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1.7. Stres Kavramı

1.7.6. Stresle Başa Çıkma Kavramı

Como informei, segundo Mortatti (2000a), a utilização mais sistemática do método analítico para o ensino da leitura teve início entre o final da década de 1890 e o início da década de 1900, “[...] baseado especialmente em moldes americanos e utilizado na Escola- Modelo anexa à Escola Normal.” (p. 82), sem ainda grandes disputas. Começaram, então, a ser publicados os primeiros livros de leituras e as primeiras cartilhas escritas por brasileiros e afinadas com esse novo método — o analítico — para o ensino da leitura, caracterizando o início do processo de nacionalização da literatura didática.

Como exemplos desse processo, em 1895, Menezes Vieira teve publicada a 3a edição

revista e ampliada de O amiguinho de Nhónhó: leitura corrente e expressiva, pela “Alves e C.” Esse livro destinava-se às classes primárias do colégio desse professor.

Dediquei a esse trabalho alguns momentos de lazer e julgo ter-lhe dado uma feição interessante aos novos leitores. [...] Os professores provectos encontrarão material par ao desenvolvimento adequado ao nível intellectual e moral de seus educandos. Os novéis terão um guia seguro para os primeiros passos em sua delicadissima profissão. (VIEIRA, 1895, p. 5).

Apesar de Menezes Vieira não se referir explicitamente ao método analítico, presumo, pelas semelhanças de conteúdo e forma, que a marcha escolhida para processuar esse método era a analítica, centrada no processo de sentenciação e com estrutura similar á que, posteriormente, passou a se denominar “historieta”, que era precedida de estampa que a representava e, ao final de cada historieta, eram apresentados exercícios orais e escritos de cunho mais interpretativo.

De acordo com Chamon (2005), é também nesse momento que a professora Maria Guilhermina Loureiro de Andrade, teve publicada sua série graduada de livros de leitura para o curso primário:

[...] Eram três livros (Primeiro, Segundo e Terceiro), publicados entre 1894 e 1896, também nos Estados Unidos, pela American Book Company. Dedicados ao ensino da leitura e da escrita, que a autora considerava que deveriam ocorrer simultaneamente, baseavam-se nos processos intuitivos de ensino, ensinando os alunos a ler do todo – sentenças e palavras – para as partes – sílabas e letras [...]. (CHAMON, 2005, p. 235).

E, segundo Mortatti (2000a, p. 87), Maria Guilhermina Loureiro de Andrade parece ter sido a autora da primeira cartilha afinada com o método analítico — Primeiro livro de leitura —, baseada no método da palavração.

Depois dessa, Mortatti (2000a) e Pfromm Neto; Rosamilha; Dib (1974) apontam outras cartilhas baseadas no método analítico, produzidas no início do século XX: Cartilha das mães (190?), de Arnaldo de Oliveira Barreto, e a Cartilha moderna (1902), de Ramon Roca Dordal. Nesta última cartilha:

Todas as lições são ilustradas, iniciando-se com palavras referentes às gravuras, sua divisão em sílabas, aparecendo, ao fim da página, frases formadas com essas palavras; e após algumas lições, à página 24, é apresentada uma historieta [...]” (MORTATTI, 2000a, p. 97)

No Annuario do Ensino do Estado de São Paulo, de 1908, há uma lista de livros que foram indicados para serem “[...] adoptados para o ensino da leitura nos grupos escolares e

escolas isoladas” (p. 391), de acordo com o parecer da comissão composta pelos professores Carlos Alberto Gomes Cardim, Theodoro Rodrigues de Moraes e Miguel Carneiro Junior.

Dentre os livros escolhidos, havia cartilhas e livros de leituras processuados pelo método sintético e analítico. Os livros didáticos que faziam parte do rol das cartilhas e livros de leitura pelo método analítico nesse momento, ao que tudo indica, eram processados pela marcha da palavração, como se pode observar na listagem a seguir:

Primeiro anno – Cartilhas – Primeiro Grupo – Primeiro livro de leitura, D.

