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A imagem é um recurso que está presente em várias situações do cotidiano. Foi pensando nisso que estudamos alguns autores que discutem a importância da imagem para construção do conhecimento, pois nos museus, sejam eles presenciais ou virtuais/digitais, a imagem auxilia o processo de construção do imagético social. Dessa forma, conhecer as imagens contidas nos museus, ajuda na percepção da história e memória social, o que devem estar contidas nos processos de construção do conhecimento ao se visitar um espaço museológico, assim entrando nas questões das políticas públicas educacionais museais.

Almeida (2003) debate a preferência pela linguagem visual no ensino, apresentando a imagem como prioridade para concretizar o que foi transmitido. Ou seja, realiza um estímulo da memória imagética podendo oferecer contribuição para aprendizagem em vários temas, facilitando o processo de ensino e aprendizagem.

Em determinadas estratégias de aprendizagem, as imagens são utilizadas como ponto de partida, constituindo-se em um elemento sensibilizador para a compreensão de problemas ou de um conceito. Outras estratégias empregam as imagens em todas as etapas da aprendizagem, e ainda temos seu emprego nos momentos finais do processo. De qualquer forma, o estímulo da memória imagética pode oferecer importantes contribuições para o aprendizado de vários temas. (ALMEIDA, 2003, p. 26)

Como os estudos que iremos realizar serão na Web 3.0, necessitamos conhecer e compreender os espaços virtuais, assim como a cultura que está sendo proliferada na web. Para isso, iremos recorrer à

discussão teórica de autores que nos dão argumentos sobre a categoria que iremos analisar.

Lèvy (2000) nos ajuda a tecer as ideias por meio de sua reflexão sobre cibercultura como um novo meio de comunicação entre os computadores. Ele faz uma reflexão sobre o que é o virtual em que nos apresenta um novo território levando-nos a compreender melhor e planejar o mundo real. Para Lèvy (2000, p. 17):

O ciberespaço é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo.

Em outro ponto, o autor discorre sobre a arte dentro do ciberespaço como uma forma aberta e interativa, uma coletânea de criações tendo várias atribuições de mecanismo a partir de uma criação. A arte no ciberespaço é originada da cibercultura e não pode ser comparada a uma obra no sentido clássico. No campo da educação, ele traz uma nova ferramenta para o educador utilizar, podendo gerar uma “inteligência coletiva”. Como a propagação da Internet, os ciberespaços ganharam mais espaço, e assim, conquistaram uma nova roupagem para a sociedade moderna.

A memória nos ajuda a tecer a história e assim, nos proporciona (re)construir o passado, para que isso aconteça, foi pensado diversos meios para guardá-la, como é o caso de documentos e fontes históricas.

Iniciamos a nossa discussão com o pensamento de Bergson (2010) que define memória como a imagem do passado. Vasconcelos (2010) diz que a memória possui um recorte temporal, e a divide em duas esferas: a lembrança e o esquecimento e juntas compõem a formação da memória. Le Goff (2013) nos explica que a memória é uma representação do passado, sendo uma história e social. O mesmo autor utiliza a comparação da memória humana com a memória de computadores, esses sendo a extensão da memória do homem. Já Martinho Rodrigues (2011) diz que a memória constrói a história, e que ela age sobre o passado já vivido.

Com o crescimento das TDIC surge uma nova possibilidade de armazenar e guardar a memória seja ela individual ou coletiva que Souza

(2010) define como banco de dados. Já Santana (2010) mostra a memória digital como uma nova perspectiva de manter e conservar as fontes e o patrimônio histórico e social. Dessa forma, torna-se acessível encontrar e produzir as fontes históricas digitais, Santana (2010, p. 617) afirma que:

[...] é na tecnosfera e midiosfera distintas que são produzidas fontes históricas digitais que possibilitam documentar aspectos da História, no entanto, o fluxo constante e continuo de dados e informações também se apresentam como obstáculos para o historiador.

Caminhando no pensamento da memória digital, Santana (2010) apresenta que essas memórias digitais estão dentro do nosso pensamento, que Vernandsky definiu como noosfera. E essas são produzidas e guardadas, respectivamente, na tecnosfera e midiosfera. Então podemos definir a memória digital como artefato que carregam características culturais e históricas que são produzidas e armazenadas em meios digitais.

