2. DÖNEMLER SİNEMASINDA KURGU
2.3. SOVYET SİNEMASINDA KURGU
professores da FAU/USP naquele período, alguns dos agentes envolvidos com a Reforma de 9 e representantes do corpo docente sofreram influência italiana, direta ou indiretamente. Alguns destes professores eram descendentes daquele país ou participaram do campo italiano de design por meio de atividades profissionais, o que viria a se refletir nos trabalhos profissionais que por aqui desenvolveram.
Nas décadas de 9 0 e 9 0, os arquitetos italianos também
desenvolviam projetos de desenho industrial voltados para o processo criativo e orientados, em grande parte, pela intenção do Projeto Total. Discurso este que se tornaria a grande influência da cultura italiana nas atividades profissionais do campo brasileiro de design, diferentemente da linguagem da relação entre forma e função, pregada pelos ulminianos. Nesse grupo, encontramos exemplos como o do professor Abrahão Sanovicz e o estágio realizado com Gio Ponti, na )tália, onde aprendeu certo método de projeto e o usou como referência nos seus, de acordo com o relato de Lúcio Grinover a Juliano Pereira0 . Também o professor João Carlos Cauduro fez curso na )tália na mesma época. O professor Lúcio Grinover foi outro docente da FAU/USP que esteve naquele país, ocasião em que estabeleceu contato com (umberto Eco, trazendo-o para o Brasil, posteriormente.
O professor Grinover, inclusive, foi o orientador em 9 de Eduardo de Almeida em seu trabalho para a obtenção do título de doutor e que se tornou, posteriormente, professor da mesma instituição. Eduardo de Almeida foi outro ex-aluno que bebeu das fontes italianas. Em 9 , Eduardo de Almeida recebeu uma bolsa da Fundação Amerigo Rottellini para cursar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Florença os cursos de história da arte e de desenho industrial, ministrados por Leonardo Benévolo e por Pierluigi Spadolini.
00 FAU/USP. Sequência de Comunicação Visual. São Paulo: Departamento de Projeto- Programa das disciplinas 9 4 FAU/USP, 9 4, p. .
O Ens ino P auli stano d o D es ign FA U/U SP 81 Sua tese sob o título (abitação: consumo, produto, projeto foi
defendia após viagem à )tália 0 e experiências de trabalhos acadêmicos desenvolvidos dentro da FAU/USP voltados à industrialização
da construção civil, racionalização dos meios de produção e contextualização sociocultural, durante o ano de 9 0 .
Visando a sanar certas carências na formação profissional e estabelecer as condições necessárias para o início dos trabalhos didáticos e
pesquisas pertinentes à área P)CARELL), 99 , p. 4 , muitos professores buscaram formação em instituições estrangeiras.
Com o intuito de estabelecer relações internacionais, é importante ainda marcar a participação de professores desta Escola em um dos principais eventos de Desenho )ndustrial no início do campo. Abrahão Sanovicz, João Carlos Cauduro, J. Rodopho Stroeter e Lúcio Grinover formaram a primeira delegação brasileira a participar dos congressos realizados pelo International Council of Societies of Industrial Design -)CS)D04 em 9 . A intenção deste contato era apresentar a experiência da implantação da Sequência de Desenho )ndustrial e Comunicação Visual e os resultados obtidos, além de aproximar o corpo docente com as questões internacionais existentes naquele momento sobre o campo do design.
Assim, por intermédio desses e outros fatos, os contatos estabelecidos proporcionaram novas referências ao campo do design paulistano e, ainda, consequente formação do corpo docente, desde o período da implantação das Sequências de Desenho )ndustrial e Comunicação Visual.
2.7
INFLUÊNCIA DE ULM: FUNCIONALISMO
O reflexo do funcionalismo alemão dentro da Sequência de Desenho )ndustrial da FAU/USP é encontrado nos trabalhos acadêmicos desde as primeiras turmas, em que se observa a tentativa de praticar um rigor funcional e objetivo com o propósito de se sobrepor à subjetividade. Quando se verificam as propostas da Escola Superior da Forma em Ulm
Hoschulle Für Gestaltung – (fG para os exercícios desenvolvidos, as
semelhanças tornam-se claras nos resultados apresentados em ambas as )nstituições de ensino. De acordo com os exemplos vistos no item anterior e a análise de seus professores, é possível identificar que a linha de pensamento determinante era a funcionalista, com a qual se
0 ()ROAYAMA, Edison. Obra de Eduardo de Almeida é analisada em artigo do
arquiteto e professor Edison Hiroyama. AU_Arquitetura e Urbanismo. n. 0, 0 . 0 )bidem.
04 O primeiro brasileiro do campo de design a ir a um ICSID foi Lamartine Oberg, em 9 , para levantar informações para o Governo do Estado da Guanabara que queria abrir uma Escola de Desenho )ndustrial. Ver N)EMEYER, 99 .
O Ens ino P auli stano d o D es ign FA U/U SP 82
objetivava chegar a um objeto concreto e acabado, o que gerou grande expectativa do corpo discente, conforme palavras do professor Lucio Grinover, em entrevista a Marcos Braga sobre as repercussões no meio acadêmico:
A FAU, queira ou não queira, mudou um pouquinho o conceito [...] Arquitetura não era mais só e exclusivamente obra de arte. )sso pra mim é fundamental. )sso realmente mudou dentro da FAU. Como também o paisagismo não era só jardinagem. Mudou, mudou muito, mudou todo o conceito, mas era um trabalho que aos poucos tava se desenvolvendo entre desenho industrial e arquitetura, entre arquite- tura e planejamento urbano, entre arquitetura e comunicação visual, desenho industrial e comunicação visual... Sempre reforçando um aspecto de projeto. GR)NOVER, 00 )n: S)QUE)RA;BRAGA, 009, p. .
