• Sonuç bulunamadı

2.4. Ökaryotik Hücrelerde Transkripsiyon

2.4.2. Spermatogenik Hücrelerde Posttranskripsiyonel

No Brasil, em 2009, o trabalho doméstico remunerado abrigou 7.223 mil pessoas, das quais 93,6% (o equivalente a 6.761 mil) eram mulheres, conforme os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme podemos observar na tabela 1, aproximadamente metade dos trabalhadores domésticos estava na região Sudeste (46,1%) em 2009, seguida da região Nordeste (24,3%) e da região Sul (13,8%).

Conforme relatórios da Organização Internacional do Trabalho (ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO, 2012), o Brasil é o país que mais emprega trabalhadoras domésticas remuneradas no mundo. O que representa condições de vida e de trabalho precárias, uma vez que essas mulheres recebem baixos salários, possuem poucos anos de estudos e vivem à margem dos direitos e dos benefícios sociais.

Tabela 1 - Estimativa e percentual de trabalhadores domésticosBrasil e Grandes Regiões - 2009 Números Brasil e Grandes Regiões Em 1.000 pessoas Em % Norte 495 6,9 Nordeste 1.755 24,3 Sudeste 3.332 46,1 Sul 999 13,8 Centro-Oeste 643 8,9 Brasil 7.223 100,0

Fonte: DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍS TICA E ESTUDOS SÓCIO- ECONÔMICOS, 2012a

O setor doméstico foi responsável por 17,0% de toda a ocupação feminina, seguido de comércio e reparação (16,8%) eeducação, saúde e serviços sociais (16,7%). As mulheres empregadas na categoria de trabalho doméstico remunerado – mais de 6,7 milhões – são, na maioria, negras (categoria em que, nos dados da Pnad, estão incluídas pretas e pardas), com um percentual de 61,7%. As nãonegras representam 38,3%. Quando se considera o conjunto de setores de atividade econômica no país, percebe-se que é no emprego doméstico que está concentrada a maior proporção de mulheres negras.

Esse perfil de empregabilidade elucida questões importantes sobre as raízes do trabalho doméstico no Brasil, para além dos debates teóricos conceituais sobre o mercado informal. Da participação da mulher no mercado de trabalho não decorrem, necessariamente, bons salários e empregos, nem mesmo a correção das desigualdades de distribuição de renda como forma de redução da pobreza. Muitas mulheres, ao ingressarem no mercado de trabalho, assumem posições em setores de atividades tradicionalmente de mulheres, denominados pelo mercado como de “ocupação feminina”, como cuidar de crianças, preparar alimentos e trabalhar na limpeza, persistindo a herança da divisão sexual do trabalho e do trabalho realizado pelo escravo.

O trabalho doméstico, o cuidado com a casa, com os filhos, com a roupa têm sido tarefas realizadas pelas mulheres e, talvez por isso mesmo, no vocabulário brasileiro, têm estado associados à submissão, inicialmente, tendo sido realizados pelo trabalho escravo dos negros e, posteriormente, por mulheres brancas ou negras.

Segundo Hirata (2011, p.156), o trabalho do “care” nos endereça às esferas do privado, do doméstico, à família. O care também nos remete à questão de gênero, uma vezque a atividade está intrinsecamente naturalizada, como se fosse inerente à posição e à disposição (habitus) femininas. Ou seja, o trabalho doméstico e os serviços domésticos são expressões concretas da divisão sexual do trabalho, regulada em uma lógica cultural própria, instituindo

que as atividades domésticas cabem naturalmente às mulheres e não a reconhece como uma contribuição socialmente importante para a reprodução da espécie humana e da força de trabalho, muito menos para garantia de seu bem-estar.

Para Bruschini (2006) e Sanches (2009) a articulação entre o espaço público e o reprodutivo vem instigando a literatura sobre o trabalho feminino produzido no Brasil nas décadas atuais que evidencia a articulação entre o espaço produtivo e o reprodutivo, buscando dar visibilidade a formas de trabalho majoritariamente assumidas por mulheres. Esses trabalhos indicam a importância de se desnaturalizar o emprego doméstico colocando-o na categoria de uma profissão, visando assegurar o desenvolvimento de políticas e ações de redução da pobreza e das desigualdades, uma vez que essa categoria soma milhares de trabalhadoras no Brasil.

