C. İDAREYE İLİŞKİN BİLGİLER
5. Sunulan Hizmetler
Neste tópico é analisada a terceira fonte de economias internas, a cooperação, que consiste na realização de ações conjuntas entre os membros de um APL (MACHADO, 2003). Conforme o autor, essa cooperação pode ser horizontal, entre empresas que atuam no mesmo segmento produtivo, ou vertical, entre as empresas, fornecedores e clientes. Pode, ainda, ser bilateral, entre duas empresas, ou multilateral, entre várias empresas em ações conjuntas.
No APL em estudo, predomina a cooperação horizontal, na qual as Cooperativas mantêm a sua independência, mas coordenam atividades específicas de forma conjunta, seja através do compartilhamento de equipamentos (cooperação horizontal bilateral) ou atuando em conjunto (cooperação horizontal multilateral) para, por exemplo, agregar valor aos minerais brutos, em busca de atrair novos mercados.
O entrevistado CPL, por exemplo, comentou sobre a cooperação horizontal de caráter multilateral entre as Cooperativas, principalmente entre as que trabalham com os pegmatitos:
[...] A ideia é fornecer uma parte de nosso calcário dolomítico bruto à Cooperativa de Nova Palmeira, para ser beneficiado lá, porque nossa área de extração é muito grande. [...] Enquanto que a albita extraída em Nova Palmeira, e que não for moída lá, seria fornecida para a nossa Cooperativa. [...] Nós também iremos comprar a albita de Frei Martinho e Picuí, por um bom preço, até porque não adianta fazer como os atravessadores, que compram os minerais baratos e os vendem a um preço alto. Se nós vendermos esse material a um preço alto, teremos condição de pagar um bom valor às Cooperativas. [...] O nosso objetivo é crescer junto com as outras Cooperativas, se nos pagarem bem pelo material beneficiado, pagaremos bem pelos materiais fornecidos por outras Cooperativas.
Já o entrevistado CNP enfatizou a complementaridade que deve haver entre as Cooperativas, explorando a potencialidade de cada uma delas:
[...] Hoje, em Nova Palmeira temos uma usina de beneficiamento que vai começar a funcionar, então qual seria a ideia central? Que a produção básica de Frei Martinho, Picuí e Pedra Lavrada seja beneficiada em Nova Palmeira. Já Picuí, como tem maior potencial para o transporte e limpeza de áreas, ficaria responsável pela Logística. Já a Cooperativa de Pedra Lavrada tem um equipamento mais especial, o moinho de bola malha 200, através do qual a agregação de valor é superior ao nosso aqui em Nova Palmeira, então a tendência é que o material mais nobre e puro seja beneficiado por eles, para que não percamos valor dos minerais extraídos. [...] Então, a ideia é essa: Picuí compraria o material extraído por Frei Martinho, faria a logística para Nova Palmeira, e aqui seria beneficiado. Já o material com melhor qualidade seria beneficiado em Pedra Lavrada, onde a agregação de valor é maior.
Evidenciando a cooperação horizontal bilateral entre as Cooperativas, o entrevistado CFM afirmou que “além da troca de informações e conhecimentos entre as Cooperativas, há trocas de insumos. Por exemplo, quando uma Cooperativa precisa de um equipamento ou máquina para ser utilizado na extração, este estando disponível é prontamente emprestado”.
O entrevistado CJS comentou sobre as parcerias que vem buscando realizar com empresas no âmbito nacional, sempre com a preocupação de inserir nas negociações as demais Cooperativas, de modo que as ações realizadas e os ganhos esperados sejam coletivos:
[...] Está em fase de negociações uma parceria com a empresa Folks Import de São Paulo, na qual representantes da empresa vem até a nossa Cooperativa, analisar a qualidade dos minerais extraídos, para que eles possam ser colocados no mercado nacional, principalmente o caulim. Nesta possível parceria, incluímos a Cooperativa de Nova Palmeira, para que os seus minerais também possam ser lançados no mercado nacional, principalmente a mica, a albita, quartzo e o feldspato.
