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BÖLÜM 3: STRATEJĠK ĠNSAN KAYNAKLARI PLANLAMASI

3.8. Stratejik Ġnsan Kaynakları Planlaması

Pesquisas correntes apresentam evidências de que os salários tendem ou são

efetivamente mais elevados e potencialmente crescem mais rapidamente em indústrias com

maiores oportunidades tecnológicas ou sujeitas a altas taxas de mudança tecnológica. Além

disso, há evidência de que a mudança tecnológica enviesada em torno de qualificações seja

responsável pelo grande aumento do salário dos indivíduos mais bem qualificados com

respeito àqueles menos qualificados ou para aqueles que usam computadores no trabalho. O

terceiro “Community Innovation Survey”, produzido pela UE, atesta a afirmação acima, de tal

sorte que os setores que menos inovam, como comércio em geral, têxteis e indústrias

alimentícias são os que apresentam as menores médias salariais. Por seu turno, os setores de

informática e de serviços em P&D são os mais dinâmicos em termos de capacidade inovativa,

e que, conseqüentemente, apresentam um crescimento sustentado na média salarial, mesmo

naqueles países que não se apresentam como acentuadamente dinâmicos do ponto de vista

tecnológico.

Os reflexos da inovação tecnológica sobre os salários são parte da dinâmica que a

atividade exerce sobre a quantidade e a qualidade dos trabalhos. Pianta (2004) aponta que, se

por um lado várias pesquisas foram feitas em torno da dinâmica relativa dos salários,

focalizando os efeitos polarizadores da inovação, pouco foi feito com respeito ao impacto da

atividade inovativa sobre os níveis absolutos de salário, na relação dos salários com os lucros

ou ainda nas mudanças associadas nas horas de trabalho e preços.

Mas a relação entre inovação e salários também pode ocorrer numa direção tal que,

conforme sugerido em Kleinknecht (1998), os salários mais baixos, aliados a uma maior

flexibilidade do mercado de trabalho, eliminam um incentivo principal para a introdução da

atividade inovativa nas firmas. Pianta (2004) exemplifica essa situação com a experiência

holandesa de contenção no nível dos salários e extrema flexibilidade no mercado de trabalho,

que culminou na maior criação de empregos, especialmente nas pequenas e médias empresas,

mas que, por outro lado, isso foi feito aliado a um baixo crescimento de produtividade. Nesse

caso, num outro trabalho, Kleinknecht (2003) enumera essa perda: a taxa de crescimento de

produtividade por hora de trabalho naquele país foi metade da média européia, o que fez

levantar questões sobre a viabilidade da política no longo prazo.

Considerando a complexidade dos problemas envolvidos, as explicações concernentes

às mudanças na estrutura salarial têm que considerar, além do papel da tecnologia, o

crescimento da demanda agregada, as pressões competitivas sobre as firmas e as indústrias, as

dinâmicas e a qualidade da oferta de trabalho, o contexto específico das instituições do

mercado de trabalho e as relações sociais. A mudança tecnológica não somente tem um

impacto forte sobre os níveis salariais relativos e absolutos, como tem ainda uma influência

mais forte sobre a distribuição dos ganhos de produtividade oriundos da própria atividade

inovativa.

Exemplificando esses padrões, os economistas, de maneira geral, apontam os EUA e a

UE como representantes dos padrões distintos com respeito ao salário. A economia

estadunidense tem experimentado um crescimento mais rápido da população, da mão-de-obra

e do PIB que a Europa, a partir da expansão de novos setores baseados em inovações de

produto e serviços, além do fomento a mercados de trabalho mais competitivos, em que se

encontram uma menor regulação sobre os salários mínimos e menor sindicalização. Isso

influiu decisivamente para um crescimento mais acelerado no que diz respeito à criação de

novos empregos, comparativamente à Europa, seja no topo, seja na base da estrutura de

qualificações dos funcionários, e esta polarização foi ampliada em termos das desigualdades

salariais pela menor regulação nos mercados de trabalho estadunidenses. Enfim, nos EUA se

observa uma busca pela redução nos custos trabalhistas, por meio do corte nos salários, uma

redução no quadro permanente de funcionários, o uso de trabalhadores em meio período e

trabalhadores temporários, práticas inibidoras de sindicatos, a realocação de funcionários para

setores de salários mais baixos e a contratação de mão-de-obra estrangeira a baixos soldos.

Contrariamente, observou-se uma crescente pressão competitiva na Europa, o que

favoreceu mudanças nas tecnologias em processo e nas organizações das firmas como um

todo, eliminando empregos de baixa qualificação e criando uns poucos novos postos de

trabalho. Simultaneamente, a polarização de salários foi mitigada pelas rígidas regras

européias sobre o salário e a proteção do emprego. Todavia, aquele mesmo movimento

encontrado nos EUA tem sido observado na UE, o que tem chamado a atenção de militantes

em prol do aumento de salários, proteção do bem-estar nas firmas, menores turnos de

trabalho, dentre outras medidas.

Jaumandreu et al. (2005), embora estejam analisando os efeitos da inovação sobre o

nível de empregos, tecem alguns aportes à literatura sobre os salários. Levando em conta o

efeito de compensação, que viria a contrabalancear o efeito de deslocamento dos empregos, os

autores salientam que a magnitude do primeiro está condicionada não somente à natureza da

competição do mercado, como também ao comportamento dos agentes dentro das firmas.

Exemplarmente, apontam que os sindicatos podem se inclinar no sentido de transformar os

ganhos advindos da inovação em maiores salários, ao passo que os administradores das firmas

podem usar o poder de mercado para convertê-los em maiores lucros. No mais, os autores

crêem que ambos os tipos de comportamento podem tanto anular como potencializar esse

efeito de compensação. Além disso, os efeitos da inovação sobre o emprego, ao nível da

firma, estão propensos a determinar a extensão do quanto os diferentes agentes dentro da

firma resistem ou encorajam a inovação. Ao mesmo tempo, os incentivos dos gerentes e dos

funcionários determinarão os tipos de inovação que são introduzidos e os seus subseqüentes

efeitos sobre os lucros, preços, produtos, emprego e salários.