• Sonuç bulunamadı

4.1. Sınıf Öğretmeni Adaylarının Müze Eğitimi Dersinden Elde Ettikler

4.1.2. Sunduğu Fırsatlar

Dentre todos os fatores afetivos que podem, direta ou indiretamente, interferir na aprendizagem escolar, um deles sempre nos intrigou, justamente por seu caráter extremamente complexo e idiossincrático: a motivação. O que faz com que alguém (não) se interesse em aprender? Que contextos podem influenciar a motivação de um aluno? Até que ponto o professor pode interferir na (des)motivação de seus alunos? Que fatores são

28

Por não ser objeto de estudo desta investigação, não nos aprofundamos na descrição de pesquisas sobre tais temas, à exceção da motivação. Apenas a título de exemplificação, citamos alguns trabalhos que versam sobre esses e outros aspectos:

ARANTES, V.A. Humor e alegria na escola. São Paulo: Summus, 2006. 192p.

______ . Afetividade na escola. Alternativas Teóricas e Práticas. São Paulo: Summus, 2003. 240p.

ARAÚJO, U. F. Conto de escola: a vergonha como um regulador moral. São Paulo: Moderna; Campinas: Editora da Universidade de Campinas, 1999. 160p.

COLL, C.; MARCHESI, A.; PALACIOS, J. Desenvolvimento psicológico e educação. Porto Alegre: Artmed, 2004, (três volumes).

MORENO, M.; SASTRE, G. LEAL, A.; BUSQUETS, D. Falemos de sentimentos: a afetividade como tema

preponderantes quando se busca a motivação dos alunos? Freqüentemente os professores afirmam que a motivação dos alunos é fator essencial para que o processo de ensino e aprendizagem se dê de forma eficiente. São comuns os cursos e oficinas nos quais o tema motivação é abordado e, comumente, apresentam-se sugestões didáticas, muitas vezes oferecidas aos docentes como “receitas mágicas” para motivar os alunos. No entanto, é imprescindível considerar que qualquer explicação simplista ou reducionista deve ser encarada com cautela, já que não é tarefa fácil definir o conceito e tampouco saber exatamente o que motiva ou não os indivíduos.

Conforme afirmam Williams e Burden (1999, p. 119), o “construto” motivação é composto por muitos fatores diferentes e sobrepostos, como o interesse, a curiosidade e o desejo de sucesso29. Esses fatores, por sua vez, sofrerão variações em diferentes situações e circunstâncias, e também serão objeto de influências externas, como os pais, os professores, as provas etc. Portanto, ao tratar do tema motivação, deve-se estar ciente de que esse é um conceito complexo e que deve ser analisado sob diferentes perspectivas.

Em nossa dissertação de Mestrado (CALLEGARI, 2004, p. 84-85) apresentamos diferentes definições para o termo, presentes em obras de áreas variadas e com propósitos diversos:

Motivação. S.f. 1. Ato ou efeito de motivar. 2. Exposição de motivos ou causas. 3. V. móbil (2). 4. Conjunto de fatores psicológicos (conscientes ou inconscientes) de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, os quais agem entre si e determinam a conduta de um individuo. (BUARQUE DE HOLANDA, 1986, p. 1164).

[Motivação é] o termo geral empregado para desenvolver o comportamento instigado por necessidades e dirigido a objetivos. É um processo que se passa no interior de um indivíduo, com o sentido de satisfazer necessidades mediante a obtenção de determinados objetivos. (MILLER; FERREIRA, 1967, p. 5).

La palabra motivación, derivada del latín motus, designa en el lenguaje ordinario la raíz dinámica del comportamiento, esto es, aquellos factores determinantes internos más que externos al sujeto, que desde dentro le incitan a la acción30. (PINILLOS, 197531, p. 503, apud CANTOS GÓMEZ, 1997, p. 58-59).

A etimologia do termo motivação remonta ao verbo latino movere. Quando uma pessoa é motivada para alcançar uma meta, sua atividade consiste num movimento em direção a essa meta. [...] Motivar um indivíduo é aumentar a

29

Tratamos desses conceitos no capítulo 3, seguinte.

30

Tradução: A palavra motivação, derivada do latim motus, designa, na linguagem comum, a raiz dinâmica do comportamento, isso é, aqueles fatores determinantes mais internos que externos ao sujeito, que incitam a ação.

31

sua necessidade de alcançar uma meta, ou criar tal necessidade se ela não existia. (KUETHE, 1977, p. 117-118).

A motivação é um conjunto de variáveis que ativam a conduta e a orientam em determinado sentido para poder alcançar um objetivo. (CATURLA FITA, 2000, p. 77).

