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BÖLÜM 2 : PORTER’IN POZĐSYON OKULU VE ASKERÎ STRATEJĐ

2.1 Porter’ın Pozisyon Okulu

2.1.3. Stratejik Kararlar

A escola atende aos moradores da comunidade onde se localiza, e também de comunidades próximas, no bairro. Possui duzentos alunos, com idade entre cinco e doze anos, matriculados em oito turmas de educação infantil e primeiras séries do Ensino Fundamental. Há dois alunos ouvintes. Também deveria atender alunos de quatro anos, entretanto, segundo depoimento da diretora, em função da demanda e da falta de espaço, esta clientela ficou fora da escola.

Os alunos que residem perto da escola deslocam-se a pé e sozinhos, em geral em grupos de irmãos e primos, sem o acompanhamento de pais ou responsáveis. Observaram-se apenas duas mães moradoras da comunidade que conduziam diariamente seus filhos à escola. Os alunos provenientes das outras comunidades aguardam o transporte escolar, alguns sozinhos, outros acompanhados por um responsável. Há uma escala entre os professores para acompanhar o itinerário deste transporte ao levar e trazer os alunos para a escola, de modo que tenha sempre algum adulto junto com o motorista em todas as viagens.

O uniforme é cedido pela prefeitura e compõe-se de camiseta e bermuda. A camiseta é de malha, cor branca, e possui na frente uma tarja verde na altura do peito onde se inscreve o nome da prefeitura, e o símbolo da prefeitura acima da tarja. A bermuda é de cor verde com duas listras amarelas na lateral, e o símbolo da prefeitura no lado direito. Seu uso é obrigatório, mas não há rigidez, podendo utilizar o jeans. Os alunos não são impedidos de frequentar as aulas se não estiverem uniformizados, mas são avisados para este procedimento. Quanto aos calçados, estes variam entre tênis, sandálias e chinelos de dedo. Observamos que a maioria dos alunos possui mochilas, algumas já usadas por outros irmãos ou primos. Há um grupo pequeno de alunos que leva caderno e lápis na mão.

Em relatos informais com os agentes educacionais e nas observações realizadas no cotidiano, pudemos constatar que há problemas com relação à higiene e saúde, em parte dos alunos. Há os que apresentam boas condições de higiene, tanto corporal como com o material

escolar. Mas há os que vão para a escola com roupas sujas ou mal lavadas, cabelos despenteados e maltratados. Há problemas com parasitoses e pediculose, manchas ou lesões na pele (de pitiríase a impetigem), ou feridas decorrentes de picadas de insetos, principalmente formigas (formiga de fogo ou jiquitaia), e malária. É comum justificativa de faltas por alguma doença.

Observou-se também a presença de alunos com necessidades educativas especiais junto aos demais alunos, sem a presença deste rótulo ou o título “inclusão escolar”. Na expressão da diretora da escola, “aqui já ta tudo incluído”. Todos são considerados pela

direção da escola como alunos, com e sem dificuldades, ou seja, há dificuldades em algumas tarefas, mas há facilidades em outras. Se por um lado necessitam de mais atenção, por outro não devem ser considerados como incapacitados. Também estão presentes as recomendações no sentido de não apontar a deficiência, e de rechaçar o bullying17. Apenas em uma turma, de 2ª série, observou-se o comportamento agressivo dos alunos em relação a um aluno especial, com xingamentos e mesmo agressão física, geralmente na ausência do professor, mas também em sua presença, disfarçadamente.

Ainda segundo a diretora, os alunos são envolventes e “envolvíveis”, de fácil relacionamento e com facilidade para aprendizagem, mas é preciso estar disponível para relacionar-se com eles no seu tempo, na sua dinâmica. Em conversas informais, comentou que há alguns alunos que apresentam dificuldades, o que é esperado, e que tem encontrado problemas com alunos oriundos de outras escolas, citando o caso de um aluno que veio transferido de uma escola urbana e que, embora matriculado na 3ª série, freqüentava também as aulas da 1ª, em outro turno, pois não sabia ler nem escrever. Orgulha-se do trabalho desenvolvido, comentando sobre os alunos que estão na escola desde o primeiro período da Educação Infantil, e que estão bem mais adiantados. Citou haver muitos problemas na convivência familiar, e também haver alunos com necessidade de acompanhamento especializado, mas a maioria encontra-se em pleno desenvolvimento.

Em relação aos professores, apenas um tem um posicionamento próximo ao da diretora. Os demais concordam que os alunos possuem bastante dificuldade, sendo poucos os que conseguem bom êxito. Para eles, há os alunos de bom aprendizado e os fracassados. O insucesso escolar é atribuído à falta de acompanhamento por parte dos pais e a certas

17 Bullying é o termo usado para designar todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que

ocorrem sem motivação evidente, adotadas por uma pessoa ou grupo contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Pode se dar por agressão física, intimidação, discriminação, humilhação ou através de gestos.

características individuais e culturais da criança rural. Alguns alunos são apontados pelos professores como desinteressados.

