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Stratejik Plan ve Uygulamaları

Belgede Yıllık Rapor 2011 (sayfa 27-66)

Duas instituições apresentam maior destaque, nas falas dos entrevistados, por suas contribuições nos processos educativos voltados para ações e desenvolvimento comunitários: a Entidade Beneficente Evangélica (EBE), organização local que não limitou suas ações e seus apoios às atividades religiosas; e a Associação de Prevenção à AIDS (AMAZONA), ONG externa à comunidade e que iniciou sua atuação no território em 1999 com a crença de que a comunidade São Rafael, semelhantemente a outras comunidades, era o que Souza (1987) caracteriza como um potencial espaço de mobilização, organização e luta populares.

A EBE é reconhecida como a principal instituição da comunidade. Sua força de atuação e seu reconhecimento social facilitaram a inserção de instituições externas na comunidade. As parcerias estabelecidas, principalmente a partir do final da década de 1990, subsidiou um processo educativo que provocou o surgimento de novas lideranças comunitárias, muitas das quais continuam envolvidas com a busca pelo desenvolvimento local. O depoimento de um membro de assessoria da comunidade (AC 2) demonstra a importância da EBE:

“Talvez o que na São Rafael a gente tenha de diferença, de diferencial seja o papel da EBE, porque mesmo quando eu cheguei, quando você já tem uma instituição por onde chegar, é diferente, né. E aí, assim, todas elas tinham associação de moradores. Mas a associação de moradores nem sempre é atuante. É também, quando você vai ver, muitas vezes [...]a comunidade tem uma visão, às vezes, não positiva daquela associação, que dificulta a entrada[...]Então, na época em que nós entramos aqui a EBE tinha um papel muito forte dentro dessa comunidade, embora sendo uma instituição evangélica [...] mas isso não era impeditivo [...] era uma instituição evangélica, a gente fazia as atividades lá, mas vinha todo mundo” "Eu lembro nas outras comunidades a gente não tinha uma instituição tão próxima que a gente pudesse já chegar. Então, acho que isso contribui pra... o desenvolvimento das outras parcerias."

A AMAZONA, quando decidiu atuar na comunidade São Rafael, estabeleceu um diálogo e uma parceria com a EBE, pois esta era a instituição na comunidade de maior referência para os moradores. Ambas as instituições desenvolveram, muitas vezes em parceria, projetos educativos ligados à saúde preventiva62, ao cuidado com o meio ambiente, à democratização da comunicação (com a instalação da Rádio Difusora Fala Garotada, em 2000, e institucionalização desta, transformando-a em rádio comunitária, no ano de 2005), à valorização da cultura regional e local, à prevenção ao uso de drogas, à profissionalização, à cidadania, à valorização do gênero e da etnia, entre outros temas.

Os projetos envolveram não apenas crianças, adolescentes e jovens, mas adultos e idosos também contribuíram na construção das ações. Como pano de fundo, os projetos também tiveram o intuito de elevar a autoestima da comunidade. Se estes projetos fossem desenvolvidos pelo banco comunitário seriam chamados de serviços solidários de organização local (FRANÇA FILHO et. al., 2013). Mas, como se pode perceber, há um histórico de processos educativos e de estímulo à organização comunitária antes mesmo do banco comunitário passar a existir na comunidade São Rafael, o que reitera a importância das especificidades desta cmounidade.

Antes mesmo da Amazona atuar na comunidade São Rafael, membros da Universidade Federal da Paraíba já tinham atuação na comunidade, todavia, segundo os relatos, apenas a Incubadora de Empreendimentos Econômicos Solidários (INCUBES/UFPB) tem feito um trabalho de apoio e acompanhamento contínuo, iniciado em 2005 numa parceria com a AMAZONA.

A passagem rápida de outros setores da universidade pela comunidade São Rafael é intensamente criticado por moradores e por membros de entidades externas de apoio. Há uma compreensão de que esses outros setores apenas extraem o que desejam da comunidade ou, no máximo, fazem intervenções que não têm continuidade e, portanto, criam expectativas nos moradores, estabelecem um vínculo e interrompem o trabalho, fazendo com que alguns moradores sintam-se “abandonados”.

