Como nosso objetivo maior foi desenvolver uma produção textual utilizando os processos de retextualização – da fala para a escrita - com o gênero textual memórias, selecionamos e analisamos oito produções textuais dos alunos participantes do estudo. Com isso, verificamos o quanto os alunos avançaram na transformação de um texto falado para um texto escrito através do trabalho didático com os operadores discursivos, doravante (OD), propostos por Marcuschi (2010).
Para chegarmos a esses avanços na escrita dos alunos participantes se fez necessário o envolvimento desses com o gênero textual memórias. Inicialmente, disponibilizamos cópias do gênero para leituras coletiva e individual. Após a leitura, apontamos no quadro-negro de forma reflexiva as características textuais mais latentes do gênero memórias.
Em seguida, após as entrevistas dos alunos com os idosos, selecionamos um texto entre os 24 produzidos para trabalharmos coletivamente os operadores discursivos que levariam à retextualização do texto oral para o texto escrito. Nesse texto, apontamos coletivamente na lousa as marcas interacionais presentes no texto falado como (ah, sabe, aí, tava, tou, entre outros) que deveriam ser eliminadas ou substituídos sem prejuízo de comunicação para o texto escrito. Nessa operação, os alunos participantes assimilaram os apontamentos e readequaram as eliminações para os seus textos sempre monitorados pelo professor.
De igual forma, no mesmo texto selecionado, introduzimos a pontuação com base na intuição fornecida pela entoação da fala reforçando que a pontuação é fator preponderante para o entendimento do texto escrito. Por isso, enfatizando sempre que não podemos escrever sem pontuar. Nessa operação os alunos participantes pontuaram seus textos seguindo a intuição (prosódia), mas foi necessário o trabalho coletivo sobre o uso e as diferenças do emprego dos sinais de pontuação.
Na sequência trabalhamos no mesmo texto a retirada das repetições, redundâncias e pronomes egóticos (eu, nós) muito presentes em texto orais, mas desnecessários em produção escrita. Escrevemos na lousa trechos de textos orais em que numa pequena sentença, uma palavra se repetia até três vezes e condensamos para uma sem perder o sentido do texto, pois a informação maior é recuperada no contexto do texto. Exemplo, como apresentamos uma transcrição da fala:
“ [...]Quando eu era pequeno, agente morava em uma tapera encima de uma ladeira sab...,ai um certo dia estava carregando lenha na bicicleta mais ai na ladeira tem um bocado de pedras quando descir a ladeira levei uma queda da mulesta...”
E assim aplicadas às operações de retextualização temos o novo texto:
“[...] quando pequeno morávamos numa tapera no topo de uma ladeira que era cheia de pedras. Certo dia, quando transportava lenha numa bicicleta sofri uma terrível queda que fiquei chorando no chão todo machucado.”
Baseados, nesses exemplos as transformações textuais ocorreram com o auxílio pessoal do professor, autor da pesquisa.
Na quarta operação, em oficinas orientadas pelo professor, sugerimos aos participantes que a paragrafação não necessariamente deve estar associada à pontuação, mas ao agrupamento de conteúdos. Embora os participantes tivessem conhecimento que se tratava de único conteúdo, memórias de idosos, tiveram a preocupação de dividir em parágrafos distintos, como por exemplo, as brincadeiras de crianças ficaram separadas de uma aventura lembrada.
Em seguida, trabalhamos a quinta operação que consiste em marcas metalinguísticas para referenciação de ações e verbalização de contextos expressos por dêiticos. Aproveitando trechos das próprias produções dos alunos, o professor identificou e listou na lousa os dêiticos pronominais, dêiticos de tempo e de espaço bem presentes no gênero textual memórias. Reforçando para os participantes da pesquisa que expressões como “eu, aqui, ontem” presentes nos textos dos alunos são dêiticas por que há referentes que podem ser identificados no contexto e na situação enunciativa através do acompanhamento atento do leitor. Após uma reflexão, os participantes foram levados a identificar os referentes dessas expressões em outros textos.
