1. GĠRĠġ
1.4. Ahlak
1.4.2. Sporda Ahlak
A magnitude R Canônica da relação no pós treinamento entre os indicadores de aumento de força (e.i. Δ% da 1-RM de LP, BP e TWL) e as habilidade funcionais (e.i. S-L, AC, 8-foot e BBS) foi de 0,98 onde a associação foi confirmada pelo Qui-Quadrado (X2) igual à 33,4770, gl=12 e p < 0,006. No destreinamento a correlação R Canônica foi de 0,83 (p > 0,05) entre as mudanças relativas nos indicadores de força e de habilidade funcional.
As mudanças absolutas mostram uma tendência de associação (p < 0,07), onde o R Canônico foi de 0,94 com X2 igual à 23,9921, gl=12, no pós-treinamento, contudo não houve associação significante (p > 0,05) entre os indicadores de força (e.i. Δ%) e de habilidade funcional no destreinamento, onde o R canônico foi igual 0,84.
Figura 3. Efeito do tamanho (d) da amplitude da SEMG ao longo da intervenção para os músculos dos MMII e MMSS.
3.1.6 Discussão
Os achados desta investigação mostram que os maiores ganhos funcionais (d > 0,80) ocorreram nos escores do 8-foot e no BBS, seguidos do S-L e AC tanto no pós-treinamento quanto no destreinamento quando comparado aos valores de
baseline. Estes ganhos após treinamento são compatíveis com outra investigação semelhante (33).
A despeito das significativas mudanças encontradas após 12 sem de intervenção, o principal achado desta investigação, foi observar que as mulheres idosas mantiveram o ganho parcial nas habilidades funcionais após o período de destreinamento ao compararmos com os valores pré intervenção.
A perda da força muscular é apontada como um dos principais fatores que limitam as atividades de vida diária e, portanto, a autonomia do idoso (34). O RT pode alterar as propriedades funcionais corticoespinhais sem contudo afetar a organização do cortex motor e ainda sim, aumentar a força (35).
Os ganhos no drive neural observados nesta investigação, evidenciados pelo efeito do tamanho acima de 0,80 na atividade SEMG dos músculos dos MMII (d = 7.15 – 0,81) e MMSS (d = 5,74 – 0,77) após o período de treinamento, somados a conservação da força muscular, verificada pelo desempenho nos testes 1-RM no LP e BP e em conjunto à análise multivariada R Canônica (R = 0,98; p < 0,006), são compatíveis com os dados apresentados Newton et al (38) e explicam os ganhos nas habilidades funcionais observados nesta investigação. Após o período de destreinamento houve retorno dos valores de RMS normalizada ou ainda diminuição além daqueles encontrados no baseline, como pode ser observado na tabela 6 e figura 4, exceção feita ao grupo extensor (RF, d = 0,70; VL, d = 0,20; VM, d = 0,39). Aparentemente é possível admitir há conservação parcial dos ganhos nas habilidades funcionais (tabela 5), como observado pelo efeito moderado do tamanho (d = 0,20- 0,76).
Embora haja divergência à respeito da duração dos efeitos pós encerramento do RT, estes podem ser mantidos além de 6 meses (15,37-40) ou terem cessado os seus efeitos após 3 meses de destreinamento (39,40), parece ficar claro que as adaptações sistêmicas são dependentes da duração, intensidade e volume, bem como do modo de manejo das variaveis agudas do RT.
Os achados desta investigação mostram que houve conservação parcial dos ganhos funcionais e que o equilíbrio dinâmico e estático (e.i. 8-foot e BBS) foram os mais beneficiados (tabela 5), o que vai de encontro aos dados recentemente apresentados por Carvalho, Marques e Motta (37), contudo são semelhantes à conservação observada no S-L verificada por Fatouros (39).
Os aumentos percentuais (Δ%) na força oscilaram aproximadamente entre 30-35% no P1 e 3-7% em relação ao baseline no P2. Os valores no pós treinamento foram inferiores aos observados em outras investigações junto à população idosa (33, 42, 43). Como observado por Persch et al. (42) os aumento na força foram acompanhados por melhor na velocidade da caminhada (e.i. redução no tempo gasto na execução do teste 8-foot), possivelmente por uma melhora na cadência e comprimento da passada. Como esperado, os aumentos na força conferiram as mulheres idosas melhora nas habilidades funcionais o que sugere um efeito protetor contra quedas, por exemplo, como sugerem Serra-Rexach et al. (43).
Além disso, esta investigação mostrou que os ganhos funcionais persistiram além do período de treinamento, possivelmente pela manutenção da força, ainda que pequena (ES ≅ 0,3). É possível ainda, que as respostas funcionais e na força observada nas mulheres idosas, sejam resultado da ondulação do volume e da intensidade, pois os estudos supracitados utilizaram a metodologia linear de periodização (33,40,42) ou não periodizado (33,36,37,49,40,42,43).