Maria Guilhermina; Cartilha das mães, Arnaldo Barreto; Cartilha moderna, Ramon Roca. Segundo Grupo – Cartilha do lar; João Pinto e Silva; Cartilha

maternal, João de Deus; Cartilha da infância, Thomaz Galhardo. Terceiro Grupo – Livros dos principiantes, Nestor de Araújo, Arte de leitura, Luiz Cardoso Franco, Cartilha nacional, Hilário Ribeiro; Cartilha infantil, Arthur Thiré. Leitura Corrente – Primeiro Grupo – Primeiro livro de leitura, João Köpke; Primeiras leituras, Arnaldo Barreto; Segundo livro de leitura, Thomaz Galhardo. Segundo Grupo – Historietas, João Pinto e Silva;

Segundo livro de leitura (Scenario infantil), Hilário Ribeiro. Leitura Supplementar – Novo segundo livro de leitura (série instructiva), Hilário Ribeiro; Vida infantil, Mario Bulcão. (CARDIM; MORAES; CARNEIRO JUNNIOR, 1907-1908, p. 391).

Como se pode constatar, no início do século XX foi-se tornando uma forte tendência a utilização do método analítico para o ensino da leitura, e, em decorrência foi aumentado a quantidade de cartilhas e livros baseados nesse método e suas diferentes formas de processuação. O método analítico para o ensino da leitura, porém, passou a ser institucionalizado somente durante a primeira gestão de Oscar Thompson, na Diretoria da Instrução Pública (1909-1910), tendo sido “[...] adotado em grupos escolares da capital e do interior do Estado, como objetivo de uniformizar esse ensino e consolidar o modelo considerado cientificamente verdadeiro”. (MORTATTI, 2000a, p. 83), como já informei.

Informação semelhante se encontra em Nagle (1964):

Por volta de 1911, porém, mais outro dado se acrescenta a essas preocupações, ainda no ensino paulista. Trata-se da introdução do “método de intuição analítica” no ensino da leitura, durante a administração de Oscar Thompson, o que se considerou como procedimento conforme com o princípio decroliano de globalização. Da mesma forma, percebeu-se nesse fato os primórdios da introdução da escola nova em São Paulo. Se juntarmos à introdução do método de intuição analítica a criação, ainda em São Paulo, de laboratórios de psicologia experimental, teremos as realizações mais significativas na progressão para se introduzir mais sistemàticamente o ideário da escola Nova no Brasil. (NAGLE, 1964, p. 91-92).

A recomendação feita por Oscar Thompson no Annuario do Ensino, em 1909 (publicado em 1910), quanto à forma de processuar o método analítico para o ensino da leitura é evidente:

Partir do ensino da idea, que emociona e vivamente a creança, para della ir á leitura do juízo ou da sentença, e desta – ao vocábulo, – tal é o encaminhamento natural do methodo, visando incutir desde logo no espírito do pequenino estudante os actos de associação de idéas, de modo que não pronuncie um só vocábulo, nem externe um único juízo, sem que antes houvesse associado o aspecto geral daquelle á coisa que o mesmo significa – e que já impressionára seus sentidos, relacionando, bem assim, o conjuncto geral da sentença escripta á idea respectiva, já commentada, entendida e expressa oralmente em classe. Em resumo: 1.o a idea, 2.o a sentença, 3.o o

vocábulo – taes são os três passos capitães do moderno methodo de leitura analytica, de accordo com a marcha natural do espírito humano na investigação da verdade, no estudo e na comprehensão das coisas e dos factos. (THOMPSON, 1910, p. 9, grifo do autor).

Thompson exemplifica os motivos de sua preferência pelo processo da sentenciação:

A mãe que inicia o filhinho no apprendizado da fala não começa o ensino pelos elementos das palavras, mas sim pelo nome integral dos objectos. Ainda mais: cada palavra suggere ou tem a força expressiva de um juízo. Asssim, si a mãe ensina á criança repetir a palavra papae, é para significar:

eis papae! Reconhece pape! ou ama pape! etc. O methodo para o ensino da leitura não pode, pois, andar divorciado da marcha natural com que a creança adquire, associa e externa seus pensamentos. (THOMPSON, 1910, p. 10, grifos do autor).