Quatro entrevistados, dois integrantes do banco (IB 1, IB 2), uma integrante da comunidade (IC 1) e uma componente de assessoria da comunidade (AC 2) destacaram esse fenômeno e refletiram que se as outras pessoas e setores da UFPB tivessem o mesmo

62O projeto incluiu ações para prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e de gravidez precoce,

incluindo educadores externos e internos à comunidade. No caso dos internos, jovens da comunidade destacaram-se por seu desempenho e reconhecimento social do trabalho. Por exemplo, membros da equipe do Posto da Saúde da Família em conversas e em uma entrevista elogiaram o trabalho de prevenção e a atuação da moradora Wanessa Costa Santos nas intervenções dentro da comunidade e na interação com os moradores.

envolvimento com o território, tal como a INCUBES tem tido, a comunidade poderia ter avançado e aprendido mais.

Em 2005 foi institucionalizado o Centro Popular de Cultura e Comunicação (CPCC), que congrega outras organizações locais e que tem dinamizado o desenvolvimento comunitário na medida em que carreia apoios internos e externos para a realização de ações que fortaleçam a comunidade. Por causa da atuação dos seus componentes esta entidade, gradativamente, tem conquistado um reconhecimento social entre os moradores.

O CPCC tem estimulado e executado processos e espaços democráticos de decisão e a prática da autogestão social, econômica e política (ALBUQUERQUE, 2003), tal como o que se percebe nos conselhos gestores da rádio comunitária e do banco comunitário, na eleição dos nomes e logomarcas de ambos os empreendimentos, na realização de festas comunitárias.

A Association de Solidarité Internationale (ESSOR), a Universidade Federal da Bahia (UFBA) são duas instituições que passaram a apoiar a comunidade mais recentemente, a primeira no âmbito de formações ligadas à profissionalização e a criação de um grupo de produção, a segunda, por sua vez, aproximou-se especificamente para acompanhar a criação do Banco Comunitário de Desenvolvimento Jardim Botânico.

O texto abaixo congrega os elementos mencionados sobre o histórico de fortalecimento comunitário e refere-se a uma parte da resposta de uma representante de assessoria da comunidade (AC), que acompanha a comunidade São Rafael desde 1998, à pergunta “O que contribuiu para que a comunidade atingisse o nível de organização atual?”.

“Eu acho que, por exemplo, mesmo aquela crítica que eu fiz, que muitas vezes a universidade vem, pesquisa, vai embora e não tem um... retorno muito grande. Mas, esse contato [...], de algum modo... deixa alguma coisa, né. talvez não deixe o tanto que a gente esperasse que deixasse. Mas, por exemplo, nós quando chegamos, outros já tinham passado, e esses outros nos trouxeram. Então, essa coisa, esse contato, não acho, não é querendo dizer, assim, que a organização vem de fora, é o intelectual que vem e traz. Não, não é isso. [...] a minha visão é uma visão mais equilibrada. Porque se vem um intelectual de fora, mas não tem um potencial localmente, nada se resolve, né. então, eu acho que... é a junção das duas coisas: tem forças externas, tem parcerias externas que vieram, mas tem esse potencial interno que absorveu. E aí [...] o que a gente vê hoje na São Rafael, acho que seria muito... é... injusto dizer: é fruto de uma única iniciativa, né. por exemplo, acho que por mais que a gente diga hoje que esse processo atualmente é um processo mais puxado pela INCUBES, mas é um processo que se não tivesse essa construção anterior de tantas outras experiências da AMAZONA, da ESSOR e tantas outras, né, estratégias que foram mais ou menos bem desenvolvidas, talvez não se chegasse a esse... E aí a gente vê também isso, por exemplo, os jovens que tão no CPCC, uma boa parte deles foram jovens que participaram de projetos da AMAZONA em economia solidária, em parceria com a INCUBES. Então, assim, pra mim é uma conjuntura, uma conjunção de fatores, de... experiências anteriores [...]. Não tiro aí, com certeza, de jeito nenhum o mérito da INCUBES [...] De fato é uma metodologia própria63, né, mas que talvez se chegasse

num outro momento não tivesse o mesmo... a mesma possibilidade de.. de estabelecer, de consolidar”.

Interpreta-se a partir do conteúdo mencionado neste tópico que as forças intrínsecas à comunidade, a união de esforços locais, o estabelecimento de parcerias com organizações externas criaram uma coalizão colaborativa entre os organismos internos e externos à comunidade (KISIL, 2005; MARIANE & ARRUDA, 2011).

Segundo Gohn (2004), a ação comunitária não se limita a atuação da comunidade por si mesma. Pode haver a colaboração das entidades existentes dentro e fora do território, que constituem a força social que potencializa os recursos locais e aliando-se ao comprometimento com os interesses e características da comunidade (GOHN, 2004; KISIL, 2005; MARIANE & ARRUDA, 2011; SOUZA, 1987).

Belgede Yıllık Rapor 2011 (sayfa 27-66)

Benzer Belgeler