A tecnologia tem sido considerada uma variável decisiva no processo de condução da atividade. Neste sentido, a adoção de ferramentas tecnológicas e práticas de manejo ambientalmente sustentáveis, torna-se uma condição necessária para definição e manutenção da atividade nos próximos anos. Para Hopkins (1997) apud Feitosa (1997), o desenvolvimento de melhores práticas de manejo é uma condição permanente e que continuará sempre, mesmo quando a tecnologia se desenvolver e quando novas informações tornarem-se disponíveis.
Aqüicultura Sustentável Dimensão social: abundante geração
de emprego com salário justo e com inserção da comunidade no processo de desenvolvimento, respeitando a cultura local.
Dimensão ambiental: uso racional dos recursos naturais, desenvolvimento de tecnologias ecologicamente coerentes.
Dimensão econômica: adoção de critérios de economia ecológica no processo de produção e inclusão das externalidades no preço do produto para seu repasse ao setor afetado
Não há como negar o avanço tecnológico obtido pelo setor nos últimos anos. Isto pode ser constatado pelo advento da tecnologia de reprodução das pós-larvas (Pl´s) na formação de plantéis, pela inovação tecnológica dos berçários intensivos, pelo domínio sobre os procedimentos de preparação dos viveiros, bem como o processo de engorda dos camarões, na adoção de insumos (ração apropriada e de qualidade), equipamentos (comedouros fixos) e no controle sobre os parâmetros da qualidade da água.
O melhoramento e aperfeiçoamento das tecnologias de cultivo de camarão em cativeiro tornam-se condições das quais depende o futuro da atividade. Para que isso seja possível, já existem muitas informações técnicas que podem auxiliar os produtores no momento de tomada de decisão, quando na escolha dos locais para a implantação dos viveiros, como também para atenuar os efeitos dos diversos impactos ambientais resultantes do processo (IGARASHI et al., 2000). Novas tecnologias já foram desenvolvidas (uso de aeradores, recirculação de água, bacias de decantação, etc.) que demonstram uma preocupação com o meio de cultivo e ambiente circundante. São alternativas que surgem apontando para uma carcinicultura ambientalmente sustentável.
Sobre essa questão, Nascimento (2003) afirma:
[...] a carcinicultura deve se desenvolver no sentido de buscar tecnologias mais limpas e envolvendo o mínimo uso dos recursos naturais e o máximo de reciclagem dos resíduos.... O uso de técnicas de manejo aprimoradas e/ou alternativas, poderão equilibrar a balança e redimir a atividade neste momento crítico em que a mesma se encontra (NASCIMENTO, 2003, p.2).
O presidente da Global Aquaculture Alliance (GAA) diz o seguinte:
Sistemas mais eficientes e ambientalmente sustentáveis estão sendo desenvolvidos baseados em rigorosos controles de sanidade, diagnósticos sofisticados de doenças, meios modernos de reprodução, cruzamento seletivo, reutilização da água, rações eficientes e um melhor controle de resíduos. Estas tecnologias diminuem os custos de produção proporcionando maiores e mais consistentes níveis de produção e crescimento mais rápido e uniforme (CHAMBERLAIN, 2003, p.4).
A simples adoção ou não de tecnologias mais prudentes, entretanto, não é o único caminho a ser seguido. É preciso, antes de tudo, que os principais atores envolvidos neste setor desenvolvam uma consciência ambiental com base em princípios de Educação
Ambiental, e da ética profissional, visto que a responsabilidade socioambiental é o principal motivador ético na condução dessa “nova” consciência10 (ARANA, 1999, p.46).
Com o despertar da consciência ecológica e seguindo o paradigma do desenvolvimento sustentável, é importante que a atividade da carcinicultura seja conduzida compatibilizando-se a eficiência econômica com a justiça social e utilização racional dos recursos. De acordo com Sachs (1986), o ecodesenvolvimento consiste essencialmente em aprender a crescer economicamente, sem destruir o meio ambiente, levando-se em conta o princípio da eqüidade e da justiça social. Se a atividade for conduzida dessa forma, ganha- se nova fonte de riqueza para o estado do Ceará e País, mediante a maior oferta de trabalho, renda e divisas. Caso contrário, se os padrões de crescimento obtidos nos últimos anos continuarem sendo mantidos, sem que seja desenvolvida uma política responsável racional no que diz respeito ao meio ambiente e o compromisso com o social, tornam-se inviáveis o controle e a garantia da sustentabilidade ambiental.
Já existem iniciativas por parte de entidades ligadas ao setor, na tentativa de se construir um modelo de desenvolvimento sustentável para a atividade. A FAO desenvolveu um Código de Conduta como referência para a Pesca Responsável ou CCRF (Code of Conduct for Responsible Fisheries). Neste documento, o artigo nove, trata sobre a aqüicultura (FAO, 1997). No caso da carcinicultura, a Organização Internacional GAA (Global Aquaculture Alliance), da qual a Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) é sócia fundadora, já desenvolveu um Código de Conduta e de Práticas de Manejo para o Desenvolvimento de uma Carcinicultura Ambiental e Socialmente Responsável. Este código está sendo adaptado às especificidades de cada país pelas suas associações de classe e foi criado visando fomentar uma maior conscientização ambiental por parte da indústria camaroneira. O código incentiva e orienta a realização de práticas que visam evitar ou pelo menos, minimizar os impactos da área de influência das fazendas de camarão, enfatizando a responsabilidade do carcinicultor em se adotar o manejo adequado e o uso de tecnologias “limpas” e apropriadas (ABCC, 2004). Além disto, a ABCC está em fase de criação de um Selo de Qualidade do produto Nacional, padronizando essa qualidade
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Ainda no âmbito da ética, o autor acentua que seria interessante que os aqüicultores dedicados à pesquisa atendessem para o ethos da ciência, como segue:...”Nem sempre é possível fazer tudo em ciência e tecnologia. Os limites podem ser perfeitamente demarcados no contexto da reflexão ética. Se não o fizermos, poderemos cair na trajetória de certos profissionais que desconhecem o bem-estar coletivo” (ARANA, 1999).
em termos de apresentação e respeito às práticas comerciais, além da responsabilidade sócio-ambiental. O selo seguirá as recomendações dos principais organismos nacionais e internacionais ligados ao setor (FAO, GAA, ABCC, Aquaculture Certification Counsil, etc.) e representará mais uma diferenciação do produto nacional perante o mercado.