Portanto, a institucionalização do método analítico para o ensino da leitura estava pautada em sua processuação a partir do “todo”, que, no entendimento do Diretor Geral da Instrução Pública, Oscar Thompson, deveria ser a sentença.

Ainda nesse anuário do ensino, Thompson explica a origem do processo da sentenciação para o ensino da leitura, explicitando que não era inovação, pois:

E’ um dos methodos mais remotos. Comenius, o pae do methodo intuitivo, já o preconizava em seu tempo para o ensino da leitura. Compoz e publicou em 1631 a Janua linguarum reserata (A porta das linguas abertas), uma colecção de phrases distribuídas por cem capitulos. Estas phrases em numero de mil, a principio muito simples, muito curtas, em seguida mais longas e mais coplicadas, eram formadas de mil palavras escolhidas entre as mais usuaes e mais uteis. (ANNUARIO DO ENSINO..., 1910, p. 170, grifos do autor).

Confirmando a tendência à hegemonização do método analítico, apesar das disputas envolvendo os defensores dos “”antigos métodos sintéticos” após sua institucionalização muitas outras cartilhas e livros de leitura foram publicados de acordo com esse método, mas com variações na forma de processuá-lo.

Em 1909, Arnaldo de Oliveira Barreto teve publicada a Cartilha analytica, que dedica “AO OSCAR THOMPSON, o mais decidido propagandista, no Estado de São Paulo, do ensino da leitura pelo methodo analytico e AO THEODORO DE MORAES, o seu mais fino executor, como preito da mais justa homenagem, offerece o ARNALDO” (BARRETO, 1926, grifos do autor). Essa cartilha teve o total de 74 edições, tendo sido editada até o ano de 1967 e utilizada em diversos Estados brasileiros, como Mato Grosso (AMÂNCIO, 2000, p. 176) e Minas Gerais (CAMPELO, 2007, p. 120-123).

O modo de processuar esse método proposto por Arnaldo de Oliveira Barreto baseava- se “[...] na ‘historieta’, considerada o ‘todo’ a ser ‘analisado’, gradativa e seqüencialmente, até suas ‘partes’ constitutivas (sentenças, palavras, sílabas, letras), sempre com predomínio da visão do ‘todo’ e condução por parte do professor”. (BERNARDES, 2003, p. 60); portanto, dialogava diretamente com a cartilha Meu livro (1909), de Theodoro de Moraes.

Presumivelmente, em 1910, Antonio Carlos Alberto Gomes Cardim publicou, pela Typ. Augusto Siqueira & Comp., a Cartilha infantil pelo methodo analytico, que foi “approvada e adoptada pelos governos dos Estados de S. Paulo e Espírito Santo.”. Mortatti (2000a, p. 101) afirma que: “[...] nela são apresentadas ‘historietas’, formadas de sentenças relacionadas entre si por meio de nexos sintáticos e contendo as palavras que servirão para análise posterior.”.

Em 1916, é publicada a Nova cartilha analytico-synthética (1916), de Mariano de Oliveira, que, apesar do título indicativo de um método misto, estava, possivelmente, pautada nos princípios do método analítico:

Provocar, em palestras, a observação dos alumnos de preferência sobre um objeto ou qualquer estampa, levando-s a enunciarem sentenças (cinco ou seis, mas primeiras lições) relacionadas umas com as outras, de modo que o objeto lógico de uma seja empregado como sujeito da sentença immediata. O todo formará uma pequena história descriptiva do objeto ou da estampa que serviu de assumpto à lição. (OLIVEIRA, [19--], p. 93 apud SOBRAL, 2007, p. 36.

Em 1926, Antonio Firmino de Proença publica a Cartilha Proença (1926), que, segundo Gazoli (2007), seguiu os dois documentos oficiais expedidos pela Diretoria Geral da Instrução Pública, “Como ensinar leitura e linguagem nos diversos annos do curso preliminar (1911) e Instrucções praticas para o ensino da leitura pelo methodo analytico – modelo de

lições (1914). Nessa cartilha de Proença o método analítico também é concretizado pela

historieta.

Benzer Belgeler