Na sequência, trabalhamos a sexta operação discursiva, apontamos os truncamentos e as ocorrências da falta de concordâncias e de encadeamentos presentes nos textos orais, mas sem problemas textuais de comunicação, porém comprometedores para a escrita. O reforço no trabalho de concordância verbal e nominal, além dos encadeamentos necessários para um adequado texto escrito. Entre vários exemplos
citamos que a expressão “a gente brincava” é adequada para a fala ou textos escritos numa situação de comunicação informal. Porém, essa mesma expressão deve ser substituída por “brincávamos” para textos que requeiram uma comunicação formal. Dessa forma, e através de outros exemplos, os participantes adequaram os seus textos para a escrita.
Na última operação trabalhada, o professor solicitou aos participantes que identificassem qualquer expressão que comprometesse a compreensão geral do texto. Tarefa auxiliada por pesquisa no dicionário. Por outro lado, identificaram no léxico do texto, expressões que poderiam ser substituídas por outras mais formais adequadas para o texto escrito. Citamos o exemplo da substituição de “carregando lenha,” expressão presente na transcrição, por “transportava lenha,” expressão presente na retextualização final. Esse trabalho foi minucioso, pois trabalhamos, individualmente, as produções dos alunos participantes.
No geral, a grande importância de se trabalhar o ensino de Língua Portuguesa através dos gêneros textuais é a singularidade em oportunizar um melhor aprendizado da língua em seus diferentes aspectos.
Os quadros que compõem as análises foram compostos da transcrição (T) da fala dos idosos, da retextualização inicial (RI) e da retextualização final (RF) produzidas pelos participantes.
Quadro 05: Transcrição e Produções textuais *Rafael
Transcrição Retextualizações
*Rafael
T Como era as brincadeiras de antigamente? Ah, minha infância não foi muito de divertimento, não brincava muito. Como era mais velho dos meus irmãos tinha que trabalhar ajudando meu pai para sustenta a família, sabe ...,ai as poucas brincadeiras que brincava era caçar com meus amigos, pique esconde, pega – pega, tila – tila , cai no poço, mais a brincadeira que mais gostava era jogar bola, mais só de noite ...,porque como de dia trabalhava eu só tinha tempo pra brincar de noite. E uma
*Rafael
RI Como era as brincadeiras de antigamente?
Minha vida não foi muito de divertimento, não brincava muito. Como era o mais velho dos meus irmãos tinha que trabalhar ajudando meu pai para sustentar a família. As poucas brincadeiras que brincávamos era: caçar passarinho, pique-esconde, pega-pega, tila-tila, cai no poço. Mais a brincadeira que mais gostava era jogar bola, mas como só podia jogar a noite, por que de dia trabalhava eu só tinha tempo pra brincar de noite.
aventura que o senhor teve? Quando eu era pequeno, agente morava em uma tapera encima de uma ladeira sab...,ai um certo dia estava carregando lenha na bicicleta mais ai na ladeira tem um bocado de pedras quando descir a ladeira levei uma queda da mulesta que descir de cabeça a baixo que fiqui chorando no chão todo relado.ai pra completar quando chegue em casa levei um piza.
Quando eu era pequeno, agente morava em uma tapera em cima de uma ladeira, um certo dia estava carregando lenha na bicicleta, mais na ladeira tem um bocado de pedras, quando desci levei uma queda da mulesta que fiquei chorando no chão todo relado, pra completar quando cheguei em casa levei uma piza.
RF Como eram as brincadeiras de antigamente?
Na minha infância não houve muito divertimento, pouco brincava. Como era o mais velho dos irmãos, tinha que trabalhar ajudando o meu pai no sustento da família. As poucas brincadeiras eram caçar com meus amigos, pique esconde, pega-pega, tila-tila, cai no poço, mas, a que mais gostava era jogar bola a noite, pois durante o dia trabalhava.
E uma aventura? Quando pequeno morávamos numa tapera no topo de uma ladeira que era cheia de pedras. Certo dia, quando transportava lenha numa bicicleta sofri uma terrível queda que fiquei chorando no chão todo machucado. Para completar, ainda apanhei em casa.
