II. KAYNAK ARAŞTIRMASI
II.5. Sulak Alanlarda Kirletici Giderim Mekanizmaları
Esta teoria tem como figura principal o russo Urie Bronfenbrenner, graduado em Música e Psicologia, que desde cedo manifestou desejo de desenvolver e implementar políticas públicas para melhoria da condição de vida da população (KOLLER, 2004).
Na década de 1960, participou ativamente do “planejamento e da implementação de movimentos e projetos governamentais e não governamentais ligados à questão do desenvolvimento humano, por acreditar que as políticas públicas afetavam o bem-estar e o desenvolvimento de seres humanos” (POLONIA; DESSEN; SILVA, 2005, p. 72).
Nesta pesquisa, tal relação entre o desenvolvimento humano e as políticas públicas é discutida por suas influências sobre a população, especialmente quando há necessidade de uma política pública eficaz (macrossistema) para contribuir no desenvolvimento humano.
Bronfenbrenner, inicialmente influenciado pelas teorias de Kurt Lewin e Jean Piaget, construiu a Teoria Ecológica do Desenvolvimento Humano, revisada por ele mesmo entre 1994 e 1999, culminando com a recente denominação de Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano, que envolve:
[...] o estudo científico da acomodação progressiva, mútua, entre um ser humano ativo, em desenvolvimento, e as propriedades mutantes dos ambientes imediatos em que a pessoa em desenvolvimento vive, conforme esse processo é afetado pelas relações entre esses ambientes, e pelos contextos mais amplos em que os ambientes estão inseridos (BRONFENBRENNER, 2002, p. 18).
Este modelo pressupõe que toda experiência individual se dá em ambientes concebidos como uma série de “estruturas encaixadas, uma dentro da outra, como um conjunto de bonecas russas” e propõe a interação sinérgica e dinâmica de quatro núcleos inter-relacionados – PPCT – o Processo, a Pessoa, o Contexto e o Tempo (BRONFENBRENNER, 2002, p. 5).
O primeiro componente do processo é denominado de processos proximais, um construto fundamental, pois no modelo PPCT o ser humano é considerado um ser biopsicológico em evolução e, para que suas interações sejam consideradas como tal, ele deve ser ativo (KOLLER, 2004; POLETTO; KOLLER, 2008).
O segundo componente é a pessoa, envolvendo tanto as características determinadas biopsicologicamente (experiências vividas e habilidades, por exemplo), quanto as características que foram construídas (demanda social, por exemplo) na interação com o ambiente (DESSEN; COSTA JÚNIOR, 2005; POLETTO; KOLLER, 2008).
O terceiro componente é o contexto ou ambiente, e incorpora desde o ambiente mais imediato, denominado microssistema – que é o sistema ecológico mais próximo como a família, a escola e a vizinhança; o mesossistema – que compreende a inter-relação entre dois ou mais ambientes em que a pessoa em desenvolvimento está inserida e participa de maneira
ativa, como as relações família-escola, por exemplo; o exossistema – caracterizado por um ou mais ambientes, onde o indivíduo em desenvolvimento não participa ativamente de interações face a face, mas que desempenham uma influência indireta sobre o seu desenvolvimento, como as políticas públicas locais, nacionais e internacionais; e, o ambiente mais distante, chamado de macrossistema – este engloba os sistemas de ideologias, valores, religiões, formas de governo e crenças de uma cultura ou subcultura, como a cultura na quais os pais foram educados, os valores e crenças transmitidos de pai para filho entre outros (DESSEN; COSTA JÚNIOR, 2005; POLETTO; KOLLER, 2008).
O quarto e último componente é o tempo, que permite examinar a influência sobre o desenvolvimento humano de mudanças e continuidades que ocorrem ao longo do ciclo de vida. Esse elemento é analisado em três níveis no modelo bioecológico: microtempo, referindo-se à continuidade e à descontinuidade frente aos processos proximais; mesotempo, indicando a periodicidade dos episódios de processo proximal com intervalos maiores de tempo; e, macrotempo, para definir as mudanças nos eventos e nas expectativas da sociedade através de gerações, bem como a forma como estes eventos afetam e são afetados pelos processos e resultados do desenvolvimento humano dentro do ciclo de vida (KOLLER, 2004; DESSEN; COSTA JÚNIOR, 2005; POLETTO; KOLLER, 2008).
Outro aspecto essencial para o desenvolvimento humano são as relações interpessoais, que contribuem para a formação de díades, tríades e tétrades, caracterizadas como a relação entre duas, três, quatro pessoas respectivamente, independentes do seu nível de envolvimento e assim sucessivamente, que servem como bloco construtor básico do microssistema (BRONFENBRENNER, 2002).
Esse autor cita que as díades, no contexto mais imediato do desenvolvimento humano, podem assumir a forma de díade observacional (quando uma pessoa presta atenção ao comportamento de outra pessoa), díade de atividade conjunta (quando duas pessoas fazem alguma coisa juntas) e díade primária (é a mais duradoura e existe para os participantes mesmo quando não estão juntos), não sendo exclusivas.
Assim, para Bronfenbrenner (2002), o termo desenvolvimento humano consiste em: Mudança duradoura na maneira pela qual uma pessoa percebe e lida com o seu ambiente, [...] é o processo através do qual a pessoa desenvolvente adquire uma concepção mais ampliada, diferenciada e válida do meio ambiente ecológico, e se torna mais motivada e mais capaz de se envolver em atividades que revelam suas propriedades, sustentam ou restituíram aquele ambiente em níveis de complexidade semelhante ou maior de forma e conteúdo (BRONFENBRENNER, 2002, p. 5).
