VI. grup: Şekil 2.17 gösterilen boratlar ve karboranlar gibi anyonları barındıran (Clare vd 2009).
4.1. Spektroskopik Bulgular
Este estudo teve como finalidade investigar as condições em que se realiza o trabalho docente na educação infantil pública, em Belo Horizonte, a partir da promulgação da Lei nº. 8.679/2003 e do Programa Primeira Escola. Esta análise foi realizada à luz das contribuições de autores que abordam a temática do trabalho docente na contemporaneidade, na perspectiva marxista e discutem aspectos como a re-estruturação das práticas e formas do trabalho, as reformas e as novas regulações educacionais.
Os procedimentos metodológicos constituíram-se em revisão bibliográfica sobre os temas concernentes ao estudo, em pesquisa documental e em pesquisa de campo em uma UMEI e em uma escola de educação infantil da RME/BH. Para a coleta de dados, foram utilizados os seguintes instrumentos: questionário, observação, entrevista semiestruturada e grupo focal, tendo em vista compreender e analisar as condições de trabalho das educadoras e professoras que atuam nas UMEIs e nas escolas da RME/BH.
Nesta pesquisa, foi possível constatar, como apresentado no 2º capítulo, o reconhecimento tardio do direito à educação infantil em diversos países da América Latina e da Europa, tanto do ponto de vista legal, quanto da elaboração de políticas públicas destinadas à primeira infância. Em muitos desses países, permanece a divisão administrativa entre os serviços de educação e cuidado, ou seja, para a faixa etária até os três anos, o atendimento continua organizado fora do setor educacional. Em alguns países, como na região norte da Europa, os serviços de educação e cuidado, na primeira infância, encontram-se integrados em um único sistema. No que tange às profissionais docentes, principalmente as que trabalham com as crianças mais novas, observam-se, em todos os países analisados, elementos comuns como baixos salários, más condições de trabalho e formação e reduzidas perspectivas de carreira.
No Brasil, historicamente, a educação infantil se constituiu nas áreas da assistência social e da educação. A assistência social se ocupou das creches, com ênfase nas necessidades de cuidado, destinadas às crianças de origem socioeconômica baixa e com profissionais leigas. A educação, por meio das escolas infantis e jardins de infância, atuando no âmbito dos sistemas de ensino, com professoras com formação em magistério e atendendo às crianças mais favorecidas economicamente. A partir da década de 1980, a ação dos movimentos sociais pelo direito à educação infantil e pela elaboração de políticas públicas por parte do
Estado instaura uma nova concepção que rompe com essas duas redes de atendimento, integrando as dimensões de cuidar e educar.
O marco legal dessa mudança foi a Constituição Federal de 1988, que definiu o atendimento em creches e pré-escolas como direito das crianças de zero a seis anos. A garantia desse atendimento, todavia, constitui em inúmeros desafios para os municípios, na medida em que as instituições de educação infantil são incorporadas aos respectivos sistemas de ensino. Com a LDB 9.394/96, considera-se que houve avanços sociais e políticos com a inclusão da educação infantil como primeira etapa da educação básica78, inclusive em relação à maioria dos países analisados. Essa lei, ao definir as profissionais que atuam na educação infantil como professoras, estabelece os direitos destas às condições adequadas de trabalho e exige a formação das mesmas, tendo em vista as necessidades de cuidado e educação das crianças nessa faixa etária.
