Vizyonumuz: Nuri Has Ortaokulu olarak, ilkelerimize bağlı kalarak, tercih edilen, örnek alınan bölgemizin ve devamında
STRATEJĠK PLAN GENEL TABLOSU Stratejik Amaç 1
Liana Maria da Frota Carleial
Introdução
O Brasil é uma federação com 26 estados, um Distrito Federal e 5.565 municípios, os quais, a partir da Constituição de 1988, passaram a ter status de ente federado. O país, territorialmente, é dividido em cinco macrorregiões geográi cas: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geograi a e Estatística (IBGE), de 2010, o Brasil conta com 190,7 milhões de habitantes. A taxa média de crescimento populacional, devido à queda continuada da taxa de natalidade, situou-se em 1,7% a.a no período de 2000 a 2010.
O país, em 2011, obteve um PIB, em valores correntes, de R$ 4,143 trilhões, gerando um PIB per capita de R$ 21.252,00. Essa produção é distribuída diferentemente entre as suas macrorregiões, e o Nordeste, há 60 anos, tem uma participação em torno de 13% do PIB brasileiro; essa região tem um PIB per capita que corresponde a 46% da média brasileira, denunciando a permanência das nossas desigualdades.
No i nal de 2011, o Centre for Economic and Busines Research colo- cou o Brasil à frente do Reino Unido na lista das “top 10” do mundo, pois o PIB brasileiro ultrapassou o PIB inglês, sendo agora o sexto de mundo. Previu ainda que, em 2020, a economia brasileira superará a da Alemanha, hoje principal economia europeia e grande exportadora mundial.
Certamente, essa é uma conquista do crescimento econômico brasilei- ro recente, mas não a expressão do seu desenvolvimento econômico, social e político que garanta melhores condições de vida à sua população e ampliação de oportunidades para todos. Uma das pistas para o entendimento do desa- i o que se coloca para a sociedade brasileira pode ser a melhor compreensão da natureza e das especii cidades de seu mercado de trabalho.
O mercado de trabalho é uma passagem obrigatória para todos que precisam sobreviver sob o capital. Mesmo que nos últimos três séculos
tenhamos tido diferentes capitalismos, a sua essência é a mesma. Suas ten- dências se intensii caram, seus caminhos se modii caram e os mecanismos de expropriação se soi sticaram, mas, para viver, os homens continuam precisando trabalhar. Logo, o capitalismo continua sendo, inelutavelmen- te, o assalariamento.
A relevância do mercado de trabalho para a compreensão do capi- talismo está presente entre os economistas desde muito cedo. Smith já apontava o conl ito central do capitalismo como o conl ito capital versus trabalho e o mercado de trabalho como um lugar no qual se expressam as diferenças de interesses entre as classes, pois os capitalistas querem pagar o menos possível e os trabalhadores querem ganhar o máximo possível. Na ausência do direito de organização dos trabalhadores, àquela época, na Inglaterra, e como os capitalistas podiam se reunir a qualquer momento e estabeleceram conluios entre si, a tendência era de que seus desejos prevale- cessem. Também naquele momento já era claro para o autor a relação entre padrões de crescimento e o mercado de trabalho.
Permanecendo no campo da economia política, é bom lembrar que, para Ricardo, nesse mercado se dava uma troca desigual entre capital e trabalho, mesmo que não estivesse claro para ele, como i caria para Marx, os mecanismos que permitiriam essa troca e nem mesmo a diferença entre trabalho e força de trabalho.
Keynes, por sua vez, rompeu com a teoria clássica vigente na qual os mercados eram autorreguláveis e o desemprego se constitui numa situação transitória de desequilíbrio entre oferta e demanda de trabalho, ajustável por salários mais baixos. A introdução da teoria da demanda efetiva vai evidenciar o mercado de trabalho como subordinado ao mercado de bens e o desemprego retratado como uma situação de insui ciência de demanda de bens, podendo ser corrigido pela ação do Estado através de seus gastos de consumo e investimento. Estava assim ai rmada a necessidade da ação do Estado para a própria sobrevivência do capital.