A reorganização do capitalismo mundial para a nova globalização econômica e social ganha impulso no final do século XX com o discurso neoliberal de mercado e mudanças técnicos científicas apresentam uma nova exigência no campo educacional. (LIBÂNEO, OLIVEIRA E TOSCHI, 2015) Dessa forma, iniciamos um novo formato de economia, política, educação e cultura no âmbito mundial.

Além disto, os movimentos sociais ganham impulso no Brasil a partir da década de 1980, com o fraquejo da ditadura que aqui se instaurava. Devido às ações organizadas por grupos e comunidades e busca pela democracia no país que vivemos é que começamos a ver as mudanças legislativas brasileiras. Mas, Brandão (2014, p. 18-19) acrescenta que o grande desafio do Brasil é “concluir a construção da nação [...] além de promover mudança profunda, desmontando a máquina da desigualdade que aqui foi instalada.”. Dentre as maiores mudanças que ocorrem no final do século XX no Brasil, em destaque temos a reformulação da Constituição Federal de 1988, que instaura várias outras vertentes educacionais para modificações no campo educacional e cultural. Ghiradelli Júnior (2015, p.225) advoga que:

Na Carta Magna de 1988, a Educação não veio contemplada apenas no seu local próprio, no tópico específico destinado a ela, mas apareceu também espalhada em outros tópicos. Assim, no título

sobre os direitos e garantias fundamentais, a Educação aparece como um direito social.

Assim, decretos e também no âmbito educacional foram promulgados leis em favor da educação. Um bom exemplo disso é a legislação voltada para criança e o adolescente, que em 13 de julho de 1990 foi instaurado o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, que passaram a ser

reconhecidos como sujeitos de direitos e deveres, considerados como pessoas em desenvolvimento a quem se deve prioridade absoluta do Estado, dessa forma, possibilitam o direito à educação, saúde e cultura dentre outros.

Ainda na Constituição Federal de 1988 foi determinado que fosse elaborado uma nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB a Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996, ainda vigente, apresentam melhorias para a inclusão desses movimentos sociais nos direitos sociais, inclusive o direito à educação e a cultura.

Libâneo, Oliveira e Toschi (2015, p.42) destacam que “As atuais políticas educacionais e organizativas devem ser compreendidas no quadro mais amplo das transformações econômicas, políticas, culturais e geográficas que caracterizam o mundo contemporâneo.”. As questões educacionais fazem parte do contexto global para o desenvolvimento social e profissional do homo sapiens.

Além das legislações políticas voltadas para a educação especificamente, encontramos as legislações que assegura o funcionamento aos museus e as suas ações educacionais. Assim, existe a legislação nos assegura sobre o que podemos ter de palpável em relação às políticas públicas museal. Por isso, nos deleitamos no que o ICOM, em 1956 definiu o Museu como sendo: “[...] um estabelecimento de caráter permanente, administrativo para interesse geral, com a finalidade de conservar, estudar, valorizar de diversas maneiras e elementos de valor cultural.”.

No Brasil, a questão da educação museal começou a ser discutida na década de 1970 e somente em 2010, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) realizou o I Encontro de Educadores do Instituto Brasileiro de Museus, que teve como objetivo traçar diretrizes e estratégias para elaboração de uma Política Educacional para os museus do Ibram. Como resultado desse encontro foi elaborado um documento que norteou a construção do um Programa

Nacional em Educação Museal- PNEM, o que deixa claro que ainda não existe uma Política Pública para a educação em Museus.

De acordo com Política Nacional de Museus lançada em maio de 2003 e a Lei 11.904/2009, que instituiu o Estatuto de Museus no artigo 29 nos afirma que:

Artigo 29 - Os museus deverão promover ações educativas, fundamentadas no respeito à diversidade cultural e na participação comunitária, contribuindo para ampliar o acesso da sociedade às manifestações culturais e ao patrimônio material e imaterial da Nação.

Tomando como base esse artigo, podemos constar que as ações educativas devem estar presentes nos museus.

Assim, através do que foi exposto acima, compreendemos que a imagem, história, memória e políticas públicas educacionais auxiliam no processo de construção do fenômeno do contexto sócio cultural educativo. E, por meio dessas referencias teóricas e da vivência empírica, aplicamos esses referenciais na pesquisa, pois serviram como base para o desenvolvimento deste trabalho.