BÖLÜM 1 : KAVRAMSAL ÇERÇEVE
1.2. Sosyal Medya Ağları
Por fim, cabe analisar as benesses que podem ser geradas pelo estímulo às práticas consensuais e utilização dos métodos alternativos de solução de controvérsias para a própria estrutura do Estado brasileiro. Com a implantação de uma Administração Pública moderna e consensual, o Estado de Direito se fortalecerá.
O Estado de Direito, que surgiu como meio de garantir a liberdade individual através da submissão de todos à lei, inclusive o próprio Estado, que passaria a responder por práticas contrárias ao ordenamento jurídico, teve origem estritamente liberal. Entretanto, trata- se de um conceito vago e indefinido.
Acerca do conceito de Estado de Direito, leciona Silva (2012, p. 112):
[...] Disso deriva a ambiguidade da expressão Estado de Direito, sem mais qualitativo que lhe indique conteúdo material. Em tal caso a tendência é adotar-se a concepção formal do Estado de Direito à maneira de Forsthoff, ou de um Estado de Justiça, tomada a justiça como um conceito absoluto, abstrato, idealista, espiritualista [...]
É importante colacionar, ainda, lição do mesmo autor acerca da relação do Estado de Direito em sua concepção de Estado de Justiça com o Poder Judiciário:
Diga-se, desde logo, que o Estado de Justiça, na formulação indicada, nada tem a ver com Estado submetido ao Poder Judiciário, que é um elemento importante do Estado de Direito. Estado submetido ao juiz é Estado cujos atos legislativos, executivos, administrativos e também judiciais ficam sujeitos ao controle jurisdicional no que tange à legitimidade constitucional e legal. É também uma abstração confundir Estado de Direito com uma visão jusnaturalista do Estado. (SILVA, 2012, p. 113)
Nota-se que não há qualquer exigência da obrigatória utilização da jurisdição para a resolução de todas as lides. Com efeito, o Estado de Direito se caracteriza pela subordinação à lei de todos os agentes sociais, inclusive a própria administração pública. Tal subordinação, acrescente-se, servirá de garantia ao particular e tem como grande tendência a posição paritária entre particular e poder público, notadamente nas relações contratuais.
O princípio da soberania popular, corolário do próprio Estado Democrático de Direito impõe uma maior participação do povo na atividade administrativa, pois aquele é verdadeiramente o detentor do poder na sistemática jurídica brasileira.
Outrossim, importa salientar ainda que a arbitragem se constitui em importante instrumento para a fortificação do Estado de Direito, na medida em que se traduz em maior celeridade, eficiência e participação popular nas contendas estatais, seja como árbitro da disputa, seja como parte colaboradora e contratante.
A própria democracia13 brasileira, ainda em pleno desenvolvimento em um país de história tão oligárquica e autoritária, tende a se beneficiar da implantação e ampliação de práticas consensuais e métodos alternativos de solução de controvérsias. É evidente, nesta sistemática de governo, a necessidade de legitimidade popular para todos os atos praticados pelo Estado, bem como para o próprio Estado em si.
Em outras palavras, a existência de prerrogativas estatais e a promulgação e eficácia das leis devem contar com uma legitimidade popular, no sentido de que devem estar de acordo com os anseios sociais com vistas à resolução de problemáticas em favor do povo, que é o verdadeiro criador e destinatário final das normas jurídicas.
Com efeito, a atividade estatal e a própria democracia estariam viciadas se não se prestassem a garantir os direitos fundamentais positivados na Magna Carta, devendo estar se a seu objetivo precípuo. Aduz Silva (2012, p. 178):
13Silva (2012, p. 126) a define como “um processo de convivência social em que o poder emana do povo, há de
A expressão direitos fundamentais do homem, como também já deixamos delineado com base em Pérez Luño, não significa esfera privada contraposta à atividade pública, como simples limitação ao Estado ou autolimitação deste, mas limitação imposta pela soberania popular aos poderes constituídos do Estado que dela dependem.
Em vista disso, embora tenha sido a democracia representativa um passo importante rumo à legitimidade da atuação estatal, entende-se que esta não se presta, por si só, a legitimar a governança estatal atualmente. Verificamos no Brasil, de fato, verdadeira crise de representabilidade, na qual a confiança neste modelo se reduz cada vez mais em vista dos acontecimentos fraudulentos e criminosos que são notícia diariamente.
Ressalte-se que a própria Magna Carta, já no longínquo ano de 1988, procurou estabelecer instrumentos de verdadeira democracia participativa, prevendo institutos valiosos como o referendo, o plebiscito e a iniciativa popular para a formulação de projetos de lei. Tal é sintoma inconteste da intenção, já naquela época, de conferir mais legitimidade estatal através do estímulo à maior participação dos governados.
Em busca da evolução na democracia brasileira, urge agora estimular a prática da mediação, conciliação e arbitragem também na área de contratos e atos públicos, tradicionalmente regulados por uma imperatividade estatal que não tem mais razão de ser. Contudo, tais práticas devem ser reguladas por lei, de modo a evitar ingerências indevidas e práticas populares ilegítimas que afetam diretamente a Administração Pública, o que, infelizmente, tem sido notícia nos últimos tempos no Brasil.
A democracia não pode ser usada como argumento para a prática de atos violentos e ilegais em nome de uma pretensa participação popular na Administração Pública. Tal participação aduzida deve ser tendente a expressar os valores de parte considerável da sociedade, e não somente de determinada parcela ou ideologia.
Toma-se, como exemplo, a existência de grupos sociais surgidos pretensamente como instrumentos para a participação popular e que, com base na prática democrática, vem desafiando o Estado de Direito brasileiro de maneira inédita, sem que qualquer medida mais séria seja tomada para punir e inibir os mencionados grupos.
Outrossim, tais entidades se revestem em um caráter paraestatal, uma vez que estão atuando paralelamente ao Estado, buscando impor suas vontades a este através da força sob uma pretensa legitimidade advinda do apoio da população.
É preciso combater tais práticas e estimular a utilização do diálogo e do consenso na Administração Pública, com vistas a uma participação popular legítima. Entende-se que a
utilização da arbitragem em contratos administrativos tende a fortalecer o Estado de Direito, a democracia e a cidadania.
Sobremaneira, é imperioso deixar que o particular exerça a sua cidadania14, e esta deve ser exercida através da liberdade dada pelo Estado de atuação dentro dos parâmetros da legalidade. O Estado brasileiro, tradicionalmente garantista e paternalista, deve dar espaço para que o particular exerça suas próprias escolhas, dentre elas a possibilidade de utilização de arbitragem, mesmo nos contratos administrativos, uma vez que tal prática beneficia a Administração Pública e permite ao particular o exercício de sua autonomia da vontade.
14
Definida por Silva (2012, p. 346) como qualificação dos participantes do Estado, sendo atributo das pessoas integradas na sociedade estatal, decorrente do direito de participar no governo e de ser ouvido pela representação política.