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Belgede ADLĠ MUHASEBE VE UYGULAMALARI (sayfa 61-90)

O outro diferencial do município de Santa Rita do Sapucaí é sua estrutura educacional, fator que contribuiu para o crescimento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nos últimos anos e que colocou o município próximo daqueles de IDH elevado. Como resultado da concentração de instituição de ensino, tem-se o elevado número de profissionais qualificados que, num ambiente empreendedor, foram estimulados a formarem empresas de base tecnológica. Morelli (2006, p. 06) fez o seguinte comentário.

Santa Rita do Sapucaí, com sua vocação pioneira para abrigar empresas de base tecnológica apoiadas em educação, é hoje um dos principais polos de desenvolvimento de Minas Gerais, caracterizando-se como um APL Eletroeletrônico e integrando-se ao “Cluster de Eletrônica, Telecomunicações e Tecnologia da Informação” da Rota Tecnológica 459 formado por cidades que estão ao longo da rodovia BR e desenvolvem algum tipo especifico e sua derivação industrial.

As instituições educacionais instaladas em Santa Rita do Sapucaí e região foram às precursoras para a criação e o desenvolvimento sustentável do APL de Santa Rita do Sapucaí.

De acordo com Pereira (2001), o APL de Santa Rita do Sapucaí teve início no final década de 1950, por iniciativa de Luiza Rennó Moreira (Sinhá Moreira), sobrinha do ex-presidente Delfim Moreira. Após ter vivido alguns anos no Japão, como embaixatriz, ela baseou-se no modelo japonês de educação e idealizou em sua cidade uma Escola Técnica de Eletrônica. A escolha da área foi definida após alguns conselhos de técnicos da Petrobrás que perceberam que aconteceria um processo de industrialização acelerado no Brasil. Em setembro de 1958, foi assinado, pelo então presidente Juscelino Kubitschek, o decreto 44.490, autorizando a criação do ensino em nível técnico de eletrônica no Brasil. Luíza Rennó Moreira cedeu o terreno, arcou com o custo das instalações, com alojamento para 350 internos, estabeleceu a carga horária em tempo integral e delegou a direção da instituição aos Jesuítas. Assim foi fundada, em Santa Rita do Sapucaí, a Escola Técnica de Eletrônica “Francisco Moreira da Costa” – ETE.

A criação da ETE, considerada como a primeira escola de eletrônica da América Latina e a sexta do mundo, foi um marco, não só para Santa Rita do Sapucaí, por despertar no povo a vocação para a eletrônica, mas para todo o País.

Desde sua fundação, até os dias atuais, uma das características da ETE é formar alunos com conhecimentos científicos e práticos em eletrônica e, posteriormente, em eletroeletrônica, telecomunicações e eletromedicina, motivos esses que a levaram a possuir laboratórios especializados. Da sala de aula para o mercado, alguns dos primeiros alunos empreendedores iniciaram a criação de empresas especializadas no segmento. Tal atitude aproveitou a expansão do setor de telecomunicações, o que proporcionou, embrionariamente, a criação do APL de Santa Rita do Sapucaí.

Na década de 60, em meio à escassez de pessoal técnico com formação de nível médio e superior, o governo federal estabeleceu o Plano Nacional de Telecomunicações, por meio do Conselho Nacional de Telecomunicações. Aproveitando a oportunidade, o engenheiro José Nogueira Leite, professor do Instituto Eletrotécnico de Itajubá, atual Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), desenvolveu as bases para a criação de um curso, a fim de atender a essa demanda, que inicialmente deveria ser implementado em Itajubá.

Em meio a esse cenário, em 1964, o professor José Leite e outros dois colegas procuraram a direção da recém-criada Escola Técnica de Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí, em busca de apoio para o seu projeto do curso de telecomunicações. Além de elaborar o projeto do novo curso, o professor José Leite constituiu, com outros nomes da comunidade santa-ritense, uma pequena comissão que, com zelo, contornou as dificuldades para a criação do curso, além de conseguir importantes apoios políticos para o projeto, no âmbito federal. Entre novembro e dezembro de 1964, participou de uma comissão especial do Conselho Nacional de Telecomunicações para planejamento de escolas de telecomunicações no país.

