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Stefan Zweig ve Edebi Anlayışı Stefan Zweig'ın Biyografisi

BÖLÜM 2: STEFAN ZWEIG, EDEBİYAT ANLAYIŞI VE SÜRGÜN EDEBİYATI EDEBİYATI

2.1 Stefan Zweig ve Edebi Anlayışı Stefan Zweig'ın Biyografisi

com a da lepra na Europa do final do século XV, o que leva a interpretações distintas sobre a origem da sífilis. A lepra, uma doença humana crônica neurológica, resulta de infecção por um patógeno intracelular, Mycobacterium leprae, parente próximo do bacilo da tuberculose. É a mais antiga bactéria conhecida que nunca foi cultivada em laboratório, segundo Monot, et al., (2005).

O bacilo da lepra representa um caso evolutivo interessante, pois aproximadamente metade de seu genoma são pseudogenes. Com o objetivo de desenvolver ferramentas para estudar a epidemiologia molecular, Monot et al.(2005) sequenciaram o genoma de M. leprae. Estudos filogenéticos revelaram que todos os casos existentes de lepra são atribuídos a um único clone de M. leprae, que se disseminou pelo mundo afora através das sucessivas ondas migratórias dos humanos (Monot et al., 2005).

A lepra parece ter surgido no Leste da África ou no Oriente Próximo e se espalhou, com as sucessivas migrações humanas há 50 - 60 mil anos para a

Treponematoses e outras paleopatologias em sítios arqueológicos pré-históricos do litoral sul e sudeste do Brasil

(j.Filippini - 2012)

Ásia. Do Oriente Médio se alastrou para a Polinésia e Austrália há mais de 40 mil anos. Os europeus e norte - africanos a introduziram no Oeste africano. A lepra teria sido levada através do Estreito de Bering oriunda do norte da Ásia, entre 15 e 35 mil anos atrás para as Américas (Monot, et al., 2005). Entretanto, outra linhagem atingiu as Américas durante o colonialismo e o comércio de escravos, pois a doença teria atravessado o Atlântico respectivamente da Europa e África para a América (Mapa 1). Desta forma, no final do século XV, com o retorno de Colombo da América, a epidemia de sífilis teria coincidido com a da lepra, que já existia na Europa. Como os sintomas de ambas doenças se sobrepõem em parte e os diagnósticos diferenciais são desafiantes, desta forma a dúvida ainda é persistente (Monot, et al., 2005).

Mapa 1: Disseminação da lepra no mundo baseado em análise de polimorfismo de nucleotídeo simples.

Modificado de Rinaldi, 2007.

Duas das teorias sobre a origem da sífilis, a hipótese unitária e a pré- colombiana discutem a possibilidade de que a sífilis teria se originado antes de Colombo e teria sido confundido com a lepra, o que será discutido no capítulo “Origem das treponematoses”.

Recentemente foi feita a reconstrução do genoma da bactéria Yersinia pestis causadora da peste bubônica, que devastou milhares de habitantes na

colonialismo Comércio de escravos Origem? Migração asiática

Treponematoses e outras paleopatologias em sítios arqueológicos pré-históricos do litoral sul e sudeste do Brasil

(j.Filippini - 2012)

Europa no século XIV. Foram exumados 800 corpos do cemitério de Smithfield em Londres sepultados naquela data devido à peste. Esta doença que teve provável origem no oeste da Ásia, nos tempos de Justiniano, no século 6º, entrou por Constantinopla e se espalhou pela Europa e pelo Oriente Médio. Nos dois séculos seguintes, os surtos se sucederam rapidamente, para depois com menor intensidade ressurgir no século XIX. A princípio esta bactéria foi apontada como agente etiológico da peste negra e de outras catástrofes epidêmicas, porém recentemente surgiram dúvidas, devido ao fato de que no século retrasado os surtos desta doença foram menos mortais e com uma disseminação lenta comparada com a peste negra. A descoberta do genoma da Yersinia pestis de Smithfield demonstrou que essa bactéria também é responsável pela peste negra epidêmica. A atual Yersinia pestis teria surgido de mutações ocorridas no século XIV quando a peste negra assolava a Europa. Esta bactéria teria sofrido poucas mutações nos últimos 660 anos e nenhuma de suas características conseguem explicar por que seus ancestrais eram tão virulentos (Callaway, 2011). Sabe-se que a bactéria da peste negra trazida para a Europa pelos soldados que retornavam do mar Negro teve aliados importantes: a desnutrição, o frio e o clima úmido. É possível que não tenha sido espalhada apenas pelas pulgas dos ratos, mas também por outros animais. Assim como aconteceu com a gripe espanhola que dizimou 100 milhões de pessoas e contou com a ajuda de bactérias causadoras de pneumonia, é possível que outros agentes tenham cooperado com a bactéria da peste negra quando houve a epidemia. “Epidemias catastróficas são a regra na história humana, não as exceções” (Callaway, 2011). Da mesma forma é possível que a sífilis quando entrou na Europa no final do século XV tenha encontrado vários fatores favoráveis que impulsionaram esta doença para se tornar uma epidemia.

Hoje se sabe que, a exemplo da Aids, outras doenças viróticas ou bacterianas, provocam epidemias ou permanecem inertes, acarretam sintomas graves ou passam quase desapercebidamente dependendo de circunstancias e condições específicas. É necessária uma fase de adaptação antes de determinada infecção provocar uma epidemia. Portanto, na sífilis o aumento da densidade populacional associada à promiscuidade pode ter sido o momento

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(j.Filippini - 2012)

que teria desencadeado a epidemia no final do século XV na Europa, embora não esteja totalmente claro qual foi de fato a doença a ela associada (Monot, 2005).

Outro exemplo é o estudo de análise genética de duas amostras antigas do HIV-1 (1959, 1960), provenientes do Congo (África) sugerindo que o vírus infectava humanos já em 1900 (Worebey et al., 2008). As duas amostras de DNA, batizadas de ZR59 e DRC60, apresentam diferenças que sugerem a sua divergência ter ocorrido bem antes da pandemia reconhecida como Aids nos anos 1980.

Com a devida cautela, principalmente pela forma de replicação virótica, com relação à bacteriana, este fato pode servir de exemplo de como as treponematoses podem ter permanecido silenciosas antes de aparecerem sob a forma de epidemia no final do século XV. Por isso, argumenta-se que a forma virulenta da sífilis na Europa após a chegada de Colombo da América, só aconteceu depois das tripulações de Colombo terem tido contato com uma forma branda de treponematose nas Américas, levando para a Europa um tipo mais agressivo desta doença (Walker et al. 2005).

Entretanto, não está claro se a epidemia que assolou a Europa após o retorno de Colombo foi de fato a sífilis venérea ou alguma(s) outra(s) patologia(s). A lepra, existente na Europa naquela época produzia alterações que podem ser confundidas com as da sífilis (Monot, 2005).

C: Interações com outras patologias e fatores que influenciam a