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4. SİPARİŞLERİ ALMAK

4.8. Su Servisi

Toda interação é um trabalho social, construído conjuntamente por seus participantes. Por isso mesmo, na interação, os participantes dão um sentido ao que se passa entre eles, agindo de acordo com essas interpretações pessoais que atribuem às ações uns dos outros. É por essa razão que se faz necessária a análise das interações em todos os módulos cursados pelos participantes, para depreender a influência recíproca dos indivíduos sobre suas ações e sobre a dos outros, focalizando o processo de reculturação, reestruturação e reorganização temporal.

Por meio de entrevistas informais, procurei saber que expectativas direcionavam determinados comportamentos, entre eles o porquê da falta de resposta a uma pergunta ou a uma atitude provocativa de outro aluno. Essa avaliação me auxiliou a fazer novas inferências relevantes. Seja exemplo a não- participação efetiva de alguns professores-alunos, uma vez que poderia estar relacionada com a forma como a mediação dos cursos vinha sendo desenvolvida. Por essa visão, professores poderiam não estar criando ambiente propício para o processo de reculturação e reestruturação de novos papéis sociais para o ambiente digital.

Partindo desse fato, mergulhei em meus dados, despendendo tempo, revisando anotações, até obter padrões representativos do grupo estudado, como a forma de interação dos participantes em ambiente digital. Nesse processo, algumas entrevistas adicionais foram realizadas com professoras e alunos, para detectar pontos obscuros. As entrevistas foram submetidas à apreciação das professoras e de alguns alunos em observação. Tive cuidado de não expor minha

interpretação sobre os eventos, deixando que as professoras expressassem, livremente, o que pensavam sobre as aulas selecionadas e seus conteúdos.

A pesquisa interpretativista é processo dialético, não linear. A análise se dá no decorrer de todas as etapas da pesquisa. Diante disso, enfrentei um dilema: como organizar esses dados, sistematicamente, para análise? Como perceber o processo de reculturação ? Que características discursivas são necessárias para que o professor iniciante participe desse universo digital com eficiência? No perseguir essas respostas, alguns procedimentos foram utilizados para melhor sistematizar minha análise. Ei-los:

a) Reler várias vezes um mesmo trecho de interação entre os participantes com

a finalidade de obter padrões de comportamento entre as professoras e seus alunos;

b) Para entender como se processava a interação, focalizei minha análise na

estrutura do modo, das funções discursivas e dos processos (mentais, verbais, relacionais, existenciais e comportamentais). Essa opção analítica decorreu por acreditar que essas etapas me possibilitariam compreensão mais detalhada da interação entre os participantes.

Desses procedimentos, algumas categorias de análise emergiram. A análise da interação contou com discussão das funções do discurso dos professores e dos professores-alunos presentes nos dados. Nessa tarefa, utizei as categorias monitorar, avaliar e perguntar que tiveram inspirações no conceito de

presença de ensino de Garrison & Anderson, (2003). Por essa razão, acrescentei

essas categorias na análise das funcões do discurso.

Para analisar os possíveis indíces de reculturação, foram utilizados os critérios, baseados em Garrison & Anderson (2003):

a) Afetividade – uso de repeticão de pontuação, uso de caixa alta, menção de fatos cotidianos;

b) Comunicação aberta – elaborar perguntas, expressão de concordância, apreciação de conteúdo de outros participantes;

c) Coesão – referência ou endereçamento das mensagens aos participantes pelo nome, referência ao grupo utilizando pronomes inclusivos como nós, saudações de início e encerramento de cada mensagem (Olá, pessoal, até amanhã).

Esses critérios caracterizam o discurso no fórum de discussão. À medida que os professores-alunos forem mais proficientes na utilização desses recursos discursivos, mais adequados eles estarão nesse ambiente de aprendizagem. Assim, por exemplo, se um participante perceber que as mensagens enviadas por ele podem construir seqüências de mensagens em torno de um tópico com base em fragmentos de outras mensagens, mais ele pode utilizar desse recurso para interagir com maior eficiência com outros participantes. Da mesma forma, se os professores-alunos repetirem ações que tipificam atitudes semelhantes aos usuários proficientes, mais eles podem aproximar-se da cultura digital. Dentro dessa perspectiva, o processo de reculturação pode estar relacionado com a maneiras diferentes de interagir com o outro. Os professores-alunos só vivem processos de reculturação se eles alterarem sua percepção do ambiente de ensino on-line e se apropriarem das ferramentas lingüísticas que evidenciam sua afetividade, sua comunicação e sua coesão no seu discurso, categorias essas detalhadas por Garrison & Anderson (2003).

Quanto à análise dos possíveis índices de reestruturação dos professores- alunos, focalizei a análise da transitividade. Como vimos na discussão teórica, a metafunção experiencial está ligada ao uso da língua como representação, estando relacionada tanto com o mundo externo, eventos, elementos, como com o mundo interno, pensamentos, crenças, sentimentos. A realização dessas representações ocorre por meio do sistema de transitividade, que implica a escolha de processos (elementos verbais) e seus argumentos (Eggins: 1994, 20). Para Halliday (1994: 106), esse sistema é a nossa mais forte expressão da experiência, uma vez que o falante constrói um mundo de representações, baseado na escolha de um número tangível de tipos de processos. Por conta disso, a transitividade se tornou uma ferramenta importante para que pudéssemos compreender o processo de reestruturação dos professores-alunos, pois, ao

desvelar as representações do mundo interno e externo, a transitividade também colabora para a compreensão das mudanças dos papéis sociais desempenhados pelos discentes.