O objetivo deste artigo é apresentar a formação do mercado de tra- balho brasileiro ao longo de seu desenvolvimento econômico e histórico, destacando as especii cidades presentes num país subdesenvolvido.
O artigo está estruturado em cinco seções, além desta introdução. Na primeira, estabelece-se a relação entre subdesenvolvimento e mercado de trabalho; na segunda, destaca-se o momento de formação desse mercado, que corresponde à transição do trabalho escravo ao trabalho livre com as diferenças inter-regionais que se estabelecem; na terceira, discutem-se o desenvolvimento brasileiro no século XX, a consolidação da indústria, a
generalização do assalariamento, o papel da Constituição Federal de 1988, a inl exão sofrida pelo país com as políticas neoliberais implementadas na década de 1990 e a emergência da economia solidária; na quarta, discute- -se a primeira década do século XXI e, i nalmente, na última, tecem-se as considerações i nais.
Em cada uma das seções, procura-se abordar aspectos econômicos, sociais, políticos e institucionais, os quais, de algum modo, interferem na compreensão do mercado de trabalho brasileiro. Dada a complexidade das questões, a consideração de cada um desses aspectos não é igualitária. O artigo utiliza diferentes bases de dados secundários que serão devida- mente referidas. Reconhece-se ainda que, dado o longo período sob análi- se, o artigo assume o estatuto de uma primeira incursão.
Subdesenvolvimento e Mercado de Trabalho
Esta rel exão inicial sobre a especii cidade do subdesenvolvimento brasileiro reside no pressuposto da relação existente entre padrão de desen- volvimento e mercado de trabalho.
A discussão do subdesenvolvimento brasileiro e latino-americano re- mete necessariamente à construção da interpretação clássica desenvolvida por Celso Furtado. O subdesenvolvimento, segundo Furtado (2000), é uma especii cidade de uma dada sociedade e é uma produção do próprio de- senvolvimento capitalista. Nesse sentido, não se constitui numa etapa do processo de desenvolvimento, ou seja, o subdesenvolvido não ascende à condição de desenvolvido necessariamente. Assim, a condição de subde- senvolvimento pode persistir, pode aprofundar-se e pode ser irreversível se não forem implementadas as medidas políticas necessárias à sua reversão. O ponto de partida teórico da contribuição é o questionamento da teoria das vantagens comparativas ricardiana, a sua negação e a proposição de que os países do continente latino-americano precisavam instituir um período de substituição de importações que internalizasse no país a indústria e alte- rasse a correlação de forças entre desenvolvidos (que exportavam máquinas e equipamentos) em troca dos produtos primários dos subdesenvolvidos. Logo, o subdesenvolvimento era engendrado pelo próprio movimento de acumulação de capital no nível mundial, condição que era reiterada per- manentemente. Como argumenta Oliveira (2003, p. 112), “o nexo externo era não apenas o núcleo da produção do subdesenvolvimento, mas tam- bém o de sua reprodução”.
Inicialmente, é a inserção das economias periféricas no mercado in- ternacional, na condição de economias exportadoras de produtos primá- rios, que lhes confere a condição de periferia de um centro no qual há a capacidade de constituição de um núcleo autônomo de investimentos e a incorporação do progresso técnico com os seus efeitos sobre a acumu- lação, o crescimento da renda e a geração de postos de trabalho. Assim, as economias periféricas constroem uma estrutura produtiva voltada para o exterior, desarticulada de sua estrutura de consumo, cujos ajustes se fa- zem crescentemente pela importação de produtos mais soi sticados para os detentores da renda de exportação (TAVARES, 2000; MARINI, 2000). Logo, os países subdesenvolvidos tendem a constituir uma estrutura pro- dutiva pouco diversii cada com implicações negativas sobre o mercado de trabalho e a distribuição de renda.
A consequência clara sobre a constituição dos mercados de trabalho é a tendência permanente ao subemprego estrutural causado pela heteroge- neidade estrutural (PINTO, 2000) que gesta uma insui ciência dinâmica do ritmo da acumulação quando comparada com a sui ciência dinâmica dos países centrais.