Nesse modelo, a variável saúde constitui-se um importante preditor do desenvolvimento ao longo da vida, nos diferentes contextos de formação e qualidade das interações humanas, associando-se aos diferentes âmbitos da vida, do ponto de vista biológico e sociocultural. Assim, “tanto o desenvolvimento quanto a saúde resultam dos processos de interação contínua entre pessoa e o seu contexto”. Trata-se, portanto, de um processo dinâmico, que implica uma reorganização ao longo do tempo e do espaço (MORAIS; KOLLER, 2004, p. 96).
Segundo Bronfenbrenner (2002), os métodos utilizados em um grande conjunto de pesquisas não têm considerado o processo de interação da pessoa com seus ambientes naturais. Essa interação, de acordo com a Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano, deve ser estudada a partir de quatro núcleos inter-relacionados: O processo, a pessoa, o contexto e o tempo – PPCT.
Copetti e Krebs (2004) afirmam o que nessa teoria Bronfenbrenner chama de atributos pessoais, que são o conjunto de características das pessoas, tendo como ponto central os processos proximais como mecanismos primários que produzem o desenvolvimento humano.
Esses atributos foram divididos em três tipos: disposições, que colocam os processos proximais em movimento, podendo ser positivas (desenvolvimentalmente geradoras) ou negativas (desenvolvimentalmente disruptivas); recursos, que se constituem em passivos e ativos (referentes às habilidades, às experiências e aos conhecimentos necessários para o funcionamento dos processos proximais) e, por último, a demanda, como qualidades positivas e negativas que favorecem ou não os processos proximais.
A figura 5, produzida a partir de estudo no campo esportivo (COPETTI; KREBS, 2004), ilustra a integração das forças pessoais e dos contextos, a partir do modelo bioecológico e auxilia na interpretação de qualquer outro contexto.
Figura 5: Modelo do campo de forças das disposições pessoais positivas e negativas integrado com os recursos pessoais, demandas pessoais e as forças dos contextos. Fonte: COPETTI e KREBS, 2004.
À medida que uma pessoa vivencia seu processo de desenvolvimento, esse repercute no outro e as mudanças têm como base uma relação diádica (sistema de duas pessoas), envolvendo, por exemplo, a relação entre mãe e filho, chefe e empregado, colegas de trabalho e profissionais. A pessoa, quando em desenvolvimento, é capaz de modificar o seu ambiente.
Nesse sentido, levou-se em conta no presente estudo conhecer as interações entre os funcionários da VISA com o ambiente de trabalho e seus pares; sobre como o ambiente influencia o desenvolvimento das pessoas; as diferenças e semelhanças em termos do que pensam, de como agem e se sentem ou não preparados a respeito das questões da saúde do trabalhador; de que formas desenvolveram-se enquanto agentes e sujeitos do/no trabalho. Segundo Koller (2004) essas diferenças entre indivíduos, grupos e culturas são compreendidos pelos cientistas sociais a partir do que há em comum entre eles.
Bronfenbrenner (2002, p. 9) lembra que a Abordagem Bioecológica do Desenvolvimento Humano “requer uma reorientação da visão convencional da relação entre a ciência e a política pública” (conhecimento científico), como examinar o impacto das questões desta política pública na pesquisa básica sobre o desenvolvimento humano.
Assim, refletir sobre a proposta de saúde do trabalhador preconizada pela Reforma Sanitária e Constituição Federal e como ela vem sendo operacionalizada, pode ir ao encontro
dessa proposta de Bronfenbrenner (2002), uma vez que são essas políticas que promovem o acesso e a participação da população ao exo e ao macrossistema, reforçando uma premissa da saúde coletiva e configurando-se, portanto, como determinantes para o desenvolvimento humano.
Neste estudo, microssistema refere-se ao local de trabalho da VISA, o mesossistema é a inter-relação entre o trabalho e a escola e o macrossistema é o governo.
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MÉTODOEsta pesquisa utiliza o ambiente natural como fonte direta para coleta de dados e o pesquisador como instrumento-chave (SILVA; MENEZES, 2001). O método de abordagem foi o qualitativo, considerando que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito.
Os métodos qualitativos de pesquisa não têm qualquer utilidade na mensuração de fenômenos em grandes grupos, sendo basicamente úteis para quem busca entender o contexto onde algum fenômeno ocorre. Assim sendo, eles permitem a observação de vários elementos simultaneamente em um pequeno grupo. Essa abordagem é capaz de propiciar um conhecimento aprofundado de um evento, possibilitando a explicação de comportamentos (VÍCTORA, KNAUTH; HASSEN, 2000, p. 37).
Essas autoras apontam que uma das principais características dos métodos qualitativos é trabalhar com amostras pequenas tendo em vista que as pesquisas são formuladas para fornecerem uma visão de dentro do grupo pesquisado, isto é, uma visão do conhecimento próprio do indivíduo pertencente a uma cultura determinada, expresso na lógica interna do seu sistema de conhecimento.
Porém, Neves (1996) fala que a pesquisa qualitativa não fornece apenas a visão de um grupo (vai muito além) e conceitua a pesquisa qualitativa como “um conjunto de diferentes técnicas interpretativas que visam a descrever e a decodificar os componentes de um sistema complexo de significados. Tendo por objetivo traduzir e expressar o sentido dos fenômenos do mundo social”
Por ser uma pesquisa essencialmente qualitativa, não se baseia em cálculos estatísticos; difere da quantitativa na medida em que não emprega um instrumento estatístico como base do processo de análise e garantia de sua representatividade (RICHARDSON et al, 1989; MINAYO, 2001).
Quanto à sua natureza, trata-se de uma pesquisa básica e descritiva, por isso não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. Segundo Gil (2002), as pesquisas descritivas têm por objetivo estudar as características de um grupo, levantar as opiniões, atitudes e crenças de uma população.