Os resultados encontrados, nesta dissertação, mostram que a educação infantil no município de Belo Horizonte relaciona-se ao histórico de expansão desta etapa da educação no Brasil, sobretudo no que se refere à baixa oferta do atendimento público. Somente em 2003, observam-se alterações significativas na construção da política pública de educação infantil em Belo Horizonte, com a implantação do Programa Primeira Escola e a promulgação da Lei nº. 8.679/2003, cujo objetivo é garantir a educação pública às crianças de zero a seis anos. Essas alterações têm repercutido principalmente sobre as profissionais com a criação do cargo de educador infantil para o exercício da função docente nessa etapa da educação básica. Percebeu-se que a realização de concurso público e a exigência da formação em nível médio na modalidade normal para o ingresso na carreira de educador infantil, garantindo o que determina a LDB – Lei nº. 9.394/96 (Art. 62 e art. 67), corroboram a importância dada pelo município à educação infantil. Entretanto, as tensões advindas da criação de uma carreira diferenciada para essa etapa da educação se fazem evidentes. Essas tensões são enfatizadas, especialmente, na diferença salarial entre professoras e educadoras, sendo que estas últimas recebem atualmente por volta de 60% dos vencimentos das professoras. Merece destaque o número expressivo de educadoras que possui formação superior, não obstante a exigência da formação mínima para o cargo, e que as atribuições da educadora infantil são semelhantes às das professoras que ainda atuam nessa etapa da educação básica nas escolas municipais.
A docência na educação infantil, segundo Campos, R. (2008), é marcada por segmentações em função das características sócio-organizacionais das instituições, da divisão
78
das professoras em categorias funcionais diferenciadas, que se estendem a condições de trabalho, a vínculos empregatícios e mobilidade na carreira distintos, “reafirmando e cristalizando hierarquias e relações de poder entre iguais” (Campos, R., 2008, p. 8). A existência de profissionais que atuam na educação infantil com a formação pedagógica adequada e que não integram a carreira de magistério acarreta a desvalorização e o enfraquecimento dessa mesma carreira, traz consequências para a construção da identidade dessas educadoras e das relações, além de desatender a Constituição Federal de 1988 e os preceitos legais, conforme consta no Parecer CNE/CEB nº. 21/2008.
Constatou-se que, no contexto atual da educação infantil em Belo Horizonte, as obrigações das professoras e educadoras têm sido mais numerosas. As novas atribuições estão previstas nas legislações educacionais (LDB e Resolução nº. 01/2000 do Conselho Municipal de Educação/BH) e também na lei que instituiu o cargo de educador infantil. Entretanto, percebe-se que, para a ampliação das atribuições e jornadas de trabalho, não se verifica a correspondência salarial e as condições necessárias à plena realização do trabalho docente.
Os estudos têm demonstrado que as reformas educacionais no Brasil, que tomaram corpo nos anos de 1990, inseridas em um contexto mais amplo de reforma do Estado, implicaram em uma nova regulação das políticas educacionais e têm re-estruturado tanto a organização do trabalho escolar como a organização escolar. Essas reformas trouxeram mudanças nas condições do trabalho docente e consequências sobre os trabalhadores que atuam nesse campo, acarretando maior sobrecarga dos professores.
As professoras e educadoras infantis relatam a existência de uma série de outras tarefas, além da interação com as crianças, tais como o planejamento e a elaboração de atividades, os registros de avaliação das crianças, a construção do PPP, a participação na gestão da escola, o trabalho coletivo e o trabalho com a comunidade. Observa-se que muitas dessas atividades são realizadas fora do horário de trabalho remunerado.
Outros elementos que influenciam no trabalho, conforme apontado pelas participantes da pesquisa, dizem respeito à dificuldade de realizar um trabalho coletivo e ter que substituir a profissional que falta ao trabalho, à dificuldade em participar da formação continuada, em ter que lidar com as crianças com deficiência e em situação de vulnerabilidade social, ao cansaço físico em função da faixa etária das crianças, ao elevado número de crianças por adulto, às tensões e conflitos existentes entre professoras e educadoras e à falta de apoio e reconhecimento das famílias, além da necessidade de terem que “dobrar” ou exercer outras atividades para complementar a renda.
