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4. Bölüm Bulgular

4.8. Sosyal Katılım Becerisini Geliştirmeye Yönelik Yapılan Etkinlikler Sonrasında

subjetiva e responsabilidade civil objetiva

A Constituição Federal de 1988 ao incorporar a concepção de Estado Democrático de Direito trouxe em seu bojo a inserção de relevantes princípios, a exemplo da dignidade da pessoa humana, art. 1º, além de normas que restringiam a autonomia privada, bem como a introdução de deveres sociais às suas atividades econômicas.

Para que não se ferissem esses princípios e normas constitucionais, que representam a lei maior de um sistema normativo, o Código Civil, assim como as suas leis especiais, agora um vasto arcabouço descentralizado, deveriam ser conjuntamente interpretados à luz dos preceitos fundamentais da Carta Magna.

Era preciso que estes sistemas paralelos se unificassem e a Constituição de 1988, expressão escrita da vontade estatal, constitucionalizou o direito civil com seus princípios informadores da valorização existencial da pessoa humana, fazendo com que este revisse os seus parâmetros e valores, deslocando-o do pólo outrora eminentemente individualista, para a igualdade substancial.

José Giordani, assim definiu esse período:

Como se sabe, a Constituição Federal de 1988 erigiu como fundamento da República a dignidade da pessoa humana. Tal opção colocou a pessoa como centro das preocupações do ordenamento jurídico, de modo que todo o sistema que tem na Constituição a sua orientação e o seu fundamento se direciona para a sua proteção. As normas constitucionais (compostas de

princípios e regras) centradas nessa perspectiva conferem unidade sistemática a todo o ordenamento jurídico.104

Estávamos em um novo momento político, e o estado democrático de direito instalado despontava com o firme propósito de assegurar os direitos do homem e do cidadão. Neste contexto não havia mais que se falar em direito público direito privado, visto que a Constituição, soberana a todo o ordenamento jurídico, elegeu a dignidade da pessoa humana ao seu mais alto patamar, devendo, por isso, receber a proteção do direito.

Com o poder de síntese que lhe é peculiar, Cristiano Chaves Farias, para nosso melhor entendimento, desenhou esse novo panorama na obra Redescobrindo as fronteiras do Direito Civil - uma viagem na proteção da dignidade da pessoa humana:

Bem-vindos ao novo direito civil, construído a partir da legalidade constitucional, cujo olhar se volta para a proteção da pessoa humana, e não mais para o seu patrimônio.105

O posicionamento subjetivista do Código Civil de 1916 não mais se sustentava, pois as novas situações ensejadas pelo progresso científico e pela explosão demográfica demonstravam sinais de falência, exigindo uma nova concepção de responsabilidade civil.

Muitas situações careciam de soluções satisfatórias no que dizia respeito à reparação à vítima, a qual, nem sempre conseguia reunir provas convincentes ao Juízo acerca da veracidade dos fatos. A reformulação do Código Civil, desta maneira, tornou-se imperiosa, exigindo fosse feita releitura de seus preceitos à luz dos princípios da Constituição Federal.

Houve transformações significativas no que se refere à ampliação da justiça social.

104 GIORDANI. José Acir. A responsabilidade Civil Objetiva Genérica no Código Civil de 2002. Rio de Janeiro: Lumens Júris, 2004. p. 123

105 FARIAS. Cristiano Chaves. Novo Código Civil. Redescobrindo as Fronteiras do Direito Civil: uma viagem na proteção da dignidade humana. São Paulo: RT, 2003. p.57.

A responsabilidade civil oriunda do descumprimento de uma obrigação tendo como finalidade precípua mais a prevenção do que a reparação do dano sofrido, em virtude dos constantes e novos fatos sociais, deu ensejo a soluções onde a responsabilidade civil subjetiva com culpa presumida (embora não suplantando a original responsabilidade subjetiva) deixava de atender uma parcela significativa da sociedade que clamava justiça a seus danos pessoais.

Nas demandas judiciais apresentadas então, a vítima não havia mais que provar a culpa do ofensor, invertendo-se a este o ônus da prova. No entanto, rapidamente houve o esgotamento da nova sistemática, uma vez que não havia dificuldade por parte daquele que possuía maior poder econômico em livrar-se da prova da própria culpa. A reparação do dano sofrido, diante do novo sistema, mais uma vez deixava a desejar. A afirmação de que o Código Civil de 1916 não mais se impunha como regulador de uma ordem social privada era incontestável, urgindo uma nova codificação, a qual, sob a hermenêutica principiológica da Constituição Federal, deveria submeter-se a hierarquia formal de seus preceitos. Desta maneira, surgiu a constitucionalização do direito civil.

O novo Código Civil, publicado no Diário Oficial da União em 11 de janeiro de 2002, era modestamente inovador, visto não haver descartado sua tendência patrimonialista e individualista. No entanto trouxe consigo matérias inéditas tais como a inserção da função social ao patrimônio privado e, sobretudo, a individualização sistemática de capítulo disciplinando a Responsabilidade Civil. Inclusa estava a responsabilidade civil objetiva baseada na teoria do risco, onde o autor da conduta o qual produziu o dano ficava obrigado a repará-lo, independentemente de comprovação de culpa.

Nesse novo modelo havia casos, a critério do poder discricionário do Juízo, em que essa responsabilidade, a princípio subjetiva, merecia uma reforma ex-officio, transformando-se em objetiva, sempre que atendesse aos anseios de justiça social e estivesse fundamentada no risco que a atividade oferecia.

Segundo Cavaliere, a teoria do risco assim se apresenta:

todo prejuízo deve ser atribuído ao seu autor reparado por quem o causou, independentemente de ter ou não agido com

culpa. Resolve-se o problema na relação de causalidade, dispensável qualquer juízo de valor sobre o culpável responsável, que é aquele que materialmente causou o dano.106

Toda inovação tem suas conseqüências, e essas atingiram diretamente os empregadores, os quais se viram obrigados, indistintamente, a prestar indenizações aos empregados que os conduziam à justiça em busca da reparação do dano, sem mais a proteção do conveniente do ônus da comprovação da própria culpa.

Portanto, pela sistemática do Novo Código, contudo, instituiu-se, ao lado da responsabilidade civil subjetiva, mantida nos artigos 186, 187 e caput do artigo 927, a responsabilidade civil subjetiva genérica, baseada no risco criado, pela qual o autor da conduta que produziu o dano ficará obrigado a ressarcir a vítima, independente de comprovação de culpa. Tal preceito legal, portanto, assegura um melhor acesso à justiça, como medida de cunho democrático, resguardando assim, a dignidade da pessoa humana.107

106 CAVALIERE. Sérgio. Programa de Responsabilidade. 7. Edição. São Paulo: Malheiros, 2007. P.195

107 GIORDANI. José Acir. A responsabilidade Civil Objetiva Genérica no Código Civil de 2002. Rio de Janeiro: Lumens Júris, 2004. 205