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4. CBS İLE YAPILAN ÖRNEK UYGULAMA

4.2. Sistemin Tasarlanması ve Uygulanması

4.2.8. Konumsal Bilgilerin Sorgulanması

4.2.8.2. SQL ile Sorgulama

Conhece-te a ti mesmo134

O conhecimento move o sujeito a partir de si para uma libertação ‘interior’ e ‘exterior’ que depende da relação com o meio (o outro, o mundo). Em seguida, ressalta-se a necessidade de reconhecimento, como um segundo passo neste processo de afirmação da identidade.

No documento da quinta Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM), no décimo capítulo com o tema ‘Nossos povos e nossa cultura’, apresenta um estudo sobre o conhecimento das origens culturais e religiosas, como as identidades dos povos latino- americanos. Neste, quando se utiliza da expressão ‘nossos povos’, referindo-se também aos afro-americanos, parece entender como uma ‘assunção’135 e um ‘reconhecimento’136 de uma identidade destes povos com suas culturas. Mas, como afirma Paulo Suess, o documento não aprofunda, pois “tem um olhar genérico e universal sobre os afro-descendentes”137. O anseio por dignidade destes povos emerge à séculos para o reconhecimento das Igrejas na América Latina, que infelizmente calou e não deu a devida importância em querer relacionar “a cultura com a evangelização, a educação como bem público, a pastoral urbana, a preocupação no sentido da unidade e fraternidade dos povos, a integração dos indígenas e afro-americanos como caminhos de reconciliação e solidariedade”138. Exatamente por isso, o diálogo com as culturas pode vir a ser uma experiência de fé e de responsabilidade, tal como o diálogo com as religiões de matrizes africanas e com suas experiências que podem trazer sentido de ‘assunção’ e de encontro com este universo religioso, cultural e identitário latino-americano.

134 ‘Gnothi Seauton’ (do grego antigo: γνῶ εαυ όν, “conhece-te a ti mesmo”), aforismo que tradicionalmente

estava inscrito nas paredes do Templo de Apolo em Delfos, na Antiga Grécia, e que é muito citado pelo filósofo Sócrates nos relatos de seu pupilo, Platão. O oráculo do templo teria proclamado Sócrates o homem mais sábio na Grécia, ao que Sócrates respondeu com a célebre frase: “Só sei que nada sei”. [in: http://wikipedia.org].

135

Paulo Freire define bem o sentido desta concepção de assunção, que no seu modo de entender passa pela significância e importância deste verbete: “O verbo assumir é um verbo transitivo e que pode ter como objeto o próprio sujeito que assim se assume” [in: FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia, p. 41].

136

“O seguimento de Jesus (...) passa também pelo reconhecimento dos afro-americanos como desafio que nos interpela para viver o verdadeiro amor a Deus e ao próximo” (cf. n. 532 do Texto conclusivo da V CELAM).

137

Cf. SUESS, Paulo. Dicionário de Aparecida: 40 palavras-chave para uma leitura pastoral do documento de

Aparecida, p. 14.

138

Principalmente, se considerarmos o fato de que “os afro-americanos constituem uma das raízes da identidade latino-americana e caribenha que foi arrancada da África e trazida para cá como gente escravizada”139. Assim, dialogar implica envolver-se com este “outro”, “para este outro”, e assumi-lo com a responsabilidade devida, de unidade e reciprocidade, mesmo na diversidade que há neste envolvimento. Como na relação do ‘Próximo’, Bom Samaritano, com aquele ‘outro’ que está caído à beira do caminho (cf. Lc 10, 30-35). Exatamente essa é a relação entre duas pessoas distintas, mas que fazem uma experiência divinizada de assumir um ao outro, assim como demonstra Lévinas:

Estar sob o olhar sem descanso de Deus é precisamente, em sua unidade, ser portador de um outro alguém – carregador e apoiador –, ser responsável por esse outro, como se a face, entretanto invisível, do outro prolongasse a minha e me mantivesse alerta em nome de sua própria invisibilidade, em nome do imprevisível do que nos ameaça. (...) Maneira essencial para o ser humano de estar exposto até o ponto de perder a pele que o protege, pele tornada totalmente face, como se, nucleando em torno de si, um ser sofresse uma desnucleação, e desnucleando-se, fosse “para o outro”, antes de tudo, diálogo!140

Pode também haver dificuldades no diálogo, como a preferência ao não compartilhamento, que se faça dentro de um aprendizado acerca daquilo que se desconhece, fora do acadêmico ou distante das próprias verdades irrenunciáveis, mas mal interpretadas. Pois ninguém precisa renunciar sua fé, ou sua verdade, para aceitar dialogar com o ‘diferente’, mas necessita sim ‘estar aberto’ para aprender do ‘outro’, ou para acolher simplesmente o ‘outro’ naquilo que ele é. Isso tudo, sem pautar-se sobre o símbolo do medo, que evita entrar em discussão, com ênfases exageradas, indignas de se dar importância, frente a qualquer menção que tenha caráter de afirmação de uma identidade ou cultura religiosa141. No diálogo que a pesquisa teológica estabelece no mundo inter-religioso e pluri-cultural, busca-se dar ênfase às culturas, às religiosidades e experiências que durante muito tempo foram negadas, rejeitadas e discriminadas, e também dialogar sobre outros pontos emblemáticos, como: Gênero, Economia ou Ecologia. Desse modo, podemos relacionar os assuntos que se

139

Lendo o número 88 do documento de Aparecida, aprofunda-se a interpretação deste ponto (in: SUESS, Paulo.