Para Marini (2000), por sua vez, a América Latina construiu um capitalismo suigeneris, o qual só pode ser entendido a partir da divisão in- ternacional do trabalho (DIT). Como sabemos, a divisão internacional do trabalho é um conceito derivado do conceito de divisão social do trabalho e explicita a especialização produtiva dos diferentes países e a natureza do intercâmbio comercial entre eles. Do mesmo modo, hierarquiza os países a partir do estágio do desenvolvimento das forças produtivas capitalistas que cada um deles detém.
Considerando a especialização da América Latina em produtos pri- mários cujos preços caem, quando a oferta amplia-se, e desvalorizam-se em relação aos produtos manufaturados (necessários aos subdesenvolvidos e obtidos via importação) produzidos pelos países desenvolvidos, há uma transferência de valores entre essa região e os países centrais. Para Marini, essa perda de valores que a DIT impõe aos países subdesenvolvidos é com- pensada internamente por um mecanismo de superexploração da força de trabalho retratada na intensii cação do trabalho, na ampliação da jornada de trabalho e no pagamento de salários abaixo do custo de reprodução da força de trabalho. Ademais, não há estímulos que levem ao aumento da produtividade e à incorporação do progresso técnico.
Assim, o pensamento latino-americano considera que em um qua- dro de subdesenvolvimento as especii cidades do mercado de trabalho são marcas estruturais. A seção seguinte abordará as características histórico- -estruturais do mercado de trabalho brasileiro.
Divisão Internacional do Trabalho, Transição para o Capitalismo e a Inexistência de Mercado de Trabalho
A inserção brasileira na divisão internacional do trabalho, ainda em sua fase colonial, ocorre, inicialmente, por meio de mercadorias es- pecíi cas, tais como açúcar, borracha, cacau e algodão. A economia colo- nial baseava-se no tripé latifúndio, monocultura e mão de obra escrava. Como disse Chico de Oliveira, a economia brasileira era formada por ilhas produtivas sem qualquer integração inter-regional da produção. A organização interna da produção baseava-se no trabalho escravo e, por- tanto, não havia um mercado de trabalho constituído, pois não havia homens livres para o assalariamento.
A presença do trabalho escravo espalhava-se pelos distintos sistemas produtivos, atuando em áreas rurais, minas, pequenos serviços na agri- cultura de subsistência, como a produção de feijão, milho, mandioca, charque, na criação de animais, e não apenas na produção voltada para a exportação (IANNI, 1962).
A análise de Marx sobre a constituição do mercado de trabalho é ri- gorosa e exige que os homens estejam expropriados dos meios de produção e que vendam livremente a sua força de trabalho. Assim, durante toda a fase da economia colonial até o i nal do século XIX, inexistia no país um mercado de trabalho, o que impedia ou atrasava a instituição da ordem social capitalista no país.
Assim, o ponto de partida para a compreensão da natureza do mer- cado de trabalho brasileiro e de suas características histórico-estruturais reside, em primeiro lugar, na especii cidade de uma economia de base es- cravocrata que, ainda nessa condição, ascende à posição de uma economia primário-exportadora.
A partir de 1850, instalam-se as condições iniciais para a constituição do mercado de trabalho, quando se intensii ca o processo que vai culminar na proibição do trái co de escravos, concretizada em 1888, e na promul- gação da Lei de Terras. É importante ressaltar que o processo de libertação dos escravos no Brasil ocorreu de forma lenta, inicialmente com a Lei do
Ventre Livre, que libertava os i lhos de pais ainda escravos (1871), e, pos- teriormente, com a libertação dos sexagenários (1885). Essas duas medidas apresentaram consequências sobre a formação do mercado de trabalho, uma vez que ex-escravos aos 60 anos já tinham esgotado as suas energias e não tinham condições reais de engajamento fora da coerção a qual estavam já habituados. Do mesmo modo, o que esperar de i lhos cujos pais conti- nuavam escravos? Quais condições teriam de promover na vida dos i lhos? Concretamente, porém, algumas medidas foram implementadas na tentativa de impedir a chamada “vadiagem” dos homens agora livres e de impor-lhes a disciplina do trabalho, porém sem muito sucesso. Kowarick (1987) argumenta que a economia exportadora baseada no trabalho escra- vo deixa o trabalho livre em condição marginal na sociedade. Expropriado dos meios de produção, esse grupo acabou sobrevivendo em condições de muita pobreza, sem, no entanto, aceitar vender a sua força de trabalho ao capital.
