2. GEREÇ ve YÖNTEM
2.1 Spor İçin Liderlik Ölçeği (LSS):
A gestão compartilhada, conforme mencionado, torna a rede de pontos de cultura mais complexa, ao inserir outros entes federados. Um dos fatores dessa complexidade é o envolvimento de entes geridos por partidos opositores ao governo central. Pelo fato de o programa Cultura Viva ser um programa comumente identificado como uma política do governo Gil, portanto uma política de gestões petistas, alguns gestores de pontos e pontões de
cultura afirmam que governos de outros partidos podem ter receio de adotar ou mesmo apoiar o programa Cultura Viva.
Tem aquela coisa de gestação de raiz que marca o programa e rotula nesse partido [PT]. Isso é um problema, pois passa a ter ranço entre bandeiras e clãs do sistema eleitoral brasileiro. O cara não vai por grana nem energia numa rede de organizações e pessoas que são do partido oposto, que concorre pelo espaço político da cidade. Então uma prefeitura que tinha um governo PT, perde a eleição e entra um governo PSDB, pode ter certeza que esse programa vai descontinuar, o convênio vai continuar existindo, pois tem direito adquirido, mas vai travar por outros lados: não aprova prestação de contas em tempo hábil, começa a não atender requisitos, repasses atrasam, e vai se criando problemas (Depoimento do Gestor 04, em entrevista concedida em 24/01/2013).
Conforme já mencionado, o primeiro ponto de cultura, do município de Arco Verde (PE), gerou conflito político no município. Por ser convênio federal, o município não tem “poder” institucional para impedir a realização das atividades. Por outro lado, há mecanismos que pressionam as organizações, normativamente, e são usados para que a organização cultural não consiga sustentar seu fazer cultural. Estes mecanismos podem ser repasses que não chegam aos pontos de cultura, atrasos na aprovação de prestações de contas, ou seja, barreias que dificultam as ações das organizações que não dispõem de estrutura para se manter sem os recursos do programa Cultura Viva. Vale observar que esta questão se reflete em políticas públicas de diversas áreas. Para um gestor de ponto de cultura, [...] a Prefeitura não apoia as atividades culturais. Mas estamos aguardando as mudanças políticas (Depoimento do Gestor 25, em resposta ao survey concedida em 03/12/2012).
Essa posição, apesar de existente, deve ser relativizada, dado que não é generalizada. Ao mesmo tempo que alguns estados e municípios criam barreiras ou não apoiam pontos de cultura vinculados com o MinC e pontos de rede estaduais, respectivamente, há relatos da importância do apoio dado pelos órgãos públicos, independente do partido que esteja no poder. Exemplo é o fato de uma das redes de pontos de cultura mais expressivas do programa Cultura Viva ser a rede do estado de São Paulo, governado por um partido de oposição ao governo federal, conforme mencionado por Célio Turino. Outras falas de gestores de pontos de cultura, mesmo expressando receio com períodos de mudança governamental, afirmam que há apoio das prefeituras e secretarias estaduais:
Hoje eu vejo muitas bandeiras dentro dessa rede [de pontos de cultura], desse movimento. Eu vejo todo mundo preocupado inclusive com a apropriação da rede pelos partidos e processos eleitorais. PCdB é um dos partidos que encampam esse programa de uma forma muito grande (Depoimento do Gestor 04, em entrevista concedida em 24/01/2013).
O município foi um importante parceiro para a organização, mas momentos de mudança de governo são sempre complexos. Por meio de parceria com a prefeitura puderam realizar oficinas para captação de recursos, oficinas para divulgar o que é um ponto de cultura, além de poderem usar diversos espaços, como museus, centros culturais, bibliotecas, entre outros. A prefeitura prefere doar equipamentos e materiais para as organizações, já que estes equipamentos e materiais podem não ser aproveitados nas próximas gestões públicas, enquanto as organizações manterão estes equipamentos e materiais em uso (Depoimento do Gestor 25, em entrevista concedida em 25/01/2013).
De acordo com as entrevistas realizadas para a presente pesquisa, a opinião mais presente neste debate é que as prefeituras e governos estaduais, independente da bandeira política, passam a apoiar a organização cultural após a realização do convênio de ponto de cultura, seja porque o convênio garantiu “legitimidade” para a organização, seja porque se abriu diálogo entre os envolvidos, como é possível observar pelos seguintes depoimentos:
[Antes do convênio] Foi realizada uma parceria com a prefeitura para trazer mestres de capoeira para realizar ações na cidade. Os mestres viriam para fazer ações na comunidade, e precisavam de espaço para realizar outras ações, que foi cedido pela prefeitura. O espaço cedido, além de fechado, não tinha cadeiras nem qualquer tipo de apoio. Isso foi o início de um movimento de repúdio feito pelo ponto de cultura, que se juntou a outras organizações para reivindicar maior apoio. Após o convênio [com a secretaria estadual], abriu-se o diálogo entre prefeitura e os pontos de cultura. Por meio do diálogo, estabeleceu-se que as organizações realizariam um planejamento de suas necessidades ao longo do ano, para que a prefeitura pudesse se organizar e atender a essas necessidades. Desde então, o diálogo está aberto e a prefeitura tornou-se parceira da organização (Depoimento do Gestor 09, em entrevista concedida em 23/01/2013).
Dessa forma, é possível afirmar que o programa Cultura Viva conseguiu mudar a relação das organizações culturais com os órgãos públicos, ao abrir um precedente que legitimou as organizações culturais e permitiu diálogo. Este diálogo tem mais importância quando é entendido como uma forma de garantir a continuidade das ações realizadas pelos pontos e pontões de cultura.