BÖLÜM II GENEL BİLGİLER
2.3 Ekstraksiyon Yöntemleri
2.3.1 Soxhlet ekstraksiyonu
Os pais do Peter Pan partilham uma trajetória de vida marcada pela vivência em bairros sociais e foi na passagem por um desses locais que se conheceram – “nós
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conhecemo-nos desde pequenininhos mesmo… ela também morava no Bairro da Mitra…”. Após um período de distanciamento, quando se mudaram para o Bairro do
Lagarteiro, iniciaram uma relação, ela tinha 14 anos e ele 18 anos – como recorda o pai
“já há 13 anos que estamos juntos”. Dois anos depois eram pais pela primeira vez de
uma menina (10 anos), passados quatro anos nasceria um segundo filho (7 anos), nos dois anos seguintes chegaria o Peter Pan (5 anos) e volvidos quatro anos nasceria a sua última filha (14 meses). Uma família numerosa e difícil de gerir segundo conta o pai e a mãe nos contactos estabelecidos, chegando o pai a afirmar que quando estão todos juntos “em casa
têm de ser um para cada canto”, concluindo “temos quatro [crianças] e já chega”.
No dia-a-dia, o pai afirma que o Peter Pan gosta de ajudar nas tarefas domésticas
– “quando a minha cunhada e a minha mulher vão lavar a loiça, ou assim, pede um
banquinho que é para lavar a loiça também”. Quanto à realização de outras atividades,
nomeadamente de cariz lúdico, afirma que “ele gosta de pintar, pinta os livros, pinta o
chão, pinta tudo”. Contudo, menciona que o filho ocupa grande parte do seu tempo a
jogar videojogos ou a ver televisão “só quer playstation e Son Goku [personagem de série de animação]”. Tal era suscetível de se verificar não só nas suas verbalizações, como nas brincadeiras de faz-de-conta realizadas na escola, onde recorrentemente imitava os super- heróis dos desenhos animados. Quando questionado sobre as suas ocupações quando ficava em casa, respondia com frequência “estive a jogar play [playstation]”. O uso regular dos meios eletrónicos, como a consola de jogos, pode explicar as dificuldades demonstradas pelo Peter Pan ao nível da realização de exercícios de motricidade fina, como por exemplo pegar num lápis. Apesar da importância da fantasia nas crianças é, paralelamente, crucial que estas contactem e vivam as experiências do mundo real. Podendo a televisão ser um importante instrumento pedagógico, o seu alcance encontra- se fortemente dependente dos programas educativos elegidos e do acompanhamento realizado pelos pais, nomeadamente se conversam com os filhos sobre aquilo que se está a ver (Papalia et al., 2001). O facto de o Peter Pan passar a maioria do tempo em atividades
indoor, pode ainda explicar as dificuldades observadas de locomoção e orientação espacial. Apesar do pai referir que costumam realizar algumas brincadeiras e atividades juntos em espaços ao ar livre “vamos aqui ao Parque Oriental… levamos uma bola ou os carros telecomandados”.
Nas relações familiares, o Peter Pan tem no seu irmão mais velho (7 anos, 2.º ano) a sua grande figura de referência. O pai sublinha essa circunstância, afirmando “ele
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gosta muito do [nome do irmão] , quer brincar com ele…” o que por vezes, segundo diz,
é gerador de alguns conflitos“[quando] ele não quer brincar com ele, ele fica chateado
[Peter Pan]”. Além do irmão, a madrinha, o primo e a avó, são alguns dos elementos da
família que identifica e fala com maior frequência na escola, relatando momentos partilhados em conjunto. Quanto à avó paterna, esta apresenta uma intervenção direta na vida educativa dos netos, representando, por vezes, os pais na escola, nomeadamente vindo falar pessoalmente com os professores ou participando em ações promovidas pela QpI como as sessões de estimulação com os cuidadores e crianças (embora, no que se refere ao neto mais novo tenha comparecido apenas uma única vez). O que revela por parte destes pais, por um lado, a utilização recorrente de estratégias de evitamento, denegação e fuga em situações em que se pode confrontar com o olhar crítico do outro (Gaulejac & Léonetti, 1994); de que é exemplo, a delegação de responsabilidades quanto à educação dos seus filhos, nomeadamente no que concerne à resolução de problemas relacionados com a escola.
De facto, verifica-se pouco envolvimento por parte dos pais do Peter Pan ao nível académico, nomeadamente em preocupação pelo percurso de escolaridade do filho quanto à sua adaptação, evolução ou metas de aprendizagem alcançadas, revelando expectativas inadequadas em relação ao desenvolvimento infantil. O interesse com a escola resume-se a eventuais conflitos com outros colegas ou profissionais das instituições, tema em torno do qual giram as conversas em casa. Tal é constatável nos contactos telefónicos efetuados, onde surge como assunto frequente, ou nestas palavras proferidas pelo pai direcionadas aos filhos – “algum problema na escola, qualquer coisa
tem que falar com o pai, que a gente não vos vai ralhar, é mais para resolver a situação, não quero que escondam nada…”. A focalização no dia-a-dia das atenções e energias,
por parte dos pais, neste tipo de querelas, leva-os a ignorar outros problemas de maior relevância, acabando por se traduzir numa superproteção desajustada aos filhos que aumenta a sua dependência e limita o desenrolar da sua autonomia pessoal. Os pais que sacrificam o amor, e consequentemente a valorização e a segurança necessárias ao desenvolvimento, por uma necessidade de controlar e dominar os filhos, acabam por gerar nos mesmos sentimentos de incapacidade, relutância em adiar a gratificação e um medo excessivo do futuro (Peck, 2002).
Todavia, o projeto de vida futuro que o pai revela ter para os seus filhos afirma- se ambicioso – “desejo que eles vão tirar um curso superior à faculdade… a obrigação
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deles é estudar, mais nada”, acrescentando “não quero que tenham uma vida como a minha, que não vivam de apoios sociais… que estudem, que trabalhem”, finalizando “quero que tenham a educação que eu nunca tive e os estudos que eu não tenho”. Exercer
uma influência positiva quanto à importância da prossecução dos estudos e da inserção profissional ou mostrar-se recetivo à execução de determinadas medidas favoráveis à aprendizagem constituem passos importantes. Porém, é necessário mobilização, empenho e continuidade, para criar um ambiente propício à interiorização de hábitos e disposições de estudo e trabalho, fundamentais à apropriação da cultura escolar e à integração social do Peter Pan. Como nos recorda M. Scott Peck (2002, p. 208) “não é tanto o que os
nossos pais dizem que determina nossa visão do mundo, mas o mundo único que criam através do seu comportamento”.
6.2.3. SOCIALIZAÇÃO PRÉ-ESCOLAR
A escola constitui-se um dos mais importantes contextos socializadores, logo a seguir à família, com grande influência na formação e desenvolvimento das crianças. O jogo de interações estabelecido entre os diversos atores que compõem o sistema de ensino influenciam as aprendizagens, os resultados e o próprio ambiente escolar. Mas, a ligação que a criança cria com a escola resulta, em grande parte, das relações com o aprender anteriormente instituídas, nomeadamente na família.
6.2.3.1. CUMPRIR OS OBJETIVOS DA ESCOLA: UMA QUESTÃO