Dicionário de Aparecida, Op. cit. p. 13).

140

Cf. LEVINAS, Emmanuel. Do sagrado ao santo: cinco novas interpretações talmúdicas, p. 144.

141

Principalmente quanto a posturas de pessoas religiosas e evangelizadoras que se manifestam em vários meios de comunicação, como em folhetos, boletins, que orientam o povo a se ter cuidado no trato com o envolvimento a determinados cultos, ou religiões – como o que se percebe acontecer frente a Umbanda e ao Candomblé, por exemplo.

interligam, não sendo consideradas separadamente umas às outras. As distinções são necessárias, mas as inter-relações são mais importantes no processo de diálogo e interdisciplinaridade142, mesmo nos ‘desvios’ críticos da reflexão teórica. É esse o caso em que os clamores, dos gritos ecoados a partir do ‘outro’ da cultura, que é diversamente apresentado para a relação e como pressuposto. Assim, apresenta Seyla Benhabib ao refletir o tema “Nous” et les “Autres” (We and the Others)143. Um dos maiores desafios se expressa na história da Evangelização, ou da Pastoral, em várias localidades do Brasil. Há o fato do desconhecimento dos ‘evangelizadores’, com posturas de defesa ou de ataque ao que se considera errado, falso e perigoso para as “almas” dos fiéis. Podemos perceber isso neste relato missionário sobre a Umbanda, como um dos exemplos de alerta:

Faço breve aceno à religião da Umbanda que é muito conhecida no Brasil. Veio com os escravos africanos, comprados na Guiné, e vendidos no Brasil, para trabalhar na cultura do Café e do algodão. Pela nomenclatura dos seus ritos, nota-se que a maioria dos escravos era proveniente de nossa missão na África, ou seja, Congo- Angolana. Houve sincretismo entre a Umbanda e os cultos dos indígenas brasileiros. É um paganismo animista, banhado com elementos cristãos, com catecismo extravagante, de difícil compreensão. Chamam-se “Terreiros”, os lugares das reuniões e culto, chegando perto de 2.000, só na região de Curitiba, conforme informações obtidas. Tantas não são as Igrejas e capelas católicas nesta mesma região. Neles pratica-se a Macumba, que são rituais com mesclas de espiritismo e mediunidade, e folclore, com símbolos africanos. A literatura sobre a Umbanda e as conversas com alguns dirigentes desta religião deram-me a impressão que, apesar da compreensão e abertura atual da Igreja Católica, os rituais dos Terreiros não têm perspectivas de aculturação. Um fato que faz questionar é que hoje a Umbanda conta com adeptos não só entre o povo humilde, como negros e caboclos, mas também com pessoas da sociedade de bom nível cultural. A superstição, a ignorância da doutrina cristã e a curiosidade afastam alguns fiéis da Fé católica. (...) cientes da presença dos adeptos da Umbanda em suas Paróquias, devem alertar o seu rebanho sobre este perigo e esclarecer os simpatizantes sobre a doutrina do catolicismo e a prática da verdadeira fé. Por vezes, devem lembrar os fiéis a contradição dos que, participam da Umbanda e levam seus filhos para o batismo na Igreja; freqüentam os Terreiros e participam da Mesa da Comunhão.144

142

Explicitação contra posturas de “conservação” ou “defesa” do que seja considerado o único motivo pelo qual se apresenta como ‘o melhor’ para os outros pensarem, ou a linha de reflexão correta para determinar quais os verdadeiros e os falsos sistemas de pensamento no mundo (como ao afirmar que algo deve ter uma lógica ou um consenso ditado para todos os demais, desprezando o conhecimento cultural dos povos, seus conflitos e suas peculiaridades que fogem do bojo cultural dominante. Desse modo, também uma teologia ocidental não expressa tudo o que de mais adequado se pode refletir sobre Deus ou à verdadeira experiência e conhecimento sobre Ele pela revelação a um só povo, de uma única forma. Enfim, as noções de verdade para um grupo de pessoas não pode significar a única ordem para todos).

143

Cf. BENHABIB, Seyla. The claims of culture: equality and diversity in the global era. Princeton University Press, Princeton and Oxford, New Jersey, 2002, pp. 24-25.

144

Boletim Interno da Província São Lourenço de Brindes dos Frades Menores Capuchinhos do Paraná e Santa Catarina (Brasil). Ano XIV - Número 173 - Especial - 31 de julho de 2008, pp. 83-84.

Recorda Paulo Suess que verdadeiro conhecimento dos povos tradicionais na América Latina envolve e significa também “conhecer os valores culturais, a história e as tradições dos afro-americanos, entrar em diálogo fraterno e respeitoso com eles, é um passo importante na missão evangelizadora da Igreja”145. Assim, é preciso formar as estruturas mentais de cada pessoa que age no processo de ensino e evangelização, bem como no reconhecimento ético, responsável dos seres humanos, de suas identidades. Toda cultura traz consigo os valores morais, os simbolismos que representam uma construção carregada de sentido. Nesta formação para o respeito e à dignidade humanas, a valorização ocupa um espaço fundamental que se pode dar a cada povo, a cada cultura com suas manifestações, bem como toda expressão humana (de cunho artístico, de culto e de religiosidade) que advém destas. Assim, o sentido de valorização das culturas parte deste aspecto: com a liberdade de valorizar as culturas como uma realidade própria, a teologia pode tornar-se um caminhar a partir dos sujeitos próprios de sua identidade. Daí a necessidade do resgate pela via da ‘alteridade’146.

Benzer Belgeler