O trabalho doméstico remunerado está historicamente marcado por preconceitos, estigmas e invisibilidade na sociedade brasileira; as pessoas que ocupam esse lugar são mulheres negras com baixa escolaridade. As condições dos usos nesse mercado retornam ao período escravocrata, permanecendo até os dias de hoje, sustentadas nas habilidades do cuidado, reforçando a concepção de “guetos femininos” no mercado de trabalho. É importante dizer que o trabalho doméstico remunerado, como é realizado no espaço privado, ainda carece de reconhecimento, valorização, de darem visibilidade a essa categoria profissional. Nas palavras de Hirata (2010), “as empregadas domésticas diaristas não são plenamente cidadãs, nem trabalhadoras, mas sim mulheres que não têm direito a FGTS, seguro-desemprego, indenização de acidente de trabalho e horas extras”. O ideal seria o reconhecimento das profissões independentemente dos sexos, fora de uma divisão sexual do trabalho. Nos dias atuais, essa condição, especialmente das trabalhadoras diaristas, ainda permanece, como veremos mais adiante neste capítulo.

No período de 2004 a 2011, a proporção de mulheres negras ocupadas nos serviços domésticos no país cresceu de 56,9% para 61,0%, ao passo que, entre as mulheres não negras, observou-se uma redução de 4,1 pontos percentuais, com essa participação correspondendo a 39,0% em 2011. Em todas as regiões do Brasil, prevalece um movimento de elevação do percentual de trabalhadoras domésticas negras, exceto para a região Norte, onde passou de 79,6%, em 2004, para 79,3%, em 2011.

A região Sudeste registrou o maior aumento de mulheres negras ocupadas no trabalho doméstico no período, com o percentual correspondendo a 52,3% em 2004 e atingindo 57,2% em 2011. Esses dados são visualizados no gráfico 1.

Gráfico 1-Distribuição das mulheres ocupadas nos serviços domésticos por cor/raça Brasil 2004 e 2011 (em %)

Obs.: Negras = Pretas e Pardas; e Não negras = Brancas, amarelas e indígenas.

Fonte: DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍS TICA E ESTUDOS SÓCIO- ECONÔMICOS,2013

Esses dados estatísticos apresentam um número elevado de mulheres negras na categoria de trabalhadoras domésticas. Assim, é possível levantar a hipótese de que esse elevado número esteja relacionado ao contexto histórico do Brasil, onde existe a associação entre atividade doméstica e escravidão, uma vez que as tarefas da casa eram delegadas às mulheres negras e, somente após a abolição da escravidão, aos brancos. Nos dias atuais, ainda existem resquícios dessas relações escravocratas no trabalho doméstico, persistindo, ainda, relações de preconceito e desrespeito aos direitos humanos e aos direitos no trabalho. As relações de trabalho são marcadas, muitas vezes, por relações interpessoais e familiares, desvalorizando as características profissionais.

Portanto, essas características retratam que a herança escravista da sociedade brasileira ainda afeta a categoria da trabalhadora doméstica remunerada, que em geral possui poucos anos de estudo e representamaiores índices de pobreza, especialmente as mulheres negras. Tudo isso faz com que essa categoria de trabalho seja estigmatizada, desvalorizada e alvo de desigualdades entre homens e mulheres e de raça.

Esses dados nos levam a afirmar que o trabalho doméstico remunerado caracteriza-se como locus de pobreza; esse lugar possui cor e gênero e aproxima-se intimamente da pobreza e da miséria.