Pode-se inferir que as profissionais utilizam formas variadas de resistência à situação do trabalho, tais como a rotatividade e o absenteísmo, que podem ser causados pelo adoecimento e pela insatisfação; a divisão do trabalho na escola; as reuniões coletivas fora do horário de trabalho remunerado, com a posterior compensação das horas; a participação nos movimentos grevistas e no sindicato da categoria.
A análise mostra ambivalências e contradições, uma vez que, a despeito desses fatores, constatou-se a perspectiva da maioria das entrevistadas em permanecer como docentes da educação infantil na RME/BH e a realização de um trabalho significativo para as crianças e famílias. A estabilidade proporcionada pelo emprego público constitui um aspecto importante nesse caso, diante da situação de precarização das relações de trabalho a partir da década de 1970 (Castel, 1998).
De forma geral, as informações recolhidas indicam que a educação infantil em Belo Horizonte padece das mesmas dificuldades levantadas pela literatura e pelas pesquisas sobre o trabalho docente nas outras etapas da educação básica no contexto das reformas educacionais: ampliação das áreas de atuação das docentes e limitações nas condições de trabalho, principalmente no que tange à desvalorização salarial.
Em relação à questão central sobre a qual se procurou refletir nesta pesquisa, as análises desenvolvidas aqui, embora não conclusivas, demonstram que se opera um processo de intensificação e precarização nas condições de trabalho das profissionais docentes da educação infantil da RME/BH, em função da criação do cargo de educador infantil e do salário a ele relativo, bem como da ampliação das áreas de atuação das docentes. Dessa forma, pode-se perceber que a expansão da educação infantil no município de Belo Horizonte foi facilitada por meio da criação de um cargo específico e com um salário inferior ao dos professores que atuam nas outras etapas da educação básica.
Entretanto, ressalta-se, como foi possível apreender, que a despeito da precarização das condições de trabalho na educação infantil, na rede pública, em Belo Horizonte, com a criação do cargo de educador infantil, essa etapa da educação apresenta um contexto histórico nacional e internacional de desvalorização. De fato, segundo Campos, R. (2008), na educação infantil também é verificada a presença de novas tarefas e de novas formas de intensificação e precarização do trabalho, já que o magistério nessa etapa da educação é marcado internamente por status sociais diferenciados que se estendem em termos de salário, carreira, condições de trabalho e formação. As especificidades da função docente de cuidado e educação da criança pequena, todavia, conforme observa Terra (2008), não devem servir para separar as profissionais e colocá-las em uma carreira diferenciada.
Pode-se observar, contudo, que Belo Horizonte encontra-se, atualmente, em processo de construção de uma política municipal de educação infantil. A Prefeitura Municipal está respondendo às determinações legais por meio da ampliação da rede pública de educação infantil e da melhoria da qualidade do atendimento com profissionais, espaços e tempos adequados às necessidades de desenvolvimento das crianças. Busca-se, assim, mudar a tendência à privatização e democratizar o acesso a essa etapa da educação básica (Terra, 2008). No entanto, observa-se que a expansão da educação infantil pública de qualidade está relacionada às condições de trabalho das profissionais, o que implica em valorização da carreira e da remuneração docente. O direito da criança está, portanto, relacionado ao direito das profissionais. Nesse sentido, os dados obtidos nesta pesquisa, considerando seus limites e sem a pretensão de esgotar o assunto, apontam para a necessidade de unificação das carreiras e dos salários dos profissionais da educação básica. Além disso, prevalece a exigência de reordenação e de maiores investimentos financeiros, tendo em vista a ampliação do atendimento público que assegure o cuidado e a educação às crianças dessa faixa etária, sobretudo para as de zero a três anos.
Finalmente, destaca-se que o trabalho docente, na educação infantil, ainda constitui um campo de pesquisa pouco explorado, a despeito da importância desta para as crianças e as famílias e das docentes envolvidas com o cuidado e a educação da criança pequena. As pesquisas sobre essa temática são fundamentais à compreensão do processo e das condições de trabalho nessa etapa da educação básica.
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