As Cooperativas estão se organizando, e nesta fase a maior preocupação dos seus gestores é alcançar novos mercados. Assim, além desta parceria que está sendo trabalhada pela Cooperativa de Junco do Seridó para esta finalidade, o entrevistado CPL informou que a Cooperativa de Pedra Lavrada, está em conversações com uma empresa do município de Soledade-PB, a SOLEMINAS, para que seus representantes comerciais representem internacionalmente os minerais extraídos e beneficiados pela Cooperativa, de modo que futuramente essa ação também seja feita com as outras Cooperativas.
Segundo os entrevistados, as seis Cooperativas, impulsionadas pelos agentes institucionais, vêm participando conjuntamente de eventos e feiras, que têm por finalidade apresentar os minerais extraídos na região, para que possam ser lançados com maior facilidade no mercado. Ou seja, o pensamento é de que os ganhos obtidos pelas Cooperativas tenham caráter coletivo, pois esta é a principal finalidade da estruturação do APL de Pegmatitos e Quartzitos do Seridó Paraibano.
Quanto, especificamente, às Cooperativas que extraem os minerais classificados como rochas ornamentais, em Junco do Seridó e Várzea, os entrevistados CJS e CVA disseram que entre elas não vem ocorrendo quase nenhum tipo de cooperação. Afirmaram que há troca de informações e conhecimentos durantes os eventos e cursos de capacitação promovidos pelos agentes institucionais, mas que trabalham de forma independente uma da outra, sem coordenar atividades de forma conjunta, como já vem sendo feito entre as Cooperativas que trabalham com os minerais de pegmatitos.
Neste sentido, a principal dificuldade apontada pelo entrevistado CVA, que faz com que a Cooperativa de Várzea não esteja atuando em conjunto com a de Junco do Seridó, a
qual apresenta maior similaridade pela natureza dos minerais extraídos, é que o comércio passa por momento de baixa na compra do tipo de material extraído, neste caso o quartzito.
Quanto às cooperações verticais, há uma relação de parceria entre as Cooperativas de Picuí e Frei Martinho e uma empresa beneficiadora em Parelhas-RN (ARMIL), em que esta permite o uso ou até cede algumas de suas áreas na região, além de máquinas e equipamentos, para que as citadas Cooperativas extraiam os minerais nelas existentes, desde que em troca tudo que nelas forem extraídas seja vendido exclusivamente para a empresa. O entrevistado CPI explicou sobre essa parceria:
A ARMIL permite que as Cooperativas de Frei Martinho e Picuí façam a extração dos minerais em algumas de suas áreas, desde que o material extraído seja vendido para eles. [...] Como temos poucas áreas formalizadas para trabalhar, e a empresa precisa desse material, foi firmada essa parceria, através de um contrato. [...] Para nossa Cooperativa, a ARMIL cedeu 50 hectares de uma área. [...] Quando fazemos parceria com uma empresa dessas que tem muitas áreas na região, seja permitindo ou até cedendo áreas para que possamos trabalhar, já dá uma alavancada, pois, atualmente, a nossa maior dificuldade é adquirir e legalizar áreas.
A cooperação vertical está presente apenas nessas ações entre as Cooperativas de Frei Martinho e Picuí e a empresa beneficiadora ARMIL, de modo incipiente. Localmente, pela pouca presença de empresas fornecedoras de insumos, e pelo não envolvimento das grandes empresas mineradoras nas ações desenvolvidas no APL, ainda, são escassas as parcerias que venham a constituir relações de cooperação vertical, sejam elas bilaterais ou multilaterais.
Assim, verificou-se que entre as Cooperativas que extraem os chamados pegmatitos a cooperação está mais presente, de modo horizontal bilateral e multilateral, enquanto que entre as que extraem as rochas ornamentais, a cooperação visando a coordenação de atividades produtivas praticamente não ocorre.
Mesmo que de modo inicial, podem ser visualizadas ações conjuntas entre as seis Cooperativas, que têm como meta encontrar soluções para os problemas coletivos. Foram constatadas que as principais ações têm por objetivo atrair novos mercados, diminuir a força dos atravessadores e agregar valor aos minerais extraídos na região.
