3.2. MEDYADA ÇOCUK TEMSİLLERİ
3.2.2. Sosyal Medyada Çocuk Temsilleri
Outra feição que chama bastante a atenção, com relação a estruturação crustal do Planalto da Borborema, é a presença de crosta fina abaixo da região norte do Planalto (ao norte do Lineamento Patos), que é topograficamente elevada. A presença da descontinuidade intracrustal nessa região sugere que ela passou por estiramento e afinamento durante a extensão que ocorreu no Mesozoico. Além disso, depósitos sedimentares pertencentes à formação Serra do Martins são encontrados em mesas localizadas entre 500 e 900 m de altura, revelando que uma grande depressão topográfica ocupou uma grande área no norte da Província Borborema num período foi até entre 64 e 25 Ma, quando a sedimentação cessou (Morais Neto et al., 2008). Dessa forma, o estado de equilíbrio isostático no norte do Planalto teria sido perturbado, elevando essa região de crosta fina para sua configuração atual.
Modelos que retratam o soerguimento Cenozoico do Planalto foram resumidos no Capítulo 2. Esses modelos podem ser, de modo geral, divididos em duas categorias: os relacionados ao soerguimento por compensação isostática, após espessamento da crosta (Morais Neto et al., 2009; Oliveira e Medeiros, 2012), e os que tratam do soerguimento devido a um domo térmico (Jardim de Sá et al., 1999; Ussami et al., 1999). Oliveira e Medeiros (2012), por exemplo, consideram a presença de um underplating máfico abaixo do Planalto
70 da Borborema, como responsável pelo seu soerguimento. Essa camada estaria relacionada com a erosão litosférica promovida por uma célula de convecção de pequena escala. Morais Neto et al. (2009) também considera a presença desse undeplating, porém nesse caso ela teria derivado de magmas provenientes de uma pluma mantélica, e seria responsável por complementar o espessamento crustal prévio, devido a um fluxo de material litosférico, causando o soerguimento do planalto. A presença desse undeplating máfico tem sido investigada por Luz et al. (2014), através da análise de razões Vp/Vs determinadas, utilizando funções de receptor. Entretanto, os resultados são inconclusivos sobre essa questão, ou seja, não excluem a presença de uma fina camada máfica (4-6 km) abaixo do planalto, mas também não a confirmam. Todavia, pode-se constatar que os modelos que necessitam de espessamento crustal para justificar o soerguimento falham ao explicar o porquê do soerguimento da porção norte dessa região.
Por outro lado, modelos relacionados ao soerguimento devido à perturbações térmicas, devido a uma pluma mantélica profunda, abaixo da Província Borborema, tem sido descartada devido à longa duração, o baixo volume, a disposição perpendicular dos alinhamentos magmáticos (Knesel et al., 2011) e a ausência de variação na espessura da zona de transição (Pinheiro e Julià, 2014). Entretanto, a perturbação térmica proveniente de um corpo no manto superior, parece ser a explicação mais plausível. Um corpo apresentando anomalia térmica acima de 150 km de profundidade, tem sido consistente com modelagem de anomalia geoide (Ussami et al., 1999) e com a topografia aparente das descontinuidades da zona de transição (Pinheiro e Julià, 2014). Porém, embora a extensão lateral desse corpo sobreponha-se com a topografia superficial do Planalto da Borborema, ele também parece se estender para a direção NE e sob regiões de baixa topografia. A despeito desse quadro, atualmente estão sendo desenvolvidas imagens tomográficas detalhadas abaixo da Província Borborema, para tentar esclarecer a extensão lateral dessas anomalias térmicas no manto superior e sua relação com a superfície topográfica.
Em função desse cenário, sugere-se um modelo alternativo para explicar o soerguimento do Planalto da Borborema. Enfatiza-se que essa abordagem não é perfeita, pois carece de mais dados para sua comprovação. Não obstante, o
71 Planalto da Borborema poderia ser divido em duas porções, uma ao norte e outra ao sul do Lineamento Patos. Ao norte desse lineamento o soerguimento do Planalto poderia ter sido causado pela anomalia térmica localizada no manto superior, que, apesar da baixa compreensão sobre sua extensão, ela pode ser considerada como a agente mais provável para o soerguimento dessa região, já que a crosta nessa porção apresenta a mesma espessura crustal da área ao redor. Entretanto, ao sul do Lineamento Patos, aponta-se um mecanismo de compensação isostática como responsável pelo soerguimento. Ou seja, a medida que a crosta ao redor do Planalto foi significativamente afinada, o que não se verifica no Planalto em si (especialmente na sua porção sul), por isostasia, a região mais afinada deveria se tornar menos elevada. Dessa forma, o soerguimento do Planalto da Borborema não deve ser fruto do efeito isostático ou térmico isolados, mas sim de uma combinação dos dois, onde cada um será mais expressivo, dependendo da região do Planalto que se está analisando.
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9 Conclusões
Através da análise dos resultados apresentados, pode-se ver que o Nordeste brasileiro apresenta uma espessura crustal bastante variável, e que ainda carece de uma clara compreensão da sua caracterização arquitetônica. Entretanto, por meio dos estudos aqui apresentados, acredita-se que as lacunas existentes estejam sendo preenchidas aos poucos.
A migração e o empilhamento de funções de receptor de onda 𝑃 na Província Borborema demonstraram a presença de duas descontinuidades principais, caracterizando melhor a arquitetura crustal dessa região. A feição mais profunda apresenta valores variando entre 31 e 40 km e foi reconhecida como a fronteira entre a crosta e o manto. Já a descontinuidade mais rasa ocorre a profundidades que estão entre 9 e 18 km, em regiões de crosta afinada e tem sido interpretada como uma zona de detachment relacionada a extensão no Mesozoico. A ausência dessa zona em regiões de crosta espessa, que apresentam topografia elevada, no sul do Planalto da Borborema, sugerem que essa porção seja um bloco com reologia mais resistente, que não foi significativamente afetado pela deformação Mesozoica. A presença dessa descontinuidade na porção de crosta fina abaixo da região norte do Planalto demonstra que esse seria um bloco em que a crosta teria sido distendida e posteriormente elevada. Esse cenário revela que os modelos desenvolvidos para justificar o soerguimento durante o Cenozoico, que utilizam um underplating máfico e/ou um fluxo lateral de material da litosfera são insuficientes para justificar o soerguimento nessa região.
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