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De maneira geral, uma rede consiste numa conexão de todas as unidades por um certo tipo de relacionamento (JAY2, 1981 apud MOTTA, 1986) ou num processo de transação entre atores (RICHTER, 2001; PADOLNY e PAGE, 1998; POWELL e SMITH-DOERR in SMELSER e SWEDBERT, 1994). Os atores podem ser indivíduos ou organizações, os quais estão ligados por objetivos comuns (MANTZAVINOS, NORTH e SHARIQ, 2001).

Esse conceito remete ao pensamento de que as redes são constituídas por relações sociais (GRANOVETTER, 1985). Os relacionamentos originam ligações entre as partes, as quais podem comportar fluxos de informações ou de recursos (POWELL e SMITH-DOERR in SMELSER e SWEDBERT, 1994). Os vínculos de ligação são estabelecidos mediante a aceitação entre as partes de normas ou de valores em comum, além de confiança mútua e princípios morais (FUKUYAMA, 1992).

Padolny e Page (1998) acrescentam que os relacionamentos que constituem uma rede devem ser duradouros.

Buscando compreender as redes entre firmas por um aspecto estrutural, Economides (1996) define as redes como estruturas compostas por ligações (relacionamentos) que interconectam nós (empresas). Brito (2002) estende o conceito desenvolvido por Economides (1996) e identifica quatro elementos morfológicos para a estrutura de firmas em rede: nós, posições, ligações e fluxos. O quadro a seguir fornece um resumo explicativo dos elementos estruturais das redes de empresas, expresso a seguir (QUADRO 2)

Quadro 2: Elementos estruturais das redes de empresas

Elementos Morfológicos Gerais das Redes

Elementos Constitutivos das Redes de Empresas

Nós Empresa ou Atividade

Posições Estrutura de divisão de trabalho Ligações Relacionamentos entre empresas

Fluxos Fluxos de bens (tangíveis) e de informações (intangíveis) Fonte: Brito (2002, p.5).

A disposição das firmas na rede pode assumir uma forma simétrica ou assimétrica. Para Grandori e Soda (1995), nas redes simétricas todos os membros possuem autonomia e direitos iguais, já nas assimétricas existe um componente da rede que assume o papel de coordenador em relação aos demais. O autor ainda acrescenta que as redes entre firmas podem ser formadas por relações formais (intermediadas por contratos) ou informais (relacionamento social).

As ligações entre as firmas podem assumir formas verticais - fusões entre clientes e fornecedores - e formas horizontais - que funcionam através de relacionamento entre firmas. Normalmente, os estudos sobre redes entre firmas focam mais em formas de junção lateral ou parcerias horizontais, independentemente dos fluxos de recursos e de comunicação (POWELL, 1990).

A disposição geográfica das empresas participantes constitui-se num outro aspecto discutido nos estudos de rede (VISCONTI, 2001). Existem situações em que as redes de firmas se desenvolvem em regiões localizadas, produzindo para setores específicos. Conforme Porter (1998), neste caso, elas acabam constituindo clusters e proporcionando um maior desenvolvimento regional.

Em outros casos, a rede entre firmas não se restringe a uma localidade específica. Tapscott (1997) ressalta que as firmas podem transcender seus limites de espaço físico e tornarem-se, assim, empresas virtuais. O desenvolvimento tecnológico, principalmente nas áreas de telecomunicações e de informática, é fundamental para esta nova concepção espacial das firmas.

A idéia central do conceito de empresa virtual refere-se à orientação de negócios estratégicos. Em geral, a concepção de empresa virtual é caracterizada por uma forma de organização em rede, combinada a um alto grau de flexibilidade nos processos de produção (TUMA, 1998). Mas Amato Neto (2000) adverte que a organização virtual é uma qualidade conferida as redes de empresas, e não uma nova terminologia para redes entre firmas.

Independentemente da forma de estruturação, as redes entre firmas constituem-se em alianças interativas de empresas, que optam pela integração em busca de vantagem competitiva, ou para alcançar objetivos em comum. As firmas podem ser concorrentes, atuando em ramos de negócios similar, ou não serem concorrentes, atuando em setores distintos (YOSHINO e RANGAN, 1997).

A consideração da atitude cooperativa das firmas em rede demonstra ser fundamental para alguns autores (GELSING in LUNDVAL, 1992; MERNARD, 2002; AMATO NETO, 2000). A definição de uma rede entre firmas para Gelsing (1992) compreende três ou mais firmas, que cooperam, pra obter benefícios, resolver problemas, entrar em novos mercados e desenvolver produtos e serviços, podendo ser classificadas como:

ƒ rede dura: firmas integradas que produzem, comercializam ou operam no desenvolvimento de produtos e serviços, necessitando de cooperação formal;

ƒ rede leve: firmas resolvem problemas comuns, partilham informações ou adquirem novas habilidades, existindo de maneira informal.

Dos autores referenciados neste trabalho, o único a constituir uma definição usando a taxonomia de redes de cooperação entre firmas foi Amato Neto (2000). Nela o autor afirma que estas organizações são constituídas por firmas interdependentes, coordenadas de forma que seja possível regular, concomitantemente, os sistemas produtivos - produção, pesquisa, engenharia, coordenação e custos. Cada firma possui

autonomia para realizar as suas atividades de produção e coordenação internas, tendo compromisso com as demais firmas na realização de trabalhos em conjunto. Essa definição se restringe ao aspecto produtivo das redes de cooperação, e pressupõe uma fragmentação de etapas de um processo.

É importante frisar, a rede entre firmas é um termo genérico para todos os arranjos entre entidades autônomas como: cadeia de suprimentos (supply chain), clusters, arranjos simbólicos e canais de administração dentre outros (MERNARD, 2002). O próprio Amato Neto (2000) acrescenta que as alianças estratégicas, os complexos industriais e as incubadoras de empresas são formas específicas de cooperação, portanto, adaptadas ao conceito de rede entre firmas.

Como forma de sintetizar os conceitos de redes entre firmas descritos neste capítulo, segue um quadro com o intuito de relacionar cada autor às suas definições (QUADRO 3):

Quadro 3: Relacionamento entre os tipos de definição de redes e os autores.

Tipo de Definição Autores

Rede social Jay (1981); Richter (2001); Padolny e Page (1998); Powell e Smith-Doerr (in SMELSER e SWEDBERT, 1994); Mantzavinos, North e Shariq (2001); Granovetter (1985); Fukuyama (1992); Padolny e Page (1998); Grandori e Soda (1995).

Estrutural Economides (1996); Brito (2002); Grandori e Soda (1995); Powell (1990).

Cluster Porter (1998)

Redes de cooperação entre firmas

Gelsing (1992); Mernard (2002); Amato Neto (2000)