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2. GENEL BİLGİLER

2.1. Stres

Antes de adentrarmos as análises propriamente ditas das publicações sobre sexualidade presente nos blogs que investigamos, apresentaremos algumas informações acerca desse espaço virtual. Estas se referem ao surgimento do termo blog, suas características, o nome dado ao/à seu/a autor/a e sua importância nos tempos atuais, para, em seguida, descrever os sete (07) blogs que investigamos. Para isso, indicaremos a estrutura, as características do perfil da autoria, o tipo de autoria – individual ou coletiva e o gênero dos/as autores/as. Depois, assinalaremos aspectos de sua função comunicativa, através do monitoramento realizado em cada ciberespaço57. Ao final da caracterização geral dos blogs, apresentaremos as análises realizadas.

2.4.1 Informações preliminares

O termo blog, segundo Amaral, Recuero e Montardo (2009, p. 28), surgiu do termo

Weblog, utilizado pela primeira vez em 1997 para “[...] referir-se a um conjunto de sites que

‘colecionavam’ e divulgavam links interessantes na web. Daí o termo ‘web’ + ‘log’ (arquivo web), usado para descrever a atividade de ‘logging the web’”.

Ainda segundo as autoras supracitadas, na época do surgimento do nome, os weblogs quase não se diferenciavam de outros sites da web, tendo sido a partir do surgimento de sites que facilitavam a criação dos mesmos, como as chamadas plataformas de blogs, que eles foram se diferenciando e se popularizando na internet. No entanto, a definição conceitual de

blog no interior de pesquisas acadêmicas é ampla e diversa, não havendo consensos. Isso

ocorre tanto pelo uso variado dos blogs pelos seus criadores, como as pelas diversas possibilidades de estudo que eles proporcionam.

Falar de blogs hoje, em meio a tantas possibilidades de interação de que a internet dispõe, como as demais mídias digitais, pode parecer coisa do passado. Muitos/as usuários/as da internet utilizam-se de páginas de redes sociais como o Facebook, Twitter etc, uma vez que nelas estão disponíveis variadas ferramentas que possibilitam certo tipo de interação que os blogs não disponibilizam. Nos blogs a interação é centrada na postagem de informações, como textos, imagens, áudios, vídeos e espaço para comentários. Nas páginas de redes sociais, além dessas possibilidades, os/as usuários/as ainda podem interagir por meio de chats, curtidas e/ou comentários em uma postagem e reproduzi-la no seu perfil de usuário.

Inaki (2011, p. 33) questiona a respeito disso: “[...] o ato de blogar58, virou coisa de

tiozinho de meia‐idade? Twitter, Facebook entre outros, teriam matado os blogs?”. Apesar do dinamismo da internet, onde os espaços desaparecem com a mesma rapidez com que são criados, as observações de Inaki (2011), Costa (2012) e Oliveira (2006), entre outros/as, apontam que os blogs continuam sendo utilizados, assim como os outros espaços. E, “[...] inclusive, os/as “blogueiros/as”59 têm usado Facebook e Twitter como ferramentas eficientes

para divulgar seus posts e trazer novos visitantes a suas páginas” (INAKI, 2011, p. 34).

Costa (2012, p. 112-113) cita algumas características que podem justificar o uso e manutenção dos blogs:

58“Blogar” é o ato de utilizar o blog. Oliveira (2006, p. 3) afirma que a interface dos blogs ganhou tanta

importância que “[...] o verbo blogar tem sido conjugado de forma definitiva na grade curricular de vários cursos, especialmente das escolas de Jornalismo.”.

O blog permite um mix maior de elementos de outras redes em uma mesma publicação, graças à sua interface. Por exemplo, um post apenas pode ter um vídeo, uma apresentação de slides, uma galeria de fotos, enquete, etc. Essa maleabilidade pode ser importante na hora de aplicar conteúdos mais diversificados, o que algumas redes podem não permitem. Os blogs ainda podem abusar de uma personalização visual maior. Graças à hospedagem em domínio e servidor próprio o blog não está preso ao eterno beta das ferramentas de redes sociais, que podem mudar termos, formas de atuar e até fechar a qualquer momento sem aviso prévio. E, ainda o formato da sua linguagem no blog não precisa ser o mesmo das redes sociais.

As características descritas por Costa (2012) se relacionam ao software de criação dos

blogs e as possibilidades que o/a blogueiro/a tem para construir e “assegurar” sua publicação

de modo não tão dependente da interface, como ocorre nas redes sociais.

Quanto ao uso dos blogs na educação, Oliveira (2006, p. 340) apresenta as seguintes vantagens:

Favorece a integração de leitura/escrita num contexto autêntico, incentivando a autoria; Incentiva a criatividade, através da escrita livre; Incentiva a escrita colaborativa, a partir da partilha de informações de interesse comum; Desenvolve a habilidade de pesquisar e selecionar informações, confrontar hipóteses; Incentiva o aprendizado extra-classe de forma divertida.

Pelos apontamentos dos/as autores/as supracitados/as, afirmamos que os blogs de professores/as são locais propícios à investigação no campo da educação com foco, por exemplo, na temática da sexualidade, pois eles podem ser espaços de criação, veiculação de informações, produção de sentidos e significados.