Outro aspecto apontado indica ser o ambiente escolar muito diferente do que estão acostumados, diferente das experiências que vivenciam fora da escola, onde não há livros nem ambiente favorável ao aprendizado acadêmico. Os professores também concordam que há problemas na convivência familiar.

Relataram possuir dificuldades em lidar com determinados alunos, cujos problemas, sejam individuais, familiares ou sociais, lhes incluem nos cuidados especiais, indicando a necessidade de especialistas ou pelo menos cursos de aperfeiçoamento docente. Reconhecem, entretanto, que as famílias não têm condições financeiras para levar os filhos ao centro municipal de atendimento a aluno especial, e que estes não podem ficar fora da escola.

Dos problemas existentes, os professores destacam a infrequência e indisciplina como os que mais interferem no seu trabalho e no aprendizado.

Em relação à frequência, os diários dos professores indicam que houve um índice significativo de ausências durante o período escolar. A primeira série, por exemplo, tendo dezoito alunos matriculados, a partir do mês de agosto, tinha uma frequência média de nove alunos. Os professores informaram que há casos de pais que passam semanas trabalhando em sítios mais afastados, e nestes períodos, os filhos faltam aulas. Em outros casos, quando questionaram os pais sobre os problemas de frequência, alguns relataram que saem cedo para o trabalho e deixam os filhos em casa, às vezes sob recomendação de um vizinho ou parente, mas não tem como controlar se os mesmos vão ou não para a escola.

No contato com os alunos, constatamos alegria e vivacidade, curiosidade, atenção ao aprender, e resistência aos conteúdos escolares, quando apresentados no modelo escolar tradicional, ou seja, exercícios, cópias, provas. A resistência em atender às exigências estabelecidas manifestava-se com a dispersão ou com estratégias como pedir para ir ao banheiro, para auxiliar o colega ou ainda para apontar o lápis frequentemente quebrado.

Os alunos provam que sabem, quando lhes oportunizam situar o conhecimento aprendido nas atividades de seu cotidiano fora da escola, mesmo em situações dentro da escola. Mas, tão pequenos, já carregam o fardo do “não sei, ta difícil, não consigo aprender”.

Observou-se que, de modo geral, apresentam bom relacionamento entre si. Mas há comportamentos bastante agressivos. Há alguns grupos organizados por parentesco e vizinhança, e as rixas familiares se fazem presentes na escola, manifestando-se nos momentos de menor controle. Quando circulam livremente, alguns alunos são agressivos, com xingamentos e mesmo agressões físicas. Segundo informações dos agentes institucionais,

refletem o modo agressivo como os pais os tratam, já tendo ocorrido casos de abuso e espancamento. Foi em relação a este problema que a escola adotou como método o Projeto Temático “escola-família-comunidade”, objetivando promover a integração escola/família/comunidade, e promover o questionamento do modo como pais se relacionam com os filhos, sensibilizando e apoiando para o cuidado.

Em relação aos moradores, a maioria possui o Ensino Fundamental incompleto, havendo atualmente mães que estão continuando os estudos em cursos supletivos. A idade varia entre 17 e 64 anos, estando predominantemente na faixa entre 25 e 34 anos. Consideram que os filhos são inteligentes, espertos, enfatizando bons resultados nos trabalhos escolares, mas principalmente como aprendem e resolvem as situações cotidianas ou ainda as “danações de menino”. Por outro lado, reconhecem que alguns têm dificuldades na escola. Isto, em parte, é admitido como algo natural, e em parte, questionado, pois “como pode o filho

ser inteligente só em casa”. Consideram que ter uma escola na comunidade é muito importante, pois agrega valor social, estreita relações com outras comunidades e promove segurança e comodidade. Mesmo que não atenda às necessidades de todos os moradores, visto que só contempla a primeira etapa do Ensino Fundamental, eles acham bom ter uma próxima à residência e falam da necessidade de sua ampliação. Informam que a escola faz a diferença, e trouxe contribuições significativas para a comunidade. Atribuem à escola um bom conceito, e à diretora todas as conquistas conseguidas para a escola, bem como a apoio a certos empreendimentos da comunidade, considerando-a pessoa acolhedora, bastante dedicada ao trabalho e aos alunos. Todos os pais com os quais se estabeleceu uma conversa, quer informalmente, quer nas entrevistas foram unânimes em elogiar o trabalho da diretora. Entretanto, em relação aos professores, há os que são considerados “bons professores”, os que são “bons, mas grosseiros”, e há os que são “fracos”.

Os pais, em sua maioria sujeitos da escola rural, levam consigo as marcas de sua história escolar e das interações numa sociedade letrada. Relataram que na passagem pela escola, não obtiveram êxito, aprendendo a assinar o nome e algumas poucas coisas. Fazem referência às possibilidades que a escola pode trazer para seus filhos, em termos profissionais, comparando com a vida que possuem. Ressentem-se por mal saber ler e escrever e por seus pais não tê-los estimulado a permanecer na escola.