A motivação é o conjunto dos mecanismos biológicos e psicológicos que possibilitam o desencadear da ação, da orientação (para uma meta ou, ao contrário, para se afastar dela) e, enfim, da intensidade e da persistência: quanto mais motivada a pessoa está, mais persistente e maior é a atividade. (LIEURY; FENOUILLET, 2000, p. 9)

Uma primeira idéia sugestiva sobre motivação, normalmente aplicável a qualquer tipo de atividade humana, é fornecida pela própria origem etimológica da palavra, que vem do verbo latino movere, cujo tempo supino

motum e o substantivo motivum, do latim tardio, deram origem ao nosso

termo semanticamente aproximado, que é ‘motivo’.Assim, genericamente, a motivação, ou o motivo, é aquilo que move uma pessoa ou que a põe em ação ou a faz mudar o curso. (BZUNECK, 2001, p. 9)

Segundo Dörnyei (2001b, p. 19-20), há duas correntes teóricas principais quando o assunto é motivação: a primeira, relacionada à psicologia motivacional, para quem o ser humano é visto como indivíduo psicológico e não como ser social, e uma segunda, relacionada à psicologia social, para quem a ação de um indivíduo é reflexo do contexto social em que está inserido.

Ao examinar atentamente as definições anteriores é possível constatar que a maioria delas tem um cunho predominantemente psicológico. É, de fato, possível afirmar que a motivação se dá através de mudanças internas no indivíduo, ou seja, modificações muito particulares que fazem com que uma pessoa passe a interessar-se por determinadas atividades e não por outras e que dirija sua atenção e energia para isso. Não é difícil supor, entretanto, que a motivação, embora inerente ao sujeito, possa ser estimulada e modificada de acordo com fatores externos, num processo de interação entre as características individuais e o meio. Neste trabalho, a motivação será entendida, portanto, não apenas sob uma perspectiva psicológica, mas também social e, principalmente, contextual, conforme detalhamos a seguir.

No campo da psicologia, os primeiros estudos referentes à motivação basearam-se na questão do instinto e das necessidades básicas do ser humano (CROOKES; SCHMIDT, 1991, p. 481). Murray (193832 apud WILLIAMS; BURDEN, 1999, p. 121), por exemplo, considerava que as necessidades provocavam tensões interiores que deveriam ser liberadas. A

32

motivação ocorreria em função da urgência em satisfazer tais necessidades. Posteriormente, a motivação passou a ser analisada sob uma perspectiva behaviorista, a partir do princípio estímulo => resposta e o sistema de recompensas era considerado a forma mais eficaz para motivar uma conduta desejada. Dentro dessa perspectiva, os estímulos externos eram os principais responsáveis por um estado de (des)motivação. Com o desenvolvimento da Psicanálise, a motivação passou a ser vista como resultado de processos inconscientes, que levavam o indivíduo a uma determinada ação. A maior ênfase passava, nessa perspectiva, a recair sobre fatores internos, mas situados em uma área fora de controle do individuo.

Atualmente, muitos dos estudos relacionados à psicologia motivacional apresentam uma abordagem cognitiva (WILLIAMS; BURDEN, 1999). Isso significa que a motivação não é mais vista como um reflexo de instintos, impulsos ou processos inconscientes, nem é analisada em termos estritamente comportamentais. Ao contrário, a psicologia cognitiva se interessa pelos processos mentais dos indivíduos, suas crenças e relações interpessoais que serão, em conjunto, transformados em ação (DÖRNYEI, 2001b, p. 10-11). Nesse sentido, a escolha consciente é um fator de vital importância, ou seja, as pessoas realizam escolhas e com isso controlam as suas ações. As principais críticas a essa abordagem puramente cognitiva se referem ao fato de as emoções não serem diretamente contempladas no processo.

Teorias cognitivas mais amplas, entretanto, incluem as emoções como co-partícipes no processo de motivação. Williams e Burden (1999, p. 128), por exemplo, apresentam uma definição de motivação que consideramos muito pertinente. Para eles, a motivação pode ser representada como:

[...] um estado de ativação cognitiva e emocional, gerado por diversas causas, talvez internas, como o interesse e a curiosidade, talvez externas como outra(s) pessoa(s) ou acontecimento(s), que produz uma decisão consciente de atuar, que dá lugar a um período de esforço intelectual e/ou físico contínuo com a finalidade de conseguir determinado objetivo ou metas previamente estabelecidas.”

Ainda para esses autores, a motivação surge como uma combinação de distintas influências, externas e internas. E o que mais interessa saber é “quais influências externas têm maior probabilidade de ativar o pensamento e as emoções das pessoas e como essas lhes conferem um sentido próprio ou as internalizam, de forma a levá-las a determinadas ações”. Segundo os mesmos pesquisadores, trata-se de uma definição essencialmente cognitiva, mas

que considera também o entorno social e as emoções. Isso equivale a dizer que cada indivíduo se motiva de forma distinta, dando sentido próprio às influências externas que o rodeiam.