Tabela 2- Distribuição das empregadas domésticas por escolaridade, segundo cor/raçaBrasil 2004 e 2011 (em %)

2004 2011

Escolaridade Negras negras Não Total Negras negras Não Total

Analfabeto 11,2 7,5 9,6 8,9 5,2 7,5 Fundamental incompleto ou equivalente 56,7 59,0 57,7 48,3 50,0 48,9 Fundamental completo ou médio 20,2 20,6 20,4 23,0 23,4 23,1 Médio completo ou superior incompleto 11,0 11,8 11,3 18,5 19,8 19,0 Superior completo 0,0 0,2 0,12 0,7 1,2 0,9 Sem declaração 0,8 0,9 0,9 0,6 0,5 0,6 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0

Nota: Inclui as alfabetizadas sem escolarização

Obs.: Negras = Pretas; e Pardas e Não negras = Brancas, amarelas e indígenas.

Fonte: DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍS TICA E ESTUDOS SÓCIO- ECONÔMICOS,2013

Quando analisamos a escolaridade, verificamos que uma grande parcela das trabalhadoras domésticas possui apenas o ensino fundamental incompleto ou equivalente (alfabetizadas sem escolarização), com taxa percentual de 48,9% no ano de 2011. Foi elevada também a proporção das mulheres com fundamental completo ou médio incompleto (23,1%). Os dados também indicam que a mulher negra tem menos anos de estudos que a não negra. Podemos dizer que a significativa presença de domésticas ocupadas com poucos anos de estudo retrata o lugarque o trabalho doméstico possui na sociedade brasileira, percebido como uma atividade para a qual não é exigida qualificação profissional, o que sustenta e fortalece a desmotivação e a desvalorização das mulheres que ocupam esses espaços.

Os dados apontam uma evolução no nível educacional da trabalhadora doméstica remunerada, e, consequentemente, este resultado reflete na realidade do trabalho doméstico. No período de 2004 a 2011, a parcela de domésticas no ensino fundamental completo e médio incompleto aumentou de 20,4% para 23,1%. O maior aumento (7,7 pontos percentuais) foi

destacado entre as trabalhadoras domésticas ocupadas com ensino médio completo ou superior incompleto, no mesmo período. Conforme podemos observar na tabela 2, o cresimento da escolaridade pode possibilitar uma inserção em atividades dentro de segmentos que exijam maior qualificação, como a área de saúde, o comércio, atividades de babá, dentre outros.

Com basenos dados da PED denominada Estudos & Pesquisas n. 68, de agosto de 2013, publicada pelo DIEESE, podemos verificar também que as mulheres com idade acima de 60 anos são aquelas que possuem o ensino fundamental incompleto ou são analfabetas. Uma hipótese para justificara baixa escolaridade seriam as limitações que sua geração enfrentou para estudar e se qualificar. Em 2011, os níveis de analfabetismo observados representavam 19,5% para as domésticas ocupadas entre 60 a 64 anos e em 24,6% para aquelas com mais de 65 anos (DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SÓCIO-ECONÔMICOS, 2013).

O número de empregados domésticos com idade de 70 anos ou mais cresceu 40% em dois anos no Brasil, passando de 30.712 em 2009 para 51.859 em 2011, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). No ano de 2009, aproximadamente 2 milhões de trabalhadores tinham entre 30 e 39 anos, o grupo com a maior representatividade de ocupados na categoria. Em 2011, esse número caiu para 1,8 milhão. Os empregados entre 25 e 29 anos também apresentaram queda significativa, de 802 mil para 509 mil no mesmo período de comparação, ou seja, quase 40%, segundo os dados do IPEA de 2011.

Uma das hipóteses para explicar esse contexto é o aumento da escolaridade das mulheres mais jovens, que, com maior qualificação, possuem perspectivas de encontrar outras colocações no mercado de trabalho, distintas do socialmente desvalorizado trabalho doméstico. As entrevistas realizadas com as trabalhadoras diaristas por esta pesquisadora revelam que as filhas dessas mulheres não seguiram a mesma trajetória da mãe em razão do aumento da escolaridade e das oportunidades de inserção em outras ocupações, especialmente no comércio, conforme veremos mais adiante.

Como as mulheres diaristas que participaram desta pesquisa residem na Região Metropolitana de Belo Horizonte, considerei relevante trazer alguns dados do perfil da categoria profissional das trabalhadoras domésticas remuneradas dessa região.

5.2.2 Perfil da trabalhadora doméstica remunerada na Região Metropolitana de Belo

Benzer Belgeler