Já a Lei de Terras, promulgada em 1850, deveria cumprir o papel de tornar a terra mercadoria e permitir o seu acesso aos trabalhadores livres. O objetivo era substituir as antigas formas de apropriação do solo (transfor- mando as antigas concessões em propriedades), permitindo aos imigrantes o acesso a terras devolutas. Para Smith (1990), a Lei de Terras é um dos pilares da transição ao capitalismo no Brasil, dei nindo a propriedade pri- vada da terra e contribuindo para a formação do mercado de trabalho. No entanto, essa lei acabou sendo um instrumento de concentração fundiária, uma vez que os preços atribuídos aos lotes eram inacessíveis à grande maio- ria dos migrantes e, especialmente, aos ex-escravos.
Em segundo lugar, um outro elemento que vai se transformar em estrutural na conformação do mercado de trabalho brasileiro é a diferença inter-regional. Na realidade, a transição do trabalho escravo para o traba- lho livre se diferencia inter-regionalmente em função dos sistemas produ- tivos existentes. Nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, que se situam na região Sudeste do país, a incorporação do cultivo do café, que atinge a condição de carro-chefe da economia nacional, na segunda metade do século XIX, vai exigir a presença massiva de imigrantes europeus; já nas demais regiões, a formação do mercado de trabalho vai se dar entre ex- -escravos e o homem livre nacional.
Assim, é que nas regiões mais empobrecidas como o Nordeste, os ex-escravos continuam nas propriedades em condições precárias e, no Su-
deste do país, a presença do imigrante europeu vai contribuir para a cons- tituição do mercado de trabalho e para a organização dos trabalhadores34.
Para Furtado, essa característica da região Nordeste vai ser determi- nante para o adiamento da constituição de uma economia monetária e, as- sim, de um mercado interno, diferentemente do que ocorre no centro-sul do país, que consegue, especialmente, em torno de São Paulo, constituir as bases de um assalariamento.
O mercado de trabalho urbano se estrutura em torno do capital co- mercial e i nanceiro das cidades exportadoras e da frágil base de prestação de serviços do Estado. Como as manchas urbanas que se destacam por cen- tralizar os movimentos das regiões exportadoras são poucas e desintegradas inter-regionalmente, esse fato, associado ao que foi discutido no parágrafo anterior, dei ne uma segunda característica, qual seja, a da segmentação regional originária dos mercados de trabalhos urbanos.
Em terceiro lugar, a libertação dos escravos jogou nas cidades uma população sem qualquer escolaridade e com poucas possibilidades de in- serção em atividades urbanas, constituindo as bases para um excedente po- pulacional crônico, determinando, consequentemente, uma segmentação étnica signii cativa35.
Em quarto lugar, a migração europeia incentivada, sobretudo para o cultivo do café no estado de São Paulo, também vai contribuir para a cria- ção de uma oferta de trabalhadores diferenciados dos nacionais, os quais não possuíam experiência operária importante para a indústria nascente. Assim, a formação do mercado de trabalho urbano no Brasil inicia-se já marcado por segmentações importantes de naturezas regional, proi ssional, étnica, salarial etc.