Amaral, Recuero e Montardo (2009) apontam que a investigação de blogs pode ser centrada na estrutura deles, vislumbrando-se os elementos que contém sua interface, ou através de sua função, ao visualizá-los como espaços de comunicação. E ainda, além das características estruturais e funcionais, é possível refletir sobre a articulação deste espaço com a cultura, tomando-os como artefatos culturais. Na perspectiva da compreensão dos blogs como artefatos culturais as autoras supracitadas apontam que o foco é compreender “como eles são apropriados pelos usuários e constituídos através de marcações e motivações” (AMARAL; RECUERO; MONTARDO, 2009, p. 32).

Apresentamos a seguir os blogs investigados, primeiramente pelos elementos estruturais e funcionais, para, posteriormente investigar as publicações sobre sexualidade, aproximando-nos das marcações e motivações, constituintes de tais espaços, vislumbrados como artefatos culturais.

2.4.2 Os blogs de professores/as de Biologia, campo de nossa pesquisa

Para pensar na sexualidade presente nos blogs de professores/as de Ciências e Biologia e responder ao problema de pesquisa, procuramos e visitamos os blogs de professores/as de Biologia disponíveis na Web. Durante o cumprimento dessa etapa, norteamos nosso olhar a partir das perguntas de pesquisa que nos auxiliaram na construção da caracterização de nosso universo amostral.

Desse modo, como já mencionado no capítulo metodológico, o universo levantado foi de 45 (quarenta e cinco) blogs, sendo que, destes, 31 (trinta e um) apresentaram a sexualidade. Dentre os 31 (trinta e um), 07 (sete) foram atualizados em 2014 e permitiram que realizássemos o monitoramento das suas publicações, devido à conexão61 com outras mídias sociais, como as páginas do Facebook. Portanto, a escolha destes 07 (sete) blogs ocorreu em razão de serem ativos, com atualizações frequentes de suas publicações e possibilidade de monitoramento62.

A visita guiada nos ciberespaços permitiu a obtenção de informações acerca do modo como estão estruturados; a localização da informação sobre sua autoria; a existência ou não de apresentação do/a autor/a; a existência ou não de palavras, termos que identifiquem seu/a autor/a como professor/a de Biologia. Em cada blog, achamos as informações sobre a autoria em locais e de maneiras diferentes. Foi possível encontrá-las na página inicial de acesso do

blog e dispostas em links próprios que conduzem o leitor ou a leitora à informação.

A apresentação da autoria do blog vinculada a um/a professor/a de Ciências e/ou Biologia na página inicial, sem uma descrição sobre o/a autor/a, ocorreu em 04 (quatro) blogs: “Biologia Total”, “Dicas de Ciência”, “Professor Fabiano”, “Tudo de Bio”. Neles, são utilizadas as fotografias dos/as professores/as, o que nos aponta uma forte marca de identificação.

Encontramos as informações de autoria com estrutura de apresentação pessoal, porém disponibilizadas em local distinto da página inicial, sendo possível seu acesso por meio de

links, em 03 (três) outros blogs, a saber: “Diário de Biologia”, “Eu quero Biologia”, “Planeta

Biologia”. Neles, o/a visitante deve clicar em links como “Quem sou eu?” para acessar informações sobre os/as autores/as. Localizamos a formação acadêmica dos/as autores/as e outras descrições, como o prazer em escrever e as motivações para a produção do blog.

61Os textos dos blogs são publicados também nas páginas do Facebook. 62Procedimento metodológico indicado pela banca de qualificação.

As diversas estruturas dos blogs, os locais e maneiras como encontramos as informações de autoria, remetem-nos à afirmação de Ionta (2010) acerca da dificuldade de enquadramento e classificação desses artefatos culturais, pois são flexíveis, nômades, mutantes. Sendo assim, nosso levantamento foi realizado sem a intencionalidade de enquadrar os dados ou construir associações ou relações entre os blogs que pudessem explicá-los ou caracterizá-los (LANKSHEAR; KNOBEL, 2008).

A informação sobre a autoria se fez necessária para o reconhecimento da vinculação de seu/a autor/a com o campo do conhecimento das Ciências Biológicas e das características de autoria (individual ou coletiva). A autoria coletiva ocorre em função, por exemplo, da facilidade de construção e manutenção de um blog, como argumentam Oliveira (2006) e Lévy (2010) ao dizerem sobre a simplificação dos softwares para a criação de páginas da Web. Essa simplificação permite que os blogs possam ser de criação de apenas um/a autor/a (individual), ou que sejam criados e mantidos por vários/as autores/as (coletiva).

A possibilidade de criação e manutenção coletiva de um blog favorece “[...] outros modos de construção do conhecimento, como as possibilidades de escritas colaborativas” (OLIVEIRA, 2006, p. 336). Ainda assim, quanto ao número de autores/as, os blogs analisados apresentam o perfil demonstrado no gráfico abaixo:

GRÁFICO 3 – Classificação da autoria dos blogs

5

2

Benzer Belgeler