Assim, na procura por formar profissionais que atuassem na construção industrializada, o ensino de Ulm baseou-se em disciplinas práticas e teóricas para desenvolver a produção seriada. O estudo do módulo como componente repetitivo, a partir das estruturas pré-fabricadas, técnicas de montagem e elementos de conexão, era uma tentativa de inserção no novo processo industrial que surgia. Os representantes da escola, guiados pelo pensamento de menor desperdício, buscavam praticar o uso das técnicas de ponta e baixos custos em benefício das condições de mão de obra, aproximando-se dos preceitos de desenho industrial e arquitetura, o que seria equivalente à produção de objetos. Tais discussões também estavam em pauta, naquela época, na FAU/ USP, como visto nas propostas apresentadas pelo corpo docente e as respectivas respostas discentes.
A experiência do ensino da arquitetura na Escola alemã empenhava-se em transportar a arquitetura para um método de projeto cujo intuito era criar para a indústria. Nesses preceitos encontramos o curso de Arquitetura do Departamento de Arquitetura da HfG de Ulm, estruturado conforme Figura na página seguinte.
Nessa estrutura, a HfG de Ulm adota a expressão Edificações Industria-
lizadas em substituição a Arquitetura, em valorização das novas técni-
cas industriais de produção e da concepção de um ensino teórico baseado nos conteúdos da arquitetura moderna alinhada às futuras práticas profissionais. Pressupostos que também se apresentavam no Departamento de Projeto da FAU/USP, incluindo a Sequência de Desenho )ndustrial.
O Ens ino P auli stano d o D es ign FA U/U SP 83 Como sinalizado anteriormente, a FAU/USP buscou orientar seu ensino
a partir das possibilidades industriais, enquanto seu estudante estava sendo preparado para desenvolver as tarefas de projetistas de bens de consumo e da industrialização dos elementos da construção civil. (á, no entanto, enorme distinção entre as condições e particularidades de cada Escola, principalmente quanto à estrutura curricular adotada, pois enquanto a Escola de Ulm possuía um curso básico e o aluno optava por uma habilitação, na FAU/USP o aluno cursava obrigatoriamente todas as linhas de formação.
Outra diferença é encontrada nos contextos político, econômico e social de ambos os países. O Brasil não possuía indústria da construção civil pronta para a industrialização da arquitetura e de seus componentes similar ao processo de desenho industrial defendido pela HfG de Ulm, cujas características influenciaram uma série de instituições de ensino de design, naquele período. Este novo significado para o campo arquitetônico, apesar de almejado dentro da escola brasileira, encontrou limitações por não se encontrar uma indústria capaz de suprir as
demandas por componentes industrializados.
Assim, enquanto em Ulm o desenho industrial aparece como resposta às novas condições de organização e evolução tecnológica que a indústria apresentava para a sociedade europeia, no caso da FAU/USP o modelo
Figura 8: Distribuição dos
conteúdos nos quatro anos do Curso de Arquitetura do Departamento de Arquitetura da (fG de Ulm. [PERE)RA, 009, p. ].
O Ens ino P auli stano d o D es ign FA U/U SP 84
funcionalista foi apresentado, principalmente, por professores de projeto da área de Desenho )ndustrial, em seus métodos de trabalho. Nesta tentativa de aproximar a metodologia de ambas as escolas, foram realizadas algumas atividades na Escola brasileira, e uma das mais significativas foi o curso ministrado dentro do ensino de Desenho )ndustrial da FAU/USP, por Andries van Onck, ex-aluno da HfG de Ulm. Sob o tema de Metadesign, caracterizava-se por apresentar uma metodologia de projeto baseado na ciência e na técnica, como será visto a seguir.
2.7.1 Metadesign
Nos primeiros anos da implantação da Sequência de Desenho )ndustrial, a FAU/USP contou com um curso extra de grande importância
para o desenvolvimento do pensamento sobre design da época. O Departamento de Projeto criou um curso de pós-graduação em Projeto naquele período, que, na atualidade, seria reconhecido pelo Ministério da Educação e da Cultura MEC como mais próximo de um curso de
aperfeiçoamento profissional . O que não pode ser entendido como menor significado, diante de sua aplicação nas metodologias praticadas neste campo de conhecimento, durante o período de evolução nacional, entre as décadas estudadas de 9 0 e 9 0.
A disciplina inicial desta pós-graduação foi Metadesign , em um curso de 40 horas. Apoiado pela ABD), tal curso, lecionado pelo desenhista industrial Andries Van Onck ex-aluno da HfG de Ulm , tinha como proposta uma metodologia de design baseada nos conceitos científicos e técnicos da geometria, simetria, cinemática, combinatória e teoria da informação, em detrimento do processo subjetivo de criação, como descrito no documento traduzido por Lúcio Grinover 0. Tais princípios influenciaram o pensamento da Faculdade até início da década de 9 0. Na tese de Juliano Pereira, o professor Grinover aponta que, ao contrário da ESD), a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo não adotou o modelo de estrutura curricular composto do curso básico, no primeiro ano, e da opção por uma linha de formação específica e segmentada de Projeto, como praticado na HfG de Ulm, apesar de considerar que houve determinadas influências. E é nesta acepção que se encontra um alinhamento entre o pensamento de Andries van Onck e o dos primeiros professores da Sequência de Desenho )ndustrial da FAU/USP, os quais procuravam desenvolver elementos modulares para a produção em série.
A importância da presença de Andries van Onck e suas teorias no contexto brasileiro e no ensino da FAU/USP são descritas por Pereira
009, p. 0 , da seguinte maneira:
0 ONCK, Andries Van. Metadesign. São Paulo: Pós Graduação FAU/USP, 9 .