Só a partir dos anos 1930 e na esteira da crise do café, a economia brasileira consegue ter êxito na substituição da economia exportadora cen- trada nesse produto por uma estratégia dei nida de internalizar no país o eLPSRUWDQWHVDOLHQWDUTXHQDIDVHFRORQLDODUHJLmR1RUGHVWHIRLRFHQWURGDDFX PXODomRSRUPHLRGDSURGXomRGHDo~FDUHSRVWHULRUPHQWHGRDOJRGmR&RPD HQWUDGDQRPHUFDGRPXQGLDOGRDo~FDUGDV$QWLOKDVHDLQWURGXomRGDFXOWXUDGR FDIpQR6XOR1RUGHVWHEUDVLOHLURSHUGHHVVDSRVLomR2/,9(,5$ 2%UDVLOPDLVUHFHQWHPHQWHWHPWLGRr[LWRHPLQWHJUDUVXDVSRSXODo}HVQHJUDV (QWUHHFRQVHJXLXDPSOLDUDSDUWLFLSDomRGHQHJURVHSDUGRVHQWUHRV FRQFOXGHQWHVGHQtYHOVXSHULRUTXHSDVVRXGHSDUDQHVVHSHUtRGRHP Q~PHURVDEVROXWRVIRUDPPLOKmRGHMRYHQVHQWUHHDQRV0(&+iXP FRQMXQWRGHDo}HVFRPRSROtWLFDVGHFRWDVHSURJUDPDVGHDFHVVRjV8QLYHUVLGD GHVS~EOLFDVEUDVLOHLUDVLQVWLWXtGRVDSDUWLUGH9HUZZZPHFJRYEU
desenvolvimento industrial, o que necessariamente exigirá a constituição de um mercado de trabalho36.
O Desenvolvimento Brasileiro no século XX
A indústria brasileira nasce associada ao capital cafeeiro e à crise da produção do café decorrente das bruscas variações nas cotações interna- cionais do produto com consequências sobre a dívida externa brasileira (SILVA, 1976). Na realidade, as crises de superprodução do café iniciam- -se já em i ns do século XIX e intensii cam-se no século XX, exigindo políticas de valorização do produto e desvalorização da moeda brasileira com consequências sobre toda a sociedade. Ao lado disso, a Revolução de 1930, coincidindo com a crise internacional, marca o i m de um ciclo centrado na hegemonia agroexportadora e o início de um processo de de- senvolvimento centrado na produção industrial. No entanto, esse não foi um processo simples.
Nos anos 1930, o país começa a se preparar institucionalmente para a regulação do mercado de trabalho urbano recém-formado. Nesse mesmo ano, foi criado o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio; em 1931, a Lei da Sindicalização; e, em 1932, foi instituída a carteira de trabalho para todos os trabalhadores maiores de 16 anos, com validade semelhan- te à carteira de identidade, para o registro das atividades do trabalhador (BARBOSA; MORETO, 1998)37. Vale salientar que, até 2012, a posse ou não da carteira de trabalho para o trabalhador brasileiro é um “divisor de águas” muito importante. Ainda naquela década, a Constituição de 1934 introduziu o salário mínimo, o qual foi instituído em 194038. Em 1943,
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promulga-se a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que sistematizou as regras vigentes quanto às normas de trabalho, à Previdência Social, à Justiça do Trabalho e aos sindicatos. A CLT é vigente até o momento, mas já teve seu teor alterado por medidas provisórias e pela prática do mercado de trabalho e, até mesmo, por leis, as quais indiretamente produzem alte- rações signii cativas, como se verá na quarta seção deste artigo.
O período 1950-80: a tendência de estruturação do mercado de trabalho
O Brasil passa da posição de um país essencialmente agrícola para a de um país urbano, com complexa e diversii cada estrutura industrial, em um período relativamente curto de aproximadamente 40 anos. No pós- -Segunda Guerra Mundial, o processo de industrialização, que antes era er- rático e muito susceptível ao desempenho de suas exportações de produtos primários, ganha um contorno mais nítido, alicerçado em um programa de substituição de importações sustentado pelo tripé formado pela conju- gação dos capitais estrangeiro, nacional e do Estado.
Essa marca se encarrega de evidenciar o caráter da industrialização brasileira, concentrada espacialmente (São Paulo chegou a concentrar 70% da produção industrial), dependente tecnologicamente dos países centrais, com forte presença de multinacionais e com limitado desenvolvimento da produção de bens de capital –, mesmo sendo o país latino-americano no qual essa participação é a mais signii cativa39. Assim, esse período muda a face da sociedade e da economia brasileiras, notabilizando-se por altas taxas de crescimento do PIB.
A estrutura industrial brasileira foi constituída a partir de produtos leves, bens de consumo que atendessem ao mercado interno desenhado