No dia 03 de março de 1965, em meio a dificuldades e superações, o professor José Nogueira Leite criou o Instituto de Telecomunicações, hoje Instituto Nacional de Telecomunicações (INATEL). O INATEL é reconhecido até os dias de hoje como instituição pioneira e referência no ensino superior de telecomunicações na América Latina e é mantido pela Fundação Instituto Nacional de Telecomunicações (FINATEL), cujos recursos advêm das mensalidades pagas pelos alunos e por convênios estabelecidos com empresas e instituições.

Inicialmente o INATEL oferecia o curso de tecnólogo em engenharia de operações, com duração de três anos. Em 1971, o curso foi reformulado e

transformado em Engenharia Elétrica, com duração de quatro anos. Em 1977, passou a ter duração de cinco anos e denominar-se de Engenharia Elétrica, modalidade Eletrônica. Atualmente, no INATEL, são ministrado os curso de graduação em Engenharia de Controle e Automação, Biomédica, Elétrica e Telecomunicações, além de cursos tecnólogos em Tecnologia em Automação, Tecnologia de Gestão em Telecomunicações e Tecnologia em Redes de Computadores. Já em nível de pós-graduação, a instituição oferece os cursos de Engenharia Biomédica e Engenharia Clínica, Engenharia de Automação de Sistemas Elétricos, Engenharia de Redes e Sistemas de Telecomunicações, Engenharia de Sistemas de TV Digital e Engenharia de Sistemas Eletroeletrônicos, Automação e Controle Industrial, Engenharia de Circuitos Eletrônicos Avançados.

De acordo com Souza (2000), nos anos 1990, o INATEL, após uma reformulação no projeto pedagógico, passa a estimular ações voltadas à criação de empresas de base tecnológica constituída por docentes e discentes no espaço físico da instituição. Em 1992, foi instituído oficialmente o Programa de Incubadora de Empresas e Projetos do INATEL. Graças a essa criação, as empresas incubadas recebem a capacitação empresarial, assessoria jurídica de vendas, de marketing, apoio para participação em eventos e feiras, além de ferramentas funcionais para a utilização eficaz dos laboratórios e equipamentos do INATEL. Todos esses benefícios fomentam o empreendedorismo que alavanca o APL de Santa Rita do Sapucaí.

Outro importante marco no desenvolvimento do APL, também a partir do esforço de um grupo de professores liderados pelo Prof. Francisco Ribeiro de Magalhães e da comunidade local, foi a criação, em 1971, da Escola de Administração de Empresas de Santa Rita do Sapucaí, atualmente denominada de FAI - Centro de Ensino Superior em Gestão, Tecnologia e Educação.

De acordo com Pereira (2001, p. 07):

A Instituição manteve-se com um único curso – Bacharelado em Administração – até 1978, quando implantou o Curso Superior de Tecnologia em Processamento de Dados, sendo este o 2.º curso superior autorizado pelo MEC, na área de informática, para funcionar em Minas Gerais e o 12.º no Brasil. O Curso de Tecnologia em Processamento de Dados foi transformado em Bacharelado em Ciência da Computação em 26 de setembro de 1997.

A FAI, atualmente, oferece cursos de Administração, Sistema de Informação e Pedagogia. A grande preocupação da FAI, desde a sua fundação, é a de formar um profissional com ampla visão gerencial e empreendedora.

Souza (2000) afirma que a presença dessas três instituições particulares de ensino e pesquisa - ETE, FAI e INATEL - possibilita a formação de profissionais qualificados, especializados e empreendedores que dão início a uma aglomeração produtiva de empresas de bases tecnológicas na região, denominada atualmente como o “Vale da Eletrônica”.

Pereira (2001, p. 7) ainda destaca que,

além dessas escolas, existe ainda o Colégio Tecnológico Dr. Delfim Moreira, que é a mais antiga de todas. Foi criada em 04 de outubro de 1950 e é mantida pela Fundação Educandário Santa-ritense, a mesma mantenedora da FAI. Sua atuação compreende o maternal, pré-escola, ensino fundamental e médio, inclusive profissionalizante, na área de Contabilidade. Note-se que não nos referimos à rede de ensino mantida pelos governos estadual e municipal, mas somente às escolas mantidas por fundações comunitárias privadas.

