4. ADALET VE KALKINMA PARTİSİ HEGEMONYASININ
4.1 Neoliberal Popülizm
4.1.3 Sosyal Yardımlar: Hediye Ekonomisi ve Yeni Tahakküm Stratejileri
Os encontros com as professoras Edna, Fabiana e Sandra proporcionaram a oportunidade de conhecer melhor as suas condições de trabalho e de dedicação ao estudo das mídias em termos de formação continuada.
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Para Marx (2006) a mais-valia consiste na diferença entre o valor criado pela utilização da força de trabalho e o valor dessa força de trabalho. O valor gerado pela força de trabalho desdobra-se em duas componentes: uma parte corresponde ao valor da própria força de trabalho, parcela reposta pelo salário pago; outra parte constitui o valor excedente ou mais-valia, que vai ser apropriado sobre a forma de lucro.
Frequentemente em nossas conversas as professoras entrelaçavam em suas falas o desejo de avançar em sua formação com as dificuldades advindas das condições de trabalho, na relação com as mídias como veículo através do qual se dá esta formação. A fala de Fabiana exemplifica bem esse conflito entre as expectativas de formação continuada e as dificuldades que enfrentam para alcançá-la:
Na escola os diretores não querem que o professor falte para fazer os cursos de capacitação, mesmo sendo promovidos pela própria secretaria de educação... [Por causa das jornadas de trabalho] o único jeito que o professor tem de caminhar um pouco mais é fazer o que a Secretaria [de educação] oferece. Se a gente não pode fazer, como é que fica? (Fabiana)
A gente não pode ficar esperando que as coisas caiam do céu, cada vez que a gente não passa [na seleção para o mestrado] são mais quarenta que entram na fila para concorrer. A Secretaria [de Educação] dispensa a gente para fazer o mestrado, mas não para fazer o projeto. (Fabiana e Sandra)
No cotidiano escolar para realizar seus projetos de formação continuada as professoras enfrentam situações que são perpassadas por relações de poder, de conflitos e resistências.
[...] e o que eu acho pior, é que não existem tantas oportunidades pra isso, a gente é que tem que correr atrás e se virar e dar aos outros, muito embora tudo se diga assim – tem que fazer, tem que ser feito, mas ninguém dá um auxílio... porque por exemplo existe os cursos né, os cursos são colocados para a formação de professores você acha mesmo Márcia que os professores podem largar a sua vida de três expedientes, suas jornadas de três expedientes pra ir ficar fazendo curso toda hora que quer, e curso que a gente faz e que a gente não recebe nada pra ta fazendo o curso, a gente investe no curso digamos assim, né porque não é o que a gente queria receber, não é o financeiro mas pelo menos o apoio da instituição, o apoio de dizer vá, é o seu horário de trabalho mas vamos ver o que a gente pode fazer... eu tiro por mim, todos os cursos que eu fui fazer de formação no que eu tive interesse eu queria entender o uso do power point em sala de aula, eu fui fazer o curso no CEMURE, não era no meu horário, eu tive que pagar uma professora pra ficar no meu horário, é mas o curso só era assim e isso com muuuito jogo de cintura, babando mesmo os gestores, como agora, pra estar no curso de vídeo é do mesmo jeito, esse ainda é pior ainda, porque ele ainda pergunta assim “E ta fazendo mesmo esse curso?”, você olhe eu pagando uma professora, tirando do meu bolso prá estar lá todas as segundas feiras, no meu lugar será que eu ainda (tenho que escutar) “está fazendo mesmo”. (Fabiana, depoimento oral)
As oportunidades de formação oferecidas no horário de trabalho e de forma gratuita são aquelas que as professoras podem aproveitar devido à sua múltipla jornada. Quando essas oportunidades são boicotadas pela pressão dos diretores, as professoras ficam sem alternativas viáveis.
Outro dado importante mencionado por Fabiana é que cada vez mais os trabalhadores da educação vêm arcando com os custos que não deveriam ser seus como aqueles que dizem respeito às condições mínimas de realização da formação. A falta de estrutura e apoio acaba por prejudicar a aprendizagem, uma vez que é preciso lidar com diversas variáveis que exigem um alto grau de improvisação e persistência. É possível constatar essa situação tanto no depoimento das professoras que precisam pagar alguém para ficar em seu lugar enquanto participam dos cursos como para a professora ministrante:
Precisei utilizar do meu parco salário para comprar máquinas fotográficas como também ilha de edição [...] eu investi em cursos e maquinários, minha ilha e os demais materiais custaram R$3.800,00, mais R$3.500,00 da filmadora, mais R$2.200,00 de máquina fotográfica e mais R$990,00 de outra máquina que obtive par ministrar os cursos de fotografia, já que a SME/NTE não me repassaram nenhum material. (Elizete, depoimento escrito)
Eu mesma passei por essa situação ao financiar com recursos próprios materiais de trabalho uma vez que o projeto a que o curso estava vinculado não cobria determinados custos como aquisição de pen drives, e outros materiais que foram distribuídos às professoras.
[...] como é que você pode querer algo novo se nem na própria instituição tem algo de novo pra nos oferecer, não tem os recursos. Se eu quero fazer qualquer coisa eu tenho que trazer um som de casa eu tenho que trazer, um dvd, eu tenho que trazer, a televisão, tenho que trazer tudo! Aí vamos ver e eu só levo porque? Porque eu tenho carro prá levar. Você acha mesmo que uma professora que vem lá de Parnamirim como a professora de artes, vai trazer... andar com uma televisão de 14 polegadas como eu boto dentro do carro, ela vai botar dentro do ônibus? né? Com certeza não vai, então a gente [...] a formação a gente procura porque a gente sabe da necessidade dos alunos.
Esse investimento sem retorno é ocasionado pela ausência do poder público na geração adequada de condições de trabalho e à medida que vamos assumindo o provimento dessas condições para a realização de nossos projetos o
poder público vai sumindo, se omitindo do provimento das condições necessárias tanto para a formação quanto para a realização do trabalho docente em sala de aula.
A tolerância ao improviso, ao insuficiente, ao parco, provisório, contribui para que essas condições se tornem permanentes e assim já não causam indignação, nem geram reivindicações, pelo contrário há uma inversão de papéis: aquilo que deveria ser um direito – ter boas condições de trabalho emocionais e materiais passa a ser um dever, ou seja, torna-se responsabilidade do professor investir em seu material e em sua formação e oferecer aos alunos as melhores condições de aprendizagem, estar sempre feliz, disposto, disponível.
As professoras percebem de alguma maneira essa exploração quando criticam a forma de exclusão do sistema de acesso à pós-graduação, ou quando cansadas com a múltipla jornada optam por deixar esta ou aquela atividade em função de seus objetivos:
Tive que largar um dos cursos de especialização, senão não dá, a gente precisa viver um pouco também. (Sandra).
A partir dessa semana terei mais tempo de escrever no caderninho, sai de uma das escolas que trabalhava, senão dá não, as vezes a gente assume muita coisa, e no fim é a saúde da gente que vai embora. Às vezes a gente deixa família e tudo de lado, fica só se acabando por coisas que não valem à pena... (Júlio).
É possível perceber que a afetividade tratada anteriormente é um fator de engajamento nos estudos sobre as mídias. Entretanto as condições de formação e de trabalho funcionam por um lado como fatores de engajamento através da necessidade de atualização certificada e por outro lado como fatores de exclusão por causa das outras variáveis que estão em jogo, como a exploração/precarização do trabalho docente. É uma partida na qual os professores na maioria das vezes saem perdendo.