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Josenilton:

O sistema de ensino básico tem sido uma história de “idas e vindas” e o que tem caracterizado sua evolução são as ditas tentativas de melhoria. Porém, sempre com falhas, a meu ver, por atacar só uma parte do problema: em um momento é a falta de escolas, em outros de professores ou de equipamentos. Depois é o sistema de avaliação (notas ou conceitos). E por aí vai. Por exemplo: em um dado momento acredita-se que o problema está nas notas numéricas e se resolve adotar um sistema de notas expressas por conceitos na forma de letras. Depois se retorna ao sistema anterior, e tudo continua como antes. Isso demonstra que foi feita uma avaliação bastante superficial do problema e, conseqüentemente, da solução apontada.

Poderíamos retroceder muito na história do ensino no Brasil e analisar cada uma de suas etapas, tentando compreender o que deu certo e o que deu errado em cada uma delas. Mas isso não implica fazer hoje o que dava certo no passado. Os tempos são outros. As pessoas, a sociedade, o contexto histórico-social também. No entanto, para falar de uns trinta anos atrás até os dias atuais, o que temos visto são tentativas de “fórmulas mágicas”

para se resolver os inúmeros problemas que se apresentam com relação à educação escolar. Em geral, cada novo governo que toma posse acredita ter a solução para a educação brasileira. Contudo, peca por desconsiderar situações que às vezes vão além de suas possibilidades (como no caso dos ciclos, explicado acima). Outras vezes, pela omissão, pelas falsas promessas, pelo descaso, pela falta de investimentos ou por propostas “incompletas” que ora priorizam a infra-estrutura (construção de escolas, equipamentos etc.), mas não investe de fato no quadro humano para implementar a tal proposta (caso das Escolas Padrão, aqui em SP); ora na formação dos professores, implementando programas como o “Teia do Saber”, em São Paulo, que dá a falsa impressão de melhoria da qualidade da formação desses professores sem, no entanto, dar condições mínimas para que se coloque em prática o que foi aprendido (quando o foi!) nesses programas, visto que os professores continuam com baixos salários e com carga excessiva de aulas.

O sistema de ensino básico no Brasil é algo bastante complexo. Tentativas de melhoria são bem-vindas sempre, desde que se tenha em mente que não há uma solução pronta, um “pacote fechado”, que dá conta de todos os problemas. Porém, cada segmento envolvido com a educação escolar tem uma parte a fazer, para que os resultados e os sucessos apareçam aos poucos, sem “milagres”.

Madalena:

Infelizmente, após a grande reforma que ocorreu em 71, transformando o primário e o ginásio em 1º Grau e mais tarde em Ensino Fundamental de 8 anos, e agora EF de 9 anos; em conjunto com a deliberação e imposição da progressão continuada em 97 e sem uma preparação pedagógica da parte do professorado e equipe pedagógica, vamos enxergando entre tantos fatores que historicamente o ensino básico do Brasil já estava fadado a falir ou a ir muito mal.

Mesmo com as alterações materiais da escola ao longo dessas décadas e a representação social da escola como um espaço importante para a aprendizagem, vamos observando a falta de prédios escolares para a população, falta de material escolar como carteiras e materiais pedagógicos, as escolas pichadas que demonstram pouca identidade do aluno com sua unidade escolar, geralmente são escolas feias, gradeadas e com cadeados, representando mais cadeias para reclusão do que espaços para inclusão e prazer. Outro importante fator é o “tempo escolar” onde ficávamos no mínimo 6 horas e hoje muitas escolas trabalham em períodos de 4 horas, não conseguindo se impor nem em horas nem tão pouco em dias letivos, onde o aluno só é obrigado a cumprir 75% desses dias, sem contar o que fez ou faz durante este período letivo.

A escola não resolve os problemas da sociedade, afinal ela não está acima da sociedade e sim está inserida nela com todos os seus problemas de violência e pobreza.

Questões meramente “politiqueiras”. Saímos de um governo militar e caminhamos para uma democracia. Essas questões envolvem posturas, posições, técnicas, trabalhos, sem investimentos suficientes na preparação e competência dos profissionais envolvidos.

Hoje, posso afirmar que todos discutem muito nos mais diversos locais como a sala de aula, na universidade, nos fóruns que queremos “a construção de uma escola de qualidade”, porém não podemos ficar somente na “discussão” nem sacrificar alunos e professores pelos erros cometidos durante essas décadas.

Marcelo:

Acho que já respondi a esta questão nas repostas anteriores.

De fato a escola brasileira sempre foi excludente. Quando ela oferecia um ensino de qualidade era para as elites; quando ela se abriu para todos, abandonou a qualidade. Todas as pesquisas universitárias, todos os discursos, todos os documentos do MEC são ótimos, mas sua aplicação não chega às escolas porque a sociedade ainda não entendeu o papel da escola e sua relação com o desenvolvimento do país. Enquanto não há um despertar na sociedade, nossos governantes continuam fingindo que investem na melhoria das escolas quando na verdade abandonam-na à própria sorte.

