3. TÜRKİYE’DE KURUMSAL YÖNETİME İLİŞKİN ÇALIŞMALAR
3.2 SPK TARAFINDAN KURUMSAL YÖNETİME İLİŞKİN YAPILAN
3.2.1 SPK Kurumsal Yönetim İlkeleri ve 2008 Düzenlemesi
A potencialidade humorística a partir das idiossincrasias de uma sociedade, sua política e seus valores estiveram presentes e atravessaram a história política e cultural do Brasil desde o Império até os dias atuais.
O contexto político e social do Brasil é e sempre foi atravessado por contradições, contrastes e incoerências. Essas características fazem emergir um modo de olhar, analisar e criticar as relações sociais, bastante peculiares ao Brasil. Trata-se da manifestação humorística na imprensa que caracteriza um estilo crítico – político – social de percepção da realidade política brasileira.
Os textos de cunho humorístico começaram a circular a partir de 1821, com o fim da censura, em que se iniciou a representação humorística na história da imprensa brasileira. Essa representação e linguagem foram exploradas em diversos temas, mas foi nos assuntos políticos que eles se sobressaíram. É válido ressaltar, de acordo com Izabel Lustosa (2000), que os jornais desse período não surgiram com a intenção de fazer humor, uma vez que o artifício humorístico aparecia como simples resultado da polêmica e da ausência de argumentos nas discussões sobre a realidade social da época.
As características sociais e políticas do Brasil pós-censura da imprensa fizeram emergir diversos periódicos, cujos temas variavam entre política,
saúde, literatura, artes e humor. Com o avanço das técnicas de impressão e a democratização da imprensa aumentou o número de exemplares distribuídos e concomitantemente o número de leitores. Com isso fez-se necessária à criação de uma linguagem que deveria condizer com a realidade dos leitores, pois os periódicos iriam atingir um público com menor grau de instrução.
De acordo com Elias Thomé Saliba (2002), a tradição da representação humorística no Brasil presente no jornalismo satírico da Regência e nos folhetins cômicos do Segundo Reinado, que atuavam sempre à margem dos jornais, obras e produção da escrita, se potencializaram e se aprofundaram no momento de transição entre a Monarquia e a República devido aos constantes conflitos e às lutas políticas. Esse período foi marcado por intensos contrastes, ambiguidades e tensões na medida em que os tempos se atravessavam. Passado e futuro estavam sobrepostos e a representação do Brasil e da sociedade brasileira ocorria a partir do não sentido ou da criação de um sentido. A ausência de sentido e a recriação do mesmo são características intrínsecas do fazer humor.
A crítica, a partir de elementos humorísticos dos acontecimentos políticos é mais visível, se inserida em um contexto político democrático que em um regime autoritário, pois o primeiro supõe a liberdade na arte de criar e na disponibilidade de veiculação da produção. Já em um sistema de governo autoritário, eles são obstaculizados e interditados, visto que esse tipo de sistema não admite críticas.
A história do Brasil foi marcada por regimes autoritários, o que significa dizer que no período da ditadura foi praticamente impossível a publicação desse elemento jornalístico de caráter opinativo e de crítica política nos meios de comunicação convencionais ou, até mesmo, em fontes alternativas de informação, salvo o periódico O Pasquim15. A partir dos anos 80 a publicação
das charges é viabilizada como crítica política da conjuntura nacional.
O período correspondente à Ditadura Militar no Brasil (1964 -1985) foi marcado por um intenso processo de censura política, autoritarismo e repressão, exercido em todos os âmbitos da sociedade. Todavia, partes da
15 Em 1969, surgiu no Rio de Janeiro o jornal de oposição à ditadura militar “O Pasquim” que
enfrentou com o riso a repressão e a censura. Ver documentário “O pasquim, a subversão do humor” em http://www.camara.gov.br/Internet/tvcamara/default.asp?selecao=MAT&Materia=17536
imprensa, a pequena imprensa, com o objetivo de resistir ao arbítrio do governo se rebelaram às imposições de censura e tentavam dizer, sugerir e insinuar a partir de figuras de linguagem, metáforas, elipses, eufemismos e antíteses os acontecimentos, as incoerências e as contradições do regime militar e as criticas ao mesmo.
