvida, ela se destaca como a “estrela” do grupo, sendo, inclusive, nomeada dessa forma por algumas colegas durante a oficina. Durante os encontros, foi a mais participativa das jovens e a mais colaborativa com as atividades da oficina, sempre incentivando o envolvimento das demais. No período da pesquisa, era a jovem que estava há mais tempo cumprindo medida socioeducativa na unidade e, por essa razão, possuía um status diferenciado diante das internas. Era chamada com frequência para participar de atividades fora da unidade, especialmente, quando era necessário representar a unidade em algum evento. Estela tem 17 anos, foi sentenciada por roubo e porte ilegal de armas, cursa o EJA III e participa da oficina de artes.
Talita tem como características mais marcantes o bom humor e o talento para imitações e piadas. Era motivo de risada constante para as colegas. Fazendo uso de qualquer assunto que surgisse na oficina, ela era tida como a comediante do grupo. Às vezes, perdia a paciência, quando as discussões se estendiam ou se aprofundavam. Possui cabelo curtos, baixa estatura, voz rouca e trejeitos masculinos. Ela tem 16 anos, foi sentenciada por roubo, cursava o EJA I , participava da oficina de costura e adora jogar voleibol.
Ivone veio do um pequeno município do interior do Ceará e foi sentenciada por furto qualificado. É evangélica e sente muita falta da família, que não pode visitá-la com frequência devido a distância entre as cidades. Dentre as jovens, era a que apresentavam maiores sinais de arrependimento em relação ao envolvimento com o “mundo do crime”. É bem reservada, tendo, por vezes, colocado limites claros às demais participantes, quando teciam certos comentários a seu respeito com os quais não concordava. Vive com sua companheira há mais de um ano e fala abertamente sobre sua orientação sexual lésbica. Ela cursa o EJA II, participa da oficina de bordado e frequenta os grupos de oração que acontecem na unidade.
Carla era bem querida entre as colegas, sempre muito agradável e simpática. Quando foi liberada da medida, deixou muita saudade no grupo, sendo lembrada com carinho em diversos momentos. Ela tem 16 anos, cursava o EJA III e tinha um talento especial no uso da máquina de costura, destacando-se na oficina de que participava. Bem tranquila, porém sem muitas papas na língua, Carla foi a porta-voz de várias questões que incomodavam as socioeducandas dentro da unidade, denunciando de forma direta práticas de agressão física e abusos sexuais por parte dos instrutores educacionais. Ela é era inconformada com as posturas
de vigilância e controle dentro da unidade, que não permitiam as relações de afeto dentro da unidade. Carla foi sentenciada por roubo e liberada da medida antes do previsto.
Bia tem 16 anos de idade, cursava o EJA II, participava da oficina de artes e é mãe de um bebê de 11 meses, que, atualmente, está sob os cuidados de sua família. Foi sentenciada por tráfico de substância ilícita e gosta de se denominar como alguém do “mundo do crime”, utilizando-se de gírias e outros marcadores identitários que remetem ao universo da criminalidade. Durante a oficina esteve sempre próxima de Estela, sua grande amiga no centro educacional. Em dupla, elas adoravam cantar e dançar, principalmente, ao som do
reggae, sendo as participantes do grupo que mais fizeram questão de que a música estivesse
mais presente nos encontros. Atuou, em algumas situações, como mediadora de conflito entre as socioeducandas, tendo um cuidado especial com o andamento das oficinas e com o clima entre as participantes do grupo.
Brena era a mais sisuda do grupo, estando em muitos momentos alheia, como se não quisesse muito participar das atividades. Em alguns momentos, chegava a ter atitudes de boicote do grupo. Só passou a participar mais das discussões nos últimos encontros, quando as atividades estimulavam falas mais individualizadas. Ela tem 17 anos, foi sentenciada por roubo e tráfico de substâncias ilícitas. Participava da oficina de bordado, estava cursando o EJA II e gosta muito de jogar queimada. Em alguns momentos, fez questão de diferenciar-se das demais jovens quanto à orientação sexual, dizendo-se, estritamente, heterossexual.
Andrea, facilmente, poderia ser confundida com menino. De estatura bem baixa, cabelos curtos, voz grave e comportamentos, tipicamente, masculinos. Falava abertamente sobre o relacionamento com sua companheira que a aguardava em casa quando fosse liberada da medida. Ela era bem extrovertida e gostava de fazer piadas com as participantes do grupo a todo momento, chegando em alguns momentos a ser inconveniente. Andrea tem 16 anos, foi sentenciada por furto qualificado, cursava o EJA I e participava da oficina de costura.
Ana é a mais tímida e meiga do grupo. Com 15 anos, é também a mais jovem. Durante os encontros, apesar de sempre muito atenta, esteve mais como expectadora das discussões do que participante. Demonstrou-se bem sensível ao falar de relacionamentos amorosos de sua vida e da falta que a família fazia por não aparecer nos dias de visitação. Foi sentenciada por roubo, estava cursando EJA I e participando da oficina de bordado no período das videogravações. Foi apontada pelas colegas como uma ótima jogadora de futebol.