Dito isto, a estrutura do APL foi explicitada, através do conjunto de variáveis propostas por Machado (2003), sob as percepções dos diretores-presidentes das seis Cooperativas formalizadas na região do Seridó Paraibano.
O Quadro 26 apresenta uma síntese da análise realizada nesta seção, com as variáveis e seus respectivos resultados, de modo a facilitar a análise na seção subsequente, a qual busca identificar o atual estágio de evolução do APL de Pegmatitos e Quartzitos da Microrregião do Seridó Paraibano.
Quadro 26 - Explicitação da estrutura do APL de Pegmatitos e Quartzitos
Variáveis APL de Pegmatitos e Quartzitos da Microrregião do Seridó Paraibano
Economias externas tecnológicas
Condições físicas
Disponibilidade abundante de minerais com vultoso potencial econômico; Infraestrutura básica local que atende às necessidades essenciais;
Infraestrutura de transporte rodoviário que facilita o escoamento da produção. Dinâmica
tecnológica
Inserção de tecnologias em caráter introdutório;
Mecanização básica nos processos de extração de minerais; Instalação de usinas de beneficiamento.
Spillovers
tecnológicos
Aproximação das Cooperativas para além do aspecto geográfico, promovendo trocas de informações e conhecimentos;
Disseminação de tecnologias através de ações dos agentes institucionais.
Economias externas de mercado Tamanho e perfil da demanda
O mercado consumidor é formado por empresas e clientes finais da região do Seridó paraibano e potiguar;
A venda é direta, sem a presença de intermediários (atravessadores);
Há exigências por qualidade, legalização de áreas, garantia de entrega, altos níveis de estoque, beneficiamento, e seleção de material;
As condições de demanda atuam como impulsionadores de mudanças e desenvolvimento do setor mineral local.
Economias externas de organização
Capital social
As Cooperativas atuam como principal fonte de capital social; O Capital social é de natureza participativa.
Papel do Governo
Os Governos atuam como facilitadores do desenvolvimento e do aprimoramento do APL;
O Governo Estadual disponibiliza linhas de crédito, apoio técnico e incentivo fiscal na comercialização de minerais;
O Governo Federal implementa políticas públicas de apoio tecnológico, extensionismo, formalização e consolidação das atividades cooperativas; Os atores do conhecimento fornecem capacitação, apoio técnico e educação
formal.
Confiança A descrença nas relações de cooperação, ainda, dificulta a geração de confiança entre os cooperados.
Capacitação da mão-de-
obra
Disponibilização de profissionais qualificados cedidos por agentes institucionais;
Cursos de capacitação oferecidos pelos agentes institucionais;
Cursos de mineração oferecidos por Instituições de ensino técnico e superior. Empresas
correlatas e de apoio
A estruturação do APL ainda não atraiu empresas subsidiárias à atividade principal (extração e beneficiamento de minerais).
Governança A Governança vem sendo conduzida pelo Governo do Estado da Paraíba, através da Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico - SETDE.
Economias Internas
Retornos crescentes
de escala
A introdução da mecanização básica nos processos de extração vem provocando aumento na produtividade das Cooperativas, com tendência a gerar economias de escala.
Competição
As Cooperativas não competem entre si;
Os principais competidores das Cooperativas são os atravessadores; Os diferenciais competitivos são a qualidade e a quantidade dos minerais.
Cooperação
Predominância da cooperação horizontal bilateral e multilateral; Cooperação vertical incipiente;
Participação conjunta em eventos e feiras;
Trabalho em conjunto para atrair novos mercados, diminuir a força dos atravessadores e agregar valor aos minerais extraídos na região.
As variáveis analisadas se relacionam às características de cada uma das fases evolutivas do Modelo de Machado (2003), o que possibilita a identificação do estágio de evolução do APL. Assim, segue-se o estudo com a identificação do atual estágio de evolução do APL de Pegmatitos e Quartzitos do Seridó Paraibano.