No quadro cinco registramos as seguintes operações presentes no texto de *Rafael:
OD1: os marcadores típicos da conversação “ah(1x), aí (4x) e sabe (1x)” presentes na fala são eliminados em sua RF;
OD2: a pontuação segue a entoação da fala, em alguns casos indicados por (...). No trecho da T: “Como era mais velho dos meus irmãos tinha que trabalhar ajudando meu pai para sustenta a família, sabe ...,ai as poucas brincadeiras que brincava era.” Na RF: “Como era o mais velho dos irmãos, tinha que trabalhar ajudando o meu pai no sustento da família. As poucas brincadeiras eram;”
OD3: As repetições são eliminadas. No trecho da T: “Quando eu era pequeno, agente morava em uma tapera encima de uma ladeira sab...,ai um certo dia estava carregando lenha na bicicleta mais ai na ladeira tem um bocado de pedras quando
descir a ladeira levei uma queda.” Em sua RF o aluno reduz a incidência da expressão ladeira de (3X, T) para (1X, RF) usando conectivos, sem prejuízos da compreensão textual: “Quando pequeno morávamos numa tapera no topo de uma ladeira que era cheia de pedras. Certo dia, quando transportava lenha numa bicicleta sofri uma terrível queda.”
OD4: Em sua RF a definição dos parágrafos se realiza pela separação dos conteúdos: as brincadeiras da época ficam no primeiro parágrafo; e a narrativa de uma aventura no segundo parágrafo. Os textos apesar de serem prioritariamente monologados, os parágrafos, neste caso, são definidos a partir do turno do aluno entrevistador.
OD5 a OD7: Em sua RF o pronome “eu” e a expressão “a gente” são retirados, embora o verbo continue em primeira pessoa do singular. Noutros casos é substituído por verbos na primeira pessoa do plural do pretérito imperfeito do indicativo. Construções típicas de narrativas que demonstram ações que se repetiam no passado. Exemplo, T: “Quando eu era pequeno, agente morava em uma tapera. RF: Quando pequeno morávamos numa tapera.” Quanto ao estilo lexical as seguintes expressões da fala presentes na T: “relado, em cima, levei uma queda da mulesta” foram substituídas respectivamente na RF por “machucado, no topo, sofri uma terrível queda.”
Para Hilgert (1990, p. 9) em relação a textos falados “atividades de formulação são aqueles procedimentos a que recorrem os interlocutores para resolver, contornar, ultrapassar ou afastar dificuldades, obstáculos ou barreiras de compreensão”.
Na RF de *Rafael é possível observar uma grande condensação do texto. Isso ocorreu em virtude do texto apresentar na T um grande volume de marcas interacionais, repetições e truncamentos que desapareceram na escrita.
Quadro 06: Transcrição e produções textuais *Pedro
Transcrição Retextualizações
*Pedro
T Eu me chamo Sandoval tenho 81 anos
nasci em Assu me criei em Assu mas conheci 49 cidades do Brasil já me casei duas vezes.
Eu sou agricultor desde pequeno tenho 2 filhos uma mora em São Paulo e o outro mora aqui em Bento Fernandes, eu quando
*Pedro
RI Sou Sandoval tenho oitenta e uma anos.
Nasci e me criei em Assu.RN.
Conheço quarenta e nove cidades do Brasil; casei-me duas vezes; sou agricultor desde criança; tenho dois filhos, uma mora em São Paulo e o outro em Bento Fernandes.
criança nós brincava de cobra-sega, talo de jerimum e também de boi de osso, os namoro do meu tempo era assim ela no sofá e o rapaz na porta da sala e os pais dela só olhando.
Quando criança brincávamos de cobra- cega, boi de osso e talo de jerimum.
Os namoros do meu tempo ocorriam da seguinte forma: a moça sentava-se no sofé e o rapaz na outra ponta na porta da sala, enquanto os pais dela só olhavam.
RF Sou Sandoval, 81 anos, agricultor desde
pequeno. Nasci e me criei em Assu/RN, mas conheço 49 cidades do Brasil. Casei-me duas vezes e tenho dois filhos: uma mora em São Paulo e o outro aqui em Bento Fernandes.
Quando criança, brincávamos de cobra- cega, talo de jerimum e boi de osso.
Os namoros naquela época eram assim: a moça sentava-se no sofá, o rapaz na outra ponta junto à porta da sala enquanto os pais dela olhavam.
No quadro seis registramos as seguintes operações presentes no texto de *Pedro: OD2 na T não há qualquer pontuação, porém em sua RF a pontuação é fundamentada na prosódia.
OD3 em sua RF retira o “eu (pronome egótico)” deixando apenas os verbos no presente.
OD4 Na RF divide a sua produção em três parágrafos agrupados por conteúdos: No primeiro, apresentação da personagem; no segundo, enumera as brincadeiras da época de criança ditas pela personagem e por último, relata, como eram os namoros na época, segundo a personagem. Entende-se que para a compreensão da escrita naturalmente se faz necessária à pontuação.
OD5 a OD7 em sua T “os namoro do meu tempo era assim ela no sofá e o rapaz na porta da sala e os pais dela só olhando.” Na RF “Os namoros naquela época eram assim: a moça sentava-se no sofá, o rapaz na outra ponta junto à porta da sala enquanto os pais dela olhavam.” Não há um referente para os dêiticos “ela e dela,” situação em que o produtor substituiu o pronome “ela” pelo substantivo “moça” que passa a ser o
referente da última expressão. A expressão na T “só olhando” é substituída na RF por “olhavam.” Opção por nova estrutura sintática adequada à escrita.
Para Antunes (2003, p. 101) o professor de português deve intervir diante das modalidades oral e escrita para que “O confronto entre uma e outra – desde que se considere os mesmos níveis de registro (fala formal e escrita formal, por exemplo) – pode ser bastante produtivo para a compreensão daquelas similaridades e diferenças para o entendimento das mútuas influências de uma sobre a outra.”
Na RF de *Pedro, os parágrafos ocorreram exaustivamente sem a preocupação quanto ao pequeno número de linhas. Porém, o participante atendeu aos objetivos dos OD ao separá-los por assuntos.
Quadro 07: Transcrição e produções textuais *Carlos
Transcrição Retextualizações
*Carlos
T Eu lembro muito na época que eu com 6 a 7
anos íamos pegar leite lá no Riacho Fechado I, eu e a minha irmã aí sempre sempre eu fazia umas travessuras era quebrar litros e chegava em casa colocava culpa na irmã sem ela ter culpa de nada ai quem levava os enfrego todo era ela eu ficava por fora porque acreditavam em mim que era o mais novo e ela era mais velha ai pronto ela que levava os enfrego
E tem mais tem outra que foi no tempo que eu com meus 12 anos a travessura que fiz foi disparar uma espingarda dentro de casa mas era só pras paredes, mas nunca mostrei espingarda pra ninguém era só pras paredes, era uma brincadeira que eu passei medo, a espingarda disparou dentro de um quarto uma 20 pra tanger uma galinha de cima da cama uma galinha choca, pegei a espingarda de papai ai nem botei aqui no peito sabia lá que danado ia disparar. Papai tinha esquecido de tirar o cartucho ai ele mandou eu guardar a
*Carlos
RI Na época , lembro muito que entre seis e
sete anos íamos pegar leite no Riacho Fechado I. Ia junto com a minha irmã. Sempre fiz travessuras como quebrar litros e colocava a culpa nela, pois meus pais acreditavam em mim que era o mais novo Ela que levava os esfregos e eu ficava de fora.
A maior travessura que fiz foi aso doze anos; disparei uma espingarda dentro da minha casa, o alvo foi as paredes mas passei por um grande medo. Tudo issoo foi pra tanger uma galinha choca que estava em cima da cama. Não sabia que ia disparar, papai pediu para eu guardar e esqueceu de tirar os cartuchos. Isso foi no sábado e a tragédia no domingo.
RF Lembro muito que entre 6 e 7 anos ia
junto com a minha irmã pegar leite no Riacho Fechado I. Sempre fiz travessuras como quebrar litros e colocava a culpa nela. Meus
espingarda no sábado ai no domingo foi essa tragédia.
pais acreditavam em mim por ser o mais novo. Sempre fiquei por fora e ela que levava todas as broncas.