Inseridos nesse contexto de contenção de idéias e dificuldades de expressão, o fazer rir a partir da utilização do instrumento chargístico como crítica política fez-se por meio do periódico O Pasquim (1969 – 1982). Uma vez que os possíveis canais de expressão sofriam a interdição, ocorreu um fortalecimento do humor político, visto que, através de códigos, metáforas e linhas tortas as charges noticiavam e criticavam fatos que não podiam se fazer públicos.
O Pasquim, tinha como objetivo estabelecer a critica aos costumes e
fazer humor a partir e com as peculiaridades do bairro de Ipanema que tinha em suas ruas e na vida cotidiana a presença de artistas, músicos, atores, desenhistas autores e escritores, e também, com os contrastes de uma classe média atrasada.
A singularidade do Pasquim se apresenta não só pelo contexto político no qual esteve inserido, caracterizado pela repressão à imprensa, mas também devido às diferenças de sua composição. O Pasquim difere dos outros jornais em questões como a ausência de pautas, a descontinuidade de matérias, a contribuição pessoal e independente, o não critério de diagramação, os debates entre os autores que compõem o jornal sobre o mesmo tema e a agregação a cada página de elementos visuais que vão aparecer no mesmo grau de importância dos textos, seja em quantidade, seja em qualidade de veiculador de mensagens. As charges e o humor no Pasquim se apresentam não de maneira isolada e marginal, mas sim como elemento central do jornal que tratavam sobre todos os assuntos com o determinante da atualidade.
Segundo José Luis Braga (1991), O Pasquim não tinha a política como seu tema principal. Ele era atravessado por diversos assuntos, dentre eles: futebol, cinema, música, teatro, direito da mulher, psicanálise, drogas, cinema e outros objetos da vida cotidiana. A política esteve presente, mas o foco central eram os temas dos costumes da sociedade carioca da época. É nesse ponto que o site Charges.com se aproxima ao Pasquim.
O Pasquim foi um jornal semanal atrelado à atualidade e caracterizado por comentários, análises e opiniões a partir da releitura de grandes assuntos dos jornais diários. Os textos de cada autor possuíam características diversas e eram marcados pela pessoalidade dos jornalistas que o compunham, as linguagens, a sonoridade próxima da oralidade, a criação de expressões, a individualidade e a subjetividade de cada autor produzia a irreverência e a característica humorística do jornal.
Ele incomodava o regime militar, mas não era de forma explícita, enquanto acusação. Eram pequenas e freqüentes provocações. Entretanto a sutileza da crítica não impediu a prisão da equipe do Pasquim. O possível objetivo da prisão era a extinção do jornal, uma vez que os principais colaboradores estavam presos, porém se este era o objetivo, ele não se concretizou.
A utilização do humor como arma de ataque político é um fenômeno antigo no Brasil e no mundo, mas de acordo com Minois (2003) o que ocorre a partir do século XX é o uso do humor pela política, podendo ser utilizado até mesmo para atrair eleitores, o riso passa a ser um produto de consumo.
2.2.2.O humor no cenário contemporâneo
A representação humorística dentro de um contexto de rápido aperfeiçoamento dos meios de comunicação aparece enquanto prática aprisionada nos limites do não sério. Ele é utilizado, no contexto contemporâneo, como receita eleitoral, argumento publicitário e garantia de audiência para os meios de comunicação (LIPOVETSKI, 1983).
Segundo Minois (2003), atualmente o humor não tem efeitos esperados, críticos, ele passa a ser tolerante enquadrado e até mesmo utilizado pelo poder. O contrapoder do riso é aceito nas democracias modernas uma vez que passou a ser útil para sua manutenção.
“O caricaturista, o intelectual zombador, o comediante parodístico apenas retomam o papel do bufão do rei. Ora, o bobo do rei nunca pôs em risco a monarquia, ao contrário. O humorista político contemporâneo também não ameaça os políticos do momento, e estes evitam puni-lo.” (MINOIS, 2003: 597)