Termino repetindo que diariamente travamos uma guerra nas escolas contra não sabemos quem. Nesta guerra não há vencedores, mas só perdedores. Alunos, professores, pais, gestores e funcionários, todos infelizes e reclamando sem parar. Eu fico a pensar: a quem interessa esta guerra? Quem ganha com isso? Do jeito que está não é possível mais continuar! Ou nós (pesquisadores, professores, pais e Estado) nos unimos a favor da escola, ou estaremos num subdesenvolvimento pior do que já estivemos.

Enfim faço um apelo:

Srs. pesquisadores, não se esqueçam da escola pública. Ela precisa muito de vocês. Usem de sua influência no meio acadêmico para denunciar o abandono da escola onde estudam os filhos dos mais pobres.

Maria Júlia:

O panorama da educação brasileira apresentou significativa melhoria nas últimas décadas, com declínio acentuado da taxa de analfabetismo, expressivo aumento do número de matrículas em todos os níveis de ensino e gradual crescimento da escolaridade média da população. A constatação destes avanços, no entanto, não prescinde de uma análise crítica sobre os desafios educacionais que o País ainda precisa vencer para superar o déficit histórico acumulado nesta área.

Se do ponto de vista quantitativo a expansão do sistema atingiu patamares bastante razoáveis, inclusive em comparação aos padrões internacionais, o mesmo não pode ser dito frente aos indicadores de qualidade e eqüidade. No tocante a estes aspectos, a situação atual da educação nacional ainda deixa muito a desejar, apesar dos recentes esforços dos três níveis de governo para promover a melhoria do ensino.

Marisa:

Não tenho meios nem conhecimento para uma análise ampla, ou profunda, mas o que salta aos olhos é que o problema da educação no Brasil foi sempre vítima de soluções paliativas, com aspecto de revolucionárias, mas que delegam ao professor a total responsabilidade por seu sucesso ou fracasso. O problema real nunca é enfrentado: a quantidade de alunos em sala, as condições de trabalho do professor, o pouco tempo que as crianças permanecem na escola, entre outros. Enquanto a situação do dia-a-dia, nas escolas, não for o principal objeto de atenção das autoridades competentes, não haverá meio de avaliação, promoção, recuperação etc. capaz de levar as nossas crianças a serem melhor preparadas para a vida.

Seiji:

Não respondeu

Sonia:

4. Algumas considerações preliminares

• Considerações relativas ao conteúdo do projeto de pesquisa

A gênese deste trabalho de pesquisa está na incessante busca de informações que levem a caminhos que possibilitem identificar uma resposta para o objeto de estudo (pergunta diretriz)159, sendo assim as considerações finais deste trabalho são escritas e elaboradas a partir de uma reflexão sobre o mesmo.

No início deste trabalho me propus a responder a seguinte questão:

É possível compreender de que maneira a manutenção das práticas e métodos de avaliação dentro do movimento de implantação de políticas públicas que pressupõem uma organização escolar em ciclos com progressão continuada dificultaram ou não a sensibilização / conscientização do professor com relação ao fracasso escolar na disciplina de Matemática?

Com o intuito de responder à questão proposta, considero que os seguintes objetivos devam ser alcançados e respondidos pela pesquisa:

• Identificar a natureza da avaliação que os sujeitos realizam e como eles a representam, descrevendo as características, os fenômenos e os processos que lhe dão determinada configuração;

• Caracterizar o significado dado às representações dos sujeitos, entendidos como “fatos de palavras e de prática social” (Lefebvre, 1983)160 a respeito do Sistema de Ciclos com a finalidade de identificar as possíveis variações de interpretação e entendimento quando observado o aspecto nos âmbitos prático e teórico;

159 Borba, M.C.; Araújo, J.L., Pesquisa Qualitativa em Educação Matemática, 2004, p. 27. 160 Lefebvre, H, La presencia y la ausencia, 1983, p. 263:23

• Analisar qual a contribuição dada pelos processos de avaliação na manutenção do fracasso dos alunos na disciplina de Matemática, dentro de um contexto de organização do sistema de ensino em Ciclos de Aprendizagem com Progressão Continuada ao evidenciar a manutenção das práticas avaliativas, ditas tradicionais161, em relação à mudança nas políticas educacionais de ensino;

• Resgatar a história recente do ensino e suas implicações na implantação do sistema de ciclos;

É a partir dos subsídios teóricos apresentados (textos, artigos e citações) e dados coletados por esta pesquisa (questionários, entrevistas e reflexões) que responderei cada uma das questões que me propus.

Questão 1 - Identificar a natureza da avaliação que os sujeitos realizam

Benzer Belgeler