Sabe-se que o processo de envelhecimento conduz a um mecanismos neuroadaptativo singular que aumenta a probabilidade de desequilíbrios inesperados que consequentemente resultam em queda (18,22,42,44-49). Respostas precisas devem ser selecionadas adequadamente, o que pode ser limitado por fatores neurais e musculares (21,50).
O declínio na capacidade de gerar força (4-19, 34) é o principal fator a contribuir para a queda no idoso (Odd Ratio = 10,3). Todavia, uma maior e melhor distribuição das forças sinérgicas decorrentes do RT, entre extensores e flexores do joelho e quadril contribue para uma melhora no padrão motor durante a caminhada, como sugere algumas diferentes pesquisas (13,44,46-49,51). Assim é possivel que os ganhos funcionais observados nesta investigação (e.i. BBS e 8-foot; tabela 5 e figura 3), sejam reflexos destes mecanismos adaptativos.
De acordo com Rhea et al. (52) a sobrecarga ondulatória no RT imposta ao aparato neuromotor induz ao ganhos de força (ES > 0,80) superiores aos presenciados nas intervenções lineares e fixas. Contudo, recentemente Apell, Lacey e Kell (53) sugeriram que o manejo ondulatório diário por intensidade, conduziu a ganhos menores de força que o modelo linear de periodização, possivelmente por induzir à dor muscular e a fadiga muscular.
Não obstante, a ordenação adequada do estímulo mecanobiológico afeta decisivamente o grau de efetividade do programa de RT. A estruturação ondulatória diária na aplicação das cargas possivelmente induziu a mudanças neuroadaptativas específicas, de ordem qualitativa e quantitativa sobre sistema neuromuscular que derivaram em aumento singular na força muscular após o período de treinamento e manutenção parcial após destreinamento.
É possivel ainda, especular que a ondulação do volume e da carga de treinamento induziu a eletividade das UMs permitiu a combinação das propriedade contráteis das fibras musculares as exigências mecânicas da contração muscular, o que sugere um mecanimos seletivo ou de sincronismo entre SNC e as UMs, como sugerem alguns autores (54-58). Todavia, os ganhos de força não devam ser atrelados unicamente às adaptações neurais como sugerem Carroll, Riek, Carson (35) e Folland e Williams (41), pois a flutuação nas cargas mecânicas podem ter gerade um efeito global líquido na aprendizagem que resultou em ações sinérgicas mais consistentes, que perduram após o interrupmento do estímulo mecânico, a despeito de ter havido um retorno da atividade SEMG aos valores de baseline.
Interessante notar (figura 4) que houve uma grande variabilidade no ganho de força, compatíveis com os achados de Lockhart e Kim (47). Possivelmente,
seja esta, uma neuro-adaptação peculiar da senescência. Contudo, esta claro que o desenho adotado nesta investigação resultou em inequívocos ganhos de força, que foram transferidos para as habilidades funcionais e sustentados após período de destreinamento.
Outras pesquisas buscaram averiguar os efeitos do RT e da periodização do treinamento de força sobre as adaptações nos diferentes sistemas orgânicos em indivíduos idosos (33,36). Todavia, até onde se sabe, esta foi à primeira investigação a propor a ondulação do volume e da carga no treinamento resistido como estratégia viável de aplicação as mulheres idosas. Além disso, foi possível observar a magnitude da transferência dos efeitos residuais da força sobre as habilidades funcionais após um período de destreinamento.
Embora ainda seja cedo para assegurar que a melhora nas habilidades funcionais e um suposto efeito protetor obtidos como o presente modelo de periodização possa ser estendida a populações mais idosas do que as investigadas no presente estudo, a teoria do conhecimento relacionada ao treinamento desportivo sugere que o fenômeno observado, ou seja; a) retenção ainda que parcial da força por um período de destreinamento igual ao treinamento; b) a seletividade da carga para desenvolvimento de habilidades específicas; c) bem como a complexidade da variação da carga e a d) natureza biológica no desenvolvimento das habilidades (e.i. alteração morfológica da força), caracteriza o “Efeito Residual do Treinamento” com descrito por Issurin (57).
3.1.7 Conclusão
Em suma, os resultados apresentados aqui, sugerem que a estratégia concentrada de cargas do treinamento resistido com volume racionalizado e intensidade crescente de forma ondulatória, desencadearam adaptações específicas na força, com subsequente transferência às habilidade funcionais no pós treinamento e manutenção parcial do ganhos após período de inatividade nas mulheres sexagenárias, mesmo havendo retorno da força aos níveis iniciais.
3.1.8 Referências
1. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOBRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE).