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5- Sunulan Hizmetler

5.5 Sunulan Diğer Hizmetler

No rol das descrições formais, podemos identificar alguns linguistas os quais teceram observações acerca das estruturas mediais. Um deles é Camara Jr. (1977, s.v.), que, ao falar sobre a categoria de voz, procura conceituá-la como “a forma em que se apresenta o verbo para indicar a relação entre ele e o seu sujeito”, dividindo-a três tipos: ativa, passiva e medial.

Dedicando-nos somente à estrutura medial, percebemos que Camara Jr. a define como aquela em que se adjunge à forma ativa um pronome átono da mesma pessoa do sujeito, expressando a integração deste na ação que dele parte. Observamos, portanto, que o marcador

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formal é de extrema importância para a conceituação das estruturas em destaque, conjugando- se a ele o fator semântico, bem ao estilo do estruturalista em questão.

A média subdivide-se em reflexiva, dinâmica e expletiva. Na primeira, o sujeito, por meio do pronome adverbal, reaparece como objeto de uma ação verbal que dele parte – por exemplo: Eu me feri que tem certa equivalência a Eu o feri, em virtude da possibilidade de distinção do sujeito em subelemento que pratica e subelemento que sofre. Na segunda, medial-dinâmica, o sujeito ressurge no predicado como centro de atenção transitiva que parte dele, porém não sai de seu âmbito, eliminando, desse modo, o objeto sobre o qual recairia a ação – por exemplo: Eu me acordo é diferente de Eu o acordo. No primeiro exemplo, evidenciamos uma ausência de distinguibilidade entre o ser que é acordado e o ser que faz acordar, pois a ação é espontânea e não há, portanto, duas entidades distintas como ocorre na voz reflexiva. Na terceira, medial-expletiva, o sujeito reaparece no predicado como centro de uma ação intransitiva que fica relacionada ao elemento de que parte de modo mais intenso – por exemplo: Eu me ri = eu ri (sem realce da participação do sujeito no predicado).

Assim como foi ressaltado quando falávamos sobre Rocha Lima (2010), aproxima-se da noção medial que adotaremos nesta pesquisa a modalidade medial-dinâmica, a qual expressa a ideia de ser o sujeito o início e o fim das lembranças, ou seja, um elemento integrado em um processo verbal normalmente espontâneo. Todavia, tendo em vista a proximidade formal e semântica, Camara Jr. não estabelece uma diferença entre as estruturas mediais e reflexivas pelos motivos arrolados quando da discussão da classificação de Rocha Lima (2010), gerando problemas à compreensão de ambas. Além disso, apoiado em Brugmann (1905 apud CAMARA JR, 1977), também chega a relacionar as médias com a forma recíproca, o que polemiza ainda mais a questão. Justificamos essa limitação do teórico pela sua própria ótica de abordagem, respaldada em aspectos predominantemente formais.

É relevante comentarmos que Camara Jr. ainda tece considerações sobre uma chamada construção “médio-passiva”, que corresponderia, em nossas gramáticas tradicionais, à passiva pronominal (Comprou-se um lindo rádio). Infelizmente, o autor não explica claramente qual a posição dessa estrutura no sistema, considerando-a ora uma modalidade da voz passiva, ora uma forma intimamente ligada à voz média. Ele próprio reconhece a proximidade existente entre tais construções, chegando a afirmar que a médio-passiva constrói-se com “o verbo medial, de forma pronominal, na 3ª pessoa, ficando o pronome adverbal átono sena função de pronome apassivador” (1977, s.v. medial).

A própria terminologia utilizada deixa em evidência a falta de precisão do lugar ocupado pela estrutura medial na língua. A não ser que, como diz Lima (1999), admitamos

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que essas formas estejam no limite entre uma e outra classificação; mas isso não é dito pelo linguista.

Outra descrição formal é a de Macambira (1986), que faz uma espécie de desdobramento da proposta de Camara Jr. Ele procura conceituar voz – através, principalmente, do critério formal – como as formas que são assumidas pelo verbo para expressar a sua relação com o sujeito, visto como agente, paciente ou apenas envolvido no processo. Reconhece duas vozes: ativa e passiva, que se desdobra em reflexiva, recíproca e média. Para explicá-las, elabora esquemas estruturais, os quais contemplam elementos necessários, desnecessários e facultativos. Como nosso objetivo não é falar em pormenores sobre todas as estruturas, iremos nos restringir apenas às mediais.

Macambira (1986, p. 135) diz que, na média, “o sujeito não é propriamente o agente do processo, mas atua como tal de certa maneira; não é propriamente paciente, mas sofre de certa maneira o efeito do processo verbal.”. É como se estivesse, dessa forma, apenas envolvido no processo expresso pelo verbo. Sendo assim, em um exemplo como Meu amigo zangou-se com o vizinho, o sujeito “meu amigo” tem certa natureza agentiva, mas não chega ao ponto de zangar-se a si mesmo, já que o vizinho tem participação no processo.

O esquema estrutural da média é semelhante ao que o autor apresenta para as estruturas reflexivas e recíprocas, diferenciando-se apenas pela impossibilidade de acrescentar-lhe os elementos D (a mim mesmo, a ti mesmo, a si mesmo – próprios da reflexiva) e E (um ao outro / uns aos outros – específicos da voz recíproca). Vejamos o esquema da média: +A +B +C –D –E. Nele, A representa o(s) elemento(s) que ocupa(m) a posição de sujeito, B corresponde ao pronome oblíquo átono, C consiste no verbo, D e E representam as expressões já citadas acima. Os sinais + e – significam, respectivamente, obrigatoriedade e impossibilidade de realização do elemento.

Como dissemos, as estruturas da reflexiva, recíproca e média são praticamente idênticas, exceto pelo fato de admitirem a inclusão ou não de determinados elementos. Devido a esse aspecto, assim como afirmam Duarte e Lima (2003), Macambira admite que, em muitas situações, somente o contexto pode diferenciar o tipo de voz, o que indicia os limites da abordagem formal e enaltece a necessidade de recorrermos a fatores discursivo- pragmáticos para a análise de exemplos como: os meninos se feriram propositalmente (cada um feriu a si mesmo – voz reflexiva) / os meninos se feriram na briga (um feriu ao outro durante a briga – voz recíproca) / os meninos se feriram na cerca (eles passaram apressadamente por entre o arame da cerca, e as farpas feriram-lhes o corpo – voz média) (MACAMBIRA, op. cit., p. 138).

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Apesar de discutir as estruturas mediais, o linguista não as conceitua plenamente, sendo as expressões empregadas – “certa maneira”, “apenas envolvido no processo” – como vagas em demasia para o discurso científico (LIMA, 1999). Além disso, a falta de fatores mais seguros para explicar a diferença entre as estruturas mediais e as reflexivo-recíprocas denuncia a limitação da proposta formalista em questão.

Benzer Belgeler