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38.50.09.11 - STRATEJİ GELİŞTİRME DAİRE BAŞKANLIĞI
Dentre as transformações do sindicalismo ao longo do século XX, provavelmente uma das mais significativas é a perda de sua radicalidade revolucionária, junto à categoria dos trabalhadores. No Brasil, durante os primeiros anos da década de 20, ainda se professava preceitos radicais quanto a sua atuação, No decurso do governo Vargas, os sindicatos são cooptados,82 assumindo a tendência internacional que integra o sindicalismo ao capitalismo. Conforme Bernardo:
Por isso mesmo, sempre que se desenvolvem lutas, as direções sindicais procuram contê-las em limites aceitáveis pelo patronato para que as negociações possam prosseguir. Negociar é a função dos dirigentes sindicais e o capitalismo é, talvez, capaz de negociar tudo, exceto, evidentemente, o seu próprio fim. Enquanto mantêm a luta dentro dos limites do negociável, os sindicatos são uma instituição que perpetua o capitalismo.83
Tal tendência não é diferente no âmbito dos trabalhadores da educação
Serão certamente raros, nos nossos dias, os trabalhadores que considerem os sindicatos como instituições destinadas a derrubar o capitalismo. Os próprios dirigentes sindicais não se apresentam, nem sequer nos seus objetivos últimos, como visando pôr em causa este modo de produção, mas procurando apenas introduzir-lhes modificações que, na melhor das hipóteses, aumentem os salários, diminuam o desemprego e melhorem as condições de trabalho.84
A Associação dos Professores do Ensino Secundário e Normal Oficial do Estado de São Paulo (APESNOESP) foi constituída em 194585, no final da ditadura Getulista. Mesmo com a deposição deste governo e com a nova abordagem liberal democrática da Constituição de 1946, não se abandonou a essência corporativista da CLT, imposta nos anos 30, à qual este sindicato também se subordinava. A organização da APESNOESP, durante as décadas de 40 e 50, demonstra a inquietação dos trabalhadores do ensino que se voltava para reivindicar melhorias
82
VIEIRA, Vera Lucia. Cooptação e Resistência: Um Estudo sobre o movimento dos Trabalhadores em São Paulo, de 1945 a 50. São Paulo: Dissertação de Mestrado - PUCSP, 1989.
83
BERNADO, João. Capital, Sindicatos, Gestores. São Paulo: Edições Vértice, 1987. p.14.
84
BERNADO, João. Capital, Sindicatos, Gestores. São Paulo: Edições Vértice, 1987. p.14.
85
KRUPPA, Sônia M. Portella. O Movimento de Professores em São Paulo – O Sindicalismo no Serviço Público – O Estado como Patrão. São Paulo USP Dissertação de Mestrado, 1994, p.142. Afirma que a APESNOESP foi fundada em assembléia de professores na cidade de São Carlos.
concernentes à carreira do magistério: situação funcional, melhorias salariais, contrato de trabalho e valor das aulas trabalhadas em caráter ordinário e extraordinário. Segundo Kruppa os trabalhadores do Ensino Secundário e Normal só recebiam as aulas trabalhadas em jornada extraordinária após 11 ou 13 meses de trabalho e a contratação de professores se fazia por meio de influência política, devido a não realização de concursos.86
A vinculação das demandas dos trabalhadores aos ditames oficiais já foi objeto de estudos de especialistas, dentre os quais, Martins analisa os decretos getulistas destinados a regular as Organizações dos Trabalhadores. Ao avaliar os vinte artigos do Decreto87 19.770 de março de 1931, observa-se que aos docentes não era consentido o direito à organização sindical, pois: “ao estabelecer, no artigo 11º, a igualdade jurídica de empregados e operários intelectuais, não incluía os funcionários públicos e domésticos, sendo-lhes negada, portanto, a organização sindical.”88
No final do Estado Novo (1945), é urdida a APESNOESP. Goulart afirma que no primeiro momento os diretores da associação assumem uma postura de negociar as demandas advindas da categoria, nos gabinetes dos políticos. Aos trabalhadores de ensino, cabia associar-se e trabalhar, enquanto seus interesses estavam sendo defendidos pela diretoria da entidade.
Os interesses da categoria eram levados pela entidade ao conhecimento da administração pública, em audiências fechadas e negociadas pessoalmente pelos diretores das entidades dos professores – CPP e APESNOESP – com o poder executivo e deputados, mostrando o caráter de congraçamento destas associações com o governo.89
Desde a sua fundação a APESNOESP estava vinculada com o poder constituído, segundo o autor citado acima.
86
Ibidem. p.142.
87
1º dos 3 Decretos que Getúlio Vargas impõe para regular as Organizações dos Trabalhadores.
88
MARTINS, Heloísa Helena de Souza. O Estado e a burocratização do sindicato no Brasil. 2ªed. São Paulo: Hucitec, 1989. p.53.
89
GOULART, Débora Cristina. Entre a denúncia e a renúncia: “A APEOESP frente às reformas na educação pública na gestão Mário Covas (1995-1998)” Dissertação de Mestrado (Ciências Humanas) Campinas: UNICAMP, 2004. p.110.
Em 1939, por ocasião do Congresso de Fundação da Associação, Sud Menucci então Diretor de Ensino90 foi convidado a participar, pois representava a possibilidade de conciliação de conflitos que se restringiam ao âmbito trabalhista.
Os professores ao enviarem um memorial ao Diretor de Ensino (na época Sud Menucci), cobrando o pagamento atrasado das aulas extraordinárias, esperavam algum tipo de sanção. Certos que naquele momento qualquer manifestação seria penalizada, porém, acabaram recebendo o pagamento das aulas em atraso.
Após este fato que foi considerado uma vitória, os professores se reúnem em “um Congresso organizado (...) e, nesse encontro, surgiu à idéia de criarem uma associação, (...) assim à organização da APESNOESP já vinha sendo pensada por alguns professores desde 1939.”91
A APESNOESP surge como uma associação, submetida a uma Lei que, contrária a greves e mobilizações, atrelando-se ao Estado. Também atuava em ações assistencialistas, resolvendo os conflitos pelo caminho jurídico, no rastro das outras organizações de funcionários públicos.
A este respeito Nogueira afirma que estas associações “haviam sido formadas com a finalidade de congregação, recreação, assistencialismo e defesa profissional, sem uma perspectiva sindical.”92
Entretanto, Parolo garante que os objetivos da APESNOESP não se limitavam ao assistencialismo, mas vinham em prol dos direitos dos trabalhadores e do ensino público. Assegura que foi formada “para a defesa de seus direitos, para a defesa do próprio ensino, uma (...) associação que defendesse todos os seus interesses, quer de ensino quer do salário do professor.”93
90
Ibidem. p.110. “Diretor de ensino cargo que atualmente corresponde a Secretário Estadual da Educação.”
91
KRUPPA. Sônia M. Portella. Op. cit. p.142 e 143.
92
NOGUEIRA, Arnaldo J.F.M. Trabalho e Sindicalização no Estado Brasileiro: Experiências e Desafios. Tese de Doutorado (Ciências Sociais) Campinas: UNICAMP, 1996. p.54.
93
1.3 – FINS DA DÉCADA DE 70: OS TRABALHADORES DO ENSINO SE