Ainda numa tentativa de integrar visões comportamentais, cognitivistas e sociais, Michelon (2004, p. 227) traça uma linha imaginária que objetiva explicar o processo motivacional:

[o indivíduo] ao nascer, traz consigo impulsos inatos que geram necessidades e resultados potenciais que, por sua vez, influenciam crenças e valores, tanto pessoais como sociais. As crenças e valores que são, também, influenciadas pelo contexto social, se refletem em suas atitudes. A partir das suas crenças e valores o indivíduo faz escolhas, manifesta seu querer, e essas passam a ser seus objetivos. O desejo de atingir esses objetivos, somados às atitudes favoráveis a sua realização levam-no a despender esforço, a agir. A manutenção desse esforço ocorre na medida em que haja perspectiva de satisfação de suas necessidades. A necessidade satisfeita – o objetivo alcançado – propicia-lhe um sentimento de satisfação que fortalece a sua autoconfiança e o estimula a despender novo esforço para atingir outro objetivo.

Ao tomar como objeto de estudo a motivação é necessário reconhecer, portanto, que além de complexa, ela é dinâmica, pois varia no tempo e de indivíduo a indivíduo, ademais de não ser facilmente detectável nem mensurável. Não podemos, portanto, cair no que Morin (2005) define como “paradigma simplificador”: aquele que procura colocar ordem no universo, expulsando dele a desordem e reduzindo-o a uma lei, a um princípio único. Faz-se necessário compreender a motivação como um construto multifacetado, não linear e não previsível, semelhante ao que Lewin (1994, p. 23) denomina “efeito borboleta”:

[...] uma borboleta bate as asas na floresta amazônica, e põe em movimento acontecimentos que levam a uma tempestade em Chicago. Na próxima vez que a borboleta bate as asas, entretanto, não acontece nenhuma conseqüência meteorológica.

Não se pode afirmar com segurança o que motivará determinado indivíduo, muito menos o que pode motivar vários, já que a própria natureza humana tem como características a idiossincrasia e a imprevisibilidade. Essas dificuldades, no entanto, não impediram que nos últimos anos houvesse um crescente número de estudos relacionados à motivação, sobretudo no que tange à sua influência no contexto escolar. Pintrich e Schunk (1996, p. 9) apontam os cinco tipos de estudos mais comuns nessa área:

a) correlacionais: tratam das relações existentes entre variáveis, como por exemplo, uma possível relação entre motivação e sentimento de auto-eficácia33.

b) experimentais: assim como os estudos correlacionais, os estudos experimentais tratam das relações existentes entre determinadas variáveis, mas, neste caso, os pesquisadores alteram uma das variáveis e verificam os efeitos dessa mudança nas demais variáveis. Para exemplificar, seria o caso de uma pesquisa que buscasse as relações entre auto-estima e motivação, antes e após a aplicação de medidas que alterassem propositadamente o nível de auto-estima dos sujeitos (ou de parte dos sujeitos) envolvidos na pesquisa.

c) qualitativos: mais freqüentes nos últimos anos, os estudos qualitativos (nos quais se podem incluir os estudos etnográficos, observação participante, estudos interpretativos, entre outros) têm como características principais o estudo aprofundado de determinada realidade, a descrição de eventos e a interpretação de significados. No capítulo 4 desta tese aprofundamos o conceito desse tipo de pesquisa e os motivos de sua escolha para compor a parte empírica do nosso trabalho.

d) laboratoriais: buscam compreender a motivação através de experimentos em laboratório, utilizando, para tal, espécies como gatos, cães e ratos. Essas pesquisas, envolvendo animais, eram muito comuns à época das teorias behavioristas e passaram a ser menos utilizadas nas últimas décadas. Recentemente encontram-se estudos de laboratório que envolvem humanos e cujo objetivo maior é levar os sujeitos de pesquisa a um ambiente mais neutro, sem interferências externas, de modo a que se consiga isolar melhor as variáveis presentes no estudo.

e) de campo: acontecem necessariamente in loco, em que pesem as intervenções de ruído, interrupções e influências externas. Segundo Pintrich e Schunk (1996, p. 13) a vantagem desse tipo de pesquisa reside no fato de poderem ser mais facilmente generalizadas a contextos semelhantes, diferentemente do que acontece nos estudos de laboratório.

33

Como auto-eficácia entendemos o sentimento que cada indivíduo possui sobre as suas possibilidades de êxito em determinadas tarefas.

Independentemente do tipo de estudo realizado, deve estar claro, para todo pesquisador que estude a motivação, que este é um fator de difícil apreensão, não facilmente detectável, inferido através de mecanismos diversos e subjetivos como, por exemplo, observação, auto-relatos, entrevistas, questionários etc. Além disso, é importante ressaltar que, por se tratar de um fator multifacetado, toda pesquisa terá, ao fim e ao cabo, um caráter limitador, pois não conseguirá apreender o fenômeno em toda a sua extensão. Daí a necessidade de que existam cada vez mais pesquisas dedicadas ao tema, de forma que os resultados encontrados – ainda que parciais – possam ser cruzados e assim, ampliados.

Nas últimas décadas, os estudos sobre motivação não têm se limitado à área da Psicologia, sendo freqüentes pesquisas relacionadas às áreas de Administração de Empresas, Marketing e Pedagogia, entre outras. Será no âmbito do universo educativo, e mais precisamente no ambiente escolar, que pautaremos as nossas discussões a partir de agora.

Benzer Belgeler