Para entendermos os possíveis índices de reorganização temporal dos professores-alunos, foram utilizados os seguintes critérios:

a) Formas de gerenciamento do tempo na sala de aula digital; b) Freqüência de acessos às atividades.

Ao examinarmos a freqüência e a maneira de lidar com o tempo para a execução das atividades, pudemos identificar possíveis indícios de como os professores-alunos conseguiam organizar seu tempo de estudo on-line com as demandas domésticas e profissionais .

As escolhas dessas categorias se afinam com a proposta de análise

lingüística desenvolvida nesta pesquisa, porque associa uma perspectiva que

nasce no seio da educação mediada por computador e outra de natureza discursiva como a sistêmica-funcional. Dessa forma, corrobora para que as interações desenvolvidas no interior dos cursos a distância possam ser mais bem compreendidas.

Concentro-me nos assuntos discutidos nos fóruns. Dou preferência a essa ferramenta, em detrimento de outras, por ser esse o instrumento de maior interação entre os participantes dos cursos. Não bastasse, o fórum parece ter assumido também as funções de repositório de tarefas solicitadas pelo professor, tarefas de reflexões individuais e em grupo, de esclarecimento de dúvidas, de pedido de socorro, de solicitação de informações, de recados. Tornou-se, portanto, o espaço de comunicação mais utilizado pelos participantes.

Neste capítulo, apresentei os pressupostos metodológicos em que a pesquisa está ancorada, bem como o contexto de coleta de dados e os sujeitos envolvidos. Esta discussão foi necessária para compreender a visão de pesquisa aqui desenvolvida e a relação do tema com o estudo propriamente dito.

No próximo capítulo, descrevo os resultados com base na análise das interações entre os participantes, com a finalidade de compreender o processo de reculturação e reestruturação das práticas discursivas dos professores-alunos.

CAPÍTULO III - MERGULHO E DESCOBERTAS

Dá um mergulho no mar Dá um mergulho sem olhar para trás Dá um salto no ar Só para veres do que és capaz Arrisca mais uma vez Nem que seja só por arriscar Nunca se tem muito a perder Dá um mergulho no mar Há tantas coisas por fazer E tantas por inventar. (Dá um Mergulho, composição

de Xutos & Pontapés)

CAPÍTULO TERCEIRO – RESULTADOS DA ANÁLISE

Neste capítulo, apresento e discuto os resultados propiciados pela análise de três cursos que compõem o corpus desta pesquisa. O filtro analítico utilizado é produto de trabalhos de Fullan (1996) em escolas públicas canadenses e as mudanças observadas nas práticas de professores em processos designados de reestruturação, reculturação e retemporalização. É importante salientar que Fullan (1996) não utilizou seus construtos teóricos para o ambiente de aprendizagem on-

line nem para entender a dinâmica de um curso a distância. Essa releitura é feita

por mim, intentando compreender as alterações que foram operadas ao longo do percurso dos professores-alunos desta pesquisa. Sendo assim, utilizei, como mostrei na introdução deste trabalho, as seguintes perguntas de pesquisas:

1. De que forma o discurso das das professoras colabora para que os discentes

vivenciem possíveis processos de reculturação, reestruturação e reorganização temporal ?

2. Que possiveis indícios de reculturação, reestruturação e reorganização

temporal podem ser observados nas manifestações dos professores-alunos nos fóruns de discussão?

Essas perguntas tinham a finalidade de balizar minha pesquisa e organizar a discussão que será a seu tempo apresentada. Nessa seqüência, contei, igualmente, com uma análise num plano lingüístico embasada em Halliday (1994) e seus seguidores, com a finalidade de compreender se os processos de reestruturação, reorganização temporal e reestruturação se manifestam no discursos dos participantes. Para realizar essa empreitada, a princípio, analisei a estrutura da interação entre os professores e os discentes, por meio da estrutura do modo, das escolhas pronominais, das funções discursivas das professoras e da estrutura da transitividade dos professores-alunos, com o objetivo de descrever as escolhas lingüísticas utilizadas pelos professores e pelos professores-alunos. A importância de analisar o discurso dos professores se dá pela necessidade de entender os padrões interacionais que apareceram nos fóruns. Além disso, acredito que esses padrões interacionais são indícios dos processos de reculturação, reestruturação e reorganização temporal dos professores-alunos, pois são os professores detentores de maior experiência nesse ambiente de aprendizagem. Em seguida, procurei analisar possíveis índices de reculturação, reestruturação de papéis e reorganização temporal para entender se os discentes do Programa Teachers’Links vivenciaram esses processos descritos por Fullan (1996).

Caracterizar a interação dos participantes dos cursos analisados foi de fundamental importância para que pudéssemos entender de que maneira se processaram possíveis índices de reculturação, reestruturação de papéis sociais e reorganização temporal ao longo do Programa Teachers’Links. Foi pelo estudo da interação em sala de aula que diversas pesquisas (Erickson, 1992; Cavalcanti, 2001; Collins, 2004), no andar de várias décadas, vêm descrevendo a cultura de sala de aula. Da mesma forma que a presencial, a cultura de sala de aula digital possui algumas características específicas, como a não-presença física, que conclamam maneiras de interagir diferente da face a face. Por esse viés, estudar a interação se torna fundamental para que possamos entender como os ingressos nessa cultura digital estudam e negociam sentidos.

Para entendermos de que forma, no discurso dos professores-alunos, se evidenciam indícios de reculturação, reestruturação e reorganizaçao temporal, procuramos observar nas orientações das professoras, nas interações delas com os professores-alunos, e nas interações entre os alunos que elementos promoveram sinais de reculturação, reestruturação e reorganização temporal. Com essas balizas norteadoras, procuramos analisar e discutir cada uma das diferentes formas de interação.

Benzer Belgeler