Lembro-me de uma grande travessura quando estava com os meus 12 anos. Sempre disparava uma espingarda nas paredes de casa, mas nunca apontei para ninguém. Nessas brincadeiras passei por um grande susto: No quarto, disparei por acidente uma espingarda 20 apenas para assustar uma galinha que estava em cima da cama. Era uma arma de papai que ele pediu-me para guardar, só que ele se esqueceu de remover os cartuchos. Guardei no sábado e a tragédia foi no domingo.
Carlos:
No quadro sete registramos as seguintes operações presentes no texto de * OD1: os marcadores típicos da conversação como: “aí (5x), sempre, sempre e aí pronto” são eliminados.
OD2: T: “Eu lembro muito na época que eu com 6 a 7 anos íamos pegar leite lá no Riacho Fechado I, eu e a minha irmã aí sempre sempre eu fazia umas travessuras era quebrar litros e chegava em casa colocava culpa na irmã sem ela ter culpa de nada ai quem levava os enfrego todo era ela eu ficava por fora porque acreditavam em mim que era o mais novo e ela era mais velha ai pronto ela que levava os enfrego.” Trecho da T com muitas orações sem a presença de pontuação. Em sua RF a pontuação segue a entoação que geralmente é marcada por pausas com a expressão aí: “Lembro muito que entre 6 e 7 anos ia junto com a minha irmã pegar leite no Riacho Fechado I. Sempre fiz travessuras como quebrar litros e colocava a culpa nela. Meus pais acreditavam em mim por ser o mais novo. Sempre fiquei por fora e ela que levava todas as broncas.”
OD3: Na RF elimina as repetições “sempre sempre,” reduz a ocorrência do pronome “ela” de quatro para uma.
OD4: Na RF as duas travessuras narradas pelo falante foram divididas em dois parágrafos. Divisão feita de acordo com os conteúdos.
OD5 a OD7 Na RF os verbos em primeira pessoa dispensaram o pronome “eu” presentes na T. O pronome ela (5X) na T foi sistematicamente substituído ou transformado noutras construções sintáticas mais condensadas como: T: “chegava em casa colocava culpa na irmã sem ela ter culpa de nada,” RF: “colocava a culpa nela.” Ou, T: “acreditavam em mim que era o mais novo e ela era mais velha”. RF: “Meus pais acreditavam em mim por ser o mais novo.” Em relação ao léxico na T: “ela que levava os enfrego”. RF: “ela que levava todas as broncas. Enfrego (variação do verbo esfregar usada no Nordeste do Brasil. Significa flexão de esfregar: ato de fazer pressão, um corpo sobre o outro, friccionando no mesmo lugar várias vezes).” Nesta região do país, assume, entre outros, o sentido de castigo físico ou moral que os pais aplicam aos filhos. Eliminou a expressão “lá” pelo fato da escrita já constar o local de referência (Riacho Fechado). T: “a espingarda disparou dentro de um quarto uma 20 pra tanger uma galinha de cima da cama uma galinha choca, pegei a espingarda de papai ai nem botei aqui no peito sabia lá que danado ia disparar.” Na RF há uma condensação do período, pois na primeira afirmação da T o falante não deixou claro quem disparou a espingarda, na segunda afirmação, utiliza-se do contexto físico para orientação espacial (ai nem botei aqui no peito sabia lá que danado ia disparar.). Na RF condensa numa só afirmação: “No quarto, disparei por acidente uma espingarda 20 apenas para assustar uma galinha”.
Koch (2012) afirma que o texto falado possui sua estrutura própria de acordo com as circunstâncias sociocognitivas de sua produção devendo ser descrito e avaliado a partir dessa concepção.
Na RF de *Carlos ocorreu, entre os operadores discursivos trabalhados, uma maior ênfase na retirada dos truncamentos e um maior emprego das concordâncias e um encadeamento das ideias.
Quadro 08: Transcrição e produções textuais de *Luiz
Transcrição Retextualizações
*Luiz
T Sou um rapaz que trabalhou pelo mundo
sem irmão, com isso, eu aprendi a passar, a