Observa-se que, esse conjunto de escolas, desenvolveu modelos acadêmicos fortemente orientados para as demandas do mercado e, em pouco tempo, posicionaram-se no segmento industrial eletroeletrônico e de comunicações, como centros de preparação de recursos humanos altamente qualificados. O resultado dessa vocação para o mercado foi o empreendedorismo, transformando a cidade de Santa Rita, numa verdadeira incubadora de empresas de base tecnológica, mudando a estrutura de sua economia, antes eminentemente agropecuária.

Além da estrutura educacional instalada em Santa Rita do Sapucaí, as estruturas das cidades vizinhas, entre as quais se destacam Itajubá e Pouso Alegre, também formam profissionais que, direta ou indiretamente, fomentam o desenvolvimento da região.

Em Itajubá, encontra-se a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), décima Escola de Engenharia a se instalar no País, instituição fundada em 1913, com a denominação de Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá - IEMI, por iniciativa visionária do advogado Theodomiro Carneiro Santiago. Em 1936, passou a denominar-se Instituto Eletrotécnico de Itajubá – IEI e foi federalizado em 1956. Em 1968 sua denominação foi alterada para Escola Federal de Engenharia de Itajubá - EFEI. Em 2002, após a implementação de diversos cursos de graduação, que

passaram de dois para nove cursos, é concretizado o projeto de transformação em Universidade.

Atualmente, a instituição apresenta uma participação efetiva em vários projetos visando ao desenvolvimento da região, entre os quais, destacam-se a chamada Rota Tecnológica 459, que se insere em um movimento comunitário que reuni cidadãos de 88 municípios sulmineiros e 19 municípios paulistas, situados em um raio de aproximadamente 100 km a partir da rodovia BR 459, que liga a cidade de Lorena em São Paulo, a Poços de Caldas em Minas Gerais, passando por Itajubá, Santa Rita do Sapucaí, Pouso Alegre, entre outras cidades; importante elo rodoviário, entre a rodovia Presidente Dutra e a rodovia Fernão Dias, que permite promover um desenvolvimento regional integrado, por meio do estudo das peculiaridades de cada município, seus problemas, vocações e potencialidades.

Já na cidade de Pouso Alegre, destaca-se a Universidade do Vale do Sapucaí (UNIVAS) uma instituição de ensino mantida pela Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí (FUVS), criada em 1964. Em 1968, por desenvolver suas atividades na área médica, passou a denominar-se de Faculdade de Ciências da Saúde Dr. José Antônio Garcia Coutinho. Em 1972, a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Eugênio Pacelli (FAFIEP) foi integrada, mas somente em 1999 a Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí foi transformada em uma universidade, cujo nome era Universidade de Pouso Alegre (UNIPA). Em 2001, visando ampliar o raio de ação da Universidade, em toda a região do Vale do Sapucaí, sua denominação foi alterada para UNIVÁS.

Atualmente a UNIVÁS oferece diversos cursos de graduação e pós- graduação nas mais diversas áreas do conhecimento, como: saúde, exatas e ciências sociais aplicadas, o que contribui com a formação profissionais, de toda a região, propulsores do desenvolvimento financeiro, econômico, social e humano.

Pode-se notar a participação efetiva da UNIFEI no desenvolvimento do APL de Santa Rita do Sapucaí, em parceria, com o INATEL, UNIVAS e a FAI são as principais instituições tecnológicas que dão sustentação e apoio ao projeto do Polo de Tecnologia da Informação e Telecomunicações da região do Alto Sapucaí e que também conta com o apoio do governo mineiro, por meio da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia e Ensino Superior (SECTES) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

Essa interação entre as instituições de ensino torna a região de Santa Rita do Sapucaí um importante polo nacional nas áreas eletroeletrônica, informática e telecomunicações, por criarem, como diferencial competitivo, um ambiente favorável à inserção dos alunos na prática empresarial.

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